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11/05/2009 - 17:04

A dor de uma mãe de policial

Abaixo, uma carta magnífica de uma mãe de policial que perdeu o filho, o soldado Paes, quando este, cumprindo seu dever profissional, tentou evitar um assalto a uma padaria em Sobradinho-DF. Paes era um policial dedicado, exemplar e que amava a corporação. Uma semana antes de morrer, foi homenageado por participar do quadro de ocorrências de destaque. Esta é a emocionante carta que a MÃE dele escreveu para o Comandante Geral da PMDF:

Senhor Comandante,
Sou alguém que certamente não fará parte de seu convívio, pois o liame que nos conectava foi partido de maneira abrupta. Mas a vida é feita de pequenos momentos e pequenos gestos, e mesmo atravessando o mais triste tempo do meu viver, não poderia deixar passar despercebido o seu gesto, que a princípio pode parecer pequeno, mas que para nós da família que estamos vivendo um pesadelo, é muito significativo.

É importante saber que meu filho não foi só um número e um nome de guerra, e que numa instituição hierarquicamente tão severa existe espaço para sentimentos humanitários e fraternais. Que o respeito ao ser humano vem antes das convenções. Perdi, perdi muito, como mulher, como mãe, fiquei mais triste, perdi um filho, vocês também, perderam, perderam um soldado, um guerreiro, que amava esta instituição com todas as fibras de seu ser, pois ser policial não foi um emprego, não foi falta de opções, porque ofereci ao meu filho muitas. Sua meta de vida estava traçada e nada nem ninguém poderia dissuadi-lo.
É gratificante saber que onde ele estiver continuará se sentido orgulhoso de ter feito parte desta corporação. Como ele, ela é feita de homens que respeitam os direitos alheios e mais que isto, são humanos, pois a dureza do dia a dia não corroeu o sentimento de solidariedade e fraternidade que habita em todos vocês.
Simbolicamente ele foi seu filho, porque além de nós, seus pais, nesta vida, ele se submeteu com prazer e devoção apenas a vocês. Meu filho foi muito bem criado, muito bem amado e sempre o ensinei a andar de cabeça erguida, a não se curvar diante de ninguém e que um homem só pode conquistar isto, se for honesto e justo. Estes meus ensinamentos se agigantavam quando ele vestia a farda e saía nas ruas representando esta instituição, porque se somava a ele o fato de não se curvar diante de indignidade, da iniquidade, da injustiça, da babárie. Tenho consciência que eles não mataram o meu filho por ser meu filho, não se mata a quem não tem desafeto e que não dê motivos para tal. Eles mataram aquele que se pronunciou e reagiu, independente das circunstâncias; ele poderia ter se omitido, mas jamais o faria, neste momento ele foi mais seu do que meu.
Eles não mataram meu filho que era policial, eles mataram o policial que era meu filho. Perdi eu, perderam vocês, perdeu o mundo, pois além de tudo que já externei, ele era todo alegria, vivia sorrindo e espalhando amor e simpatia.
Em suma, não poderia deixar de agradecer e render minhas homenagens ao apoio, ao carinho, ao respeito que tiveram e estão tendo pelo meu filho, pelo seu filhinho, sua esposa, pela nossa família, isto não o traz de volta, mas gratifica, conforta e reforça que apesar do que aconteceu ele fez sua escolha de maneira correta, pois fazia parte de um escol de homens de bem.
Talvez este seja o nosso primeiro e último contato, mas ao Senhor e a todos, todos indiscriminadamente, que fazem parte da família do 14º BPM, nosso respeito e nossa gratidão, em meu nome e de toda a minha família.
Milbene da Cunha Paes – mãe de policial militar

Autor: rafaeladrianosilva@ig.com.br - Categoria(s): Sem categoria Tags:
11/05/2009 - 14:58

Galo aos sábados: A seleção de todos os tempos

Finalmente o Comitê Editorial do Biscoito Fino e a Massa se reuniu e chegou a um consenso sobre qual é o melhor Atlético-MG de todos os tempos. Aqui vai a Seleção escalada em duas partes. Os melhores, em cada posição, desde 1970 – são os que eu vi jogar. Depois, a Seleção escolhida pelo Comitê Consultivo Sênior do blog, localizado no Mercado Central de Belo Horizonte, onde aos sábados pela manhã se reúnem atleticanos de mais de 70 anos de idade.

Seleção dos últimos 38 anos
, escalada no 4-4-2: Mazurkiewcz (ou Taffarel), Nelinho, Cláudio Caçapa (ou Vantuir), Luizinho e Oldair; Gilberto Silva, Cerezo, Marcelo e Paulo Isidoro; Reinaldo e Éder.

Seleção do passado, escalada à moda antiga: Kafunga, Murilo e Ramos; Mexicano, Zé do Monte e Cincunegui; Lucas, Mário de Castro, Carlyle, Ubaldo e Guará.

Maior de todos
: Reinaldo (quem viu, viu; quem não viu, acha que o maior centroavante de Pindorama foi Romário).

reinaldo.jpg

Algumas fotos dos ídolos das antigas:

Mexicano:

mexica.jpg

Ubaldo:

ubaldo.gif

Zé do Monte:

Ze_monte.jpg

Murilo:

murilo.jpg

Guará:

guara.gif

Carlyle:

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O grande uruguaio Cincunegui, em jogo contra a União Soviética no Mineirão:

cincun.jpg

Autor: rafaeladrianosilva@ig.com.br - Categoria(s): Esportes Tags:
11/05/2009 - 14:49

Cruzeiro e Irmãos Perrella na mira da Polícia Federal

Poucas instituições são tão subservientes como a imprensa esportiva brasileira. Com honrosas exceções, o rádio, a televisão e as revistas especializadas são uma mescla de achismo, lugares comuns, trocas de favores e conluios com a cartolagem corrupta. Eu, que moro a milhares de quilômetros de distância, sei que a fortuna dos irmãos Perrella, que dirigem o Cruzeiro de Belo Horizonte, não foi feita vendendo lingüiça em seus supermercados. Mas não há um só veículo da imprensa mineira com a coragem de investigar.

Como em Belo Horizonte não existem jornais – eu me recuso a dignificar com o nome de jornal aquele Diário Semi-Oficial do Governo Aécio –, coube à Revista Placar dar o furo acerca do inquérito 1541, instaurado pela Polícia Federal para investigar a lavagem de dinheiro, a sonegação fiscal e a evasão de divisas no Cruzeiro, que é o segundo clube brasileiro que mais lucrou com a venda de jogadores desde 2001 (o primeiro é o Santos, graças à geração Robinho / Diego). O mais revelador da história é que qualquer um que esteja bem informado sobre os bastidores do futebol mineiro sabe que evasão, sonegação e lavagem não são os crimes mais graves envolvendo dinheiro do lado de lá da Lagoa da Pampulha. Paro por aqui.

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O Ministério Público de Minas Gerais havia instaurado um procedimento investigativo em 2004, tendo como alvo as relações entre o Cruzeiro e os negócios pessoais dos Perrella. Segundo a Placar, quando o MP estava por ter acesso à contabilidade, um juiz suspendeu a investigação com o argumento de que os clubes de futebol são associações de direito privado, devendo prestar conta somente a seus associados. O autor da pérola foi o juiz Saulo Versianni Penna. Mais um para nossa coleção.

A investigação atual, que eu saiba, ainda não foi noticiada pela imprensa mineira. Corrijam-me se eu estiver errado.

PS: Fac símile da Placar roubada do Dolabela.

PS 2: Dê o seu autógrafo de apoio à Proposta de Emenda Constitucional 438/2001, que prevê o confisco de terras onde se encontre trabalho escravo e destinação das mesmas à reforma agrária (via Claudia).

Autor: rafaeladrianosilva@ig.com.br - Categoria(s): Esportes Tags:
11/05/2009 - 14:47

Galo aos sábados: Pelé, torcedor e freguês do Galo

Circulou durante algum tempo no futebol brasileiro o mito de que Pelé teria sido torcedor do Vasco na infância. Numa entrevista à edição 1.119 da Revista Placar, de 1999, o próprio Divino Negão desmentiu:

Qual o seu time de infância? O Vasco?

Não. Essa história começou quando eu disputei um torneio por um combinado Santos-Vasco. Antes, o Antônio Soares Calçada (presidente do Vasco) até recusou o empréstimo do meu passe. Ele achava que eu era muito novo. Depois quis voltar atrás, mas aí era o Santos que não queria mais o negócio. Na verdade, eu torcia pelo Atlético Mineiro, porque meu pai, seu Dondinho, jogava lá.

João Ramos do Nascimento, o Dondinho, foi um craque sensacional, de quem se dizia que “desequilibrava qualquer jogo”. Como jogador, seu grande azar foi ter um filho sobre-humano. Mesmo assim, é de seu Dondinho um recorde que o Divino Negão jamais igualou: cinco gols de cabeça numa mesma partida. Disputando pelo Clube Atletíco Mineiro um amistoso contra o São Cristóvão em 1942, Dondinho se choca com o zagueiro Augusto – o mesmo que seria o capitão da Seleção Brasileira na Copa de 1950 – e leva a pior. Uma lesão no menisco encerra sua carreira no Galo. Ele voltaria a brilhar como artilheiro do Bauru Atlético Clube, campeão do interior de São Paulo em 1946. Eis aqui seu Dondinho com a camisa do Glorioso:

dondinho.jpg

A primeira partida de Pelé contra o Galo foi no dia 30 de janeiro de 1958. Ele já se preparava para receber, na Suécia, aos 17 anos de idade, a coroa de Rei do Futebol. O Santos visitou Belo Horizonte e entrou em campo, no Estádio Independência, com Manga, Hélvio e Dalmo; Fioti, Zito e Urubatão; Dorval, Afonsinho, Guerra, Pelé e Pepe. O Galo, começando uma entresafra depois do pentacampeonato mineiro, formou com Arizona, Anísio e Grilo; Benito, Jair e Nilsinho; Márcio, Nilson, Tomazinho, Alvinho e Dino.

Pelé abriu o placar aos 11. Jair empatou para o Galo aos 13. Tomazinho virou aos 32. Guerra voltou a empatar para o Santos aos 44. No segundo tempo, só deu Galo. Jair, Tomazinho e Márcio enfiaram mais três e o Rei conheceu a primeira de várias derrotas para o Clube Atlético Mineiro: 5 x 2, inapelável.

pele-santos1958.jpg

Também foi numa derrota para o Galo que aconteceu a última expulsão do Rei Pelé com a camisa do Santos. No dia 23 de novembro de 1969, pelo Torneio Roberto Gomes Pedrosa, o Santos visitou Belo Horizonte, desta vez já no Mineirão. Galo 2 x 0. Aos 25 minutos do segundo tempo, o árbitro Amílcar Ferreira expulsou de campo o Divino Negão. Ele não voltaria a ser expulso com a camisa do Santos.

Ao voltar da conquista da Taça Jules Rimet no México, Pelé disputaria em 1971 o seu primeiro campeonato brasileiro, com fome de mais uma conquista inédita. De novo, o seu time de infância o parou. No dia 05 de setembro, o Santos visitou o Mineirão e apanhou por 2 x 1, com dois gols de Dadá. Já na segunda fase, disputando uma vaga no triangular que decidiria o campeonato, Pelé adentrou novamente o Gigante da Pampulha. Mais uma vez, Galo 2 x 0, agora com dois gols de Oldair. O Santos era eliminado do Brasileirão.

De todas as derrotas de Pelé para o Galo, a mais famosa, sem dúvida, ocorreu no dia 03 de setembro de 1969. O Mineirão preparou uma impressionante cerimônia para receber as “feras de Saldanha”, que afiavam as garras para o tricampeonato:

bandeirao.jpg

A máquina entrou em campo, completinha, com Felix, Carlos Alberto, Djalma Dias, Joel e Rildo (Everaldo); Piazza e Gérson (Rivelino); Jairzinho, Tostão (Zé Maria), Pelé e Edu (Paulo César). O Galo formou com Mussula, Humberto Monteiro, Grapete, Normandes (Zé Horta) e Cincunegui (Vantuir); Oldair e Amauri (Beto); Vaguinho, Laci, Dario e Tião (Caldeira). Dadá e Amauri marcaram para o Atlético e Pelé descontou em escandaloso impedimento. O Divino Negão era mais uma vez humilhado pelo Galo. Iniciava-se o ódio mortal da Confederação Brasileira de Desportos pelo Atlético-MG.

É verdade que o maior jogador de todos os tempos também conseguiu ganhar alguns duelos contra o Galo, notadamente na primeira metade dos anos 60. Duas ou três dessas vitórias foram por goleada. Mas, sobre esses jogos, deixemos que os historiadores santistas se pronunciem. Neste post, deixamos registradas a paixão infantil do Divino Negão pelo Galo e algumas das surras que levou ante o mais querido de Minas.

PS: Confira o sensacional Canto do Galo. Veja também a lista completa de jogos do Galo até 2006.

PS 2: Foto do seu Dondinho: Futebol, Política e Cachaça.

Autor: rafaeladrianosilva@ig.com.br - Categoria(s): Sem categoria Tags:
22/04/2009 - 21:47

Coisas que você (não) precisaria saber

  • O nome completo do Pato Donald é Donald Fauntleroy Duck.
  • Em 1997, as linhas aéreas americanas economizaram US$ 40.000 eliminando uma azeitona de cada salada.
  • Uma girafa pode limpar suas próprias orelhas com a língua.
  • Milhões de árvores no mundo são plantadas acidentalmente por esquilos que enterram nozes e não lembram onde as esconderam.
  • Comer uma maçã é mais eficiente que tomar café para se manter acordado.
  • As formigas se espreguiçam pela manhã quando acordam.
  • As escovas de dente azuis são mais usadas que as vermelhas.
  • O porco é o único animal que se queima com o sol além do homem.
  • Ninguém consegue lamber o próprio cotovelo, é impossível tocá-lo com a própria língua.
  • Só um alimento não se deteriora: o mel.
  • Os golfinhos dormem com um olho aberto.
  • Um terço de todo o sorvete vendido no mundo é de baunilha.
  • As unhas da mão crescem aproximadamente quatro vezes mais rápido que as unhas do pé.
  • O olho do avestruz é maior do que seu cérebro.
  • Os destros vivem, em média, nove anos mais que os canhotos.
  • O “quack” de um pato não produz eco, e ninguém sabe porquê.
  • O músculo mais potente do corpo humano é a língua.
  • É impossível espirrar com os olhos abertos.
  • “J” é a única letra que não aparece na tabela periódica.
  • Uma gota de óleo torna 25 litros de água imprópria para o consumo.
  • Os chimpanzés e os golfinhos são os únicos animais capazes de se reconhecer na frente de um espelho.
  • Rir durante o dia faz com que você durma melhor a noite.
  • A urina dos gatos brilha quando exposta à luz negra.
  • 40% dos telespectadores do Jornal Nacional dão boa-noite ao William Bonner no final.
  • Aproximadamente 70 % das pessoas que lêem este artigo tentam lamber o cotovelo.
Autor: rafaeladrianosilva@ig.com.br - Categoria(s): Humor Tags:
14/04/2009 - 23:19

OS CRIMES DA IGREJA CATÓLICA

Poucas instituições no mundo ao longo da história são responsáveis por tantos crimes e acobertamentos de crimes como a Santa Igreja Católica. O farto cardápio inclui desde mortes na fogueira a pedofilia. Para o imaginário popular, a Igreja é imaculada e se situa num patamar de santidade, portanto, imune aos pecados temporais. Isso se deve em parte à imagem que a instituição forjou ao longo dos tempos, algumas vezes cobrando preço de sangue e traumas irrecuperáveis.
Vamos aos fatos. Com a invenção das famigeradas cruzadas, os cavaleiros da fé saquearam, torturaram e mataram milhares de seres humanos. Eliminaram os homens do mau para impor a Santa Verdade. Em 1099, por exemplo, ao entrar em Jerusalém para expulsar os muçulmanos, os líderes da cruzada, massacraram 70 mil pessoas. O rei Luiz, da França, tido como um santo católico tinha uma prática mais sutil: levava os blasfemadores a pelourinhos e os matava com ferros em brasas, que transpassavam suas línguas. Segundo ele, esses não voltariam a blasfemar.
Em 1231, a Igreja fundou a sua máquina de extermínio: a Santa Inquisição. Por ela passaram quase 1 milhão de pessoas, essencialmente hereges, judeus, muçulmanos e “bruxos”. Precursor de Hitler, o religioso Diego Rodrigues Lucero queimou vivos 107 judeus convertidos ao cristianismo. Isso sem falar na cobrança de indulgências, loteamento do céu e aplicação de preços monetários para que os fiéis chegassem ao Paraíso. Tudo em nome de Deus.
Na Idade Média, a Igreja havia proibido que mulheres cantassem no coral das igrejas. Para não ficar sem as necessárias vozes sopranos, os representantes de Deus encontraram uma solução ungida: castrar jovens meninos cuja voz tenha sido considerada bela. Assim, nos corais da Santa Igreja não faltariam nunca os sopranos e contraltos.
Mas não é só sob o manto do passado que se esconde a ficha criminal da Santa Sé. Adaptada ao presente, o único senão é a proibição de mandar gente para a fogueira. Duas modalidades veneradas por padres atualmente são a pedofilia e o abuso sexual de mulheres. Só nos Estados Unidos, recentemente foi constatado que 1,2 mil sacerdotes teriam abusado de mais de 4 mil crianças. O lamaçal que envolveu 161 dioceses, desmoronou algumas delas, que tiveram que ser fechadas para pagar indenizações às vítimas. O abuso à mulheres também é comum nas paróquias mundiais. A socióloga da religião, Regina Soares Juskewicz lançou um pouco de luz nas trevas paroquiais. Num aprofundado estudo, ela analisou 21 casos de abusos dessa natureza e constatou que a prioridade da Igreja nesse tipo de crime é acobertá-lo a qualquer custo. Há até um decálogo que ensina os líderes a agir em face de abusos sexuais envolvendo padres. Nele inclui subornar a vítima em troca do silêncio, desqualificação pública da vítima e exaltação das qualidades do agressor, como bom prestador de serviços à comunidade. No último mandamento, a Igreja se posiciona do lado do agressor e faz todos os esforços para que o crime seja jogado no mar do esquecimento.
A Igreja não se importa de conviver com um rosário de pecados. O importante é não gerar escândalo. Em outras palavras: peque, mas esconda a sete chaves. O problema é que abuso de mulheres e crianças não é simplesmente pecado contra as leis divinas. É crime, sujeito a punição terrena, que inclui prisão e indenização da vítima.
Ainda vivo João Paulo II pediu perdão pelos “erros” da Igreja Católica ao longo dos tempos. Pronto. Num ato, a Santa Sé se redimiu para sempre com os milhões de injustiçados em séculos de história.

Anderson Alcântara
Publicado no Recanto das Letras em 06/12/2008
Código do texto: T1321257
Autor: rafaeladrianosilva@ig.com.br - Categoria(s): Sem categoria Tags:
07/04/2009 - 01:54

MANUAL DA MULHER ( MANUAL DO FABRICANTE)

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Autor: rafaeladrianosilva@ig.com.br - Categoria(s): Sem categoria Tags:
01/04/2009 - 07:12

SOTAQUE MINEIRO

O sotaque das mineiras deveria ser ilegal, imoral ou engordar. Porque, se tudo que é bom tem um desses horríveis efeitos colaterais, como é que o falar, sensual e lindo (das mineiras) ficou de fora. Porque, Deus, que sotaque! Mineira devia nascer com tarja preta avisando: ouvi-la faz mal à saúde. Se uma mineira, falando mansinho, me pedir para assinar um contrato doando tudo que tenho, sou capaz de perguntar: só isso? Assino achando que ela me faz um favor. Eu sou suspeitíssimo. Confesso: esse sotaque me desarma. Certa vez quase propus casamento a uma menina que me ligou por engano, só pelo sotaque. Os mineiros têm um ódio mortal das palavras completas. Preferem, sabe-se lá por que, abandoná-las no meio do caminho (não dizem: pode parar, dizem “pó parar”. Não dizem “onde eu estou?”, dizem “oncotô?).

Os não-mineiros, ignorantes nas coisas de Minas, supõem, precipitada e levianamente, que os mineiros vivem – lingüisticamente falando – apenas de uais, trens e sôs. Digo-lhes que não. Mineiro não fala que o sujeito é competente em tal ou qual atividade. Fala que ele é bom de serviço. Pouco importa que seja um juiz, um jogador de futebol ou um ator de filme pornô. Se der no couro – metaforicamente falando, claro – ele é bom de serviço. Faz sentido… Mineiras não usam o famosíssimo “tudo bem”. Sempre que duas mineiras se encontram, uma delas há de perguntar pra outra: “cê tá boa?” Para mim, isso é pleonasmo. Perguntar para uma mineira se ela tá boa é desnecessário.

Há outras. Vamos supor que você esteja tendo um caso com uma mulher casada. Um amigo seu, se for mineiro, vai chegar e dizer: – Mexe com isso não, sô (leia-se: sai dessa, é fria, etc). O verbo “mexer”, para os mineiros, tem os mais amplos significados. Quer dizer, por exemplo, trabalhar. Se lhe perguntarem com o que você mexe, não fique ofendido. Querem saber o seu ofício. Os mineiros também não gostam do verbo conseguir. Aqui ninguém consegue nada. Você não dá conta. Sôcê (se você) acha que não vai chegar a tempo, você liga e diz:- Aqui, não vou dar conta de chegar na hora, não, sô. Esse “aqui” é outro que só tem aqui. É antecedente obrigatório, sob pena de punição pública, de qualquer frase. É mais usada, no entanto, quando você quer falar e não estão lhe dando muita atenção: é uma forma de dizer, olá, me escutem, por favor. É a última instância antes de jogar um pão de queijo na cabeça do interlocutor.

Mineiras não dizem “apaixonado por”. Dizem, sabe-se lá por que, “apaixonado com”. Soa engraçado aos ouvidos forasteiros. Ouve-se a toda hora: “Ah, eu apaixonei com ele…”. Ou: “sou doida com ele” (ele, no caso, pode ser você, um carro, um cachorro). Elas vivem apaixonadas com alguma coisa. Que os mineiros não acabam as palavras, todo mundo sabe. É um tal de bonitim, fechadim, e por aí vai. Já me acostumei a ouvir: “E aí, vão?”. Traduzo: “E aí, vamos?”. Não caia na besteira de esperar um “vamos” completo de uma mineira. Não ouvirá nunca.

Eu preciso avisar à língua portuguesa que gosto muito dela, mas prefiro, com
todo respeito, a mineira. Nada pessoal. Aqui certas regras não entram. São barradas pelas montanhas. Por exemplo: em Minas, se você quiser falar que precisa ir a um lugar, vai dizer: – Eu preciso de ir. Onde os mineiros arrumaram esse “de”, aí no meio, é uma boa pergunta. Só não me perguntem. Mas que ele existe, existe. Asseguro que sim, com escritura lavrada em cartório. Deixa eu repetir, porque é importante. Aqui em Minas ninguém precisa ir a lugar nenhum. Entendam… Você não precisa ir, você “precisa de ir”. Você não precisa viajar, você “precisa de viajar”. Se você chamar sua filha para acompanhá-la ao supermercado, ela reclamará: Ah, mãe, eu preciso de ir?

No supermercado, o mineiro não faz muitas compras, ele compra um tanto de coisa. O supermercado não estará lotado, ele terá um tanto de gente. Se a fila do caixa não anda, é porque está agarrando lá na frente. Entendeu? Agarrar é agarrar, ora! Se, saindo do supermercado, a mineirinha vir um mendigo e ficar com pena, suspirará: – Ai, gente, que dó.

É provável que a essa altura o leitor já esteja apaixonado pelas mineiras. Não vem caçar confusão pro meu lado. Porque, devo dizer, mineiro não arruma briga, mineiro “caça confusão”. Se você quiser dizer que tal sujeito é arruaceiro, é melhor falar, para se fazer entendido, que ele “vive caçando confusão”. Para uma mineira falar do meu desempenho sexual, ou dizer que algo é muitíssimo bom vai dizer: “Ô, é sem noção”. Entendeu, leitora? É sem noção! Você não tem, leitora, idéia do tanto de bom que é. Só não esqueça, por favor, o “Ô” no começo, porque sem ele não dá para dar noção do tanto que algo é sem noção, entendeu?

Capaz… Se você propõe algo ela diz: capaz !!! Vocês já ouviram esse “capaz”? É lindo! Quer dizer o quê? Sei lá, quer dizer “cê acha que eu faço isso!?” com algumas toneladas de ironia.. Se você ameaçar casar com a Gisele Bundchen, ela dirá: “ô dó dôcê”. Entendeu? Não? Deixa para lá. É parecido com o “nem…”. Já ouviu o “nem…”? Completo ele fica: -Ah, nem… O que significa? Significa, amigo leitor, que a mineira que o pronunciou não fará o que você propôs de jeito nenhum. Mas de jeito nenhum. Você diz: “Meu amor, cê anima de comer um tropeiro no Mineirão?”. Resposta: “nem…” Ainda não entendeu? Uai, nem é nem. Leitor, você é meio burrinho ou é impressão?

A propósito, um mineiro não pergunta: “você não vai?”. A pergunta, mineiramente falando, seria: “cê não anima de ir”? Tão simples. O resto do Brasil complica tudo. É, ué, cês dão umas volta pra falar os trem… Falando em “ei…”. As mineiras falam assim, usando, curiosamente, o “ei” no lugar do “oi”. Você liga, e elas atendem lindamente: “eiiii!!!”, com muitos pontos de exclamação, a depender da saudade… Tem tantos outros… O plural, então, é um problema. Um lindo problema, mas um problema. Sou, não nego, suspeito. Minha inclinação é para perdoar, com louvor, os deslizes vocabulares das mineiras. Aliás, deslizes nada. Só porque aqui a língua é outra, não quer dizer que a oficial esteja com a razão. Se você, em conversa, falar: Ah, fui lá comprar umas coisas…- Que’ s coisa? – ela retrucará. O plural dá um pulo. Sai das coisas e vai para o que. Ouvi de uma menina culta um “pelas metade”, no lugar de “pela metade”. E se você acusar injustamente uma mineira, ela, chorosa, confidenciará: – Ele pôs a culpa “ni mim”.

A conjugação dos verbos tem lá seus mistérios, em Minas… Ontem, uma senhora docemente me consolou: “preocupa não, bobo!”. E meus ouvidos, já acostumados às ingênuas conjugações mineiras, nem se espantam. Talvez se espantassem se
ouvissem um: “não se preocupe”, ou algo assim. A fórmula mineira é sintética. E diz tudo. Até o tchau em Minas é personalizado. Ninguém diz tchau pura e simplesmente. Aqui se diz: “tchau procê”, “tchau procês”. É útil deixar claro o destinatário do tchau.

Autor: rafaeladrianosilva@ig.com.br - Categoria(s): Sem categoria Tags:
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