Nesta sexta, Zezé di Camargo volta a subir ao palco do Chevrolet Hall, junto a seu irmão, Luciano, para lançar oDVD “Duas Horas de Sucesso” no Recife. “Ir tocar no Recife não é trabalho, é festa”, revela o cantor, em entrevista exclusiva por telefone.
“Tenho muitos amigos aí,quando arranjo uma folga na agenda de shows do Nordeste, corro para Recife”, revela. Além de Zezé di Camargo e Luciano, na próxima sexta, também sobem ao palco Calypso, Bruno e Marrone e Amigos Sertanejos. Sobre estes últimos, atesta: “A gente aposta muito neles”. A seguir, o melhor da nossa conversa.
De novo no Recife, né, Zezé?
Recife é sempre uma festa. Quando vemos na nossa agenda que tem show aí, pensamos: “Não vamos trabalhar,vamos fazer festa!”. Gosto muito daí, temos muitos amigos. Nesta sexta, vai ser legal, pois faremos show na área externa do Chevrolet Hall, o que é novidade para nós. Luiz Augusto [um dos proprietários do Chevrolet Hall] me disse: “Vai ter uma multidão de gente”. Aí, eu perguntei: “Mais do que já tem normalmente”? (risos)
Do que você tem saudade daqui quando está longe?
Rapaz, adoro Porto de Galinhas. Fiquei hospedado no Summerville e foi uma maravilha. Um lugar que gostei muito também foi Itamaracá, sou louco para gravar uma música que fala sobre a Ilha de Itamaracá, não sei de quem é a composição, mas acho ótima. Curto a energia de Recife, sabe? Sou igual a cachorro, quando bem tratado, vou ficando… E sou muito bem tratado aí.
Você faz muito show em Gravatá também, né?
Já fui em Gravatá sem fazer show, a passeio. Tive uns três, quatro dias de folga e corri para lá. Também adoro ir ao japonês Soho [o Soho fechou e hoje abriga o bar Conselheiro].
Olhando para os números que cercam a sua carreira, tudo é superlativo: milhões de discos vendidos, milhões de pessoas indo ver o filme “Dois Filhos de Francisco”. Não te dá a sensação de que já fez tudo na vida?
Para falar a verdade, não paro para ficar analisando números. Levo a minha vida de maneira saudável, sem me incomodar com essa grandiosidade toda. Só penso em cantar. É isso que eu faço, é isso que eu amo. Não estipulo metas, números claros. Quero cantar. Já tenho 47 anos, minha única meta é ser feliz.
Mas uma carreira tão bem sucedida não demanda planejamento?
Sim, planejamento existe aqui no escritório, mas há uma coisa aleatória que também faz parte da nossa carreira. Por exemplo, fomos no Programa do Jô semana passada e a nossa expectativa não era tomar todo o tempo do programa. Fomos conversando, falando nossas coisas, o Jô gosta de um tom mais de conversa mesmo… Acabou que cantamos cinco músicas. Nunca tinha visto isso no programa dele. Ganhamos um espaço e uma grandiosidade que não esperávamos. Na nossa vida, tem coisas que é meio assim.
Acho que uma das maiores surpresas na carreira de vocês foi a boa recepção, inclusive da crítica, do filme de vocês “Dois Filhos de Francisco”. A crítica ainda te incomoda?
Agora não mais, mas já incomodou muito. Hoje em dia, sei quando é maldade, quando a crítica não é de uma forma positiva. Acho que ninguém precisa gostar da minha música, mas penso que é preciso me respeitar como artista, com a minha história. No que eu faço, me considero competente. Tem muitos artistas que não gosto e não saiu falando mal, respeito.
Já ouvi boatos sobre uma possível continuação do filme “Dois Filhos de Francisco”. É possível?
Olha, propostas não faltam, subsídios também. Mas a verdade é que nós temos medo. O primeiro filme foi uma coisa despretensiosa, aconteceu da maneira mais despojada possível. Esperávamos um milhão de espectadores e tivemos seis milhões. O sucesso foi muito grande, mas me assusta a possibilidade de um novo filme.
O que você acha do fenômeno do sertanejo universitário, tipo Victor e Léo e afins?
Olha, o Victor e Léo nem gostam de ser chamados de sertanejos universitários. Muitos dos artistas que se intitulam de sertanejos
universitários nem universitários são. Acho que isso foi uma forma de rotular uma música que já existia. Mas, não é nada diferente. Essas duplas cantam músicas nossas, de Bruno e Marrone… Acho que, de alguma forma, acaba somando, mas musicalmente não é diferente.
Esse rótulo de sertanejo universitário não é uma forma de endereçar a música sertaneja para os jovens? Muitas dessas duplas fazem shows de boates, casas noturnas…
É, pode ser. Mas no nosso caso, em nossos shows, é possível encontrar gente de 15, 16 anos, na plateia. Gente que nem era nascida quando algumas daquelas músicas foram lançadas. Ou seja, nosso público já é também jovem. Agora, acho que não é o rótulo que determina para quem é a música. É a própria música, entende? Quando a gente começou, havia muitas outras duplas sertanejas. Algumas ficaram, outras não. O processo natural de seleção vai prevalecer agora também. Há muitas duplas de sertanejo universitário. Algumas ficarão, outras não.
Li sobre boatos de que você não gostou que sua filha Wanessa tivesse tirado o sobrenome Camargo do “nome artístico” dela.
Nada, rapaz. Pelo contrário. Eu é que dei uns toques para ela. Na verdade, ela sempre “carregou a cruz” de ser minha filha, sempre teve aquele preconceito com o sertanejo. Disse para ela assumir um gênero que seria mais “a cara” dela. Seria muito cômodo para a Wanessa ficar cantando músicas sertanejas, compostas por mim, coisas assim. A atitude dela demonstrou maturidade e, acima de tudo,coragem.
Você se interessa por novas tecnologias, tipo Facebook, Twitter?
Nem um pouco. Vai chegar um momento em que essas ferramentas tecnológicas vão ficar incontroláveis. Todo mundo vai saber de tudo. Isso, para mim, quebra um pouco o fascínio do artista. Sem falar que acho que se perde um pouco a privacidade. Você sabe quando a pessoa sai, almoça, janta. O Twitter tenta fazer do artista um cidadão comum, quando não é. O artista tem que preservar sua magia. É como um mágico que revela seu truque.
Mas você não tem curiosidade sobre o Twitter, de ver os artistas “tuitando”?
Na verdade, não. Meu interesse na Madonna não é de saber com quem ela transa, com quem anda saindo, o que está fazendo. Quero vê-la no
palco, dançando, cantando, que é o seu trabalho. Aqui no escritório tem Twitter, mas eu não “tuito”. O Twitter aqui é para comunicação com fãs, para ter um feedback das nossas coisas.
Você e Luciano vão cantar num navio, no Cruzeiro “É o Amor”. Como vai ser?
O show do cruzeiro é diferente do “Duas Horas de Sucesso”. Apesar do teatro do navio ser grande, cabem 1.300 pessoas, não dá para levar
toda a estrutura. Por isso, será uma apresentação diferente, mas com músicas escolhidas para a ocasião. Acho que esse cruzeiro vai gradar àqueles que querem nos ver de maneira mais pessoal, num ambiente
menor. Vai ser uma apresentação com mais contato com o público. O navio cabe umas três mil pessoas, daí fazermos shows no teatro
em cada uma das noites e também planejamos uma apresentação na beira da piscina, para todo mundo. Haverá também a “Noite do Branco”,
com todo mundo vestido de branco para celebrar nossas músicas.
No show “Duas Horas de Sucesso”, vocês cantam faixas de outros artistas como “Saudade” (Christian e Ralph) e “Telefone Mudo” (Franco/Peão Carreiro). Como chegaram a essas canções?
“Saudade” é uma música do Christian. Cheguei para ele e disse: “Christian, quero gravar essa música”. E ele me deu na hora. “Telefone Mudo” é uma canção que é muito cantada pela galera do sertanejo universitário. É uma canção do Trio Parada Dura e queria mostrar para a molecada a origem da música, que ela não foi inventada agora, já é antiga. Aliás, não existe nada novo, né? As músicas são as mesmas, o que se renova é o público. O público é que é novo.
Nesse show, também vocês cantam “Hey Jude”, dos Beatles. É um tributo a eles? Há alguma influência dos Beatles na música de vocês?
Olha, não temos pretensão de fazer um tributo. Os Beatles já são muito “tributados”… (risos) Cantamos as músicas que gostamos e adoro as músicas dos Beatles. O que motiva a gente escolher uma música para o repertório do show é gostarmos dela. Somente. Agora, tem uma coisa na música dos Beatles que chama muito minha atenção: as harmonias simples. Já me disseram que “o difícil é ser simples”. Concordo. Já cantei “Yes”, “Let it Be”, dos Beatles, agora, escolhemos outras músicas.
Ainda dá para se emocionar ao cantar “É o Amor”?
Muito… (pausa) Muito mesmo. Essa canção é emblemática, um divisor de águas na nossa vida em todos os sentidos. É uma canção especial. A nossa primogênita.