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25/11/2011 - 15:45

NO ESTADO DO MATO GROSSO A FLORESTA AMAZÔNIA “TOMBA A TAXAS ALUCINANTES” PARA DAR LUGAR A PASTO E LAVOURA

postagem de 22/05/2006 16:58 do BLIG antigo

O Estado do Mato Grosso, refém da monocultura de soja, é o recordista mundial em queimadas para dar lugar a pasto e lavoura, constatado através de estudo realizado usando sensores Modis nos satélites Terra e Aqua, específicos para detecção de focos de calor. Além de poder detectar focos de incêndio durante o dia, que outros sistemas não conseguem, algoritmos matemáticos possibilitaram diferenciar entre queimadas de pasto e de floresta.

A reportagem, de Cláudio Ângelo, está publicada na Folha Online desta segunda-feira dia 22 no endereço
 http://www1.folha.uol.com.br/folha/cienc…

Veja também minha mensagem “Estados Reféns” de 20 de maio [25 de novembro]

Autor: nwisnik@ig.com.br - Categoria(s): Notícias Tags:
25/11/2011 - 15:29

TEMPO ENTRE DERRUBADA DA FLORESTA E INSTALAÇÃO DE LAVOURAS DE SOJA É REDUZIDO DE SEIS PARA TRÊS ANOS

postagem de 22/05/2006 16:06 do BLIG antigo

A constatação de que o tempo entre a derrubada da floresta e a instalação de lavoura de soja de seis para três anos foi feita através da análise das queimadas na Amazônia, realizada por Douglas Morton, em estudo encomendado pelo Fórum Brasileiro das ONGs. As consequências vão além do desmatamento da floresta, têm implicações também na taxa de liberação de gás carbônico na atmosfera, acelerando o efeito estufa.

O estudo foi noticiado na Folha Online em reportagem de Cláudio Ângelo, nesta segunda-feira dia 22 de maio.

Para ler a reportagem acesse
 http://www1.folha.uol.com.br/folha/c iencia/ult306u14651.shtml

Autor: nwisnik@ig.com.br - Categoria(s): Notícias Tags: ,
25/11/2011 - 14:50

ESTADOS REFÉNS

postagem de 20/05/2006 12:48 do BLIG antigo

Estamos assistindo já há algumas semanas, recrudescendo, as manifestaõees dos produtores rurais do centro oeste e do sul, mais fortemente no Estado do Mato Grosso.
Não é por acaso nem coincidência, o Mato Grosso tem como governador o maior produtor de soja do país, e o estado, de economia agrícola, tem 65% de sua produção agrícola baseada na monocultura da soja até 2004, enquanto que os estados de Mato grosso do Sul, Paraná e Rio Grande do Sul, tradicionais produtores de soja, têm sua produção agrícola, respectivamente, 58%, 49% e 30% também baseadas na mesma monocultura [1].
O dólar estava mais alto e se desvalorizou, os Estados Unidos tiveram este ano uma excelente safra, resultado: prejuízo para os produtores de soja que, lá também como aqui no Pará, preferem se denominar apenas produtores rurais.

Reivindicam medidas do governo, mudanças na política de câmbio, quando deveriam apoiar o governo na luta contra os subsídios agrícolas dos Estados Unidos e Europa e as taxações que os produtos agrícolas brasileiros sofrem no mercado externo. Não o fizeram quando estavam tendo lucros espetaculares e acreditaram que assim seria para todo o sempre, mas agora querem socializar os prejuízos. Não reclamam do governador que os iludiu em benefício de seus negócios particulares, porquê? Dei uma dica na minha mensagem de 15 de maio próximo passado. Os estados do Sul Centro-Oeste estão reféns da bolsa de “commodities” de Nova York, do clima nos Estados Unidos, do humor dos europeus, mais do que da política cambial e agrícola do Brasil. Eles escolheram este caminho, o Pará que não se iluda.

No Estado do Pará, até 2004, as estatísticas da Agrolink [1] mostram que seis produtos respondem por 96% da agricultura: mandioca (36%), arroz (25%), milho (17%), abacaxi (8%), feijão (6%) e soja (4%). Todos os produtos têm mantido aproximadamente a mesma área plantada ao longo da última década, enquanto a soja apresenta crescimento acentuado. A soja perdia, até 2002 para a melancia, e até 2003 para a cana-de-açúcar.
O Estado do Pará estará livre dos problemas enfrentados atualmente pelos estados que se dedicaram prioritariamente é soja se não cair na mesma armadilha.

Jorge Luiz Vivan relata em seu livro ”Agricultura e Florestas” [2] que, quando os italianos chegaram ao sul do Brasil no final do século 19, derrubavam araucárias com mais de 45 metros de altura e 3 metros de diâmetro para plantarem trigo, cujas sementes haviam trazido da Itália, e era a cultura que conheciam. Numa área correspondente à copa de uma dessas árvores, cerca de 600 metros quadrados, colhiam 60kg de trigo, enquanto uma araucária podia produzir 300kg de pinhões. Não o teriam feito se conhecessem o potencial produtivo das araucárias, cujas florestas não se recuperaram desde então. É uma lição a ser aprendida. Atualmente no Paraná existem atá festivais dedicados à utilização dos pinhões na culinária, à semelhança dos festivais de açaí, guaraná, mandioca, cupuaçú e outros que acontecem na Amazônia.

[1] Sítio da Agrolink: http://www.portbusiness.com.br/

[2] Vivan, Jorge L. – “Agricultura e Florestas – Princípios de uma Interação Vital” – Guaíba: Editora Agropecuária, 1998.

Autor: nwisnik@ig.com.br - Categoria(s): Opinião Tags:
25/11/2011 - 14:26

IBAMA AUTORIZADO A DESAPROPRIAR IMÓVEIS PARTICULARES NA RESEX ARAPIUNS-TAPAJÓS

postagem de 18/05/2006 16:54 do BLIG antigo

Decreto da Presidência da República publicado no dia 15 deste mós autoriza o IBAMA a promover a desapropriação de imóveis particulares que estejam dentro da Reserva Extrativista Arapiuns-Tapajós, municípios de Santarém e Aveiro.
A reserva, criada em 1998 com área aproximada de 647.000 hectares, tem por objetivo garantir a exploração auto-sustentável e a conservação dos recursos naturais renováveis tradicionalmente utilizados pela população extrativista local.

Para ler a notícia completa acesse
 http://www.mma.gov.br/ascom/ultimas/ index.cfm?id=2524

Autor: nwisnik@ig.com.br - Categoria(s): Notícias Tags:
10/11/2011 - 07:35

LEITURA RECOMENDADA

postagem de 18/05/2006 16:24 do BLIG antigo

Interessante reportagem “Jóias da Floresta” de Eduardo Geraque, no sítio da agência de notícias sobre ciências da FAPESP – Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, maior órgão de fomento à pesquisa científica do país, sobre o lançamento do livro “As florestas e o desenvolvimento sustentável na Amazônia” de Virgílio Viana, professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo.

Fonte:
 http://www.agencia.fapesp.br/

Autor: nwisnik@ig.com.br - Categoria(s): Notícias Tags: , ,
09/11/2011 - 22:25

“A IGNORÂNCIA, EMBORA APANÁGIO DE MUITOS, É PRIVILÉGIO DE POUCOS” (*)

Postagem de 17/05/2006 19:28 do BLIG antigo

Em “Cultura – um conceito antropológico” Roque Laraia [1] dedica um capitulo à questão de como a cultura condiciona a visão de mundo de um homem, no qual descreve como Ruth Benedict [2] aborda a cultura como uma lente através da qual o ser humano enxerga o mundo, e exemplifica como, para uma pessoa de outra região, a floresta amazônica pode parecer apenas um amontoado confuso de árvores quando, para um caboclo, cada um dos vegetais tem propriedades e aplicações diferentes.

É mais do que comum, é praticamente uma regra, confirmada, segundo dizem, pelas exceções, que tenhamos todos uma visão etnocentrista do mundo, independentemente do nível de escolaridade do indivduo. Isto é mais visível, por exemplo, na música, na culinária, na moda. E não poderia deixar de ser válida para os produtores rurais de soja que vieram à amazônia, atraídos e estimulados pelas multinacionais que dominam o mercado desta “commodity”.

Encontrei certo dia um engenheiro agrícola, paranaense, radicado aqui no Pará, injuriado pelo fato de o Greenpeace ter colocado faixa(s) na fazenda de um produtor rural de soja. Sentia-se mais ou menos vingado porque o produtor rural de soja passou com um trator por cima da(s) faixa(s). Aquele, que desmatou mais do que é lícito, derrubou muitas castanheiras, protegidas por lei, e se diz produtor de alimentos. Sim, indiretamente, pois a soja é exportada para alimentar animais que a converterão em proteína para deleite dos europeus e americanos. Na Alemanha, em especial, é usada para engordar porcos dos quais apreciam o joelho, acompanhado de chucrute e cerveja quente. Mas, voltando ao engenheiro, indaguei a ele se havia lido os relatórios sobre a questão da soja, Amazônia e desmatamentos, elaborados pelo Greenpeace [3], FBOMS [4], Universidade Federal de Lavras [5] e FASE [6], para citar alguns, respondeu-me: “nem quero ler’ (!). Não é aceitável que uma pessoa, de formação superior, especificamente ligada ao agronegócio, possa ter uma visão unilateral sobre um assunto que interessa a todos, mais ainda a quem trabalha no ramo. No mínimo se inteirar do conteúdo dos relatórios para, eventualmente, contestá-los. Puro etnocentrismo, ao qual podemos acrescentar o preconceito que eles têm em relação ao povo da região, conforme ficou demonstrado no lamentável episódio ocorrido neste final de semana, bem descrito por Jeso Carneiro [7].

Conheço um sojeiro, desculpe, produtor rural, de soja, aparentado de parentes meus, que atua no Estado da Bahia. Contava-me que, por culpa do governo federal, houve grande desmatamento na região: lá é permitido o desmatamento de 80% da area e, tendo sido veiculado que o governo estudava reduzir a área de desmatamento para 50%, ele e seus vizinhos desmataram até o limite de 80%, assim, se viesse a nova limitação, já teriam desmatado, e dentro da lei. Garantiu que não tinha necessidade de utilizar a área, mas, “por segurança”, desmatou (!). Este também se refere à população local com grande preconceito.

É a$$im que enxergam o mundo.

[1] Laraia, Roque de Barros – “Cultura – um conceito antropológico” – Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2002.

[2] Benedict, Ruth – “O crisântemo e a espada” – São Paulo: Editora Perspectiva, 1972.

[3] “Comendo a Amazônia” – Greenpeace, 2006.

[4] “Relação entre cultivo de soja e desmatamento” – Fórum Brasileiro de Organizações Não Governamentais e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, 2005.

[5] Cohenca, Daniel – “A expansão da fronteira agrícola e sua relação com o desmatamento detectado em imagens Landsat TM e ETM+ na região norte da BR-163, Pará entre os anos de 1999 a 2004” – Universidade Federal de Lavras, 2005.

[6] “Que Agronegócio é Esse?” – FASE Federação de órgãos para Assistência Social e Educacional – Rio de Janeiro, 2005

[7] www.jesocarneiro.blogspot.com

(*) autor desconhecido

Autor: nwisnik@ig.com.br - Categoria(s): Opinião Tags:

09/11/2011 - 13:29

INGERÊNCIA ESTRANGEIRA OU SUBSERVIÊNCIA NACIONAL?

postagem de 15/05/2006 20:14 do BLIG antigo

Quando se é responsável por um fato adverso a primeira reação é a negação do fato, assim, não há por que ser responsabilizado por algum fato que não existiu.
Uma segunda reação á a desqualificação da fonte que denunciou o fato, se a fonte for dada por não idônea, assim, o fato não existiu ou não á bem como a fonte o denunciou.
Se estas reações não surtirem o efeito desejado então se nega à fonte o direito de denunciar o fato, por exemplo, tentando configurar ingerência estrangeira.

O antropólogo Darcy Ribeiro já havia alertado para o fato do estamento gerencial de empresas estrangeiras se inserir, expandir e passar a predominar sobre as classes dominantes, constituídas pelos patronatos oligárquico e moderno e pelos patriciados estatal e civil, controlando a média, moldando a opinião pública. Mais, elegendo parlamentares e governantes, “… manda, enfim, com desfaçatez cada vez mais desabrida”. [1]

Alguma semelhança com o que estamos vendo ocorrer em Santarém? A Cargill se instalou na região e incentivou, com financiamentos e promessas de mercado, a vinda de produtores rurais de outras regiões do país para cultivarem soja na Amazônia, com a vantagem extra de economizarem no transporte da produção. A campanha do Greenpeace na Europa e Estados Unidos sobre o desmatamento na Amazônia levou os compradores estrangeiros a recusarem a soja da região, fechando o mercado para estes produtores, colocando-os em uma situação difícil.

Quem é o responsável e quem é a fonte denunciante? E a Cargill, não é uma empresa estrangeira? Isto é que se pode chamar de “ingerência estrangeira”, mas eu acredito ser mais apropriado dizer “subserviência nacional”.

[1] “O Povo Brasileiro: a formação e o sentido do Brasil”; Ribeiro, Darcy; São Paulo -  Companhia das Letras, 1995.

Autor: nwisnik@ig.com.br - Categoria(s): Opinião Tags: , ,
09/11/2011 - 13:20

A CAMPANHA CONTRA O GREENPEACE

postagem de 05/05/2006 21:32 do BLIG antigo

Uma contenda sempre é marcada por argumentos de parte a parte, de informações e contra-informações, servindo, estas últimas, para confundir, desinformar. Em vista disto, é sempre recomendável a obtenção de informações de outras fontes que não as contenciosas.

Com relação à campanha contra o GreenPeace, lançada mas não assumida pelos produtores de soja, os quais, neste momento, preferem se dizer apenas produtores rurais, enxergo três aspectos explícitos: se estes produtores rurais de soja estão desmatando a amazônia, o quão importante é sua produção na economia do Estado do Pará, e a ingerência estrangeira em assuntos nacionais; mas enxergo também dois aspectos implícitos e ainda não levantados para discussão, que fazem parte da “história” dos produtores rurais do sul, sudeste e centro-oeste: a desertificação resultante do manejo irresponsável ou incompetente das terras, e as questões de mercado e segurança biológica da soja transgênica. Vou apresentar minha visão a respeito de cada um destes aspectos nas minhas postagens futuras

Autor: nwisnik@ig.com.br - Categoria(s): Opinião Tags: ,
08/11/2011 - 13:54

CAMPANHA PELA AMAZÔNIA?

postagem de 10/04/2006 21:03 do BLIG antigo

“FORA GREENPEACE
A AMAZÔNIA
é dos brasileiros”

este adesivo está sendo colado em carros, carroças, mochilas, bicicletas, vitrines em Santarém e, acredito, em outros municípios da região oeste do Pará também.

Tenho alguns comentários a tecer:

sou brasileiro e não posso deixar de concordar com o direito dos brasileiros sobre a Amazônia, mas uma outra coisa também me chama a atenção no adesivo, e que me preocupa, a falta de identificação de quem está promovendo a campanha, que interesses têm?

Eu reescreveria a campanha:

“FORA QUEM QUER QUE SEJA
A AMAZÔNIA
é dos amazônidas”

acredito, sem provas, que a campanha é patrocinada por brasileiros do sul que vieram à Amazônia plantar e se sentem ameaçados pelas campanhas do GREENPEACE contra os desmatamentos, contra a Cargill em Santarém,
e me pergunto, a quantos brasileiros se refere a campanha?

A algumas centenas de agricultores vindo do sul?

Se não for do interesse pelo menos dos 20 milhões de amazônidas a campanha carece de legitimidade, melhor seria se fosse do interesse dos 200 milhões de brasileiros; no meu ponto de vista a campanha está com o alvo errado, prejuízos dos agricultores não estão ligados ao GreenPeace, mas a uma série de fatores, que podem ser climáticos provocando quebras de safras, juros extorsivos, subsídios agrícolas na Europa e nos Estados Unidos, e ficamos aqui dando murro em faca e culpando o GreenPeace; o meio ambiente está sim sendo alterado, e todos dependemos deles, se não tivermos um mundo previsível climatologicamente falando, a rentabilidade do agronegócio estará em risco, o trabalho do GreenPeace tem sido alertar o mundo sobre o desequilíbrio que provocamos, e os riscos dele decorrentes, os quais não podemos ignorar, cujas consequências provocam quebras de safras inclusive;

RESUMINDO: vejo nesta campanha algumas centenas (se tanto) de agricultores e talvez algumas indústrias, se sentindo ameaçados pelas campanhas do GreenPeace e, com financiamento próprio ou até de indústria(s) estrangeira(s) instalada(s) na Amazônia, “arrebanham” o povo desinformado a pretexto de nacionalismo para veicular uma campanha que não tiveram ainda coragem de assumir; gostaria que assinassem a campanha, que se identificassem, campanhas anônimas não merecem crédito pois não conseguimos identificar os interesses, e pensamos o pior, por segurança, sugiro aos que promovem esta campanha que se identifiquem, para que possamos, depreender seus interesses e, se forem os mesmos do povo da Amazônia, que os apoiemos.

O anonimato serve apenas aos mal intencionados.

Autor: nwisnik@ig.com.br - Categoria(s): Opinião Tags:
08/11/2011 - 13:36

UMA AMEAÇA GLOBALIZADA

postagem de 05/04/2006 20:53 do BLIG antigo

Em agosto de 2004 a Revista de Ecologia do Século 21 – ECO21 [1], publicou matéria do jornalista científico Júlio Ottoboni com o título “Navios roubam água do Rio Amazonas”, alertando sobre o fato de navios carregarem água do Rio Amazonas antes de saírem de águas brasileiras, o que se configuraria como um furto de água doce ou, ainda mais grave, junto com o recolhimento da água estaria havendo o recolhimento e furto de espécies aquáticas endêmicas da Amazônia, que seriam transportadas nesta água. Ainda, de acordo com o artigo, cada navio estaria, “segundo cálculos preliminares”, sendo abastecido com 250 milhões de litros de água (250 mil toneladas).

A notícia é importante e merece ser analisada, ainda que a quantidade de água dita sendo transportada não proceda, uma vez que navios que transitam pelo Rio Amazonas transportam, tipicamente, até 60 mil toneladas de carga, muito aquém da quantidade estimada nos “cálculos preliminares”.

O valor da água doce para consumo em países que dependem de desalinizar água do mar é conhecido, o interesse pelas espécies endêmicas da Amazônia e seu valor genético também é sabido e notório, e o cenário descrito no artigo é verossímil e perfeitamente factível.

O fato de haver transporte de água do Rio Amazonas, e de fato há, com as conseqüências relatadas, ainda é, no presente, subsidiária à sua finalidade, a de lastrear os navios dar-lhes estrutura e estabilidade para navegação em alto mar. Nos casos em questão, navios que trazem carregamento para a região amazônica, insumos eletrônicos e combustíveis, para citarmos apenas dois, devem se lastrear para a viagem de retorno quando sem carga.

O mais grave ficou por ser noticiado, que é a situação inversa, quando navios adentram a bacia Amazônica vindo buscar carregamento, bauxita e soja, para citarmos também apenas dois, podendo chegar lastreados com águas de outras regiões da Terra, com características físico-químicas diferentes e nela contendo agentes patogênicos e organismos exóticos à biota local, resultando em risco ecológico que não se prende somente à região amazônica, mas é uma preocupação mundial.

O valor genético das espécies amazônicas reside no seu endemismo, na sua especificidade, na diferença com as espécies de outras regiões da Terra. O endemismo ocorre devido às características particulares de um ecossistema, o qual, se alterado, compromete a sobrevivência das espécies a ele adaptadas, levando muitas delas à extinção. O derrame de água de lastro, se feito sem controle, de maneira incompetente ou irresponsável, pode resultar em desastre ecológico irreparável. É consenso internacional que o derrame de água de lastro pode ser uma ameaça maior do que aquela associada a um derrame de óleo pois estes têm conseqüências limitadas no tempo.

A resposta internacional ao problema da água de lastro é a iniciativa conjunta da International Maritime Organization – IMO, da Global Environment Facility – GEF e do United Nations Development Programme – UNDP, que buscam minimizar os efeitos da descarga de água de lastro de maneira inadequada, resultando na Convenção Internacional Sobre Controle e Gestão da Água de Lastro e Sedimentos de Navios, da qual o Brasil é signatário. Dentre os procedimentos previstos pela Convenção, estão o tratamento químico da água de lastro, sua retirada para reservatórios apropriados ou a troca de lastro sob condições controladas.

A resposta brasileira a este problema é a regulamentação dos procedimentos através da Norma da Autoridade Marítima para o Gerenciamento da Água de Lastro de Navios, a NORMAM-20 [2]. De modo geral a Norma preconiza a troca controlada da água de lastro trazida pelo navio por água da região próxima ao porto de destino em local a pelo menos duzentas milhas da terra mais próxima e com pelo menos duzentos metros de profundidade, ou seja, no limite da plataforma continental. Em seu capítulo terceiro, que trata de situações particulares, instrui também, para navios que demandam o Rio Amazonas, duas trocas da água de lastro, a primeira visando evitar a transferência de exóticos e/ou patogênicos, a ser realizada segundo as diretrizes gerais, e uma segunda troca, visando a redução da salinidade da água de lastro, que deve ser realizada nas proximidades de Macapá.

O problema requer a conscientização das pessoas envolvidas com água de lastro, treinamento de marítimos e funcionários de terminais portuários, acompanhamento e fiscalização. As transferências de água de lastro e suas conseqüências serão, possivelmente, o maior desafio que a indústria da navegação enfrentará neste século.

Endemismo: fenômeno da distribuição das espécies (ou subespécies) animais ou vegetais referida a uma área restrita e mais ou menos isolada (Glossário da Embrapa)

Endêmicas: são as espécies características de um local ou região geográfica (Glossário da Embrapa)

[1] Ottoboni, J. Navios roubam água do Rio Amazonas – Revista de Ecologia do Século 21 Edição 93 Tricontinental Editora Ltda. Rio de Janeiro RJ 2004

[2] Stopping the ballast water stowaways! – International Maritime Organization – IMO, Global Environment Facility – GEF, United Nations Development Programme – UNDP London United Kingdom 2001

[3] Norma da Autoridade Marítima para o Gerenciamento da Água de Lastro de Navios – NORMAM-20 – Diretoria de Portos e Costas – Marinha do Brasil Rio de Janeiro RJ 2005*

Publicado no “Jornal das Águas”, Edição 23, Coordenação de Extensão do ILES/ULBRA – Santarém, PA

Autor: nwisnik@ig.com.br - Categoria(s): Opinião Tags: , , , ,
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