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iBest BrTurbo
04/02/2010 - 01:55

Mais uma sessão inanimada…

Talvez é sono a vida, e vida a morte,
Dorme-se aqui para despertar além!
O vivo é um morto, e a luz que do alto vem
Do céu à terra é a ponte de transporte!

Passageira ilusão, ou crença forte…
Quem sabe?! – o mundo é nada… e a lousa tem
O segredo da esfinge… o mal e o bem
Das mortas gerações… destino ou sorte!…

Não sei; responde: a tua mocidade,
Planeta em céu ignoto, é anjo ou verme,
E o sol de lá é a luz da Eternidade?!

Talvez!… Quem sabe… O pó tudo resume!…
Mas do teu coração, inda a saudade
Ficou – murmúrio e flor, brisa e perfume.

A Castro Alves -  José Bonifácio de Andrada e Silva (o Moço).

“Encontrei-a uma vez, a lívida caveira,
A rir, sinistramente, em doidas gargalhadas…
E pensei, nesse instante, ó almas torturadas!
Que ela seria em breve a minha companheira.

Depois vi, por meu mal, naquela ossada nua,
Que a Morte descarnara, em ânsias, brutalmente,
A imagem do meu ser, gelada e inconsciente,
Bebendo a luz do sol e as lágrimas da lua…

E tive ainda mais ódio a este viver tristonho,
Que arrasto, sem te ver, eu que por ti vivia,
Ó alma da minha alma e sonho do meu sonho!

Entretanto, começava o dia a esmorecer…
E eu fui-me perguntar à Sombra, que descia,
Se acaso não seriam horas de eu morrer!”

A Caveira – José Duro           !hehe

É um ser anêmico esse objeto inanimado:
Arde o pavio, e, no entanto, o que se esvae é a cera…
- Sofre a alma e o corpo é que se faz debilitado…
Hermes Fontes

Autor: Fábiú - Categoria(s): Tudo Tags:
23/01/2010 - 04:16

É agoura ou nunca…

A Ave Agoureira

Porque pias tão tristonha,
Ave da noite – medonha,
E porque sempre procuras
Para soltar teus gemidos
As campas dos falecidos,
As bordas das sepulturas?

E porque do cemitério
O sacrosanto mistério,
O silêncio magestoso,
Que a morte sabe inspirar,
Não tremes ao perturbar,
Com teu piar doloroso?

Porque razão tão ousada,
De Deus a santa morada,
Ao profanar tu não tremes?
E porque, ave agoureira,
E porque és mensageira,
D’algum mal sempre que gemes?

Porque foges – presurosa,
Do dia á luz preciosa,
E com teus vôos impuros,
A noite cortas os ares,
Só espalhando pezares,
Dizendo males futuros?

Receio muito teus cantos,
Que nos auguram só prantos,
Quando em vôo temerário
Velozmente a terra deixas,
E vás soltar tuas queixas,
Junto à cruz do campanário.

É porém esse o teu fado,
Que por Deus te foi legado!
Chora pois sempre tristonha,
Procura sempre o mistério,
Interroga o cemitério,
Sempre agoureira e medonha.

Manuel da Silva Mafra

“Como unica oração que tua alma proteja,
Por sobre a podridão de tua boca fria,
Vibra no ar zumbindo a mosca de vareja…

Emquanto, ao longe, o sino, em voz cansada e lenta,
Reza, doce cristão, a sua ave Maria,
E o moribundo sol as nuvens ensanguenta…”

A Besta Morta (trecho) – Lúcio de Mendonça.

Autor: Fábiú - Categoria(s): Poemas, Tudo Tags:
17/01/2010 - 01:05

A Balada do Desesperado…

— Quem bate à porta a tais horas?
— Abre, sou eu. Quem tu és?
Não se entra na minha casa
Tão tarde assim, bem o vês.

— Abre. — Teu nome? — Há geada,
Abre. Teu nome? — És tardio!
Qual é teu nome? — Ai, na cova
Um morto não tem mais frio.

Eu caminhei todo o dia
Do sul ao setentrião,
Ao pé da tua lareira
Quero sentar-me — Inda não!

Diz teu nome… — Eu sou a glória
E aspiro à posteridade…
— Passa fantasma irrisório…
— Ó dá-me hospitalidade!

Eu sou o amor e a esperança
As duas porções de Deus…
— Segue a estrada… A minha amante
Há muito me disse adeus!

— Eu sou a arte e a poesia,
Proscreveram-me… Abre! — Não!
Já não canto minha amante.
Nem sei que nome lhe dão!…

— Abre, que eu sou a riqueza,
E trago do ouro o fulgor,
— Posso dar-te a tua amante…
— Podes dar-me o seu amor?

— Sou o poder, tenho a púrpura.
Abre a porta! — Anelo vão!
Podes trazer-me a existência
Daqueles que já não sâo?!

— Se tu não abres teus lares
Senão a quem diz seu nome
Sou a morte! trago alívio
P’ra cada dor que consome!

Podes ver, trago na cinta
Ruidosas chaves fatais…
Abrigarei teu sepulcro
Do insulto dos animais.

— Entra, estrangeira funérea…
Perdoa à mendicidade,
Porque é no lar da miséria
Que tens hospitalidade.

Entra; cansei-me da vida
Que nada tem que me dar…
Há muito eu tinha desejos
(Não força) de me matar!

Entra no lar, bebe e come,
Dorme, e quando despertares,
Para pagar tua conta
Hás de levar-me aos teus lares.

Eu te esperava, eu te sigo…
Vamos… arrasta-me… assim…
Mas deixa o meu cão na terra
P’ra eu ter quem chore por mim!

Henry Murger
Tradução de Castro Alves.

Autor: Fábiú - Categoria(s): Poemas, Tudo Tags:
06/01/2010 - 00:32

Nas voltas da vida…

Agora que as coisas já aconteceram, meio dessa forma assim abissal, meio metade estranha e de resto anormal, nem pouco singular nem de um jeito um tanto noético e boçal, só paro e espero que as pontas e as partes todas das peças vagas se alinhem, se encaixem, assim, nessa espécie de transição metódica, conforme aquele dito, um tanto bem feito mas um pouco mal dito, como aqueles rabiscos de círculos que enquadram, com linhas vividas, o meu mapa astral, se perdendo entre voltas e voltas em seu plano fatídico…

Mas, se as palavras não forem de bom grado, ou se não se chega a um final, assim como um tanto de mim em linhas vazias, numa história de começo acabado e meio sem fim, não pensem apenas no acaso ou na sorte…
Deixarei as perguntas certas perdidas, e algumas respostas somente e apenas num grave silêncio de morte…

Autor: Fábiú - Categoria(s): Divagação/Filosofia, Tudo Tags:
08/12/2009 - 01:24

Ecos do Infortúnio…

De lá distante, onde por último se ouviu,
Ainda guardam a história,
Que se conheceu das fendas do Universo,
Que ocorrera à uma civilização distante,
Anos e anos luz de seus aconchegantes lares…

E podem eles até imaginar o dia,
E como tudo aconteceu,
Nesse mundo desconhecido…

Onde os ases incendiaram os reis e suas damas,
E o astuto Sol iluminou a noite estrelada,

Onde o segredo vivaz dos tempos antigos,
Encheu o vácuo de cada cômodo das moradas,

E muitos desfaleceram tristes,
Ou se afogaram nos seus poços de ilusões…

E os loucos se inverteram,

Com seus relógios dividindo a vida em terços,
Com suas dúvidas, mitos e mentiras,
Porque forjadas eram as ambições e vontades…

E tremeram os inquisidores!
Com seus canhões flamejantes,
Vomitando mitras e demônios!

E temeram o inferno todos os fervorosos,
Com seus julgadores olhares nefastos…

E do topo do mais alto monte,
Até o fundo do mais decrépito breu,
Ouviu-se o som estridente,
De uma morte que ecoou,
Por toda luz e escuridão,
E que viajou até longe,
E sempre continuará,
Infinitamente a vagar,
Até que o brilho,
Da última estrela se apague…

E a história se fala com pesar,
Mas sem nenhuma compaixão,
Até nos corações mais aquecidos…

Porque de ecos mais remotos,
Ouviu-se que esses seres,
Que lá viveram em asseidade,
Destruíram-se e se jogaram,
Na negra cova por eles feita,
Onde por fim,
Os mesmos se enterraram…

Autor: Fábiú - Categoria(s): Tudo, Universo Tags:
19/11/2009 - 03:18

A Tv e o Rádio que o Parta…

O rádio e a televisão são os inteiros meios de comunicação mais conhecidos e pouco comunicativos do mundo da comunicatividade, perdendo talvez apenas, e somente ou não, pela internet, pelos brinquedos educativos e pelas laterais das caixas de cereal…

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“Tony tbm é cultura!”

Hoje em dia, para muitos brasileiros, um dos termos mais usados ao usufruir desses meios prostáticos magnetostáticos, é o mesmo termo usado no encontro do mindinho do pé com qualquer quina pontiaguda…

grito

Para entender melhor, usarei uma explicação do maior gênio cientista vivo da tele-rádio-comunicação-análoga-digital:

“A aléia que conduz à ascenção da cadeia de concessões ético-moralistas nos difundem de maneira vaga a proceder de forma não conceitual à epítase do instinto humano, deliberando um quadro social distinto de qualquer preceito liberal de expressão verbal ou artística, dividindo o atual idealismo expressionista em diferentes causas e efeitos não cognatos, tornando-se hoje uma crescente forma quase abstrata de uma patarata instância contextual na comunicatividade, sendo o principal impelente do dolente caos massivo do onipresente universo análogo-digital.”

_Falou e disse! Ô Cride, fala pra mãe!!

Autor: Fábiú - Categoria(s): Humor, Prolixidade, Tanto faz..., Tudo Tags:
28/10/2009 - 02:17

Mas são só idéias…

ideia

Idéias, idéias…
Passam e atravessam,
Correm e tropeçam,
Levantam e desaparecem…

Findam, e só não levam,
Aquilo de que se esquecem…

E nada posso fazer.
Fogem depressa,
E se misturam aos pensamentos…

Idéias de sabe-se lá o que!

Talvez uma frase,
Que completasse,
A minha palavra solta.
Qualquer coisa que me falte,
Quem sabe uma solução,
De algo que nunca entendi…
Ou ainda mesmo,
Um problema que ainda não vi…

Mas correm e correm,
E esvaem-se todas!

E eu aqui, de piela…
Com os olhos distraídos,
Enquanto fito a luz da vela…

E onde se escondem essas megeras,
Haverá eu de ter,
Qualquer dia alguma idéia?!

VELA apagada

Autor: Fábiú - Categoria(s): Poemas, Tudo Tags:
15/10/2009 - 21:09

Como se fosse…

Adeus! Já nada tenho que dizer-te.
Minhas horas finais trêmulas correm.
Dá-me o último riso, p’ra que eu possa
Morrer cantando, como as aves morrem.

Ai daquele que fêz do amor seu mundo!
Nem deuses nem demônios o socorrem.
Dá-me o último olhar, para que eu possa
Morrer sorrindo, como os anjos morrem.

Fôste a serpente, e eu, vil, ainda te adoro!
Que vertigens meu cérebro percorrem!
Mente a última vez, para que eu possa
Morrer sonhando, como os doidos morrem.

Negro Adeus
Vitoriano Palhares

Autor: Fábiú - Categoria(s): Poemas, Tudo, Um sentimento Tags:
10/10/2009 - 02:00

Nózes e os Neurônios Espelho…

Já faz muito tempo que alguém, em alguma ensolarada e ociosa tarde de domingo, tomando uma caprichada caipira, beliscando uma carninha assada e assistindo a uma final de campeonato, perguntou para si mesmo:

_ O que será que seria se sabia-se que porventura fossemos o que seríamos sempre antes e depois de sermos o que achamos que fomos, se somos o que nós éramos antes de sermos nós mesmos?

E hoje amigos…. Sabe-se que 99,8% da população mundial gosta de pizza…

tartaruga

“Santa pizza!”

Mas a muito mais tempo, em uma nebulosa manhã de segunda-feira, um triste e deprimido ser, olhando a relva encharcada da grossa chuva de Outono, em sua velha charrete rumo ao trabalho, se perguntou de surpresa:

_ Quem? sou… eu?

E até hoje não sabemos quem foi ele, e muito menos a resposta geral dessa pintalegrete pergunta que insiste em questionar o sagaz saber humano…

O que… quem! quando! qual? tem?! Mais cerveja?! Mas ainda não tomei nenhuma!!

E agora eu pergunto, pra mim e pra você:

Quem somos nós?

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Nós.

Eu acho que até me lembro bem daquela tranquila noite sombria e etc. etc. onde fiz a mesma pergunta sacal…

E desde então, venho buscando no fundo da alma, garimpando minha tênue mente, dissecando meu frágil pequeno ego, subjugando minha consciência em sessões de tortura existencial, para achar uma resposta que sacie minha vontade de tomar cerveja ter o conhecimento de o que, de quem, quem sou eu?! E se sou eu mesmo, o que faz ser o que sou?!

Bom, então… devagar a divagar divagaremos… hmm…

Desdenhando de forma simples e singular, sabemos que o que faz você ser você mesmo, é a personalidade, o meio com que cada um se comporta e se expressa individualmente…

Pois bem, imaginemos uma mente vazia, sem nada, nenhum conhecimento, nenhuma personalidade, etc.

Teremos aí uma mente perto do que seria, digamos, uma mente recém nascida…

A personalidade, é ganha conforme se vai aprendendo novas formas de agir e pensar, se diferenciando conforme o grau de consciência…

A personalidade é o conjunto de todas as “ferramentas” que um cérebro vai aprendendo a usar…

A falta de personalidade, normalmente é atribuída a alguém que “copia” outra(s) pessoa(s), não possuindo um jeito de agir realmente próprio.

Mas se pensarmos bem, não existe falta de personalidade…
Isso é algo natural, todos fazemos isso desde sempre…

Pegamos o jeito de conversar de alguém, o jeito de brincar de outro, o jeito de contar piada, de discutir … Todas essas ferramentas já existem, apenas pegamos um tanto de cada um que conhecemos no decorrer da vida, e montamos uma maneira própria de agir, seja “mecanizada” ou espontânea.

A falta de personalidade do dito cujo, é apenas um atributo da sua personalidade, que deixa-se usar seja por pretensão, admiração, ou até seja algo inconsciente…

Quem nunca pegou um jeito de falar de um amigo, ou o jeito de dar risada, ou já se flagrou falando no mesmo tom que algum personagem de TV, ou voltou de uma viagem de três dias falando com um sotaque diferente?

Está no ser humano a capacidade de reter essas informações, copiá-las e usá-las, mesmo que seja pra transformá-las depois.
Claro que uns tem uma predisposição maior pra isso, outros menos…

O nível de consciência também é fundamental para moldar a personalidade, aliás, é ela que permite, se for a vontade do indivíduo, termos a noção de onde começa e termina o “eu”, tendo o trabalho também de nos dizer como ou quando usar nossos traços de personalidade, assim como mudá-los.

Mas isso é apenas uma ilhota no mar dos saberes existenciais…

Então pra resumir, cada um é cada um, e tudo isso é apenas versa-vice…

solutionbored

E agora sei que tudo acaba em pizza e principalmente que eu quero uma cerveja!

Autor: Fábiú - Categoria(s): Divagação/Filosofia, Tudo Tags:
10/10/2009 - 01:00

The soil is falling over?

Oh Mãe, posso sentir o chão caindo sobre minha cabeça.
E enquanto deito em uma cama vazia,
Oh bem, tudo está dito.

Eu sei que acabou, ainda assim me agarro,
Não sei mais onde eu possa ir.

Mãe, posso sentir o chão caindo sobre minha cabeça…
Veja, o mar quer me levar,
A faca quer me cortar,
Você acha que pode me ajudar?

Triste noiva de véu, por favor seja feliz,
Belo noivo, dê a ela abrigo,
Bruto, grosseiro amante, trate-a gentilmente…
(embora ela precise mais de você do que te ame)

Eu sei que acabou…

E na verdade nunca começou,
Mas no meu coração era tão real,
E você até falou comigo e disse:
“Se você é tão engraçado,
Por que então está sozinho esta noite?
Se você é tão inteligente,
Por que então está sozinho esta noite?
Se você é tão divertido,
Por que então está sozinho esta noite?
Se você é tão atraente assim,
Por que dorme sozinho a noite?
Eu sei…
Por que esta noite é igual a qualquer outra noite…
É por isso que você está sozinho esta noite.
Com seus triunfos e encantos,
Enquanto eles estão nos braços um do outro”…

É tão fácil rir,
É tão fácil odiar,
É preciso força para ser gentil e carinhoso…

É tão fácil rir
É tão fácil odiar
É preciso ter culhões para ser gentil e carinhoso…

O amor é natural e real,
Mas não para você, meu amor,
Não esta noite, meu amor…

O amor é natural e real,
Mas não para pesoas como você e eu, meu amor…

Oh Mãe, posso sentir o chão caindo sobre minha cabeça…

I Know It’s Over (tradução)
Jeff Buckley

Autor: Fábiú - Categoria(s): Música, Tudo, Um sentimento Tags:
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