A pretexto de defender os “bons costumes” do Padrão Global/Padrão Fantástico, Flávio Ric(c)o rasgou mais uma vez todos os procedimentos elementares de jornalismo independente, como o fez na nota “Morbidez”, de sua colona(*) Canal 1. Repare:
“O programa “Na Mira”, da TV Aratu (afiliada do SBT-ênfase minha, J.E.L.), na Bahia, ontem na hora do almoço botou no ar uma cena chocante (típica da Salvador dos dias atuais, ênfase minha, J.E.L.), aliás, especialidade (sic) do programa: um cidadão, vítima de latrocínio, com o corpo estirado no chão ao lado de uma poça de sangue.
Tudo mostrado nos mínimos detalhes (sic). Um circo do horror (sic)”.
Ric(c)o não cita que a Aratu é afiliada do SBT porque não quer. Se citasse, Daniela Beyruti teria um ataque de nervos com o “padrão de comportamento” de certas afiliadas nesta Terra de Gigantes. Ric(c)o cita o caso da Aratu porque é inimigo político da emissora e amigo de primeira hora da Globo, dos herdeiros políticos de ACM, de José Serra “Nosferatu dos velinhos paulistas”, de Aécio “financiador de fraudes em concursos de misses” Neves e das transnacionais americanas e espanholas escravagistas e opressoras do desespero.
Na mesma hora do almoço, a 949 km da sede da TV Aratu (ex-Globo, ex-Manchete e ex-CNT), o jpb dava um exercício deprimente de mau jornalismo, dantesco, grotesco, estúpido (para não dizer outras coisas) ao não noticiar o escândalo do programa “Leite da Paraíba”, no segundo governo do tucano Cássio Cunha Lima, cassado em fevereiro por abuso de poder e compra de votos. O mesmo jpb não noticiou que o Supremo Tribunal Federal negou a enésima liminar do tucano (apoiado por seus amigos do mass-media) que pedia eleições indiretas para governador, já que estamos a menos de um ano das eleições gerais em outubro de 2010 (Essas notícias foram dadas no Correio Debate, de Hélder Moura, sobre o qual Ric[c]o ainda não gritou).
De duas uma: ou Ric(c)o é analfabeto ou não sabe o que é o Brasil real, não manipulado pelas novelas imbecilizantes da Globo. Detalhe: ele já foi funcionário da emissora da famíglia Marinho.
Morbidez II
Se Ric(c)o tivesse o cuidado de ler os noticiários sobre o American Music Awards do último domingo, constataria que, logo na hora da janta de algumas famílias americanas, o cantor Adam Lambert (segundo colocado da oitava temporada do American Idol) protagonizou outra cena chocante, especialidade dele próprio. Com timbres vocais capazes de estourar até vidraça de barraca de praia na orla de Tambaú, Lambert protagonizou um verdadeiro circo de horrores contra a família americana ao fazer o debute de seu single de estreia, For Your Entertainment. Lambert usou das concessões de TV aberta (entre próprias e de afiliadas) da Disney/ABC para protagonizar uma cena mais nojenta que a descrita acerca do telejornal policialiesco do SBT da Bahia: beijou a boca de um dos integrantes de sua banda e protagonizou cenas de cunho sexual com um de seus bailarinos em cadeia nacional de televisão na base do grito.
Como na Aratu, a baixaria de Lambert foi mostrada aos americanos nos mínimos detalhes.
Circo de horror é Lambert protagonizar isso que o senhor e a senhora vão ver abaixo:
Qualquer universotário de redação de mente bem sensata saberia discernir um tipo de sensacionalismo (o da mídia de oposição ao esquema dos herdeiros de ACM) de outro (o do grito de Lambert regado a obscenidades em pleno primetime). Nenhum professor universitário de comunicação seria capaz de compactuar com circos de horrores, como o que Lambert fez na ABC (cá retransmitido pelo canal pago TNT). Agora, cabe aos executivos da Rede Record repensar a hipótese de “convidar” Adam Lambert para cantar na grande final do Ídolos, dia 16 de dezembro no Teatro Bradesco (SP). Se é que essa hipótese exista.
A Aratu é inimiga declarada da Rede Bahia desde criancinha (em 1987, perdeu na Justiça a afiliação global para a cáfila carlista).
Flávio Ric(c)o tem ódio da Aratu porque é lá que trabalha o repórter Alex Alves (editor do site Universo Axé), agredido covarddemente por leões de chácara da cantora (?) Cláudia Leitte.
Flávio Ric(c)o tem nojo da Aratu porque ela não pertence ao esquema midiático do PSDB/Demos na Bahia. E Ric(c)o é um de seus porta-vozes no plano nacional para a imprensa especializada em TV.
Ontem, Luciana Gimenez, recebeu um Zé Pedágio tão desesperado quanto Lambert para tentar ocultar a pesquisa CNT/Sensus que auferiu queda nos seus índices de intenção de voto para a disputa presidencial de outubro próximo.
Rede TV!, Globo, Folha, Abril, Estadão, Band e ABC parecem estar formando uma aliança para tentar colocar Serra no Planalto a partir de 1º de janeiro de 2011. E instaurar a Kristallnacht da democratização da informação na Internet brasileira por intermédio de seus pressupostos mineiros, Nayla Micherif e Eduardo Azeredo, encarregados de implantar a “Internet chinesa” nos nossos computadores.
(*)Não tem nada a ver com cólon da Gyselle Soares. São jornalistas do PIG(*) que atuam na milícia para defender o monopólio da informação, derrubar o presidente Lula e fraudar o resultado da próxima edição do Miss Brasil. E assim se comportarão sempre que um presidente tiver origem no trabalho, e não no capital, uma ex-fratella tiver origem no Estado mais pobre da federação, e não na elite branca separatista de São Paulo, no Brasil, no mundo, na Galáxia, na história do Super Bowl, do American Idol e antes da aposentadoria do ônibus espacial. São jornalistas que, de acordo com Mino Carta, “costumam chamar o patrão de colega”. É essa gente aí. (**)In anyone serious democracy of the world, low technical, conservative and also sensationalist newspapers and only one television network has influence as have in Brazil. They were transformed in a political party, the PIG (Coupist Press Party). These are their stories
Passaram-se três meses da tragédia que foi a participação (?) da potiguar Larissa Costa no Miss Universo 2009. De 24 de agosto para cá, foram escritos dezenas de posts alertando para os erros que culminaram na sua desclassificação antes mesmo das semi-finais. Erros esses que nem são de hoje: remetem ao ano de 1989, quando o SBT começou a se desprender da indústria missológica nacional. Erros esses repetidos ano após ano, década após década. Na “gestão” Marlene Brito em carreira solo, o Brasil só obteve uma mísera classificação entre as semi-finalistas do Miss Universo. O ano? 1993, quando a ex-coordenadora do certame encarregada pelo SBT para tanto já amrgava seus piores dias na promoção de eventos desse porte.
Nas gestões Paulo Max/Paulo Max Filho e Ana Paula Sang somadas (1994-1998), o desastre foi ainda maior: um jejum de cinco anos sem classificação no Miss Universo, quebrado apenas no crepúsculo, no canto de cisne, no coma terminal da Singa Brasil, com Michela Marchi em Honolulu. Para se ter uma ideia do prejuízo brasileiro tomado nos anos 80, 90 e 2000 no Miss Universo, vamos ao seguinte comparativo:
GESTÃO SBT (1981-89)
Participações no Miss Universo: 9
Classificações: 4
Eliminações: 5
Após o cancelamento do Miss Brasil 1990, a situação só piorou. Repare: “GESTÃO” MARLENE BRITO (1991-93)
Participações no Miss Universo: 3
Classificações: 1
Eliminações: 2
GESTÕES PAULO MAX/PAULO MAX FILHO/ANA PAULA SANG (1994-98)
Participações no Miss Universo: 5
Classificações: 1
Eliminações: 4
“JESTÃO” GAETA (1999-presente) (*)
Participações no Miss Universo: 11
Classificações: 3
Eliminações: 8
Tradução livre: as gestões Marlene/Paulos Max pai e filho/Ana Paula passaram oito anos brincando de coordenar etapa brasileira do Miss Universo como se isso fosse uma coisa irrelevante, inexpressiva, como o foi depois que o SBT assumiu essa brincadeira toda após herdar o espólio da Rede Tupi em 1981. Apesar de já ter levado ao ar o Miss Universo no Programa Sílvio Santos, o SBT não aprendeu a lidar direito com um evento de massas e grandes audiências (tal qual o Grammy, o Oscar, a Copa do Mundo e outros). O Grupo Sílvio Santos tratou concurso de miss Brasil como se fosse a coisa mais inexpressiva do mundo, diante da linha de shows de seu canal de TV. Pior para Marlene Brito, que só fez afundar ainda mais a nossa tradição no concurso internacional (A Paulos Max e Ana Paula couberam pegar as pás. Nayla Micherif e Boanerges Gaeta Jr. ficaram com a missão de fechar a sepultura do Miss Brasil. Mas eles, por teimosia e conveniência política, se negam a fazê-lo).
O que se precisa fazer para melhorar a reputação do Brasil como potência no Miss Universo é uma rigorosa reformulação do calendário das suas etapas estaduais, atualmente atrelado ao esquema do “deixa para depois do Carnaval”. Em países sérios como os Estados Unidos, isso não acontece. Lá, as etapas estaduais do Miss USA são realizadas de junho até, no máximo, janeiro do ano seguinte. Planejar corretamente esse calendário depende não só de boas intenções mas, principalmente, de vontade política. Isso a gaeta(**) não tem. O que interessa à gaeta(**) é colocar o “reinado” da Miss Brasil na ordem do dia. Isso tem que acabar. Antes mesmo do embarque de Larissa para o último Miss Universo, por que a gaeta(**) não pensou logo no Miss Brasil 2010? Por que os coordenadores dos Estados e de Brasília ficaram esse tempo todo acomodados, esperando a caravana passar, para tomar alguma providência quanto a seus certames? No dicionário do Miss USA, isso se chama “preguiça”. No do Miss Porto Rico, “irresponsabilidade”. No do Miss Bélgica (que acontece mês que vem), “incompetência”. Na cartilha do Miss Venezuela, “burrice”.
Mais: a fixação da data do Miss Brasil do ano seguinte ao da participação brasileira no Miss Universo do corrente ano precisa ser fechada com, pelo menos, sete meses de antecedência em relação à data proposta (normalmente meados de abril). O prazo para a definição da cidade-sede do Miss Brasil 2010 já se esgotou. E agora?
(*)Dados atualizados até 23 de agosto de 2009 (**)gaeta é o modo como a Gaeta Promoções e Eventos deve ser escrita; sempre em minúsculas, para provar o quanto o Brasil é uma sub-Venezuela ou um Porto Rico tamanho-família (tipo esses sanduíches Whooper do Burger King, Big Bob, Big Mac e afins) em termos de misses.
“Eu vou olhar nos seus olhos e dizer: ‘críticas ao meu trabalho, independente de serem positivas ou negativas, eu não vou aceitar nunca’. Sabe por quê? Eu não preciso de parâmetro de ninguém, eu faço o que o meu coração me colocar para fazer. Quando eu subo no palco, eu dou a minha alma. Quem está comigo sabe e quem não está também sabe. Quando você falar comigo, seja jornalista, tenha ética, não faça o seu leitor pensar como você, faça ele ficar livre para pensar o que quiser. Exponha a verdade.”
(De Cláudia Leitte, na sua visão de “liberdade de expressão” ao jornalista baiano Alex Lopes)
O episódio da agressão de agentes de segurança da cantora Cláudia Leitte a um jornalista da TV Aratu (afiliada do SBT na Bahia) deixou lições claras do verdadeiro barril de pólvora que é a relação da imprensa com artistas estabelecidos da axé-music, os recording artists que gozam de livres espaços nos veículos de comunicação do PIG(*) e do movimento Cansei. Veja a nota do Universo Axé, do repórter Alex Lopes sobre o incidente
Os publicistas de Claudinha, como a cantora é conhecida nos meios musicais e fora deles, venderam ao site EGO (da Globocom, ligada à Rede Globo, mesmo site que “elegeu” Rayanne Morais como Miss Brasil 2009) a farsa montada para prejudicar o trabalho de Alex Lopes, jornalista formado em uma das principais universidades baianas e influente formador de opinião no mundo do Carnaval baiano e dos sub-gêneros musicais criados por ele, como a axé-music. Até o R7, da Record, entrou na conversa colocando na grade da Record News a seguinte manchete: “Cláudia Leitte acusa jornalista de se auto-promover”.
O curioso nessa história toda é que Cláudia estudou Comunicação Social (habilitação Jornalismo) sem ao menos ter concluído o curso, da mesma forma que fez com as faculdades de Direito e Música. Do alto de seus 29 anos de idade e oito de carreira, a ex-vocalista do Babado Novo parece não ter aprendido a discernir o que é fonte confiável do que não é. Trata certos jornalistas e blogueiros independentes na vara, no mesmo modus operandi com que a governadora tucana gaúcha Yeda Crusius agride a imprensa que cobre os escândalos de seu governo ora agonizante.
Escolhemos colocar a frase na abertura para resumir bem o estado de desrespeito com que Cláudia Leitte trata parte da imprensa baiana. Alex Lopes trabalha na Aratu, afiliada da Globo no Estado entre 1969 e 1987 (quando perdeu seu contrato para a TV Bahia). De lá para cá, a emissora do galinho já vergou as afiliações da antiga Manchete e da CNT até passar para a malha do SBT em 1997, em função da compra da TV Itapoan pela Rede Record. Cláudia só estrearia na cena musical baiana em 2001.
O caso Cláudia Leitte vs. Aratu remete logo a outro episódio, ainda mais tenebroso: o que, nas eleições para a Assembléia Nacional Constituinte em 1986, o senador Antônio Carlos Magalhães chamou o repórter Antônio Fraga (então na Itapoan) de “f.d.p.”. A história narrada por Leandro Fortes ainda soa atual, principalmente sob a dominação dos egos de uma diva da axé-music em suas relações conturbadas com a mídia independente.
(*)In anyone serious democracy of the world, low technical, conservative and also sensationalist newspapers and only one television network has influence as have in Brazil. They were transformed in a political party, the PIG (Coupist Press Party). These are their stories
O que era aquele anúncio do Miss Pará nos intervalos do primetime do SBT na Região Norte? Vale lembrar que, até o ano passado, o evento era transmitido pela RBA/Band. E, em 2010, como fica?
Depois de 15 anos, acabou-se o que era doce: nesta quarta-feira, a série médica ER (Warner, a partir das 19h) faz a sua despedida de honra. Despedida esta, antecipada na mini-maratona de dois episódios que foi ao ar na última semana. Mini-maratona essa que remetia ao mais puro ambiente de baile de formatura. Como visto em I Feel Good, cujo título era inspiração pura no legado musical de James Brown (1933-2006).
Tirando de letra essa “homenagem” informal ao “Padrinho do Soul” (feita pelo doutor Archie Morris/Scott Grimes), o grande legado a ser deixado por ER: Plantão Médico para as próximas gerações de séries médicas e de roteiristas desse gênero não está, necessariamente, em festa à fantasia regada a odaliscas indianas (caso do episódio que marcou a despedida da médica anglo-indiana Neela Rasgotra/Parminder Nagra). Mas sim, no seu conteúdo e essência.
Uma década e meia de serviços prestados à ficção de corredor de hospital não é coisa suficiente para descrever a contribuição de ER para a padronização das séries médicas a partir de meados dos anos 90 até esta data. Ter a grife de Steven Spielberg (de filmes como E.T., o Extra-Terrestre e outros) e a escrita de Michael Crichton (que morreu antes de And in the End… ir ao ar) não é só mero detalhe.
Com o fim de ER, ficam verdadeiras lições de sobrevivência humana e de suas conseqüentes batalhas em meio ao caos do fictício General County Hospital, de Chicago (na verdade, um hospital abandonado de Los Angeles usado para a sua produção). “ER” é a verdadeira marca registrada de um período da televisão (seja ela analógica ou digital) o qual deveria constar em todos os livros de história geral. Até domingo.
Publicação simultânea com o caderno Notícia da TV do Jornal Meio Norte que circula no domingo (25/10)
Em meio à emoção da reprise do episódio Into the Blue, da série Cold Case (levada ao ar ontem à noite no canal pago Warner) fica a leve constatação de que os interesses eleitorais dos organizadores do Miss Brasil-Miss Universo se sobrepõem aos artísticos. Principalmente no trato ao respeito aos ouvidos dos seus telespectadores (com os da Band, pior ainda).
Nayla Micherif tem horror a música do Pearl Jam. Tanto é que proibiu seus funcionários na firma organizadora do concurso nacional de falarem em Black, música da banda de Seattle gravada em 1991 para o álbum Ten. Em Into the Blue (que tratava da investigação do assassinato de uma cadete dentro do próprio quartel), os versos de Eddie Veeder ilustraram a doce infância da detetive Lilly Rush (Kathryn Morris), remetida ao ano de 1976 (quando a então Miss Brasil, a paulista Kátia Celestino Moretto, foi obrigada a assinar papéis da violência do empréstimo compulsório imposto pelo general Geisel [apoiado pela Globo, é claro] aos brasileiros que viajassem ao exterior para participar do Miss Universo em Hong Kong). Parecia uma espécie de carta-testamento aos fãs de Cold Case, então na faca do cancelamento por parte da rede CBS.
Uma semana após a transmissão desse episódio, em 17 de maio, a CBS decidiu dar mais uma sobrevida a Cold Case. E deixar Lilly Rush em paz, ao menos, por mais uma temporada.
Com isso, Nayla perdeu a grande chance de mandá-la para o inferno dos esquecidos junto com o grande legado deixado pela cultura e pela música grunge dos anos 90.
(*)Não adianta escrever Gaeta Promoções e Eventos em maiuscula dado o grau de reincidência de denúncias de corrupção contra a direção nacional do Miss Universo no Brasil. Com uma imprensa conformista e complascente com as atividades criminosas da quadrilha de Nayla Micherif e Boanerges Gaeta Jr., fica cada vez mais difícil que, após Natália Guimarães, apareça outra candidata estadual neste país com a cancha de Rafaella Zanella e o carisma de Natália para arrebatar os corações e mentes dos jurados do concurso internacional.
A preço de hoje, na contabilidade do matemático Charlie Eppes (David Krumholtz), a etapa paranaense do Miss Brasil-Miss Universo 2010 contaria com a participação de 50 candidatas. Número esse um pouco maior que em 2004, quando apenas 46 municípios enviaram candidatas. Com a troca de organização, fica difícil acreditar que este certame (o estadual) tenha sobrevida em alguma emissora.
Nos anos de 2007 e 2008, a TV Maringá/Band assinou a transmissão do concurso. Agora, os diretores da BMW Eventos (detentora da franquia) batalham também contra os livros de história: querem que o nome de Carmen Sílvia Ramasco seja riscado dos livros escolares como a Miss Brasil de 1967. Tentam colocar o nome de Wilza Rainato a pretexto de reescrever a invenção da pólvora e a descoberta da eletricidade e da penicilina. Acham que os missólogos (e o povo brasileiro do século XXI) são trouxas e idiotas.
A peleja acontece dia 6 de dezembro. Até lá, resta saber se RIC/Record ou Rede Massa/SBT aceitam transmitir essa coisa. RPC/Globo, por suas razões mais que óbvias, está fora de cogitação (Veja qual é o verdadeiro interesse da RPC no Miss Paraná 2010).
Após ser especulada pelos colonistas de TV ligados à esfera global sobre essa conversa de cancelamento, a participação da cantora piauiense Stephany está mesmo confirmada no Esquadrão da Moda da TVS. Com as condições acertadas, as gravações podem ir adiante.
O dia era 2 de junho de 1984, um sábado à noite na garoada São Paulo, sede da 31ª edição do Miss Brasil-Miss Universo. O país passava por um profundo transe político, entre o coma terminal da ditabranda e os primeiros suspiros da democracia e do começo da luta pela quebra do monopólio da informação. Em um desses prefácios, Sílvio Santos comandava e mandava pela quarta vez no concurso nacional. Errado: Sílvio nunca foi de fato o dono do Miss Brasil-Miss Universo do SBT. Seus poderes estavam delegados a duas de suas funcionárias, Marlene Brito (diretora-geral encarregada por Sílvio de dar a assepsia artística tão torpemente violentada pelo Law & Order: SVU da imprensa irresponsável liderada pelos grupos Globo, Folha e Abril) e Joyce Kermann (coreografa incumbida de ditar o ritmo certo para o certame-programa de auditório atender aos ditames da Miss Universe Inc., nos Estados Unidos).
Na mesma noite que se decidia a sorte do Brasil no Miss Universo 1984, realizado dali a mais algumas semanas em Miami Beach (no feriado de 9 de julho dedicado aos mortos na Revolução Constitucionalista de 1932), o país perdia os versos do escritor gaúcho Raul Bopp. Não seja ao acaso, mas a candidata do Rio Grande do Sul, Cristane Wellausen, estava entre as 12 semi-finalistas daquela noite triste para as letras, ridícula para a televisão, anacrônica para os anais da comunicação do Brasil e patética para a história do Miss Brasil.
Aqui, corrupto não entra
Numa época em que capas de revista eram dedicadas a cobrir os podres do Colégio Eleitoral que escolheria o último presidente indireto entre o ciclo militar e as eleições diretas que viriam mais tarde (1989), o Miss Brasil 1984 não foi marcado pela pontuação de políticos direitistas frequentadores de manchetes sobre escândalos de corrupção (seja hoje na imprensa ligada ao PIG dos Brothers & Sisters da cantora Jôsy ou nas denúncias das taras proibidas de certos diretores de jornalismo reveladas pela blogosfera independente). Numa época em que a Censura Federal ainda matava a liberdade editorial das redações, impedidas de noticiar até a votação da Emenda Dante de Oliveira, o SBT driblava essas restrições colocando artistas de seu escalão para fazer as honras de padrinhos das 12 pré-classificadas para a fase semi-final.
Esse foi o caso de Jacinto Figueira Jr., o Homem do Sapato Branco, Murilo Neri, Flávio Cavalcanti e o humorista Geraldo Alves, inicialmente para citar os mortos. E aí vai Denis Derkian, Sérgio Mallandro, o jornalista Décio Picinini (painelista do daytime show da Sônia Abrão), Wagner Montes, Gugu Liberato, Moacyr Franco, Raul Gil e até o palhaço Bozo. Aliás, o que raios tinha a ver o palhaço Bozo (de programa infantil) com concurso de miss? (Até onde se saiba, não há registro de que a Censura Federal nos anos militares [a não ser na Tupi] tenha mandado restringir ou mudar classificação indicativa/censura desse tipo de evento).
Com a redemocratização do país, no fim do reinado da local Ana Elisa Flores, o Miss Brasil do SBT acabaria se vendendo à cáfila da banda podre do sarcoma político que atrasa este país em cinco séculos. No caso das misses nordestinas, a festa dos oligarcas começou em 1986 e, por políticas da empresa, teve de ser suspensa em 1988, junto com a agonia terminal dos concursos de beleza sob a jurisdição dos tecnotratas da Rua Santa Veloso, ninho da era missológica moderna brasileira regada a certames camuflados em programas populares de domingo.
Ainda voltaremos a esse assunto para os casos de Márcia Gabrielle em diante.