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Arquivo de setembro, 2008

21/09/2008 - 23:21

Amigos para sempre ou sempre amigos

Um dos temas nas rodas de encontros, depois de um tempo de vida, passa a ser exatamente o tema: amigos. Ao longo da nossa trajetória profissional e social colecionamos uma infinidade de pessoas que passamo a chamar de amigos, porém a grande maioria deixa de ser amigo assim que deixamos de ser interessantes para os objetivos ou desejos deles. Esses classifico na categoria de conhecidos

Lembro, só para ilustrar, que ao longo de 38 anos de carreira profissional como cronista social (faça uma distinção entre colunista social e cronista social, apesar de que a primeira vista pareçam sinônimos, mas a diferença está exatamente, no meu entendimento, no termo cronista ou crônica). Pois bem, feita a explicação, colhi um incalculável número de pessoas que se acotovelavam ao meu redor, todos se dizendo amigos e ensiosos por aparecerem na minha crônica social que era publicada semanlmente.

Nessse tempo, quase quatro décadas, recebi muitas festas de homenagens, sem falsa módéstia. Porém, tal fato jamais me subiu à cabeça e sempre caminhei com os pés firmes no chão. Nessas festas-homenagens tinha um amigo (esse continua fiel e de fé) que gostava de oratória, e assim se protificava em me homenagear com suas sempre amáveis palavras. O que nunca esquecia de dizer era: “O fulano é um privilegiado, pois tem uma invejável pleiade de amigos“. Para quem via numa primeira olhada, e sem muita atenção, acredita realmente. Muitos até, pela forma como me falavam, deixavam transparecer uma certa inveja. Mas a realidade, para quem sempre manteve os pés no chão firme, era bem outra. E não demorou muito para que tal fosse efetivamente confirmado.

Hoje tenho uma história de mais de 42 anos no jornalismo, mas deixei de ser cronista social há cerca de quatro anos. O mesmo tempo em que da “invejável pleiade de amigos” me restaram não mais do que oito ou dez, cujo os encontro de quando em quando, mas ainda amigos de verdade.

Semanalmente, duas a três vezes, me encontro com amigos do tempo da infância-adolescência nos distantes anos dourados e diamantinos, que arranjam tempo para relembrar e jogar conversa fora. Ou seja, sem qualquer interesse escuso ou subjetivo. Assim, passamos horas, entre cerveja que alguns ainda bebem e cafezinho outros, recordando do soltar pandorga, jogar bolinha de gude, caçar passarinho com funda (bodoque), brincar de carinho de lata, rodar (andar de) arco, do futebol no meio da rua com bola de borracha ou até mesmo a de couro (esa ainda com câmara de ar, bico para infiltrar a bomba para encher a bola e tentos, com que se fechava a abertura por onde se introduzia a câmara de ar), jogo de botão, bailinhos na casa da dona Dora (que foi atleta do G. E. Renner, de Porto Alegre, portanto entusiasta do esporte e nossa incentivadora na fundação do time de futebol de salão), que ela organizava nos fundos da sua casa. E lá passávamos horas paquerando e dançando com as menininhas da nossa rua.

Tempo de colecionar maços de cigarro, flâmulas de times de futebol e outras, de comprar e trocar figurinhas duplas e montar álbuns com todos os times de futebol do Brasil e, em alguns estados onde o futebol não era tão popular, com as suas seleções estaduais. Tempo, também de fazer coleção de lápis, de chaveiros, bolinha de gude com efeitos diferentes e difícies de se encontrar. Enfim, tempo de brincar de “passar o anel”, aí com a participação das gurias, assim com a brincadeira de roda, e outras tantas brincadeiras mais.

Ah, era tempo, lembram todos com uma saudade baita, dos caminhõezinhos de madeira, incluive com reboque, que nós mesmo fazíamos com tacos de madeira: a cabine e o pára-brisa desenhados a lápis ou caneta esferográfica, e as rodas feitas com carretéis de linha, presos ao corpo do caminhãozinho com uma chapinha de metal. Era um quase êxtase, depois de prontos, poder brincar com o que nós mesmos tínhamos feito, usando serrinha de trabalho manual, facas e lixas grossa e fina. 

Foi lá que conquistei os meus verdadeiros amigos, e que ainda hoje cultuamos e preservamos com especial carinho e fidelidade. De lá prá poucos, muitíssimo poucos foram os amigos que se revelaram realmente verdadeiros amigos.

E amigos, que é com quem podemos contar sempre, como diz a letra da canção de Milton Nascimento, “Amigo é coisa prá se guardar / do lado esquerdo do peito / dentro do coração / Assim falava a canção …“.

Um grande, forte e infinito abraço a todos os meus AMIGOS VERDADEIROS!

Autor: Xico Júnior - Categoria(s): Pessoal Tags:
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