Prosperidade! Voce quer??? Capítulo I ABRAÃO
Quando Deus faz o chamado a Abrão, ordenando ao mesmo que saísse de sua terra natal em direção a uma terra que ele não conhecia, o Senhor prometeu que faria dele uma grande nação (Gn 12:2), e que nele seriam abençoadas todas as famílias da terra (Gn 12:3).
É interessante observarmos isso, pois, Abrão em nenhum momento questiona a ordem de Deus. Ao contrário; imediatamente toma sua família e todos seus bens e parte em direção a Canaã. Este é um ponto chave para qualquer cristão que queira ter a prosperidade vinda do senhor: obediência.
Veja bem que Abrão já era um homem próspero, que já possuía muitos bens e até vários escravos (pessoas que lhes acresceram em Harã Gn 12: 5). Todavia, depois de andar peregrinando, num dado momento a seca abate sobre a terra de Canaã onde ele se encontrava, e a fome campeia por toda a região levando Abrão a descer ao Egito em busca de alimento pra sua família, escravos e rebanhos.
Nesse ponto da vida de Abrão, vemos Deus claramente dirigindo seus passos. Foi no Egito, ante toda confusão causada por sua mentira em relação a Sarai sua esposa, que Deus prospera Abrão sobremaneira, como diz Gn 12: 16,“este por causa dela tratou bem a Abrão que veio a ter ovelhas, bois jumentos, escravos e escravas, jumentas e camelos”. Ainda conforme Gn 13: 2, nesta ocasião, Abrão já se tornara um homem muito rico, veja: “era Abrão muito rico; possuía gado, prata e ouro”. Ou seja, quando Deus está no negócio, não importa as circunstancias, você sempre prosperará. Quando muitos caíram na miséria por causa da seca que abatia toda a região, o servo de Deus prosperava e crescia mais e mais.
Outra questão interessante na vida de Abrão que nos é narrada ainda em Gn 13 é que quem está perto de alguém abençoado com o dom da prosperidade, também prospera. Gn 13: 5 “Ló que ia com Abrão também tinha rebanhos, gado e tendas”. Vemos aqui que Ló embora fosse órfão, se apegou ao seu tio, e quando esse se enriqueceu ele também se tornou um homem rico.
Mas aqui no capitulo 13 de Gênesis, vemos uma segunda chave para a prosperidade: a generosidade. Veja: Abrão tinha muitos rebanhos, Ló seu sobrinho que andava com ele também os tinha. Como seus rebanhos por serem abençoados por Deus prosperavam de maneira tremenda, começou-se uma contenda por pastagens e por fontes de água, e essa contenda foi aumentando ao ponto de ter que se separarem.
É aqui que vemos o tamanho da generosidade de Abrão. Abrão era o líder e por direito poderia ter dispensado o sobrinho e mandado para longe, mas não é isso que ele faz, ao contrário, ele usa de bondade e de generosidade para com Ló e deixa que este escolha para onde queira ir, ou seja, ele permite que Ló escolha a melhor parte da terra, “ora, não haja contenda entre mim e ti, e entre os meus pastores e os teus pastores, porque somos irmãos. Porventura não está toda a terra diante de ti? Rogo-te que te apartes de mim. Se tu escolheres a esquerda, irei para a direita; e se a direita escolheres, irei eu para a esquerda” (Gn 13: 8 e 9).
Daqui para frente, vemos outra questão sobre prosperidade, que deve ser observada por todo crente. Não ande por vista, ande por fé. Gn 13: 10 e 11, “então Ló levantou os olhos, e viu toda a planície do Jordão, que era toda bem regada (antes de haver o Senhor destruído Sodoma e Gomorra), e era como o jardim do Senhor, como a terra do Egito, até chegar a Zoar. E Ló escolheu para si toda a planície do Jordão, e partiu para o oriente; assim se apartaram um do outro”. Ló olhou e quando viu as planícies verdejantes, esqueceu-se de que, se seu tio fosse um homem mau o teria deixado em Harã, esqueceu-se que seu tio é quem o tinha deixado prosperar.
Infelizmente existem muitas pessoas hoje em dia, que agem dessa mesma forma. Enquanto é pobrezinho, vive bajulando seu patrão e outras pessoas mais abastadas. Entretanto, quando consegue seus objetivos, viram as costas para aquele que o ajudou. Entre Abrão e Ló não foi diferente, Abrão era um homem que andava por fé e não por vista. Enquanto Ló via o que estava à frente de seus olhos; Abrão via o invisível. Ló via as campinas verdejantes; Abrão via as cidades sendo destruídas por causa do pecado do povo. O homem que é temente a Deus é assim, ele vê o que os demais não conseguem enxergar.
Ló, ao contrario de Abrão, não andava por fé e sim por vista, por esse motivo pagou um preço altíssimo. Primeiro foi levado cativo como escravo, e precisou que Abrão mais uma vez usasse de generosidade e montasse um exercito particular para trazê-lo de volta (Gn 14: 12 a 16). Nem assim Ló reconheceu que sua prosperidade dependia do amor de Deus a Abrão e não a si, e por não reconhecer, pagou um preço mais alto ainda, ou seja, teve todos seus bens destruídos pelo fogo divino, deixando-o sem nada. Até sua vida só foi salva junto com suas filhas por causa do amor de Deus a Abrão (Gn 19: 23 a 29). Ló perdeu tudo, inclusive a esposa, ele que queria as campinas verdejantes, teve que morar nas montanhas; ele que tanto apreço dava a seus bens materiais, teve que morar em uma caverna; ele que tanto amava sua família, acabou por praticar incesto com suas duas filhas (Gn 19: 30 a 38). Você que está lendo essas linhas, não se esqueça, ande por fé e não por vista.
Enquanto Ló, que tinha escolhido as campinas verdejantes, viu sua vida virar de ponta cabeça e perder tudo que tinha inclusive sua dignidade, Abrão primeiro tem seu nome trocado e deixa de ser apenas um “pai exaltado” para se tornar Abraão “pai de muitas nações”. Enquanto Ló não sabia o que estava para lhe acontecer, Deus envia seu anjo e esclarece todo o futuro a Abraão Gn 18: 16 – 21. Abraão cresceu tanto financeiramente que o rei Abimeleque se viu obrigado, a firmar um acordo diplomático com ele, de não agressão (Gn 21: 22 a 24).
Essa, portanto, é a vida do primeiro patriarca o homem chamado de “amigo de Deus” e de “pai na fé”. As promessas que Deus fez a ele, de que todas as nações da terra seriam abençoadas por seu intermédio, veio a se concretizar com a vinda de um seu descendente: Jesus de Nazaré, que veio para que todos tivéssemos direito à salvação eterna.

A FALÁCIA DA PROSPERIDADE
QUANDO A BÍBLIA FALA
“Porque o filho do homem veio BUSCAR e SALVAR o que se havia perdido”
Lucas 19:10
Existem alguns aspectos da vida e do ministério de Jesus que parecem não interessar aos defensores da “TEOLOGIA DA PROSPERIDADE”, pois estes depõem literalmente contra tais práticas e crenças. Ao ler a narrativa do encontro de Jesus com Zaqueu fica evidente que há contradições nos argumentos de quem prega este conceito como sendo algo Bíblico. Zaqueu era um homem “RICO” de berço, mesmo não conhecendo e não temendo a Deus e assim como ele existem milhões pelo mundo que ostentam suas posses sem qualquer vínculo religioso seja lá com que igreja for. Portanto, aqui já há algo que depõe contra os TEÓLOGOS DA PROSPERIDADE.
Zaqueu, ao perceber do alto daquela figueira, que Jesus havia notado a sua presença e sendo chamado, desceu foi até a sua casa e lá tomou uma decisão no mínimo inusitada, decisão que bate de frente com os que pregam a posse de bens materiais como graça divina, ele disse: “Senhor, eis que dou aos pobres metade dos meus bens; e, se alguma coisa tenho defraudado alguém, restituo quadruplicadamente” – Lucas 19:8. A atitude de Zaqueu é de causar constrangimento a quem vive na ilusão da prosperidade uma vez que ele abriu mão de bens para seguir a Cristo. Ora, se o Evangelho é sinal de PROSPERIDADE neste caso as coisas não batem, até porque Jesus arremata dizendo: “Porque o filho do homem veio BUSCAR e SALVAR o que se havia perdido” – Lucas 19:10. Este texto derruba qualquer argumento dos TEÓLOGOS DA PROSPERIDADE, pois ele deixa claro que Jesus veio para tratar dos problemas da “ALMA” e não do “BOLSO” do cidadão, buscando e salvando sem prometer riquezas materiais como recompensa. O fato curioso é que estes textos não são lembrados nos sermões dos donos das EMPREJAS, muito menos o de Jesus tratando com o Mancebo de Qualidade quando diz: “Se queres ser perfeito, vai, vende tudo que tens, e dá aos pobres; E terás um tesouro nos Céus; E vem, e segue-me” – Mateus 19: 21. Para seguir a Cristo ele precisava se livrar de seus bens o que é algo no mínimo estranho para os conceitos de PROSPERIDADE modernos. É inquietante notar que Jesus jamais falou sobre prosperidade material, até porque Ele multiplicava PÃES e PEIXES, mas jamais multiplicou BENS MATERIAIS! Para aquele cidadão que a Bíblia afirma ter qualidades, o dinheiro e as suas riquezas falaram mais alto e ele foi embora triste, porque possuía muitos bens.
A Bíblia é imperativa ao afirmar que Jesus é “O CAMINHO”, “A VERDADE” e “A VIDA”, ele não é um Banco, um Agente Financeiro ou uma Bolsa de Valores, muito menos uma Casa da Moeda. Ao recomendar que devemos buscar PRIMEIRO o Reino de Deus e a sua Justiça ela não abre brechas para a exploração de mecanismos que permitam negociar com a fé na troca pela prosperidade material. A Bíblia trata das riquezas CELESTIAIS e não das MATERIAIS; Trata também dos problemas pertinentes à alma e não aos do bolso; Ela afirma que Jesus veio romper com o modelo capitalista da época onde a riqueza era sinal de poder e de exploração do homem pelo homem.
Veja o que diz Paulo: “MANDA AOS RICOS DESTE MUNDO QUE NÃO SEJAM ALTIVOS, NEM PONHA A ESPERANÇA NA INCERTEZA DAS RIQUEZAS, MAS EM DEUS, QUE ABUNDANTEMENTE NOS DÁ TODAS AS COISAS PARA DELAS GOZARMOS. QUE FAÇAM O BEM, ENRIQUEÇAM EM BOAS OBRAS, REPARTAM DE BOA MENTE, E SEJAM COMUNICÁVEIS. QUE ENTESOUREM PARA SI MESMOS UM BOM FUNDAMENTO PARA O FUTURO, PARA QUE POSSAM ALCANÇAR A VIDA ETERNA” – I Timóteo 6:17 a 19. Este é um tratado nas questões que envolvem a vida material que jamais pode ser desprezado por qualquer pessoa, mas que, no entanto foi literalmente retirado da Bíblia dos Agentes da Prosperidade das igrejas modernas para não lhes causar nenhum problema.
Outro texto surrupiado das páginas da BÍBLIA DA PROSPERIDADE é: “E esta é a confiança que temos nele, que, se pedirmos alguma coisa, SEGUNDO A SUA VONTADE, ele nos dá” – I João 5:14. Não creio que alguém sábio precise de argumentos mais sólidos dos que acima estão citados para ver que há algo PODRE dentro destas igrejas de fachada que fizeram da promessa de PROSPERIDADE uma bandeira para as suas pretensões materiais.
Carlos Roberto Martins de Souza
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