Petrobras, Bacia de Santos, pré-sal, royalties… o que ganharemos com isso?
Imagem mostra os detalhes do petróleo na camada pré-sal.
Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u440468.shtml
Uma coisa que tenho reparado, e que todos que moram aqui na baixada santista também já devem ter percebido, é como tudo o que é feito, planejado, estudado e até inflacionado (no caso dos preços) tem como pano de fundo a exploração do pré-sal na Bacia de Santos pela Petrobras. Eu venho agora, meu caro leitor, tentar explicar de forma sucinta, sem rodeios, sem “tecniquês”, o que é e por quê essa concha de termos relacionados a petróleo de repente apareceu no nosso cotidiano e o que temos a ganhar (e a perder) com isso.
Bacias são as jazidas de petróleo no mar. Apesar do nome, a Bacia de Santos começa no litoral do Espírito Santo e vai até o litoral de Santa Catarina. A Petrobras chama de pré-sal o petróleo encontrado depois de uma extensa camada de sal, entre 7000 e 8000 metros abaixo do leito do mar. De acordo com uma matéria publicada na Folha Online em 31 de agosto último, estima-se que o poço de Tupi, o principal deles, pode conter até 30 bilhões de barris de petróleo, segundo a empresa britânica BC Group, que é parceira do Brasil em Tupi com 25% de participação. Isto é mais que o dobro das reservas de petróleo e gás comprovadamente existentes no Brasil.
Boa parte dos poços de petróleo da bacia de Santos fica próximo do litoral norte do Estado de São Paulo, mas já há indícios de poços de óleo de boa qualidade na direção da baixada santista, e já existe uma plataforma de exploração de gás natural em Praia Grande.
Este potencial todo da bacia de Santos tem chamado muito a atenção de políticos e empresários da construção civil. O governo federal criou uma comissão interministerial para debater os rumos e o marco regulatório da exploração do pré-sal e o destino dos seus recursos com a sua exploração, enquanto que deputados da região lutam no Congresso para que haja uma melhor distribuição dos royalties da exploração dos campos da bacia de Santos.
Recentemente, foi anunciado pela Petrobras a aquisição de um grande terreno na região do Valongo em Santos, onde serão construídas três torres para sua Unidade de Negócios. Cada torre trará cerca de 2000 empregos diretos e indiretos.
Toda esta estimativa tem causado uma revolução na região, principalmente em Santos, com a chegada de empreendimentos de alto padrão, causando uma inflação do preço do metro quadrado na cidade e expulsando a população de renda mais baixa para outras cidades da baixada.
O que eu chamo a atenção é para alguns detalhezinhos que parecem passar despercebidos:
1° : a exploração de petróleo na camada pré-sal exige um altíssimo investimento em tecnologia e prospecção. A Petrobras está iniciando os testes ainda. Com certeza não teremos estes poços em plena produção tão cedo;
2°: como os grandes poços da reserva ficam na direção do litoral norte do Estado de São Paulo, tudo indica que nós da baixada santista não teremos muito o que receber com os royalties;
3° num primeiro momento, boa parte da mão-de-obra que a Petrobras trará, pelo menos os grandes conhecedores do negócio, virão de outras regiões do Brasil, até porque não temos experiência nem tradição em revelar grandes conhecedores em prospecção de petróleo aqui na baixada.
Com isso, acredito que a baixada santista tem que focar fortemente no apoio offshore da Petrobras, e neste nicho temos muito a ganhar. Primeiro que temos o maior porto da América Latina, com grande conhecimento em operações portuárias, algo que será muito explorado pelas empresas de apoio. Temos uma base aérea pronta para utilização dos helicópteros no deslocamento até as plataformas, algo que já vem ocorrendo no Aeroporto de Itanhaém e se intensificará. E principalmente, na criação de um estaleiro para a construção e manutenção de maquinários e das embarcações e plataformas. Para isso tudo, é preciso ter mão-de-obra qualificada (ensino técnico e superior voltados à fabricação e manutenção do maquinário específico, além dos especializados aos negócios exigidos pela Petrobras) e muita vontade política, pois se ficarmos só lutando por royalties, correremos o risco de perder o bonde da história. E este será bem difícil de recuperar…
Autor: donniel@ig.com.br - Categoria(s): Notícias Tags:
