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04/11/2009 - 19:31

Rumo ao Miss Universo 2010: alguns dados históricos

As duas edições em que o Brasil venceu o concurso (1963, Iêda Maria Vargas, e 1968, Martha Vasconcellos) ocorreram num sábado. As datas: 20 de julho de 1963 e 13 de julho de 1968. Se fossem usados os parâmetros atuais de duração, o certame teria começado após o programa do humorista Jackie Gleason na CBS americana. Alguém, que ainda esteja vivo entre nossos leitores e viu as duas ocasiões de perto, tem idéia da duração que teve cada transmissão televisiva do Miss Universo vencida por este país nos anos acima descritos?
O Críticas, desde já, agradece à sua informação.

Autor: João Lima - Categoria(s): Datamisses, Jornalismo, Nossas Venezuelas, Projetos especiais, Todas as Venezuelas do mundo Tags: , , , , ,
29/09/2009 - 13:37

41 anos depois, o Brasil não aprendeu as lições desta vitória rara

Passaram-se 41 anos, dois meses e dezesseis dias e as lições da vitória de Martha Vasconcellos no Miss Universo não foram aprendidas direito pelos vários organizadores que assumiram a coordenação brasileira do certame internacional. O episódio envolvendo a desorganização do concurso Miss Minas Gerais 2010 reflete apenas a ponta de um verdadeiro iceberg de irresponsabilidades que envolvem rede nacional de televisão e grupos econômicos que nada sabem sobre concursos de beleza neste país.


Aqui, a fórmula de um sucesso que não volta mais

Com a morte de Assis Chateaubriand, meses após a sagração de Martha no Miss Universo, os Diários Associados passaram os anos seguintes sentindo o Trauma causado não só pelas políticas monopolistas da Rede Globo. Mas pelo fisiologismo administrativo que envolveu os Associados e a direção do Miss Brasil. O Miss Brasil era um produto dos Associados até 1980 e Paulo Max era apenas a pessoa designada para dirigí-lo.
Proporcionalmente às crises da Tupi nos anos 70, o desempenho das misses brasileiras no Miss Universo só fazia degringolar: de 1969 a 1980 foram oito classificações para as semi-finais do concurso. Destas, três chegaram entre as cinco finalistas. Uma queda se comparada com o período de 1955 a 1968, onde apenas duas representantes não chegaram às semi-finais.
Em números, esta foi a participação brasileira no Miss Universo auspiciada pelos Diários Associados:

Período 1955-1959
-Participações: 5
-Semi-finalistas: 5
-Finalistas: 3
-Títulos: nenhum
-Não classificadas: nenhuma

Período 1960-1969
-Participações: 10
-Semi-finalistas: 8
-Finalistas: 3
-Títulos: 2
-Não-classificadas: 2

Período 1970-1980
-Participações: 11
-Semi-finalistas: 6
-Finalistas: 3
-Títulos: nenhum
-Não classificadas: 5

Após este período, os ativos da Tupi (menos o prédio da Rua Afonso Bovero, no Sumaré, que sedia a MTV Brasil) foram para as mãos do SBT. Eventos como o Miss Brasil e o Miss Universo foram para a carteira da nova rede formada por Sílvio Santos a partir dos despojos da extinta rede. Em relação a “gestão” do Miss Brasil no SBT, esta é uma história que merece uma estatística separada. Vamos aos números:

Período 1981-1989
-Participações: 9
-Semi-finalistas: 4
-Finalistas: 1
-Títulos: nenhum
-Não-classificadas: 5

As ligações tanto do Grupo Sílvio Santos quanto da Bloch Editores (que publicava as revistas Manchete e Fatos & Fotos) com o regime da ditabranda eram tão fortes que chegava-se ao ponto de as misses eleitas no padrão do Programa Sílvio Santos serem capas da edição da terça-feira seguinte ao Miss Brasil-Miss Universo da Manchete. Sem, no entanto, assegurar direito a comerciais da publicação na Rede Manchete (outra cria dos escombros da Tupi) em semana pós-concurso. Não seria correto melindrar um concurso de beleza promovido pelo SBT, pensava a turma da Rua do Russel.
Em 1985, ano em que os militares voltaram para os quartéis após 21 anos, o Miss Brasil-Miss Universo mudou drastica e draconiamente de comportamento. Embora gozasse de prestígio e influência na mídia (a começar pela fina cepa de jurados), a gala que elegeria Márcia Gabrielle do Rio para o Mato Grosso e de lá para o mundo já não demonstrava a mesma aura de entusiasmo dos tempos da Tupi. Os índices de audiência só caíram e, em 1989, Flávia Cavalcanti venceu um Miss Brasil já em estágio terminal para os padrões do SBT. As relações com os tzares do regime se converteram na Semana do Presidente que só sobreviveu até o Day One do primeiro (des)governo de FHC, em 1995.
À luz do Plano Collor apoiado pela Rede Globo, o SBT chegava a 1990 com dúvidas nas mãos sobre o Miss Brasil-Miss Universo. Pior: na Vila Guilherme, ninguém sabia que o Miss Universo 1990 fora antecipado de maio para o dia 15 de abril de 1990, domingo, dia de Programa Sílvio Santos e de Sessão das Dez. Instalou-se o desespero e a incerteza maiores que as causadas pelo confisco e sequestro das cadernetas de poupança, Já em janeiro, desenhava-se um ambiente sombrio para a continuidade do concurso na rede paulista. Nenhuma chamada fora feita para promover os concursos estaduais (menos o da Bahia). Fez-se do silêncio a pior das incertezas. E da dúvida a pior violência missológica de todos os tempos neste país.
Dito e feito: em abril de 1991, a coluna Informe JB do Jornal do Brasil noticiava que o SBT enviara comunicado às afiliadas informando do cancelamento definitivo do Miss Brasil-Miss Universo de sua grade de eventos. O principal golpe veio na transmissão do concurso internacional, que só seria retomada em 1998 a duras penas. Logo, num momento em que o SBT precisava de eventos internacionais de porte para preencher o vácuo deixado pela transferência da entrega do Oscar para a Rede Globo. Esta, por sua vez, deu às costas para o Miss Universo por que quis. Bandeirantes, Manchete, Record e CNT também fizeram o mesmo. Não aceitaram transmitir embora o concurso tenha passado às mãos de Donald Trump, em 1996. Acharam que Trump era dono de cassino e só.
No Criminal Minds das seis grandes irmãs da TV brasileira, o que interessava a elas não era transmitir disputa de Miss Universo, mas as ancas de Carla Perez, a cantora Jôsy de seu tempo. Às produções de Gugu e Faustão, não interessava ter em seus programas a Miss Brasil do ano em curso: esta era uma tarefa do Jô Soares Onze e Meia. O Miss Brasil-Miss Universo ficou confinado a parcas conversas do late-night programming brasileiro durante toda a década de 90. E nesse ambiente sombrio, as estatísticas só pioraram:

Período 1991-1999
-Participações: 10
-Semi-finalistas: 2
-Finalistas: nenhuma
-Títulos: nenhum
-Não-classificadas: 8

Nessa verdadeira Dança do Bambolê (não-composta pelo baiano Cid Guerreiro) do câmbio da alta rotatividade do jogo de empurra da troca de organizadores, a missologia nacional foi asfixiada pela paranóia monetária da baixaria monopolista e privatizante. Na era FHC, o Miss Brasil-Miss Universo viveu seus piores dias. Dias de coma. Dias de letargia. Dias de medo e de um futuro incerto. Para comparar com o período atual, números são capazes de explicar tudo. Palavras, não:

Período 2000-2009
Participações: 10
-Semi-finalistas: 3
-Finalistas: 1
-Títulos: nenhum
-Não-classificadas: 7

Contra os fatos narrados acima, não há porque Nayla Micherif, José Alonso Dias, Boanerges Gaeta Jr. e Evandro Hazzy inventarem “argumentos” fajutas de propaganda enganosa.

Autor: João Lima - Categoria(s): DataBacha, Eventos, Força da Grana, Ibopes da vida, Joia da coroa, Mídia regional, Nossas Venezuelas, Numb3rs, Poderes ocultos, Podres poderes, Projetos especiais, Radar das misses, concursos de beleza, personalidades, Ética nos concursos de beleza Tags: , , , , , , , , , , ,
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