<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>::. Textos Legais .:: &#187; acostuma</title>
	<atom:link href="http://blig.ig.com.br/textos_legais/tag/acostuma/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://blig.ig.com.br/textos_legais</link>
	<description>Onde vocÊ encontra os textos mais legais da internet!</description>
	<lastBuildDate>Sat, 14 Mar 2009 15:10:31 +0000</lastBuildDate>
	<generator>http://wordpress.org/?v=2.8.4</generator>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
			<item>
		<title>A GENTE SE ACOSTUMA</title>
		<link>http://blig.ig.com.br/textos_legais/2008/10/23/a-gente-se-acostuma/</link>
		<comments>http://blig.ig.com.br/textos_legais/2008/10/23/a-gente-se-acostuma/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 23 Oct 2008 19:05:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>cadrihmistery@ig.com.br</dc:creator>
				<category><![CDATA[Humor]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Pessoal]]></category>
		<category><![CDATA[acostuma]]></category>
		<category><![CDATA[agente]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blig.ig.com.br/textos_legais/2008/10/23/a-gente-se-acostuma/</guid>
		<description><![CDATA[Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos e não ver vista que não sejam as janelas ao redor. E porque não tem vista logo se acostuma a não olhar para fora. E porque não olha para fora, logo se acostuma e não abrir [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="text-align: center"><strong><span style="font-family: Comic Sans MS;color: #ff00ff;font-size: medium">Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.</span></strong></p>
<p style="text-align: center"><strong><span style="color: #ff00ff">A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos e não ver vista que não sejam as janelas ao redor. E porque não tem vista logo se acostuma a não olhar para fora. E porque não olha para fora, logo se acostuma e não abrir de todo as cortinas. E porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, se esquece do sol, se esquece do ar, esquece da amplidão.</span></strong></p>
<p style="text-align: center"><strong><span style="color: #ff00ff">A gente se acostuma a acordar sobressaltado porque está na hora. A tomar café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder tempo. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.</span></strong></p>
<p style="text-align: center"><strong><span style="font-family: Comic Sans MS;color: #ff00ff;font-size: medium">A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E não aceitando as negociações de paz, aceitar ler todo dia de guerra, dos números, da longa duração. </span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: center"><strong><span style="font-family: Comic Sans MS;color: #ff00ff;font-size: medium">A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: “hoje não posso ir”. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisa tanto ser visto.</span><span style="font-family: Comic Sans MS;color: #ff00ff;font-size: medium"> </span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: center"><strong><span style="font-family: Comic Sans MS;color: #ff00ff;font-size: medium">A gente se acostuma a pagar por tudo o que se deseja e necessita. E a lutar para ganhar com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagará mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.</span><span style="font-family: Comic Sans MS;color: #ff00ff;font-size: medium"> </span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: center"><strong><span style="font-family: Comic Sans MS;color: #ff00ff;font-size: medium">A gente se acostuma a andar nas ruas e ver cartazes. A abrir as revistas e ler artigos. A ligar a televisão e assistir comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.</span><span style="font-family: Comic Sans MS;color: #ff00ff;font-size: medium"> </span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: center"><strong><span style="font-family: Comic Sans MS;color: #ff00ff;font-size: medium">A gente se acostuma à poluição, às salas fechadas de ar condicionado e ao cheiro de cigarros. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam à luz natural. Às bactérias de água potável. À contaminação da água do mar. À morte lenta dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinhos, a não ter galo de madrugada, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta por perto.</span><span style="font-family: Comic Sans MS;color: #ff00ff;font-size: medium"> </span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: center"><strong><span style="font-family: Comic Sans MS;color: #ff00ff;font-size: medium">A gente se acostuma a coisas demais para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta lá.<br />
Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente só molha os pés e sua o resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem muito sono atrasado.</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: center"><strong><span style="font-family: Comic Sans MS;color: #ff00ff;font-size: medium">A gente se acostuma a não falar na aspereza para preservar a pele. Se acostuma para evitar sangramentos, para esquivar-se da faca e da baioneta, para poupar o peito.</span></strong></p>
<p style="text-align: center"><strong><span style="font-family: Comic Sans MS;color: #ff00ff;font-size: medium">A gente se acostuma para poupar a vida. </span></strong></p>
<p style="text-align: center"><strong><span style="font-family: Comic Sans MS;color: #ff00ff;font-size: medium">Que aos poucos se gasta, e que, de tanto acostumar, se perde de si mesma. </span></strong></p>
<p style="text-align: center"><span style="color: #ff00ff"><br />
</span></p>
<p style="text-align: center"><span style="font-family: Comic Sans MS;color: #ff00ff;font-size: medium">Marina Colassanti</span></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blig.ig.com.br/textos_legais/2008/10/23/a-gente-se-acostuma/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>
