Qual o cheiro da sua infância?

Durante um certo tempo, hesitei em contar essa historia…mas como diz aquele velho ditado espanhol:
“de manhã-missa.de tarde-touros.de noite bordel.”…então foda-se!!!!!já disse que não tenho dificuldade com a sandice…vou morrer indecente!!!!
Quanto eu estava saindo da adolecencia,lembro que saia sempre com uma garota de nome lindo e covinhas delicadas.Montaha, filha de libanesa que me ensinou a beijar de lÃngua.Saiámos sempre com uma amiga em comum que me reservo o direito de omitir o nome aqui, mas sera fundamental para o final dessa historia.O fato é que saiámos sempre os 3 juntos, via de regra para uma cafeteria chamada Donatello, no centro velho de São Paulo.Já não sabÃamos se era boa ou ruim a companhia dessa terceira pessoa até o ponto de não sabermos mais sair sem a presença dela, ca pra nós muito divertida e prazerosa.

Essa cafeteria Donatello, apesar do nome que lembra uma Cantina Italiana, tinha uma aparência de bistrô que eu adorava…portas fechadas,pouca luz, um mÃnimo de barulho possÃvel e freqüentadores habituais…o que me parecia sempre fazer parte de um clã deliciosamente secreto.A cafeteria era um casarão antigo com 2 ambientes…o de baixo, onde ficavam a maioria das pessoas conversando um bar em estilo vitoriano e a parte de cima quase sempre vazia, com algumas mesinhas em estilo rústicos, uns 3 ou quatro quadros aludindo a Belle époque e uma sacada escondida que dava para o fundo da rua de trás do Donatello.
Se eu fechar os olhos, ainda posso sentir o cheiro peculiar que vinha dos “chorões” no inverno dessa rua ( pra quem não sabe chorões são aqueles salgueiros com ramos pendentes comuns em cemitérios…daà o nome).Já reparou que todo mundo tem um cheiro guardado na memória…o meu era desses chorões que tinha cumplicidade com os meus pecados.
Como quase nunca tÃnhamos dinheiro,pedÃamos vinhos que era mais barato e de efeito rápido, levávamos 3 cadeira la pra fora da sacada, fechávamos a porta e fazÃamos nossos pactos…nossos jogos…nossos ritos.Situado no tempo e espaço, vamos aos fatos…lembra da nossa amiga em comum e inseparável???….pois é…..
Como de costume, naquele domingo marcamos no próprio Donatello, sempre preferi me encontrar no próprio lugar, afinal eu já tava ficando adulto e ponto de encontro sempre me pareceu infantil d +…e naquele dia sem eu saber já haviam selado um pacto com o “homem”.Pela primeira vez assim que subi as escadas, Montaha e nossa amiga já estavam lá…e uma garrafa de vinho tambem.No começo achei estranho,mas os sorrissos das duas logo me entorpecia.Passado duas horas da minha chegada e mais de uma garrafa de vinho, quando me encostei na Montaha para beija-la, senti outras mãos que não as dela tateando as minhas pernas…lembro da minha surpresa e que fosse mais uma brincadeira das duas…fiz um gesto de sair meio sem graça, mas era mais que fome o que vinha dos lábios delas …foi ai que percebi que há tratados que se cumprem e nenhuma das duas velaram mais que o jogo teso que se cumpria e o riso mais lavado era o que vinha.
Tempo depois descobri por mim mesmo que nunca tive tara de transar com 2 mulheres…mas ao contrario…meu fetiche era dois homens e 1 mulher…mas isso é uma outra historia…quem sabe um dia eu conto…ou não…mesmo pq esse texto não é sobre sexo…é sobre o cheiro que vc traz da sua infância….o meu era desses chorões no inverno e vc…qual é o cheiro da sua infância?




