O SEGREDO DA DOÇURA E DO ASÈ.
PAI CIDO EYN DA OSUM

Foi em 1988 que conheci Pai Cido da Oxum. Um homem simples, forte e determinado mas dono de uma doçura e atenção inenarráveis. Uma verdadeira encarnação da figura de sua Yabá. Eu que o diga, pois para quem nunca tinha freqüentado ou entendia nadica de nada da orixalidade , fui agraciada com um toque suave de sua Oxum em minha face, durante o intervalo de sua festa de fim de ano. Até hoje, relembro e sinto o toque…Foi um verdadeiro encantamento. Era o primeiro orixá que via paramentado na minha vida. Fiquei extasiada… O meu entorno vibrava como ondas. Foi mágico! Sinto tudo isso de volta sempre que me lembro de Pai Cido, de sua Oxum, de seu Ilê.

Quando chega a Semana Santa, a memória grita e as lembranças voltam como água fluindo da cachoeira. Sim, é nessa época que se faz a cerimônia de fechamento de corpo ou curas. Foi num desses dias que comi pela primeira vez vatapá, caruru, peixe e o inigualável feijão doce da Vó Zilá. A harmonia e a união dos filhos. O carinho do Zelador com os convidados do ajeum. Quanta saudade!!!
O amor à orixalidade, o estudo e aprimoramento de Pai Cido ao longo dos anos, suas viagens à África relatadas em seus livros, sua dedicação e defesa à religião são exemplos dessa figura que enche de orgulho todos aqueles que o conhecem e privam de sua amizade.
Para mim, permanece aquela figura amorosa do roncó, seu carinho e desvelo nas obrigações e, o mais importante, a deferência à uma pirralhinha ávida a aprender a cantiga de seu orixá, quando entoou em um bori a lovação a Xangô.
Aprendi… e nunca mais esqueci.
Tantos anos passados e o amor não diminuiu. Pelo contrário, só cresce. O amor e o carinho são eternos quando se trata do Pai Cido. Ele tem o dom de acalentar tudo e todos, principalmente seus filhos e Orixás.
Todos os anos, no mês de Abril ele celebra Oxóssi, seu ajuntó. É uma das festas mais bonitas do candomblé.E, no caso de Ilê de Pai Cido Eyn da Osum, é realmente, UMA FESTA! Os seus atabaques são um primor de força e Asè. A alegria é imensa e Pai Cido vibra a cada cantiga.
Que Oxum e Olorum o cubra de bênçãos.

Um forte e grande abraço, Pai Cido.
Pedreirinha
Autor: PATRICIA KEN - Categoria(s): Pessoal Tags:
