O Sessão Reggae apresenta mais uma banda nacional de primeira. Com muita qualidade sonora e letras altamente conscientes, a banda brasiliense Brasucas, entra no cenário do reggae nacional pela porta da frente, como eles mesmos dizem, e o Sessão Reggae diria ainda, com o pé direito.
Com sua carreira sendo consolidada desde 2001, a banda lança seu primeiro CD com a participação de regueiros muito respeitados e consagrados internacionalmente. O jamaicano Mykal Rose (Black Uhuru), o primeiro regueiro a receber um Grammy, participa gravando a música de sua autoria “Conqueror”. Assim como o inglês David Simpson, que canta a música que também é autor, “Casted”. Outra contribuição no álbum é a do cantor e compositor brasileiro RaggaDeMente, com participação na música “Pela Fé”. RaggaDeMente está há oito anos fazendo ragga e dancehall, onde suas músicas estão entre as mais tocadas nas rádios de ragga da Europa.
Felipe Souljah (vocal e guitarra), Fellipe Terrana (baixo) e Marcelo Pahl (batera) e Emanuel Ferreira (teclados), formam essa banda, que possui essência Rasta. Do “jeito” que o Sessão Reggae gosta, o amor a Jah e ao próximo e a consciência dos problemas da humanidade são cantados em melodias suaves e sentimentais, acompanhadas de ritmos bem trabalhados e consistentes. Mesclando o português e o inglês, eles não perdem a raiz brasileira e ao mesmo tempo se aproximam mais dos gringos, representando com muita qualidade a cultura e a música brasileira.
O lançamento “Armadura do Leão”, conta com dezessete músicas próprias e além de tudo o que foi dito, eles ainda seguem a linha independente, outro ponto que o Sessão Reggae apóia, e disponibilizam esse trabalho de quatro anos para download gratuito. Como dito em um dos posts anteriores, essa é a quebra de paradigma que esse blog defende. Informação e cultura livres, como forma de divulgação das idéias da banda sem interferência da gravadora e o combate à pirataria.
Curta abaixo o videoclip da música “Amor de Jah”, que também circula livre pela internet:
Quero falar um pouco hoje sobre a miopia musical. Aquela que a pessoa enxerga as coisas boas só do estilo musical que curte e conseqüentemente ignora o que outros estilos proporcionam.
Desde criança ouço diversos tipos de música, durante alguns anos cheguei a estudar música, já fui míope musical em determinado momento e nunca desrespeitei o gosto musical de alguém, justamente por ter aprendido que a música nada mais é do que uma forma de expressão pessoal e que cada um possui uma forma diferente do outro de se expressar.
Quando em uma conversa, assim como ocorreu há alguns dias em um Pub em Santo André, sou questionado sobre qual estilo musical sou “adepto”, digo: “Reggae”! A resposta que tenho é: “detesto reggae, bando de maconheiro. Só falam de fumar maconha, pegar onda, ir à praia, natureza”.
O último a me dizer isso se dizia ser punk, mas confessou gostar de Bob Marley. Quando questionei o motivo dele gostar de Bob, ele disse: “Bob fala de política, critica o sistema, etc”. Após isso ele citou Adão Negro (falou especificamente da música “Botar Um”) e Ponto de Equilibro, resumindo o cenário do reggae nacional a essas duas bandas, como exemplo de regueiros ruins.
É justamente esse tipo de coisa que fez eu me apegar cada vez mais ao reggae. Pois aprender a perdoar [rs], é uma das mensagens passadas pelos regueiros, quando estamos louvando a Jah.
Quando você sabe do que está falando, pode criticar e falar mal a vontade, mas quando não sabe, como diz o ditado, é melhor ficar quieto. Posso citar aqui diversos artistas regueiros que fazem menção à política e criticam o sistema, mas vou falar de Adão Negro e Ponto de Equilíbrio, que são puramente críticos do sistema, que além de citarem a corrupção política, a falta de interesse nas minorias, ainda representam a “voz” do povo ao qual pertencem, os negros. Negros que cansamos de ver e ouvir que punks espancaram na rua.
Por isso deixo abaixo, alguns trechos de músicas de ambas as bandas, bem como seus respectivos clipes, para situar melhor a todos sobre o que estou falando:
Trecho de Adão Negro – Adão Negro
Apartheid disfarçado todo dia
Quando me olho não me vejo na TV
Quando me vejo estou sempre na cozinha
Ou na favela submisso ao poder
Já fui mucama mas agora sou neguinha
Minha pretinha nós gostamos de você
Levante a saia, saia correndo pro quarto
Na madrugada patrãozinho quer te ver