23/12/2008 - 13:59
Fora de Série
Data: 21/12/2008
Veículo: O GLOBO
Editoria: REVISTA O GLOBO
Conheça a escola que levou um modelo de ensino neo-humanista para crianças carentes de uma pequena cidade na divisa de Rio e Minas.
A poucos quilômetros de Belmiro Braga, uma cidadela próxima à divisa de Minas Gerais e Rio de Janeiro, surgiu nos anos 80 um povoado apelidado pelos moradores de Vila São Francisco. O lugar foi se formando mais ou menos assim: para evitar que empregados tomassem posse de terras por usucapião, uma lei que causou alvoroço na época, patrões das redondezas expulsaram levas de agricultores de suas fazendas. Sem ter para onde ir, as pessoas se amontoaram ali, naquele pedacinho de terra sem dono.Vila São Francisco apareceu no mapa desprovida de qualquer planejamento, de qualquer infra-estrutura. E com uma infinidade de problemas sociais — entre eles, a falta de uma escola para as crianças. Para poder estudar, os meninos tinham que percorrer pelo menos 15 quilômetros a pé pelas estradinhas de terra.
A história mudou com a chegada de uma turma de seguidores de um filósofo indiano chamado Shrii Ananda Murti, fundador do Centro de Ioga e Meditação Ananda Marga, que nasceu em 1955 na Índia e tem filiais em 150 países. No Rio, a base do instituto fica em Copacabana. Em 1990, o grupo comprou uma fazenda para retiros espirituais bem ali, em Vila São Francisco. E mudou a paisagem, criando a escolinha Sol Nascente, que levou para a meninada pobre, sem esperança, sem futuro, um modelo de ensino até então exclusivo de crianças bem-nascidas: o neo-humanismo, que prioriza o desenvolvimento emocional, intuitivo, criativo e espiritual. É uma linha de pedagogia parecida com a das escolas Waldorf, que fazem sucesso no mundo todo. Segundo essa filosofia, não basta aprender português, matemática etc. O desafio é formar pessoas bacanas.
— Trabalhamos as bases éticas e morais do ser humano. A idéia é que essas crianças cresçam saudáveis em todos os sentidos, criativas, inteiras, felizes — diz a pedagoga Sandra Brys, uma das fundadoras da Sol Nascente. — A fazenda foi comprada por 30 pessoas, que doaram cem hectares para projetos sociais. A escolinha, para crianças de 3 a 5 anos, é um deles.
O prédio da escola é uma graça, com jardim, playground e salas equipadas com toda a sorte de brinquedos pedagógicos.
Mantida com doações dos padrinhos — jovens freqüentadores do Ananda Marga no Rio —, a Sol Nascente foi mudando de cara ao longo dos últimos 18 anos. No início, funcionava numa casinha velha, sem estrutura, contando com a boa vontade de professores voluntários. Há quatro anos, o espaço foi finalmente inaugurado.
— Não tínhamos nem luz. O importante era conseguir introduzir uma nova filosofia de ensino para as crianças.
Elas se sentavam no chão, não tinham brinquedos, comiam com o pratinho apoiado em tocos de madeira — conta Dhiira Gomes, a tia Dhiira, uma mãe que resolveu arregaçar as mangas e colaborar com o projeto. — Tudo o que nos ofereciam a gente pegava. Percorríamos as lojas de xerox pedindo papel usado. Eu queria que os meus filhos tivessem acesso ao que o pessoal do Ananda Marga estava nos propondo. Então fui à luta. Meus três filhos estudaram aqui.
A rotina da criançada é mesmo especial.
Às 7h, os alunos iniciam o dia com o “círculo do amor”: cantam mantras e praticam ioga e meditação. Em seguida, vem o café da manhã. Depois, brincadeiras pedagógicas e livres, além das disciplinas convencionais. Às 11h, almoço. Tudo vegetariano e orgânico, colhido na horta da escola, plantada pelas crianças. Segundo Sandra, formada em pedagogia e com especialização na Universidade Gurukula, em Calcutá, no modelo de ensino neo-humanista, a ioga e a meditação são fundamentais para aumentar a concentração das crianças. E a alimentação vegetariana ajuda a desenvolver a consciência ecológica e o respeito à vida. Ninguém reclama de não ter carne.
Estefane, uma das aluninhas, diz que não gosta mais de comer “bicho morto”. Prefere os pratos vegetarianos preparados pela cozinheira da escola.
Até em casa não come mais carne.
— As crianças se dispersam com qualquer coisa. O que nós fazemos? Vamos conseguindo foco, através de vizualizações criativas. Pedimos que fechem os olhinhos e prestem atenção no canto dos pássaros, uma preparação para a meditação. Aos poucos, elas vão conquistando a introspecção — diz Sandra. — Já as posturas físicas da ioga são usadas para estimulação cerebral. A do leão trabalha a fala. A do coelho ajuda no desenvolvimento do pensamento lógico. A do pássaro traz equilíbrio emocional. Obviamente, uma criança não faz ioga como um adulto. A coisa é mais lúdica As atividades da Sol Nascente não se limitam ao espaço da escola.
Segundo a tia Dhiira, vira e mexe os professores vão bater na porta dos pais, propondo ações que os envolvam no novo mundo dos filhos, como bordar as toalhinhas usadas no lanche ou encapar os cadernos. Um dos principais focos do trabalho fora das salas de aula, no entanto, é a educação ambiental. Em Vila São Francisco, água limpa tornou-se um desafio diário. Não há rede de esgoto.
Então, aprender a manter a torneira fechada, a não poluir o rio local, a plantar perto das nascentes é fundamental para a sobrevivência do povoado.
— De um modo geral, as nossas escolas públicas não trabalham a valorização do amor, da natureza.
Essas crianças vêm de famílias problemáticas, às vezes com pais alcoólatras e mães que são vítimas de violência doméstica. Esse embasamento humanista é precioso e indispensável num contexto de miséria.
Posso afirmar: com a Sol Nascente, as crianças passaram a educar os pais — diz Dhiira. — As mães contam que as criancinhas chegam em casa e dizem que querem tudo igual na escola. Esse projeto me ajudou muito pessoalmente.
Quando os meus filhos começaram a estudar aqui, eu não sabia nada. Aprendi a me relacionar com o meio ambiente e com as outras pessoas vendo os meus filhos aprenderem.
A turma da Sol Nascente tem planos ambiciosos para o ano novo.
Já em 2009 vai funcionar em Vila São Francisco um centro de educação neo-humanista, com o propósito de formar educadores.
Outra novidade para o próximo ano é a implantação na escolinha de uma técnica de ensino chamada ginástica cerebral (do inglês brain gym). A pedagoga Sandra Brys fez uma especialização na Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, onde nasceu essa história, e pretende replicar por ali a técnica cujo objetivo é a ativação da inteligência através da sincronia de movimentos. A brain gym é formada por movimentos bastante simples e agradáveis que aprimoram a experiência de aprendizado, utilizando os dois lados do cérebro.
Segundo os adeptos da técnica, essas atividades tornam mais fáceis todos os tipos de aprendizado, sendo especialmente eficazes no desenvolvimento das habilidades acadêmicas.
— A chamada ginástica cerebral é hoje top de linha no aprendizado infantil. No Sul do Brasil, por exemplo, ela já está bastante difundida.
Eu passei pela Califórnia e sou uma das instrutoras autorizadas no país. Agora você imagina só: com a brain gym e a ioga no currículo, essas crianças vão mesmo longe — aposta Sandra.
Autor: Denise Mazeto - Categoria(s): Educação, Sem categoria
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08/12/2008 - 11:44
PERMACULTURA EM BELMIRO BRAGA – MG
03 a 15 de Janeiro de 2009
PDC completo em 72h mais 32h de oficinas
A Permacultura oferece as ferramentas para o planejamento, a implantação e a manutenção de ecossistemas cultivados no campo e nas cidades, de modo a que eles tenham a diversidade, a estabilidade e a resistência dos ecossistemas naturais. Alimento saudável, habitação e energia devem ser providos de forma sustentável para criar culturas permanentes. (Rede Permear)
Facilitadores
SKYE
Marcelo Bueno
Guilherme Castagna
Ronaldo Alves – energias renováveis
Valmir Fachini – BSI – biossistema integrado
Programação
Introdução
Planejamento
Princípios básicos que orientam o planejamento sustentável
Leitura da paisagem e de mapas, construção de mapa de informações
Produção de alimentos
Energias renováveis – solar, eólica, biomassa e hidráulica
Água de chuva, sistema de reciclagem, filtros, biodigestores
Arquitetura Sustentável
Técnicas construtivas ecológicas
Sistemas Sociais – Ecovilas
PROUT – Sistema sócio-Econômico
Como?
* Palestras e Oficinas
* Práticas de Yoga, Meditação
* Atrações Culturais – Traga seus instrumentos!
* Alimentação Lacto-Vegetariana
Quando?
03 a 15 de Janeiro de 2009
Onde?
Ananda Kiirtana – Belmiro Braga – MG
Próximo a Juiz de Fora
Quanto?
R$ 820,00
Inclui hospedagem e alimentação completa
Inscrições (até 23 de dezembro)
proutsp@gmail.com
Danielle – 11 5077-4518 e 11 9846-2275
Realização
PROUT SP
Saiba mais sobre os facilitadores
Guilherme Castagna – Membro da Rede Permear de Permacultores, e do corpo técnico do OIA (O Instituto Ambiental, Petrópolis/RJ). Integra sua formação em engenharia civil com a visão da permacultura no desenvolvimento de projetos de design ecológico e sustentabilidade em água, de empreendimentos comerciais a projetos residenciais, incluindo a capacitação de comunidades tradicionais e de baixa renda. É também proprietário da Livraria Tapioca, dedicada à promoção de títulos voltados à sustentabilidade na prática;
Marcelo Bueno – Fundador do Instituto de Permacultura e Ecovilas da Mata Atlântica (IPEMA), Ubatuba/SP, Membro do Ecovillage Network of The Américas (ENA), Bio-arquiteto, Permacultor, desenvolve projetos de construções ecológicas e sistemas de reciclagem e re-uso de águas servidas. Trabalha atualmente com desenvolvimento de projetos de residências sustentáveis.
Ronaldo Alves – Formado em energia eólica na Dinamarca em 1990 no Nordisk Folkecenter for Vedvarende Energy e no Risoe National Laboratory (Dinamarca). Aperfeiçoamento no setor de energias renováveis: EUROSOLAR, Associação Européia de Energias Renováveis. Participou na elaboração do projeto da primeira turbina eólica de grande porte instalada no Brasil, em operação em Fernando de Noronha desde 1991. Diretor técnico da Altercoop Energias desde 1986. Consultoria para Siemens, Petrobrás, Pepsico, Telemar e FINEP na preparação de editais de energia eólica RT-ENERG. Palestras no CREA em diversas unidades, IQPC, Rio5, Global Forum das Américas 2008, ECOBUILDING 2008, Fórum Internacional de Arquitetura e Tecnologias para a Construção Sustentável, Biodiesel & Fontes Alternativas e Renováveis de Energia, China International Wind Energy Exhibition & Symposium CWEE 2008, FIMAI 2008 e FEIPLAR 2008.
SKYE - Natural de Melbourne, Austrália. Ministrou Cursos de Permacultura na Austrália, México, Japão, Kênia, África do Sul, Cuba, Inglaterra, Alemanha e Argentina. Residente por 10 anos em Crystal Waters Permaculture Village, considerada uma das três melhores do mundo por ser o melhor centro de experiências em Permacultura e Ecovilas da Austrália. Co-autor do livro “Manual for Teaching Permaculture Creatively” (Manual para Ensinar Permacultura Criativamente). Ministrou Curso Avançado em Facilitação de Ensinamentos para a Associação de Mestres de Permacultura nos Estados do leste dos Estados Unidos. Co-fundador da instituição Earthcare Enterprises, especializada em organizar e ensinar cursos de Certificado de Design de Permacultura, onde foi focalizador por 6 anos em mais de 30 cursos. Co-fundador e sócio da Geelong Permaculture Design Collective, consultoria em permacultura. Foi Diretor de Educação no Instituto de Permacultura do México difundindo suas técnicas por diversos estados deste país, onde viveu por cinco anos. Sócio fundador do Instituto de Permacultura Cerrado-Pantanal/IPCP, em Campo Grande-MS, onde viveu por nove anos, ministrando de diversos cursos com comunidades rurais, quilombolas e indígenas. Hoje atua pelo Intituto de Permacultura Cerrado-Pantanal e Mata Atlântica, em Carrancas-MG, onde reside atualmente.
Valmir Fachini – É membro fundador e diretor executivo do OIA – O Instituto mbiental, em Petrópolis, RJ.Trabalha desde 1992 com projetos e implantação de Biossistema Integrado – BSI, desenvolvido no Brasil por iniciativa do especialista em Permacultura, Prof. George Chang; pelo presidente da Fundação Gaia, Prof. Jose Luzenberger e pelo presidente do Hamburger Umweltinstitut e V. Prof. Michael Braungarten, com patrocínio da União Européia, coordenação científica de Katja Hansen e direção internacional de Douglas Mulhall. Como consultor internacional, supervisionou o desenvolvimento da tecnologia de BSI em: República Dominicana, Matagalpa, Nicarágua e Espanha. Foi professor honorário da Universidade Agro Florestal de Jarabacoa, na República Dominicana, em 2007. O BSI foi escolhido como exemplo de tecnologia social para o lançamento do Prêmio Tecnologia Social da Fundação Banco do Brasil/Unesco.
Autor: Denise Mazeto - Categoria(s): Eventos, Sem categoria
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03/12/2008 - 16:01

PROUT – Intensivo sócio-espiritual
Comunidade, economia e espiritualidade!
13 e 14 de dezembro de 2008 em Mogi das Cruzes – SP
PROUT (Teoria da Utilização Progressiva) é um novo sistema sócio-econômico, desenvolvido pelo filósofo indiano Prabhat Rainjan Sarkar cujas propostas, baseadas no cooperativismo, equilíbrio ecológico e em valores espirituais universais buscam um equilíbrio harmonioso entre crescimento econômico, desenvolvimento social e sustentabilidade ambiental, e entre os interesses individuais e coletivos da sociedade.
“Prout é muito importante para todos aqueles que almejam uma libertação que comece pelo econômico e se abra para a totalidade da existência humana.”
Leonardo Boff, teólogo e escritor
“A visão de Prout é ao mesmo tempo integral e sistêmica, com uma maneira concreta de reorganizar a sociedade. Tem a força de constituir-se num projeto pós-capitalista. Prout é uma teoria transformadora e profundamente revolucionária, com a qual eu compartilho em todas as dimensões.”
Marcos Arruda, economista, educador e escritor
“Visões alternativas são cruciais neste momento da história. O modelo cooperativo de Prout para uma democracia econômica, baseada em valores humanos cardinais e no compartilhamento dos recursos do planeta para o bem estar de todos, merece nosso sério reconhecimento.”
Dr. Noam Chomsky, lingüista e filósofo estadunidense
“O ser humano é parte de um todo que chamamos de universo, uma parte limitada no tempo e no espaço. Ele vê a si mesmo, seus pensamentos e sentimentos como algo separado do resto, uma espécie de ilusão de ótica da sua consciência. Essa ilusão de ótica é uma espécie de prisão para nós, restringindo-nos aos nossos desejos e afeições pessoais. Nossa tarefa é nos libertar dessa prisão, aumentando a amplitude da nossa compaixão, para abarcar todas as criaturas vivas e toda a natureza em sua beleza.” Albert Einstein
“Considerar a economia como o fundamento da vida é como adquirir uma doença fatal, porque o crescimento ilimitado não se ajusta a um mundo finito. A advertência de que a economia não deveria ser tomada como o fundamento da vida foi passada para a humanidade por todos os professores de economia; e hoje está evidente que ela não pode ser… Se o valor espiritual, que é inerente aos seres humanos, for negligenciado, então o egoísmo do capitalismo ditará a ordem, em vez de um sistema voltado para o amor entre os seres humanos.” E.F.Schumacher
O primeiro propósito de PROUT é construir comunidades saudáveis, sejam vilas, países ou uma comunidade global. Para isso é essencial a integração de uma compreensão da cultura com princípios de ecologia e de economia.
Programação
* PROUT, Neohumanismo e Espiritualidade
* Sama-Samaj-Tattva: Princípio da Igualdade Social
* Pensamento Sistêmico
* Visão para uma nova economia: Ecologia, humanidade e felicidade
* Comunidade: 5 princípios fundamentais e psicologia coletiva
* Asti, Bhati e Anandam
* Democracia Econômica
* Estudos livres! Cultura, arte, política e sustentabilidade
Como?
* Palestras Participativas e Vivências.
* Práticas de Yoga, Meditação e Kiirtan.
* Atrações Culturais – Traga seus instrumentos!
* Alimentação Lacto-Vegetariana.
* Entre outras atividades…
Quando?
13 e 14 de dezembro de 2008
*Chegada na sexta à noite, saída no domingo à tarde.
Onde?
Mogi das Cruzes – São Paulo – Sítio Olho D’água.
Quanto?
Preço de Custo: R$ 70,00
Preço Ideal: R$ 90,00
Não deixe de ir por questões financeiras!
Inscrições (até 10 de dezembro)
Danielle – 11 5077-4518 e 11 9846-2275
Autor: Denise Mazeto - Categoria(s): Eventos, Sem categoria
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