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29/10/2009 - 12:10

Corredor de ônibus: idéia precisa ser melhorada

 

 Se eu realizasse uma pesquisa com cem pessoas aqui da baixada santista, mais precisamente entre as cidades de Santos, São Vicente, Praia Grande, Cubatão e Guarujá, e perguntasse o que acham do trânsito entre estes municípios, eu diria que a maioria absoluta iria caracterizá-lo como ruim ou péssimo. A piora vem aumentando com uma certa constância há pelo menos 10 anos, basta analisarmos que as ruas perpendiculares às principais avenidas, que serviam de válvulas de escape outrora, hoje ficam totalmente paradas a qualquer hora do dia.

Recentemente a Companhia de Engenharia de Tráfego da Prefeitura de Santos (CET-Santos) implantou em toda a extensão da Avenida Ana Costa um corredor exclusivo para ônibus e táxis com passageiros, operando de segunda a sexta-feira das 6 às 9 da manhã no sentido praia-centro e das 17 às 20 horas no sentido inverso. Nos demais horários, o trânsito é liberado.

A expectativa da CET é conscientizar o munícipe a utilizar o transporte público, já que o corredor permite que os ônibus teoricamente se desloquem com mais rapidez, não tendo que dividir a pista com os carros.

Eu acho uma ótima idéia segregar a circulação dos coletivos nas principais avenidas. É um passo importante para que acabe com a idéia da massificação do transporte individual – afinal, segundo as propagandas, novelas e filmes, carro é sinônimo de poder, de independência, de sucesso profissional, de belas garotas (no caso das interesseiras, sem generalizar as mulheres, a quem devo todo respeito). Isto não quer dizer que ninguém pode sonhar em comprar um carro. É perfeitamente válido e é bom que comprem, isto aquece a economia como um todo. Mas não faz sentido o deslocamento casa – serviço – faculdade – casa de carro e moto nos dias de hoje, o trânsito não suporta mais este tipo de locomoção.

Porém, o efeito do corredor será limitado se não houver uma grande mudança no sistema de transporte municipal. A pessoa pensa em deixar o carro em casa para utilizar o ônibus, mas acaba se deparando com pontos sem abrigo (ainda mais aqui que chove tanto), ônibus lotados, desconfortáveis, ruidosos e com um intervalo muito longo entre eles. Se o passageiro resolver ir de ônibus seletivo, embora seja bem mais confortável, esbarra na limitação do carro, que são microônibus (25 passageiros e não é permitido viajar em pé). Ele é obrigado a esperar pelo próximo e, quase sempre, o próximo do próximo.

Com isso, ele volta para o carro, e mais passageiros mau-tratados pelo sistema de transporte investem no transporte individual, esvaziando mais os ônibus, fazendo a permissionária reduzir o tamanho e até a quantidade de coletivos nas ruas, realimentando o círculo do trânsito caótico.

Não adianta incentivar o munícipe a deixar o carro em casa para ser mau tratado no transporte público. Se não houver uma grande mudança, com ônibus maiores e mais confortáveis, com acessibilidade total (pessoas de muletas, idosos com dificuldade de locomoção e mães com carrinhos de bebê também usam ônibus) e uma boa frequência, de forma que o passageiro não seja tratado como saco de areia, infelizmente uma boa idéia como o corredor da Ana Costa pode cair no limbo a curto prazo.

Autor: donniel@ig.com.br - Categoria(s): Notícias Tags:
29/09/2009 - 19:51

Petrobras, Bacia de Santos, pré-sal, royalties… o que ganharemos com isso?

preSal

Imagem mostra os detalhes do petróleo na camada pré-sal.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u440468.shtml

 

Uma coisa que tenho reparado, e que todos que moram aqui na baixada santista também já devem ter percebido, é como tudo o que é feito, planejado, estudado e até inflacionado (no caso dos preços) tem como pano de fundo a exploração do pré-sal na Bacia de Santos pela Petrobras. Eu venho agora, meu caro leitor, tentar explicar de forma sucinta, sem rodeios, sem “tecniquês”, o que é e por quê essa concha de termos relacionados a petróleo de repente apareceu no nosso cotidiano e o que temos a ganhar (e a perder) com isso.

Bacias são as jazidas de petróleo no mar. Apesar do nome, a Bacia de Santos começa no litoral do Espírito Santo e vai até o litoral de Santa Catarina. A Petrobras chama de pré-sal o petróleo encontrado depois de uma extensa camada de sal, entre 7000 e 8000 metros abaixo do leito do mar. De acordo com uma matéria publicada na Folha Online em 31 de agosto último, estima-se que o poço de Tupi, o principal deles, pode conter até 30 bilhões de barris de petróleo, segundo a empresa britânica BC Group, que é parceira do Brasil em Tupi com 25% de participação. Isto é mais que o dobro das reservas de petróleo e gás comprovadamente existentes no Brasil.

Boa parte dos poços de petróleo da bacia de Santos fica próximo do litoral norte do Estado de São Paulo, mas já há indícios de poços de óleo de boa qualidade na direção da baixada santista, e já existe uma plataforma de exploração de gás natural em Praia Grande.

Este potencial todo da bacia de Santos tem chamado muito a atenção de políticos e empresários da construção civil. O governo federal criou uma comissão interministerial para debater os rumos e o marco regulatório da exploração do pré-sal e o destino dos seus recursos com a sua exploração, enquanto que deputados da região lutam no Congresso para que haja uma melhor distribuição dos royalties da exploração dos campos da bacia de Santos.

Recentemente, foi anunciado pela Petrobras a aquisição de um grande terreno na região do Valongo em Santos, onde serão construídas três torres para sua Unidade de Negócios. Cada torre trará cerca de 2000 empregos diretos e indiretos.

Toda esta estimativa tem causado uma revolução na região, principalmente em Santos, com a chegada de empreendimentos de alto padrão, causando uma inflação do preço do metro quadrado na cidade e expulsando a população de renda mais baixa para outras cidades da baixada.

O que eu chamo a atenção é para alguns detalhezinhos que parecem passar despercebidos:  

1° : a exploração de petróleo na camada pré-sal exige um altíssimo investimento em  tecnologia e prospecção. A Petrobras está iniciando os testes ainda. Com certeza não teremos estes poços em plena produção tão cedo;

2°: como os grandes poços da reserva ficam na direção do litoral norte do Estado de São Paulo, tudo indica que nós da baixada santista não teremos muito o que receber com os royalties;

3° num primeiro momento, boa parte da mão-de-obra que a Petrobras trará, pelo menos os grandes conhecedores do negócio, virão de outras regiões do Brasil, até porque não temos experiência nem tradição em revelar grandes conhecedores em prospecção de petróleo aqui na baixada.

Com isso, acredito que a baixada santista tem que focar fortemente no apoio offshore da Petrobras, e neste nicho temos muito a ganhar. Primeiro que temos o maior porto da América Latina, com grande conhecimento em operações portuárias, algo que será muito explorado pelas empresas de apoio. Temos uma base aérea pronta para utilização dos helicópteros no deslocamento até as plataformas, algo que já vem ocorrendo no Aeroporto de Itanhaém e se intensificará. E principalmente, na criação de um estaleiro para a construção e manutenção de maquinários e das embarcações e plataformas. Para isso tudo, é preciso ter mão-de-obra qualificada (ensino técnico e superior voltados à fabricação e manutenção do maquinário específico, além dos especializados aos negócios exigidos pela Petrobras) e muita vontade política, pois se ficarmos só lutando por royalties, correremos o risco de perder o bonde da história. E este será bem difícil de recuperar…

Autor: donniel@ig.com.br - Categoria(s): Notícias Tags:
24/09/2009 - 23:19

Muito assunto! Pouco tempo!

Olá a todos!

Depois de um longo e tenebroso inverno sem postar (o último foi há quase dois meses!), estou voltando. Mas para me justificar!

Infelizmente  eu estava muito sem tempo, envolvido entre o trabalho e probleminhas particulares, que sempre existem, mas de vez em quando resolvem se intensificar e atrapalhar nosso cotidiano, coisas da vida.

Eu também quero me desculpar a todos que postaram comentários nos meus últimos posts, pela demora em publicar. É que eu achava que a publicação era automática, até que eu vi todos acumulados no portal, esperando o meu aval. Li um por um, concordo com uns, discordo de outros. Mas respeito a opinião de todos, absolutamente. Por isso aprovei  todos os comentários, e sempre aprovarei, a menos que seja prejorativo. Ainda estou me adaptando ao blog, descobrindo as suas nuances e trejeitos.

Mas tenho muito assunto para postar: pré-sal, ponte Santos-Guarujá, política, economia, esporte, entretenimento (música, TV)…

Grande abraço a todos e até o próximo post! Prometo que não vai demorar….

Autor: donniel@ig.com.br - Categoria(s): Notícias Tags:
29/07/2009 - 23:54

Reportagens e Reportagens

Chamada do programa Reporter Record

 

 

 

 

 

Chamada do telejornal Reporter Record. Fonte da imagem: http://4.bp.blogspot.com (29/07/2009)

 

No último fim de semana, passou na TV Record o programa Reporter Record sobre o Porto de Santos, onde a equipe deste programa fez uma reportagem investigativa sobre os “bastidores” do cais.

 

Apresentado por Roberto Cabrini (aquele), o programa mostra um porto abandonado, sem nenhuma segurança, repleto de traficantes, usuários de drogas, prostitutas, brigas, violência, estivadores brigando por um serviço, mendigando, enfim. Mostrou como uma pessoa qualquer consegue passar pelos portões de entrada na zona primária (o cais propriamente dito), subir no navio e até mostrou o trabalho de estivadores no galpão de um navio. Mas a equipe de Cabrini foca diretamente o uso de drogas e a prostituição nos bairros próximos do Centro de Santos.

 

Confesso que fiquei irritado e indignado com a reportagem, pois ela não teve o intuito de informar sobre um problema, como um programa desta categoria tem a obrigação de fazer, mas sim de denegrir, causar sensacionalismo. Fica muito claro nas aboradagens com os entrevistados, no foco das reportagens. A idéia era, sem dúvida, de atingir algo ou alguém, através de uma matéria sem nenhum cunho construtivo ou informativo, inclusive com dados infundados.

 

Não estou querendo dizer que o Porto de Santos é uma maravilha. Ele tem problemas, muito sérios inclusive, como qualquer porto brasileiro. Eu posso dizer com tranquilidade porque trabalho e fiz o meu TCC sobre o porto. Fiz uma grande pesquisa sobre o seu funcionamento para levantar os seus gargalos. Falta um pátio de estacionamento para os caminhoneiros, a conclusão do projeto Alegra Centro da prefeitura e uma melhor preparação para os Seguranças nos portões (está em implantação um sistema totalmente informatizado de controle de acesso ao cais. Falarei sobre ele em breve). Mas o porto ganhou em eficiência logística com a modernização dos terminais, a perimetral está em construção, novos projetos estão saindo do papel e ele ainda vem batendo recordes de movimentação de carga, em torno de 82 milhões de toneladas em 2008.

 

Derrubar é fácil. Denegrir é fácil. Distorcer uma informação é fácil. Difícil é fazer algo sem interesses, com o puro intuio de alertar. A Record teve a chance e errou. E errou feio.  

Autor: donniel@ig.com.br - Categoria(s): Notícias Tags:
01/07/2009 - 00:22

Mais um motivo para não trabalhar em São Paulo…

Avenida Radial Leste, no Tatuapé, no in�cio da hora do rush.

Avenida Radial Leste, no bairro do Tatuapé, no início da hora do rush. Foto de autoria própria.

No próximo dia 27 de julho entra em vigor uma zona de restrição ao tráfego de ônibus fretados com destino à capital paulista. Este polígono, chamado de Zona Máxima de Restrição à Circulação de Fretados (ZMRF), cria um minianel viário de 70 km quadrados, abrangendo as principais vias utilizadas atualmente por esses ônibus. 

Os fretados serão proibidos de circular na área interna formada pelas seguintes vias: Avenida Ricardo Jafet, Avenida Professor Abraão de Moraes, Avenida Afonso d´Escragnolle Taunay, Avenida dos Bandeirantes, Avenida Vereador José Diniz, Avenida Roque Petroni Jr, Avenida das Nações Unidas (Marginal Pinheiros), Avenida Professor Frederico Hermann Jr, Avenida Pedroso de Moraes, Rua Cardeal Arcoverde, Avenida Sumaré, Avenida Auro Soares de Moura Andrade, Avenida Marquês de São Vicente, Rua, Norma Gianotti, Rua Sérgio Tomáz, Avenida do Estado e Avenida Tereza Cristina.

Os passageiros terão que descer em pontos pré-determinados pela prefeitura, localizados em algumas estações de metrô e trem, e também terão sete linhas especiais de ônibus. Segue abaixo os pontos e as linhas especiais, extraídos do site A Tribuna Online:

Pontos

Estações do Metrô: Imigrantes, Jabaquara, Conceição, Sumaré, Barra Funda e Belém
Estações da CPTM: Morumbi, Berrini, Cidade Jardim, Hebraica/Rebouças, Pinheiros e Cidade Universitária
Estação do Expresso Tiradentes: Sacomã.   

Linhas Especiais
Gasômetro – Paulista (Via Alameda Santos); Paulista Gasômetro (Via S. Carlos do Pinhal); Metrô Belém Berrini; Metrô Imigrantes Chácara Sto. Antônio; Metrô Imigrantes – Faria Lima; Metrô Jabaquara – Berrini; e Metrô Vila Madalena – Berrini.

Esta é mais uma medida polêmica adotada pelo atual prefeito, sem nenhuma consulta ou estudo mais aprofundado. Tudo bem que existem irregularidades cometidas pelos motoristas de fretados, falta fiscalização e até uma regulamentação por parte da prefeitura paulistana. Mas simplesmente proibir a circulação de fretados é uma medida totalmente radical, que vai contra os prinicípios de mobilidade urbana (um fretado retira, pelo menos, vinte carros das ruas), de tempo e até financeiro para muitos trabalhadores, sobretudo de quem mora fora da grande São Paulo, um contingente de mais de 15 mil pessoas. Sete mil só na Baixada Santista. Ficará humanamente inviável para muitos continuar trabalhando na capital.

A medida visa ‘forçar’ os passageiros de fretados a utilizar o transporte público. A prefeitura alega que há uma grande quantidade de ônibus fretados, prejudicando o trânsito e a quem vive ou trabalha nas regiões onde a circulação das linhas é maior, como as avenidas Paulista, Berrini e Faria Lima. Mas convenhamos, esta medida só vai beneficiar quem tem carro num primeiro momento, e ninguém mais. Depois vai piorar, porque quem usa fretado, para não perder a hora do serviço, vai trabalhar de carro. Falo isto por experiência própria, já trabalhei em São Paulo e subia e descia todo dia de fretado. Tenho muitos amigos nesta toada. Paga-se caro pela mensalidade, em média 400 reais, mas sem o fretado (ou com essas restrições), a despesa ficará muito maior. Como forçar alguém que já paga caro pelo conforto a andar de transporte público sendo que o próprio transporte público está saturado?

É esse o presente que a prefeitura de São Paulo dá ao cidadão que acorda às 5 da manhã, pega o fretado ainda de madrugada para trabalhar e leva o sustento à sua família e gera riquezas à 4ª maior cidade do mundo.

Obrigado sr Kassab! Lembraremos disto nas próximas eleições.

Autor: donniel@ig.com.br - Categoria(s): Notícias Tags:
20/06/2009 - 14:14

Cheirinho de “maresia” no ar…

Maresia... sinta a maress...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Não há policiamento, e os usuários nem se importam em fumar nos jardins da orla!

Fonte da imagem: http://www.qued.com.br/site/arquivos/noticias/1198376998F.JPG

 

Como bom santista que sou, gosto de frequentar a orla da praia e passear pelo calçadão, fazer meu cooper, enfim.

Mas um detalhe me chama a atenção, e tenho certeza que todos que passeiam pela praia à noite já devem ter percebido isso. Há um cheirinho de “maresia” no ar, mas uma maresia diferente daquela característica da água do mar.

Ao cair da tarde, a praia aos poucos se transforma em uma espécie de “fumódromo da erva”, e os bancos do calçadão do lado da praia ficam tomados pelos usuários do cigarro alternativo. Do lado da avenida, desocupados e flanelinhas ocupam os bancos e disputam entre si quem consegue extorquir mais dinheiro do cidadão que tente estacionar seu carro.

A situação relatada é antiga e ocorre todos os dias, sem exceção, seja dia útil, fim de semana…

Se tentar reclamar na prefeitura, a resposta é automática: “mas a orla inteira da praia conta com câmeras, ligadas 24 horas por dia, sete dias por semana…” Eu digo isso porque já reclamei na Ouvidoria e tive esta respostinha. Se realmente funcionassem, não teríamos tantos usuários pela praia, tantos flanelinhas nos intimidando, tantos furtos de motos e veículos (como o que eu sofri há alguns meses).

Só um detalhe, simples: na temporada de verão diminui os usuários de droga e os flanelinhas. Por quê será? Será que é porque o poder público acha que aqui em Santos só tem pessoas no final de ano, e por isso só reforça o policiamento, só ligam as câmeras, só toma alguma atitude nessa época do ano?

 

Com a palavra, a Prefeitura de Santos.

Autor: donniel@ig.com.br - Categoria(s): Notícias Tags:
11/06/2009 - 23:00

VLT: parece que agora vai… Última Parte

Bonde elétrico de Paris, na França 

Bonde elétrico (VLT) de Paris, na França.

Fonte: http://pechini.blogspot.com/2008/10/vlt-baixada-santista.html

 

Hoje seguindo com a última parte da série, vamos com as últimas informações sobre o projeto e o impacto que ele trará para a população, principalmente na que se locomove entre Santos e São Vicente.

Nos últimos dias, tem ocorrido audiências públicas sobre o projeto em Santos e São Vicente. Os últimos foram para apresentar os estudos de impacto ambiental (ocorrido mês passado) e as partes técnicas do projeto, este ocorrido em Santos no último dia 08 de junho.

O que é fato no projeto é que vai haver uma grande redução de linhas de ônibus, tanto nos de Santos como os metropolitanos (EMTU), na ordem de 50%. Significa, obviamente, que teremos menos ônibus na rua, embora os que fiquem serão bem maiores que os que temos hoje, provavelmente carros trucados (com 3 eixos e 15 metros de comprimento) e articulados.

Esta redução, de cara, impacta em desemprego de motoristas. É lógico que temos pais de família no volante, enfim. Afinal, eu não sou nenhum crápula. Mas não devemos encarar isso como um empecilho para o VLT, até porque existe inúmeras formas de reaproveitar esta mão-de-obra, como na operação e manutenção dos trens, por exemplo. Algumas vagas de emprego deixarão de existir, mas outras serão criadas, e é fundamental que o projeto preveja esta situação.

Embora eu tenho alguns pontos discordantes em algumas partes do projeto, eu sou favorável à sua implantação. As melhorias de uma forma geral são gritantes: menos poluição, com a diminuição de ônibus de linhas redundantes (aquelas que fazem o mesmo caminho a maior parte do itinerário) e gradativa redução dos carros, com o consentimento da população, uma grande valorização de uma área nobre abandonada e mais qualidade de vida.

E para quem ainda é radicalmente contra o projeto, que insiste em procurar defeitos e confundir a população com informações descabidas, vai alguns exemplos de obras grandiosas que essa “Turma do Não” tentou evitar:

  1. Emissário Submarino – lá sempre foi uma área degradada, ponto de uso de drogas. Dois grandes projetos (o do Beto Carrero e do Pelé) “miaram” e quase que o atual não sai, por causa da construção de um heliponto para a Polícia e Bombeiros;
  2. Área da Sorocabana – onde hoje é o Hipermercado Extra e o Mendes Convention Center, era os antigos armazéns da FEPASA, que ficou jogado no vento durante anos, servindo de estacionamento de trens e condomínio de desocupados. A venda do terreno pro Grupo Mendes, no início da década, quase melou;
  3. Píer do Pescador – na Ponta da Praia, um renomado político da cidade queria derrubar a obra, porque ela “atrapalhava” a visão do Museu de Pesca. Ora, mas o Museu fica de um lado da avenida, e o píer, do outro. Só atrapalharia quem estiver de barco, no meio do canal do Estuário, e olhe lá…

 

Pensem bem. A cidade já sofreu muito, e não podemos perder o bonde (ou o VLT) da história outra vez.

Autor: donniel@ig.com.br - Categoria(s): Notícias Tags:
08/06/2009 - 21:57

VLT: parece que agora vai… Parte 3

Hoje, seguindo com a parte 3 da série de postagens, vamos analisar e discutir sobre as quatro etapas do projeto SIM, sistema de integração metropolitano de transporte da baixada.

Na primeira e segunda partes, mostrei o que seria o projeto e o que ele representa para a baixada santista, além de mostrar as etapas do projeto.

Vamos citá-las novamente, mas agora analisando o impacto na cidade e minha opinião sobre o tema:

 

Etapa 1 – o VLT vai aproveitar o ramal existente, mas vai ser colocado um novo ramal do lado, para a linha de retorno. Precisará fazer desapropriações nos trechos entre o Porto e a rua 28 de setembro, no Macuco (é dentro de um terminal de conteiner), ao lado da rua Marquês de São Vicente, no Campo Grande (tem um posto policial lá) e a parte entre a antiga garagem da Cometa, no Marapé, e o Carrefour em São Vicente, o pior trecho, que tem um túnel fininho na divisa e várias casas margeando o trilho existente.

Um outro ponto que vejo com ressalvas é quando o trem cruzará as ruas do Macuco (Campos Melo, Silva Jardim, Manoel Tourinho, Batista Pereira, 28 de Setembro e Padre Anchieta). Uma  composição de 40 metros a cada 5 minutos, nos dois sentidos. Levando-se em conta que a distância entre estas ruas é um pouco maior que isso, poderemos ter problemas na circulação de carros neste trecho.

 

Etapa 2 e 3 – aí começam os problemas. Não há a menor condição de um VLT de 40 metros entrar na Pedro Lessa, “cortar” a praça dos Rebouças ou sair da Avenida Francisco Glicério para a Conselheiro Nébias “por cima” da FEFIS, a faculdade que fica bem na esquina destas avenidas. Eu entendo que uma boa solução para as duas etapas seria uma linha troncal de trólebus padrons e articulados. São trechos densamente urbanizados, com avenidas muito estreitas. O projeto com trólebus baratearia o custo, com uma implantação mais rápida, manteria-se ecologicamente correto e integraria melhor com a cidade, pois não precisa fazer quebradeira pelas ruas.  

 

Etapa 4 – esta ainda está em discussão, mas acho que qualquer que seja a opção escolhida, virá a calhar, seja VLT, ônibus ou trens comuns.

 

No próximo post, o último da série, comentarei sobre as últimas informações e o que podemos esperar em termos de qualidade.

 

Até lá.

Autor: donniel@ig.com.br - Categoria(s): Notícias Tags:
01/06/2009 - 23:03

VLT: Parece que agora vai… Parte 2

Mapa com as quatro etapas do projeto SIM

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: http://www.emtu.sp.gov.br/PlanoDeExpansao/simMapa.htm

 

Como havia dito no post anterior, em 2007 o Governo do Estado retirou da gaveta o projeto do VLT, reformulando por completo o sisteme e acabando de uma vez por todas o problema de transporte público na baixada até 2010. Hoje comentarei sobre como é o projeto básico e por quê não era possível que o projeto saísse antes do anúncio do Governador José Serra. A questão já envolvia o porto.

O VLT é um trem médio, menor que o metrô, mas maior que um bonde ou um ônibus bi-articulado. Pode ter até 40 metros de comprimento e transportar até 350 pessoas. Um ônibus bi-articulado, por exemplo, tem 27 metros e transporta até 250 pessoas, dependendo da configuração. Ele pode ser movido a diesel ou a eletricidade, sendo esta com energia vindo de um terceiro trillho ou com catenária (aquela haste que vai em cima, encostando em uma rede suspensa).

O trecho que o VLT será feito era a do antigo TIM, que ia do bairro do Samaritá (São Vicente) até a estação de trem que fica na avenida Ana Costa, em Santos. E este mesmo ramal era operado por trens de carga que não podiam passar pelo trecho entre Cubatão e o bairro do Valongo, margem direita do Porto de Santos, pela bitola do trilho ser diferente. No final de 2007 foi colocado o terceiro trilho neste ramal, o que permitiu que os trens de carga parassem de circular no meio da cidade de Santos e São Vicente, em fevereiro de 2008. Antes disso, não tinha como o projeto do VLT sair do papel.

Ainda em 2008, foi feito um esboço do projeto básico, que não mudou quase nada em relação ao que está sendo discutido atualmente. Segue abaixo as etapas:

  1. Primeira Etapa: uma ligação com VLT entre os futuros Terminal Barreiros (em São Vicente, próximo à ponte de mesmo nome) e Terminal Porto em Santos, com 10 km de extensão. Também está previsto a criação de um corredor nas avenidas Antônio Emerich e Nossa Senhora de Fátima até o Terminal Valongo, para a circulação de ônibus articulados e bi-articulados, com 20 km de extensão;
  2. Segunda Etapa: uma ligação com VLT partindo da Avenida Conselheiro Nébias, passando pela avenida Pedro Lessa e chegando até o Ferry Boat, na Ponta da Praia;
  3. Terceira Etapa: uma ligação com VLT entrando na Avenida Conselheiro Nébias, sentido centro, indo até o Terminal Valongo;
  4. Quarta Parte: o prolongamento do VLT da estação Barreiros até Praia Grande, e daí em direção até Peruibe por um sistema ainda a ser definido.

 

Como deu pra perceber, tirando a primeira etapa, as outras três ficaram, no mínimo, esquisitas, pra não dizer completamente sem sentido. E é isso que eu vou discutir na próxima postagem: os detalhes de cada etapa e o que, na minha opinião, poderia ser modificado.


Até lá!

 

Referencias: Jornal A TRIBUNA e sites da EMTU (www.emtu.sp.gov.br) e NovoMilenio (www.novomilenio.inf.br )

 

Autor: donniel@ig.com.br - Categoria(s): Notícias Tags:
21/05/2009 - 21:40

VLT: parece que agora vai…. Parte 1

Túnel do ramal ferroviário no José Menino, em Santos  

 

 

 

 

 

Túnel do ramal ferroviário no bairro do José Menino, em Santos. Foto de Antonio Augusto Gorni

Fonte: Desde o berço eu sempre gostei de assuntos que envolvem transporte, sobretudo o público, onde fica a grande pedra no sapato dos nossos governantes. Venho acompanhando esta  questão com olhos mais críticos há pelo menos quinze anos. Isto não quer dizer que eu passei a detestar o tema, muito pelo contrário. Eu entendo que só gostando muito de determinado tema é que conseguimos ver e entender os problemas que ele tem, a fim de encontrar uma solução.

Em 1998, o trem intrametropolitano que circulava entre as estações da Ana Costa (Santos) e Samaritá (São Vicente) parou de circular. O Governo do Estado de São Paulo se comprometeu a colocar um sistema mais moderno, operado com VLT (veículo leve sobre trilhos), em substituição aos velhos trens do TIM.

O que ocorreu é que os anos foram passando, a Secretaria de Transportes Metropolitanos alterou o projeto para VLP (próximo de um corredor de ônibus, nos moldes do antigo Fura-Fila da capital) para baratear os custos, mas nada saiu do papel. A população da baixada santista acabou criando uma variante ao caos do transporte público que se instalou. A sucessiva queda de passageiros transportados nas linhas de ônibus, fato que vem se registrando desde 2003, tem como um dos motivos o aumento do uso de bicicletas e motocicletas. Juntamente com as facilidades na compra de carros, o resultado é um trânsito cada vez mais complicado.

Eis que em 2007, finalmente o projeto do VLT voltou a ser discutido, com desenvolvimento de projetos básicos, audiências públicas e a promessa da primeira etapa entrar em testes no fim de 2010.

Mas algumas dúvidas permeiam a cabeça de todos da região. Ele vai piorar ainda mais o já caótico trânsito da cidade? Vão haver desapropiações? Teremos desemprego em massa de motoristas de ônibus, em virtude da invitável redução de linhas?

Minha intenção é em quatro postagens trazer tudo o que está envolvido na questão do projeto VLT: o projeto básico, as etapas, o que está decidido, o que ainda está em discussão e o que, na minha opinião, poderia ser melhorado ou mantido.

Espero poder ajudar a esclarecer algumas dúvidas sobre este tema importantíssimo para todos aqui na baixada.

Referencias: Jornal A TRIBUNA e sites da EMTU (www.emtu.sp.gov.br) e NovoMilenio (www.novomilenio.inf.br )

 

 

Autor: donniel@ig.com.br - Categoria(s): Notícias Tags:
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