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29/10/2009 - 12:10

Corredor de ônibus: idéia precisa ser melhorada

 

 Se eu realizasse uma pesquisa com cem pessoas aqui da baixada santista, mais precisamente entre as cidades de Santos, São Vicente, Praia Grande, Cubatão e Guarujá, e perguntasse o que acham do trânsito entre estes municípios, eu diria que a maioria absoluta iria caracterizá-lo como ruim ou péssimo. A piora vem aumentando com uma certa constância há pelo menos 10 anos, basta analisarmos que as ruas perpendiculares às principais avenidas, que serviam de válvulas de escape outrora, hoje ficam totalmente paradas a qualquer hora do dia.

Recentemente a Companhia de Engenharia de Tráfego da Prefeitura de Santos (CET-Santos) implantou em toda a extensão da Avenida Ana Costa um corredor exclusivo para ônibus e táxis com passageiros, operando de segunda a sexta-feira das 6 às 9 da manhã no sentido praia-centro e das 17 às 20 horas no sentido inverso. Nos demais horários, o trânsito é liberado.

A expectativa da CET é conscientizar o munícipe a utilizar o transporte público, já que o corredor permite que os ônibus teoricamente se desloquem com mais rapidez, não tendo que dividir a pista com os carros.

Eu acho uma ótima idéia segregar a circulação dos coletivos nas principais avenidas. É um passo importante para que acabe com a idéia da massificação do transporte individual – afinal, segundo as propagandas, novelas e filmes, carro é sinônimo de poder, de independência, de sucesso profissional, de belas garotas (no caso das interesseiras, sem generalizar as mulheres, a quem devo todo respeito). Isto não quer dizer que ninguém pode sonhar em comprar um carro. É perfeitamente válido e é bom que comprem, isto aquece a economia como um todo. Mas não faz sentido o deslocamento casa – serviço – faculdade – casa de carro e moto nos dias de hoje, o trânsito não suporta mais este tipo de locomoção.

Porém, o efeito do corredor será limitado se não houver uma grande mudança no sistema de transporte municipal. A pessoa pensa em deixar o carro em casa para utilizar o ônibus, mas acaba se deparando com pontos sem abrigo (ainda mais aqui que chove tanto), ônibus lotados, desconfortáveis, ruidosos e com um intervalo muito longo entre eles. Se o passageiro resolver ir de ônibus seletivo, embora seja bem mais confortável, esbarra na limitação do carro, que são microônibus (25 passageiros e não é permitido viajar em pé). Ele é obrigado a esperar pelo próximo e, quase sempre, o próximo do próximo.

Com isso, ele volta para o carro, e mais passageiros mau-tratados pelo sistema de transporte investem no transporte individual, esvaziando mais os ônibus, fazendo a permissionária reduzir o tamanho e até a quantidade de coletivos nas ruas, realimentando o círculo do trânsito caótico.

Não adianta incentivar o munícipe a deixar o carro em casa para ser mau tratado no transporte público. Se não houver uma grande mudança, com ônibus maiores e mais confortáveis, com acessibilidade total (pessoas de muletas, idosos com dificuldade de locomoção e mães com carrinhos de bebê também usam ônibus) e uma boa frequência, de forma que o passageiro não seja tratado como saco de areia, infelizmente uma boa idéia como o corredor da Ana Costa pode cair no limbo a curto prazo.

Autor: donniel@ig.com.br - Categoria(s): Notícias Tags:


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