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06/03/2012 - 22:24

La China – una madre del baile Flamenco

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POR RICARDO SAMEL E ALEJANDRA OSSES…. DURANTE A FEIRA FLAMENCA EM SÃO PAULO EM MAIO DE 2010

1-COMO VOCÊ COMEÇOU A ESTUDAR FLAMENCO?

EM PRÍNCIPIO COMECEI AOS 3 ANOS ONDE MINHA MÃE ME LEVA A UM CONSERVATÓRIO DE DANÇAS EM BUENOS AIRES NA ARGENTINA. EU PASSEI POR TUDO QUE SE ENSINA EM UM CONSERVATÓRIO.  PASSEI PELO BALÉ CLÁSSICO POR 13 ANOS, BAILE CLÁSSICO ESPANHOL, ESCOLA BOLERA, TODOS OS BAILES REGIONAIS DA ESPANHA ATÉ OS QUE USAM SAPATILHAS, ESTUDEI PIANO, VOCALIZAÇÃO E PENSO QUE TUDO ISSO ME AJUDOU A TER UM OUVIDO MUSICAL, ESSE ENSINO ME AJUDOU E AMPLIOU O CONHECIMENTO MUSICAL. NO BALÉ ME DIZIAM QUE EU SERIA UMA BOA BAILARINA PORQUE ERA ESPECIAL, TINHA TODAS AS CONDIÇÕES NA ÉPOCA PARA ISSO. AOS 12 ANOS FUI RECEBIDA COMO PROFESSORA DE DANÇA ESPANHOLA. EM 1959 NA ARGENTINA, TODOS OS ARTISTAS DA ESPANHA RESOLVERAM VIR PARA A AMÉRICADO SUL. NESTA ÉPOCA A ARGENTINA RECEBIA VÁRIAS COMPANHIAS DE TEATRO E TINHA UMA ESTRUTURA MUITO BOA PARA ISSO. E POR COSTUME AS FAMÍLIAS LEVAVAM SEUS FILHOS DESDE PEQUENOS AO TEATRO, POIS A CULTURA ESTAVA SEMPRE EM ATIVIDADE. PARA QUEM DANÇAVA BALÉ CLÁSSICO, ESCOLA BOLERA E CLÁSSICO ESPANHOL BAILAR FLAMENCO ERA MUITO DIFÍCIL PORQUE NÃO SE ESCUTAVA A GUITARRA. EU ESCUTEI UMA GUITARRA FLAMENCA QUANDO TINHA 10/11 ANOS QUANDO O CONSERVATÓRIO TRAZ UM GUITARRISTA PARA MOSTRAR ALGO QUE ERA DIFERENTE, QUE COMEÇAVA A PARECER NOVO DIANTE DA ESCOLA BOLERA E DO CLÁSSICO ESPANHOL. E COMO COMECEI? COMECEI A ESTUDAR POR SEVILLANAS, FANDANGOS DE HUELVA E SEGUE POR AÍ. FORMOU-SE UM GRUPO NO CONSERVATÓRIO E FOMOS PARA CLUBES BAILAR. ASSIM COMEÇA MEU CAMINHO COM A GUITARRA. ANTES DOS 15 ANOS, FORMEI PARTE DO BALLET ESTÁVEL DO TEATRO AVENIDA EM BUENOS AIRES. A MAIORIA DOS QUE VINHAM DA ESPANHA TRABALHAR NO TEATRO AVENIDA ERAM FLAMENCOS E EU COMECEI A ENTENDER O QUE ERA FLAMENCO E SUA HISTÓRIA AÍ.

2-QUEM FOI SUA PRIMEIRA PROFESSORA DE FLAMENCO E QUE TE MARCOU REALMENTE?

SINCERAMENTE EU NÃO TIVE. COMECEI A APRENDER QUANDO ENTREI NO TEATRO AVENIDA. FUI CONTRATADA EM DUAS RUAS: NO TEATRO AVENIDA E NUM TABLADO, NA TABERNA REGIONAL ESPAÑOLA QUE SE CHAMA CANTARES E É MUITO CONHECIDA E CONTINUA SENDO O MESMO ATÉ HOJE. SEMPRE QUE VOU A BUENOS AIRES, VOU LÁ. LÁ BAILA HOJE A LA NINA MARTINEZ QUE COMEÇOU ESTUDAR COMIGO DESDE MUITO JOVEM. NESTE MESMO ANO HAVIAM 2 GRUPOS FLAMENCOS: LOS DE BRONCE QUE ERAM DOIS RAPAZES E UMA MOÇA BAILANDO; E O OUTRO SE CHAMAVA LOS CORTIJEROS. TAMBÉM DOIS RAPAZES E UMA MOÇA E ME VIERAM A CONVIDAR PARA ENTRAR NO TRIO. ANTES DE ENTRAR NESTE TRIO FUI ESTUDAR COM OS DOIS BAILAORES POR ALGUNS DIAS, COM ARMANDO …. E JORGE LUIS MAIS CONHECIDO COMO EL CHINO COM QUEM ME CASEI MAIS TARDE E É PAI DE MEU FILHO ADRIAN GALÍA.

ESTES SÃO MEUS DOIS GUIAS PORQUE DE TÉCNICA E DE FLAMENCO FORAM MUITO BONS. E PARA CONHECER O QUE ERA A RAÍZ, O QUE ERA SABER APOIAR O PÉ AO SOLO E A TÉCNICA FORAM 7 MESES NUM ESTUDIO DURANTE 7 HORAS DIÁRIAS. ENTRAVA ÀS 2 HORAS DA TARDE E SAÍA ÀS 9 HORAS DA NOITE DIARIAMENTE E SAÍ FORMADA POR ESTES DOIS BAILAORES. COM ELES EU APRENDI TUDO.

3-COMO LA CHINA CHEGOU À ESPANHA?

COMECEI A TRABALHAR COM ELES E FUI ATÉ PORTO RICO E SAÍMOS EM UMA TOURNÉ SUBINDO POR TODA A AMÉRICA DO SUL, PASSAMOS POR VENEZUELA ATÉ CHEGAR EM PORTO RICO. ALI O TRIO SE SEPARA PORQUE ARMANDITO ERA POLIFACETICO, BAILAVA FLAMENCO QUE ERA UM FENÔMENO! BAILAVA MUSICALMENTE, TOCAVA GUITARRA E CANTAVA. E O TRIO ACABOU PORQUE O CONTRATARAM EM PORTO RICO. E O PAR EL CHINO, QUE TAMBÉM TOCAVA GUITARRA, E EU SEGUIMOS. JÁ ESTÁVAMOS CANSADOS POR ESTAS VIAGENS, ADRIAN NASCEU QUANDO EU TINHA 18 ANOS NA ARGENTINA. QUANDO CHEGAMOS EM PORTO RICO ELE ESTAVA COM UM ANO. E ENTÃO FOMOS PARA O MÉXICO E TRABALHAMOS POR UM ANO E MEIO EM TODOS OS TABLADOS. VOLTAMOS A PORTO RICO E FICAMOS POR MAIS UM ANO QUANDO EU E CHINO NOS SEPARAMOS. E SIGO SOZINHA NA VENEZUELA POR MAIS 8 ANOS ME DEDICANDO AO TRABALHO E VIVENDO. NO COMEÇO DOS ANOS 70 COMEÇO A VIAJAR DESDE A VENEZUELA ONDE TRABALHEI E INAUGUREI O TABLADO LOS TARANTOS; PRIMEIRO VIAJEI POR CURIOSIDADE INDO E VINDO VÁRIAS VEZES PARA ESPANHA. NA VENEZUELA ESTAVA CASADA COM RAFAEL DE JEREZ, NÓS TRAZÍAMOS ARTISTAS DA ESPANHA E FICAMOS CERCADOS DAS PERSONALIDADES ESPANHOLAS COMO CAMARÓN DE LA ISLA, LA TATI, MANOLETE, MANUEL SOLER. SE HÁ ALGUÉM QUE DEVO MUITO É A MANOEL SOLER. SEU BAILE ME ENCATAVA. TUDO QUE DELE EU VIA NO TEATRO LEVAVA PRA MIM E APLICAVA NO MEU TRABALHO QUE MARCOU A BASE QUE EU JÁ TRAZIA. EM 1976 VOU E FICO NA ESPANHA. JÁ CONHECIA MUITA GENTE ESPANHOLA QUE VIERAM NO TABLADO.  FALAVA COM ELES POR TELEFONE E TINHA SEMPRE ONDE FICAR NA ESPANHA.TODOS QUE PASSARAM PELO TABLADO LOS TARANTOS FICARAM MEUS AMIGOS. AINDA EM 1976 FUI PARA A FEIRA DE SEVILLA E, DEPOIS DE 4 DIAS ACABEI DEBUTANDO NO TABLADO LOS GALLOS. EU TIVE A SORTE DE TER UM INICIO, UMA BASE SÓLIDA NA ARGENTINA E NÃO NA ESPANHA. QUE FIQUE BEM CLARO ISSO.  ME DÓI MUITO QUANDO ESCUTO GENTE DIZENDO QUE “SE NÃO FOR ESPANHOL NÃO PODERÁ BAILAR FLAMENCO”. É MENTIRA! É A MAIOR MENTIRA! HAVIA DITO A UMA PESSOA IMPORTANTE DO MUNDO FLAMENCO QUE O BAILE É UNIVERSAL. E TODO AQUELE QUE CONHECE A RAÍZ TEM O DIREITO DE EXECUTÁ-LO. É O QUE DISSE AO MEU FILHO HÁ MUITOS ANOS ATRÁS E HOJE O FLAMENCO CHEGA AOS MAIS DISTANTES LUGARES DO MUNDO.

4-QUANDO ADRIAN VEIO AO BRASIL ELE COMENTOU SOBRE ESTE FATO.

QUE IRONIA DA VIDA! PARA SE BAILAR FLAMENCO TEM QUE SE AGREGAR CONHECIMENTO E CONHECER A RAÍZ QUE TEM QUE ESTAR EM PRIMEIRO LUGAR E NA FRENTE DE TUDO.

5-E SOBRE O FLAMENCO “CONTEMPORÂNEO”?

OLHA, É TANTA COISA AGREGADA QUE… (OPTOU POR NÃO FALAR)

6-ENTÃO, O QUE É FLAMENCO PARA VOCÊ?

É O QUE EU VIVO, O QUE EU RESPIRO… SONHOS, O DESPERTAR, BOM… É O QUE É A MINHA VIDA! EU BAILO E LEVO A MINHA VIDA QUANDO VOU PARA A CENA. FLAMENCO PARA MIM É ISSO… QUIZÁ SOMOS DIFERENTES E O MESMO COM A FORMA DE SENTIR, DE LEVAR A VIDA… É UMA FORMA DE VIDA. PELO MENOS PARA MIM. DESDE QUANDO ME LEVANTO É ISSO… O SENTIR A VIDA. É COMO LEVO TUDO ISSO PARA A CENA… É A FORMA DE CAMINHAR, DE RESPIRAR, A FORMA DE FALAR… É UMA LINGUAGEM QUE USO EM MINHA VIDA DIÁRIA E QUE TEM SEUS MOMENTOS FORTES, MOMENTOS TRISTES, MOMENTOS DE GRAÇA… A VIDA MESMO!

7-LA CHINA VIAJOU O MUNDO TODO. EXISTE ALGUM PAÍS QUE TE CHAMOU MAIS A ATENÇÃO COM A ARTE? VOCÊ ACHA QUE O FLAMENCO DE OUTROS PAÍSES PODE TRAZER ALGO DIFERENTE?

NA AMÉRICA LATINA A DIFERENÇA É A ESPANHA. A DIFERENÇA É QUE AQUI O POVO NÃO PODE IR SEMPRE ESTUDAR NA ESPANHA. EMBORA AQUI SE ESTUDE MUITO. CUIDADO! HOJE TEM MUITA GENTE QUE NÃO SE INTERESSA EM APRENDER, EM PASSAR PELA BASE, NÃO QUEREM APRENDER A BASE E QUEREM IR DIRETO PARA A DANÇA E FICAM TODOS OS BAILES IGUAIS. O QUE O ESTRANGEIRO TEM DE DIFERENTE DA ESPANHA É A BASE, A VONTADE DE ESTUDAR, A FOME QUE TEM EM APRENDER SEM QUERER SER ALGO, MAS APRENDER.

8-ESTA FOME NÃO É PORQUE A ESPANHA É LONGE PARA SE ESTUDAR FLAMENCO?

CLARO! TUDO TEM UM “POR QUÊ”. ESTAMOS A MUITAS MILHAS DE QUILOMETROS E CREMOS QUE NÃO PODEM CHEGAR A APRENDER IGUAL LÁ POR CAUSA DESTA DISTÂNCIA. COMPLETANDO A OUTRA PERGUNTA, O ESTRANGEIRO PODE ASSIMILAR MUITO ESTUDANDO NA ESPANHA. TEM MUITO ESTRANGEIRO QUE SEGUE ESTUDANDO LÁ, MAS HÁ MAIS ESTRANGEIRO LÁ DOS QUE QUEREM REALMENTE ESTUDAR, COM A VONTADE REALMENTE DE APRENDER COISA DO QUE O ESPANHOL TEM AO APRENDER. O ESTRANGEIRO ESTÁ COM A MENTE SEMPRE DISTANTE, NÃO TEM ALGO MELHOR, OU NÃO PODE IR PORQUE A PASSAGEM É CARA E PORQUE NÃO PODE ISTO OU AQUILO. AQUELES QUE VÃO, TOMAM CLASSES TODO O ANO QUERENDO MELHORAR E A CADA DIA SABENDO UM POUCO MAIS. E ISSO AINDA ME PARECE POUCO O QUE PODE O ESTRANGEIRO ABARCAR.

9-HOJE TEM MUITOS BAILAORES QUE USAM BATA DE COLA NA CENA. O QUE VOCÊ ACHA DISSO?

TE DIGO A VERDADE? NÃO PENSO NADA! HAHAHAHAHAHAHA! NÃO ME PERGUNTE ISSO! E POR DEMAIS NÃO QUERO PENSAR. AS PESSOAS QUE USAM A BATA OU MEIA BATA É POR UM MOMENTO. EU ME PERGUNTO E TE DIGO… MELHOR, NÃO DIGO MAIS NADA.

10-TEM ALGO QUE AINDA QUEIRA FAZER EM SUA VIDA QUE NÃO TENHA FEITO?

GANHAR NA LOTERIA! HAHAHHAHAHAHAHA! SERIA MUITO BOM!

11-ENTÃO, O QUE VOCÊ QUER?

QUERO QUE, ANTES DE IR-ME DESTE MUNDO, QUE MEU FILHO REALIZE TER SUA COMPANHIA QUE MERECE TER E QUE O MUNDO INTEIRO A POSSA VER. ADRIAN GALIA É UM BAILAOR “ANOS-LUZ” E DE MINHA FILHA CRISTINA QUE PODIA TER SIDO UMA DAS MELHORES BAILAORAS DO PLANETA PORQUE NÃO APARECEU, EM TÃO POUCO TEMPO EM QUE BAILOU, ALGUÉM COMO ELA. UMA BAILAORA SELVAGEM COM UM PESO TREMENDO E QUE DEIXOU DE BAILAR. TÃO SEGURA COMO ERA. NÃO SEI SE VOLTARÁ ALGUM DIA. MAS VOLTANDO, QUERO QUE TENHA A SORTE QUE MEU FILHO TEM. ELE TEM UM CONHECIMENTO EXTENSO PARA DAR A NÍVEL DE COREOGRAFIAS, DE TÉCNICAS, DE IDÉIAS, DE INTERPRETAÇÃO E DE NÍVEL ARTÍSTICO. TE DIGO QUE TENHO QUE VÊ-LO… OXALÁ POR TODOS OS PAÍSES QUE PASSA E QUE EU PASSEI… QUE ELE CRESÇA CADA DIA PORQUE AO CRESCER ELE CONTINUARÁ O MESMO COMO PESSOA.

12-E NESTA COMPANHIA QUE ELE ESTÁ? (CIA ANTONIO GADES)

ELE ALI FAZ O QUE ANTONIO GADES FAZIA. O PAPEL DE ANTONIO GADES.

13-LA CHINA NÃO DÁ MAIS UMAS  “PATADAS” ?

SIM. SEMPRE ME PEDEM E ME LEVAM E FAÇO UMA PATADA POR BULERÍAS… TE DIGO: SEI QUE MINHA HORA JÁ PASSOU E VENHO HÁ 12 ANOS ME DEDICANDO AO ENSINO PORQUE TEM O MESMO PESO DE COMO  BAILAR. LEVO ISSO EM PARALELO… O BAILE NÃO VIVE SEM CLASSES. VOCÊ PODE SER UMA GRANDE BAILAORA OU GRANDE BAILAOR E SER UM PÉSSIMO PROFESSOR E SER PÉSSIMO BAILAOR E SER UM GRANDE PROFESSOR. NÃO TEM NADA QUE VER SE VOCÊ É BOM NOS DOIS.

14-CHINA, AGRADECEMOS MUITO! VOCÊ É UMA MÃE!

GRAÇAS VOCÊS POR FAZER ESTA DIFERENÇA E POR ME DEIXAR UM POUCO DO QUE FAÇO E DO QUE DIGO REGISTRADO. SEGUIREI SENDO QUEM SOU; MESMO QUE TENTEM ME MUDAR. ESTAREI ONDE PUDER DESDE QUE MEU CORPO POSSA E MINHA MENTE AINDA ESTEJE CLARA SEGUIREI DANDO CLASSES…

… E GANHAR NA LOTERIA!

MUITOS RISOS COLETIVOS

Autor: ssamel@ig.com.br - Categoria(s): Sem categoria Tags:
06/03/2012 - 22:11

Falando um pouco sobre a guitarra de Nilo Lavina

Fevereiro de 2012

Quando o Flamenco despontou no Rio de Janeiro no final dos anos 80 não haviam muitos guitarristas. Alberto Turina (in memorian) foi o grande divisor de águas dando abertura e caminho a alguns guitarristas flamencos aqui no RJ.  Após Alberto Turina alguns nomes despontam no Rio de Janeiro como a Mara Lúcia, o Fabio Nin, Allan Harbas e Nilo Lavina que me cedeu uma entrevista belíssima:

1-    HÁ QUANTO TEMPO TOCA VIOLÃO?

Comecei aos 13 anos como guitarrista, tocando obras de guitarristas de Rock e Blues como Jimi Hendrix, Eric Clapton, Robert Fripp, Tony Iommi e outros…  Anos mais tarde me envolvi com o violão flamenco.

2-     COMO DESCOBRIU E SE INTERESSOU PELO FLAMENCO?

Já conhecia os trabalhos de fusão do Paco de Lucia com outros guitarristas, mas não conhecia o cante e a pureza do gênero, foi então em meados de 1997 que conheci o “Flamenco de Carlos Saura” o filme. Creio que este foi o meu primeiro contato.

3-    EM QUEM VC SE INSPIRA?

Gosto de entusiasmo!  Acreditar que vale a pena fazer uma conexão discreta com o fato de existirmos. Acredito em qualquer forma de comunicação, mesmo a música, como veículo para tranNILOEDIT8sformar o indivíduo de alguma maneira. Contudo, é sempre um grande desafio… Atualmente eu tenho escutado guitarristas como de Diego Del Morao e Juan Manuel Cañizares e Chicuelo. São três estilos muito diferentes um do outro!

4-    QUAL DOS PALOS MAIS GOSTA E POR QUÊ?

É uma pergunta difícil, mas acho que os tangos e as bulerias sempre caem bem.

5-    EXISTEM 3 MODALIDADES PARA A GUITARRA QUE SÃO A DE SOLISTA, ACOMPANHAR O CANTE E ACOMPANHAR O BAILE? ALGUM DELES É MAIS DIFÍCIL PRA VC? POR QUÊ?

No Brasil certamente é mais complicado tocar pra cante do jeito como se faz na Espanha, isso por que não existe ainda uma cultura de cante em nosso país, normalmente quando se pensa em cantar, tocar ou palmear a linguagem mais natural de se fazer isso é a do baile, já que quase sempre é o protagonista e move a maior parte dos eventos.

6-    COMO VÊ O MERCADO DE FLAMENCO HOJE?

Acho que hoje há uma saturação “natural”, mas paradoxalmente é dela que o flamenco vive. O mercado é movido por cursos e festivais em toda parte do mundo, e neles encontramos adeptos e artistas de pequeno e médio porte (me refiro a popularidade) produzindo arte em nível acadêmico, isso é excelente por um lado. O problema é depois que se atinge um nível muito alto, creio que seja difícil atingir um nicho de mercado fora do circuito flamenco mundial, e isso cria uma expectativa muito grande para o músico compositor, qual direção tomar para deixar de ser só um guitarrista e construir uma assinatura musical. Talvez por essa razão o Paco de Lucia ainda é uma grande referência pra todos nós.

7-    QUAIS AS MAIORES DIFICULDADES?

Não perder o foco daquilo que realmente desejamos! Às vezes o maior obstáculo não é a técnica ou o conhecimento em si do que se pretende fazer, mas sim aspectos da psicologia humana.

8-    VOCÊ TOCA OUTROS GENEROS MUSICAIS? QUAIS?

Já fiz trabalhos bem diferentes um do outro, mas é inegável dizer que gosto muito de Rock pesado, blues e Jazz.  O violão pra mim é o flamenco!

9-    VC VEM CANTANDO ULTIMAMENTE EM ALGUNS SHOWS. COMO SURGIU O SEU LADO CANTAOR NO SEU TRABALHO?

Não sou cantor de jeito nenhum! Mas é natural que guitarristas e bailaores marquem as letras para fazer sentido aos bailes, e claro, isso acontece quando não tem alguém um(a) cantaor(a) por perto.  Acabei cantando em alguns espetáculos por conta da carência de cante no Brasil. Um episódio que ilustra muito bem esse fato foi há poucos meses com a bailaora Rosa Jimenez em Juíz de Fora (MG), fui contratado para tocar, seriam duas guitarras e um cante, na última hora não tinha cantaor(a), e ela pediu pra que eu cantasse.

10-     É DIFÍCIL CANTAR E TOCAR PARA BAILE AO MESMO TEMPO?

Não é difícil, é péssimo! (Risos) É o mesmo que dirigir e namorar ao mesmo tempo… É sobre tudo, estranho!

11-        O QUE ACHA DO FLAMENCO DEPOIS DE CONSAGRADO PELA ONU COMO PATRIMONIO DA HUMANIDADE?

Ótimo para flamencos e aficionados do mundo inteiro.

12-       O QUE PENSA SOBRE ESTA FASE DE INOVAÇÃO E FUSÕES DENTRO DO FLAMENCO?

Acho que o flamenco em si já é uma fusão, não acredito que seja uma fase. O flamenco sempre esteve em transição o tempo todo, a diferença é que hoje com a globalização cultural é tudo muito mais acelerado, musicalmente eu posso afirmar influências de outras linguagens como, Erudita, Jazz, Salsa e outras tantas… Existem há muitos anos! Não acho que há um momento na história do Flamenco que podemos chamar de “tradicional”.

13-        ISSO INTERFERE NO SEU TRABALHO? COMO?

Impossível negar outras influências. Passei muitos anos envolvido com outras linguagens de música, hoje eu procuro buscar as raízes mais forte do flamenco, mas sempre haverá outros traços em minha música e acho ótimo tais características.

14-        VC TEM ALGUM PROJETO PESSOAL COM O FLAMENCO QUE AINDA NÃO REALIZOU?

Claro, sempre penso em realizar muitas coisas, mas no momento o meu foco é o baile. Acho muito completo “flamencologicamente” falando.

15-       O QUE DIRIA A QUEM QUER ESTUDAR GUITARRA FLAMENCA? POR ONDE COMEÇAR?

Orientação! Procurar sempre pessoas experientes disponíveis para ensinar.  Ainda que haja muita coisa na internet, a orientação certa vai poupar muitos desgastes que certamente chegarão por conta de equívocos.

16-        VOCÊ DÁ AULAS DE GUITARRA FLAMENCA? COMO AS PESSOAS INTERESSADAS PODEM LHE ENCONTRAR?

Sim, seguem os contatos:

21 -7999  78 22  (TIM)   /    21 – 8685 7860 (OI)

 https://www.facebook.com/profile.php?id=…

Autor: ssamel@ig.com.br - Categoria(s): Sem categoria Tags:
15/09/2011 - 18:58

1a Noche Española em Niterói

nocheAconteceu no dia 25 de setembro de 2010 a partir das 19:30h um jantar muito especial. Foi a primeira vez que Niterói teve um jantar com show Flamenco feito somente por artistas desta cidade.  A convite de Antonio Salas, eu aceitei a proposta e ilustrei de forma tradicional e inovadora o jantar realizado na  AABB do bairro de São Francisco levando o grupo Esencias Flamencas, que é formado por alunos dos mais variados níveis.

O jantar para 100 pessoas ficou por conta de Antonio Salas, filho de andaluzes e especialista em Paellas, específicamente dos Reyes de la Paella, que teve como acompanhamento a tradicional Sangria feita com material de primeira. A decoração das mesas foi por conta de sua companheira Viviane e o Cenário foi por minha conta onde utilizei os painéis que o clube dispunha além de alguns acessórios para ambientação.

Niterói é uma cidade que desconhece o Flamenco como uma arte moderna além do que foi feito com a visita da grande Cristina Hoyos há alguns anos atrás.  Mesmo tendo uma colônia espanhola onde sua atenção é mais voltada para a cultura do norte da Espanha.

O show conteve variado repertório entre o tradicional e o moderno: Fandangos de Huelva, Siguiriyas, Martinete, Mirabrás, Farruca, Tientos, Guajiras, Alegrías, Bulerías e Soleá. O show foi arrematado por patadas de Tangos.

Elenco: Beatriz Foureaux, Carlos Máximo, Dilene Mattos, Renata Coutinho e Ricardo Samel. Artista conviada: Lorenna Eunápio. Direção, Arte, Figurinos e Cenário: Ricardo Samel. Paella e Sangria: Antonio Salas. Decoração: Viviane Salas.

Aguarde em breve mais notícias flamencas em Niterói. É só visitar o site

http://www.flamenconorio.com.br/

Autor: ssamel@ig.com.br - Categoria(s): Sem categoria Tags:
14/07/2011 - 22:02

Masculino e Feminino na Dança

alba heredia“Ser um homem feminino, não fere meu lado masculino. Se Deus é menina e menino, sou masculino e feminino.” Quem não se lembra desta música cantada por Pepeu Gomes nos idos anos 80/90?

Depois que o Flamenco ganhou a dimensão universal no final de 2010, ou seja, foi colocado como Patrimônio da Humanidade pela ONU, acabou perdendo muito do seu lado folclórico como uma dança característica e somente do Sul da Espanha, principalmente quando falamos de turismo. Hoje existem alguns lugares lá na Espanha para os aficcionados (tabernas e peñas flamencas) nesta arte além dos tablados… é como nosso antigo ”Oba-Oba” e agora o Carnaval nos sambódromos.

manuel liñanAssim como o Ballet Clássico (que era francês), o Jazz e o Sapateado (que eram somente americanos), o Flamenco venceu suas fronteiras e conquistou o mundo. Em todos os continentes encontramos artistas do cante, da guitarra e do baile.

O Flamenco tem se reinventado e transformado sua faceta e, principalmente na dança, onde as linhas eram bem demarcadas para homens e mulheres, algo aconteceu. A fusão de outros estilos de dança e técnicas diversas deram vasão a um novo lado onde homens usam saias, mulheres sapateiam com a velocidade dos homens, as mãos e linhas de braços secos ou sinuosas caem por terra como determinante de genero. E agora tudo podemos. Homens de saias ou batas de cola e com mãosbailaores con bata femininas. Mulheres que bailam de calças (há muito que já faziam isso. É só lembrarmos de Carmen Amaya) usando braços mais retos e mãos mais secas.

A escola se dividia muito de acordo com a estrutura física onde o trabalho masculino seguia as linhas retas de sua estrutura e o feminino seguia as curvas sinuosas de seu corpo delineado pelo presente da natureza. Basta lembrar-mos do renomado trabalho de Antonio Gades e Cristina Hoyos.

Uma coisa é certa: para mim, a essência do Flamenco deve ser conservada. A alma tem que prevalescer independente do estilo tradicional ou moderno. Ainda gosto de levar em conta que a alma está nos vermercedez ruizsos de cada letra, de cada palo. O corpo pode responder de todas as formas como na música de Pepeu Gomes. Com um pequeno detalhe: homem continua sendo homem e mulher continua sendo mulher; sejam de calças ou de saias ou com os elementos usados como acessórios (abanicos, mantones, báculos, palillos).

Valeu Pepeu Gomes! Não foi à toa que lembrei de você com esta nova fase da Dança Flamenca.

Autor: ssamel@ig.com.br - Categoria(s): Sem categoria Tags:
12/09/2010 - 12:44

Recuerdos

Mabel y AlbertoA  lembrança é um fato que registramos em nossa memória consciente e inconsciente. Isto faz com que carreguemos nosso “chip” com todo o tipo de informação que captamos ao longo da vida. E basta um “clic” no lugar certo para a ativação destas memórias.

Qualquer recordação é viver de novo aquele momento bom ou ruim. E assim é o Flamenco feito de sensações, de lembranças, de registros reais da vida.

Isso me faz voltar ao passado distante e me lembrar como comecei a fazer aulas de Flamenco. Caí na Rua Bambina em Botafogo numa academia (não me lembro o nome) para conhecer no segundo piso a professora Mabel Martín: uma figura esguia, loura e que falava espanhol muito rápido. Resolvi entrar para aprender. Aprendi os passos básicos com muita dificuldade. Aprendi a sapatear por soleá, a “pasear” por Alegrías e aprendi as quatro coplas da Sevillana. Comecei a estudar as castanholas (nossa, que instrumento difícil!) e peguei uns passinhos de Farruca com Alberto Turina. Literalmente me amarrei! Em um ano e meio e aos trancos e barrancos, pois nunca havia feito dança antes, consegui isso tudo. Foi lá também que pude assistir a alguns ensaios do Los Romeros. Lá eu via gente bailando e não sabia que no futuro eu seria colega deles. Conheci o falecido Arnaldo Triana, Roberto Silva y Silva, Túlio Cortez, Niffer Cortez, Lucia Caruso, uma magrela maravilhosa que dançava demais chamada Marisa Vasquez (acho que era filha do cônsul ou coisa assim), Teresa Seiblitz e Vitória Nunes. Hoje alguns são expoentes no mercado Flamenco brasileiro enquanto outros optaram por seguir uma vida comum de “não-artista” ou fora do Flamenco.

Precisei para por questões financeiras mas acompanhei durante anos a trajetória e o ensino deles que vieram por algumas décadas a dirigirem o Ballet da Casa D’España do RJ. Mantive contatos esporádicos. Peguei no colo Andrea Ortega, conheci Lívia Bueno  e o irmão, Marcelo,  não tive quase contatos a não ser quando ia nos shows dos maestros.

Eles foram o grande diferencial na Dança Espanhola e Flamenca aqui no Rio de Janeiro. Sem a escola que fundaram, seria impossível (quase) descobrir as tantas e diferentes danças existentes na Espanha. E posso afirmar que, graças a esta distinção, descobri que realmente amo o Flamenco. Nos idos anos 80 vieram fazer a diferença marcando com a tradição e conservação da escola de danças espanholas.

Aqui fica meu RECUERDO de duas pessoas importantes em minha vida artística pois sem eles jamais saberia o que faço hoje. Meus primeiros pés e mãos vieram do aprendizado, ainda que diminuto, com Mabel Martín e Alberto Turina; ambos partiram respectivamente em 18 de maio e 06 de junho deste ano de 2010.

Meu OLÉÉÉÉÉÉÉÉ pra vocês.

Autor: ssamel@ig.com.br - Categoria(s): Sem categoria Tags:
02/09/2010 - 14:41

Meu currículo… resumido

eu cabeludoEm 1984, aos 18 anos, inicia seus estudos de Flamenco com Alberto Turina e Mabel Martin e em 1988 completa o curso pela Escola de Dança Flamenca Sonia Castrioto tornando-se seu auxiliar na escola de mesmo nome e bailarino no grupo Alumbre Flamenco.

            Especializou-se no figurinismo para o Flamenco e desenhou e assinou os figurinos de grupos do Rio de Janeiro como o Arte Flamenco, Grupo Raga, Levante Flamenco, Grupo Flammeum e de solistas como Sonia Castrioto, Soraia Castrioto, Simone Abrantes, Natercia “la Buscadora”, Rodrigo Garcia, Marilyn Mafra (Florianópolis), Mariana Abreu (Campinas), Kátia Simões (Paraná), Garima Augusta (Ribeirão Preto), Emília Gregório, Suraya Helayel, Vera Alejandra (São Paulo), os internacionais Sara “la Mora” e Gustavo Cancela, o grupo Flamenco Vivo e o atual Essências Flamencas. Além disso, costuma dar consultoria de figurinos para alguns grupos de dança e academias de Niterói.

            Em 1992, aprimorou seus conhecimentos de Dança Espanhola com Theo Dantes (Sociedad de Baile Español – Clasico y Flamenco) com quem aprendeu a técnica de Bata-de-cola (vestido com cauda), deu palestras em cursos de dança e em Brasília no I Congresso de Antropologia e Estudos de Grupos Étnicos – Ciganos além de participar em eventos da Hispanidad em cursos de Línguas (CELEMO, CCAA e UNIGRANRIO).

            Atuou como solista em eventos da Hispanidad, na Cia de Arte Flamenco, Ballet Hispano-Brasileiro, grupo Flamenco Vivo fazendo shows pelo Rio de Janeiro e São Paulo destacando-se na ópera “Carmen” da Escola de Música Villa Lobos, dos musicais “Gitanos“, “Bodas de Sangre“, “Alegrías Contemporâneas“, “Flamenco Vivo” (1º Show de “Flamenco de Hoy” do Rio de Janeiro), “Flor Nova de Romances Velhos“, “Brisas del Tiempo” com temporada no Teatro do Museu da República, participou do Festival de Dança de Friburgo em 2003 como convidado, da 1a Gala Espanhola do RJ, de alguns shows do Projeto Alma Flamenca e do Projeto Noche Flamenca além de realizar com o projeto Calle Rio-España a 1a Mostra de Danças Espanholas do RJ no Teatro Cacilda Becker com resgate da memória cultural desta dança e em homenagem a Lydia Costallat; uma das precursoras da dança espanhola no RJ.

            Recebeu o 1° prêmio pela versão da coreografia “Ritual do Fogo” no Jubileu de Rubi de Helfany Peçanha em 1990, 2º Prêmio pela coreografia “Leyenda” em parceria com Simone Abrantes em Uberlândia – 1994, dirigiu o curso de Dança Espanhola na Escola Estadual de Danças Maria Olenewa (1997 – 2000), coordenou os cursos de Dança Espanhola e Flamenco do Ballet Dalal Achcar (Madureira), do Ballet Cláudia Araújo e da Escola de Danças Myriam Camargo (assinando e confeccionando os figurinos além de coreografar em ambas), coreografou para o Centro Flamenco Marina Díaz e Escola de Dança Garima Augusta em Ribeirão Preto (SP) e dirige atualmente o grupo semi-profissional Essencias Flamencas formado por seus alunos. É o único bailaor carioca que domina a técnica de bata-de-cola (vestido com cauda) além de confeccioná-la e instruir no manuseio. E em agosto de 2010 participa do IX Festival de São José dos Campos com cursillos de bata-de-cola base para iniciantes e giros e saltos com bata-de-cola para intermediários e avançados.

           SOLEA 91 Cursou a Faculdade de Moda na Universidade Veiga de Almeida, assinou os figurinos do show “O Meu Jardim das Delícias” do grupo NITIDAN (Dança Contemporânea) baseado na pintura homônima de Yeronimus Bosh; pintor medieval. Também assinou figurinos do ballet “O Corcunda de Notre-Dame” do Ballet Myriam Camargo e “Escenas Andaluzas” de Rodrigo Garcia, das alunas de Renato Marques em 2007, as batas-de-cola das alunas do Centro de Danças Gaia-RJ e do Cuadra Flamenca-SP em 2009 além dos figurinos de Flamenco da Escola de Dança Tereza Petsold em Nova Iguaçú (2008 e 2009) e as batas-de-cola do Alma Andaluza de Giselle Ferreira em Vitória (ES) em 2010. Participou em 2010 da Semana Carioca de Flamenco no Centro Coreográfico do RJ na mesa “Figurinos de Flamenco – Um vestido brasileiro para uma arte Espanhola”; um debate com a jornalista e produtora de Moda Cristina Franco, com Ney Madeira diretor do curso de Moda do Senai/Cetiq e com Rosa Marly, coordenadora do curso de Moda do Senai/Cetiq e participa do Festival Internacional de Flamenco de São José dos Campos como solista em 2009 e como professor de bata-de-cola no workshop nacional.

            Dirigiu um estúdio por cinco anos (Studio Talento e Arte), dividiu uma grade com Estrella Bohadana no Programa Tablado Flamenco  www.radiojd.com.br) na Web Radio JD e é comissário artístico do Sindicato dos Profissionais de Dança – RJ além de possuir um blog que é usado por estilistas e curiosos do mundo da dança: www.blig.ig.com.br/samelflamenco onde fala de experiências pessoais, de Flamenco e de Moda. Atualmente é solista convidado do Grupo Sol y Luna no RJ e participa da divulgação do Flamenco no meio da Cultura Cigana do Rio de Janeiro com o projeto FIESTA GITANA onde sempre esclarece e divulga de forma instrutiva a cultura cigana além de sempre desenvolver projeto social com esta festa e participa do Espaço Cultural Aldebaran como pesquisador do flamenco e dos ciganos espanhóis. Acaba de lançar em Niterói – RJ a Noche Española com jantar e artistas daquela cidade.

CAÑA- Ricardo Samel 2001Atualmente possui uma bagagem cultural enriquecida por renomados mestres do Flamenco Tradicional como Alberto Turina (in memorian) e Mabel Martin (in memorian), Sonia Castrioto e Theo Dantes, e do Flamenco Atual como Gustavo Cancela, Sara “la Mora”, La China, Adrian Galia, Andrea Salomão, Sara Baras, Eva “la Yerbabuena”, Pol Vaquero, Concha Jareño e Inmaculada Ortega, Ricardo Samel é o bailarino que une as profissões de coreógrafo, professor e figurinista de Flamenco numa única pessoa além de dançar.

Autor: ssamel@ig.com.br - Categoria(s): Sem categoria Tags:
26/07/2010 - 13:27

Roupa Flamenca no Brasil – Transgressão ou Tradição?

Aqui segue o texto na íntegra que, infelizmente, por uma questão de diminuição do tempo, não pôde ser expresso por inteiro na mesa 5 com o tema UMA ROUPA BRASILEIRA PARA UMA ARTE ESPANHOLA, do dia 25 de julho e feita no salão de vídeos do Centro Coreográfico do Rio de Janeiro. Participaram da mesa Cristina Franco, jornalista e produtora de moda, o Cenógrafo e Prof. Ney Madeira e Profa. Rosa Marly – ambos do SENAI/CETIQT, Ricardo Samel, bailaor, coreógrafo e figurinista de Flamenco, Carmen Luz – diretora do CCRJ e Antonio Costa, coordenador do seminário.

FLYERCARTAZOK

“Bom dia Ricardo

  Em acordo com a produção e a divisão temática  da mesa de Criação de Figurinos para o Flamenco (Mesa 5), gostariamos  de solicitar que a sua explanação , fosse dirigida à história dos figurinos dentro do Flamenco , tipos de vestimentas , usos e algumas pertinências segundo alguns bailes. Tempo pedido de explanação : 20 minutos. Informamos que há no espaço o recurso de Data-Show para o caso de você querer ilustrar a sua Fala com imagens de seus próprios figurinos ou de outras fontes. Por gentileza, se for usar esta Mídia , solicitamos que nos informe até sexta-feira , dia 16 para que possamos tomar as devidas medidas operacionais.

 Antonio Costa

A Roupa no Flamenco

“A MODA costuma reler o passado e transforma o que já foi criado. Ela se divide em Conceitual ou Usual. É como uma espiral vista de frente que parece se repetir. E vista de cima está sempre caminhando para frente apesar de passar quase sempre pelos mesmos lugares”. Nunca mais me esqueci destas frases que ouvi de uma professora na faculdade de moda que fiz na Faculdade Veiga de Almeida. Pronto… Estão criados os famosos desfiles. Isso não impede que o USUAL e o CONCEITUAL se unam numa linguagem só.

Antigamente as roupas nas danças espanholas serviam para retratar as características da região e do povo que representavam. E eram muito comuns roupas justíssimas confeccionadas em tecidos planos como algodão, veludo, tergal e linho com estamparias típicas locais: as famosas “lunares” (bolas) e as florais. Na Espanha assim como em outros países existe tecelagem voltada para a dança; o que não acontece aqui no Brasil. Aqui nos adaptamos ao que a Indústria trás através da tecnologia das Forças Armadas e dos Esportes e da Moda da estação.

 Para falar sobre figurinos Flamencos precisamos delimitar a área em questão que é a Andalucia, sul da Espanha. Uma região com as quatro estações do ano bem definidas.  Além disso, cada região espanhola tem uma influência cultural distinta. O que vai inclusive gerar uma divisão folclórica afetando comportamentos e vestes. Vale ressaltar que o Flamenco surgido na segunda metade do séc. XIX não possuía uma roupagem que o caracterizasse como tal; a não ser pelos artistas que o executavam. Quando as danças surgiram havia uma mistura com as danças folclóricas locais.

A EXEMPLOS:

1 – Em Sevilla, as roupas costumam ser chamadas de TRAJE DE FARALAES… São aqueles trajes típicos com muitas bolas e babados, carregados de rendas nas pontas, mangas repolho e com um colorido bem diversificado. São roupas das Sevillanas e que muito se assemelham aos nossos trajes de Festa Junina… São roupas da roça. Às vezes até com o uso de botas quando eles vem através de romarias.

2- Em Huelva, há muitos anos o Fandango para baile que conhecemos hoje, tinha sua indumentária toda em veludo, com a saia longa, uma blusa rendilhada, uma curta mantilha por baixo de uma cartola, às vezes com uma pluma para a bailaora e traje a rigor para o homem composto de calça de cós alto, colete curto, camisa de manga comprida e o bolero característico dos andaluzes.

3 – ZAPATEADO de Jerez ou de Cádiz– já em desuso na cena atual, a roupa tinha como destaque as pernas livres para bailar por causa da virtuose e improviso que pedia a dança. As bailaoras costumavam usar uma saia envelope de cós alto, bolero com camisa de babados e sombreiro de aba curta e copa baixa. Troca-se a sai e coloca-se calça está formado o figurino do bailaor.

 4- outros bailes Flamencos – Os CIGANOS foram quem mais diversificaram a roupagem no Flamenco e até camisas comuns eram amarradas na altura do peito e cintura.

 Para quem estuda esta arte, sabe que ela é resultante de uma fusão cultural de migrantes como os Mouros, os Judeus, espanhóis migrantes de outras regiões  e o Cigano que se estabeleceu na Andalucia. E eram os Ciganos o maior representante da arte flamenca naquela época por serem eles quem apresentavam um estilo diferente do convencional e por serem sempre chamados pelos reis para alegrar suas festas. Suas roupas eram as que tinham do dia-a-dia. Até que começaram a se misturar com o folclore local e usá-las em seus shows nos cafés cantantes adaptando-as segundo seus gostos e necessidades pessoais.

Toda a roupa que existia no Flamenco vinha de alguma influência local e folclórica misturada com as que os ciganos traziam de outras andanças. Os trajes de época eram referência para uso na dança tendo seus elementos aumentados para a questão da cena. Para falar de roupas históricas e específicas dentro do Flamenco teremos que falar da história da dança na Espanha, pois toda a roupagem tem haver inicialmente com o folclore de cada região. Voltemos então para o tema abordado: um VESTIDO BRASILEIRO PRA UMA ARTE ESPANHOLA.  E Figurino Flamenco é minha área de pesquisa há quase 20 anos.

 Alguns bailes se aproveitaram destas roupagens locais e foram sendo adaptados a gosto de quem as usavam. Para as mulheres eram as roupas comuns de danças espanholas de acordo com a época histórica.  Usavam como acessórios os leques de madeira, adaptavam as castanholas aos bailes e aos homens se não fosse roupas do cotidiano, eram as que imitavam toureiros. O Flamenco sempre se adaptou ao que era exigido para aparecer. E eram os próprios artistas que desenvolviam suas idéias e levavam a costureiras quando possuíam dinheiro para tal.

 Bailes masculinos como a Farruca e as Cantiñas pediam traje de acordo com a época como calças justas de cós alto, camisa social ou com leves babados no peito e coletes pequenos na altura da cintura. Eventualmente o uso do Bolero se fazia presente. Bailes femininos como a Soleá e os Tangos pediam roupas farfalhantes e com babados de acordo com a moda local. Podendo ou não usar mangas compridas e acessórios como o Mantón (xale).

Quando o Flamenco é reconhecido como mais um estilo de dança universal, começa a ter sua própria roupagem estabelecida pelos artistas. Fica caracterizado que os homens usam calças compridas e as mulheres saias lisas ou com babados como referência às origens desta arte podendo serem justas ao corpo, como a moda atual, ou rodadas como de costume. Hoje em dia as mulheres até abusam do uso da calça e os homens começam a usar a bata-de-cola. E como cada um tinha seu gosto pessoal, surgiam modelos diferentes.

 A famosa BATA-DE-COLA (vestido com cauda) foi adaptada das roupas de época onde era comum o uso de um vestido com uma cauda e uma armação no traseiro com um grande laçarote. Na Espanha eram colocados babados na barra e foram algumas bailaoras da época que começaram a usar esta roupa com cauda retirando a armação, enchendo mais de camadas de babados, muito comuns nas cidades que beiram o Mar Mediterrâneo onde os babados lembram as ondas do mar. A dança flamenca tinha novos elementos cênicos.

Na verdade não existia A ROUPA para AQUELE determinado BAILE FLAMENCO, mas sim o que o artista queria demonstrar. Os ditames tinham apenas as diretrizes das roupas folclóricas andaluzas. Apenas homens dançavam de calça comprida tipo toureiro e as mulheres com vestidos longos cheio de babados independente do estilo.

 O figurino foi se adaptando segundo as necessidades da dança. Hoje se usa qualquer tecido para baile sendo que na Espanha existe mercado têxtil voltado para a dança, mas que está diretamente ligado ao comércio do folclore. Lá sempre encontrarão tecidos de bolas e flores independentes de qualquer estação do ano. Aqui as lojas têm em suas bancas o que a MODA indica para a próxima estação. É um mercado voltado para o dia-a-dia e não para a dança. Neste caso muitas vezes, a inovação do tecido e da modelagem requer uma readaptação da dança por conta destes ítens. Pra mim, é o tecido e a modelagem que devem se adaptar a dança e apenas complementar o trabalho; e não aparecer mais que esta.

Grandes nomes do Flamenco se utilizaram de grandes estilistas para desenhar seus figurinos. Um me chamou bastante a atenção que foi o CHRISTIAN LACROIX no ballet ARSA Y TOMA de Cristina Hoyos em 1996. Parte do show eram lembranças dela que saíam de um baú. Os figurinos lembravam os anos 50 e 60 que já eram rebuscados nos detalhes, mas o resultado ficou com um excesso de informação que muitas vezes ofuscava a dança inclusive dificultando os movimentos. Na Farruca, baile até então masculino que às vezes era dançado por mulher com calça, Christian investiu no vestido plissado que Cristina bailou. Foi a primeira mulher que se tem registro usando um vestido num baile masculino. Recentemente tivemos a Inmaculada Ortega, minha maestra, e a Concha Jareño que seguiram a tendência sem distorcer a essência da Farruca.

 No DVD MULHERES DO FLAMENCO com as solistas Eva Yerbabuena e Sara Baras, pode-se ver como o figurino pode ou não ajudar na dança mesmo saindo do contexto tradicional do Flamenco. O DVD trata de mostrar o making-off do desfile da estilista MARY BOXALL onde as modelos são as mulheres que compõe os grupo flamenco. Ali vemos como é necessário pensar na dança quando criamos um figurino. No vestido da Sara Baras, um de seus modelos, a alça arrebentou e ela bailou segurando a alça com a boca no ensaio. Mas durante a mostra o show foi um verdadeiro sucesso e mostrou que, quando pensado para a dança independente de seu estilo, a roupa enobrece a dança e tem seu respectivo valor aumentado. Desta forma acontece o casamento Roupa e Dança.

 Hoje o figurino está moldado nos padrões pessoais e que raramente lembram o folclore de 200 anos atrás. As idéias sempre partiram dos dançarinos que se adaptavam com os tecidos que surgiam e com a necessidade de suas danças. O Flamenco se modernizou com a influência de novos estilos artísticos tanto para os músicos quanto para os dançarinos. Desta forma, as roupas precisavam ser mais flexíveis para danças com muitas curvas em seus movimentos, que fossem roupas confortáveis e de fácil higiene e conservação e fossem confeccionadas com tecidos elásticos, inteligentes e fugissem mais do modelo folclórico com tecidos planos que necessitavam maiores cuidados para a higiene e a conservação e sempre com o uso do ferro de passar.

A linha mais sóbria e atualizada sugeriu aos homens o uso do paletó e as mulheres quase que traje de noite transformando o show quase sempre em uma gala. Isso não impede de amostrar o que realmente o Flamenco é: a exteriorização dos sentimentos do homem diante da vida. Esta é, pra mim, a essência do Flamenco independente da época em que é mostrado e do figurino em questão.

Daí vale a pena contratar, ou ao menos consultar, especialistas na área da roupa e da dança como o FIGURINISTA e o ESTILISTA. Para quem não sabe ainda a diferença, o FIGURINISTA é aquele que DESENHA E CRIA os figurinos que serão usados. O ESTILISTA é aquele que modifica uma idéia pré existente baseando-se em alguma inspiração acrescentando ou tirando elementos para compor o modelo de acordo com a proposta. Ambos podem estar associados numa mesma figura humana e que tem o papel de transcrever para a roupa aquilo que seu idealizador quer, mas com conhecimentos técnicos que viabilizam e valorizam o trabalho da dança em questão.

 A silueta dos artistas flamencos de hoje é uma linha mais sóbria onde os movimentos se libertam mais que no passado. Por conta disto, o uso destes tecidos de malha e a aglutinação de outras técnicas de dança exigem outros materiais. Isso também não impede o tradicional uso de tecidos planos como Oxford, a própria Microfibra, o Algodão, o Linho e etc. Já temos confecções nacionais como a LUNARES, a RIATITÁ, a LA FLAMENCA… Inclusive de acessórios para o Flamenco como os sapatos RAMIREZ, DONA DANZA e NIETO SPAIN; e estilistas e figurinistas como Cristina Reis, Adriana Rodrigues e eu; todos nacionais e voltados para Flamenco no Brasil.

 A meu ver num, estudo mais profundo, se souber usar a COR, a FORMA, a TEXTURA, a MODELAGEM e o MODELO como resultado associado com o tema que cada dança pede, a Roupa pode complementar e definir a proposta artística. Sem desconsiderar que o importante é o conforto, a durabilidade e a plástica que o figurino pode fornecer. Daí a necessidade de conhecimentos desta área onde o domínio fica por conta de profissionais como o figurinista, o estilista e o modelista. E eles, juntos ou numa mesma pessoa, unem os conceitos e conhecimentos práticos e teóricos para criar, moldar, cortar e montar o figurino em função da dança escolhida visto que na maioria das vezes o corte e a modelagem padrão, ou seja, a de uso comum e diário, quase sempre não serve para a dança porque causam efeitos de rugas por falta de elasticidade ou modelagem ruim, tacos sem tecidos embaixo do braço dando aquela visão de “buraco”, rasgos por estarem justas demais ou mal cortadas. Isso pode inclusive alterar o tipo físico da pessoa por conta dos efeitos somados à iluminação, da estamparia inadequada e aquilo que se quer disfarçar na pessoa. O efeito é ao contrário do que se deseja. Nada melhor do que adequar o figurino que se deseja com os conhecimentos destes profissionais técnicos em roupas.

 Costumo dar consultoria a algumas academias de dança para inclusive adaptar e alterar a modelagem para suas danças. Em algumas até assinei os figurinos e supervisionei toda a linha de produção. Destaco meu trabalho no ballet contemporâneo da Cia NITDAN de Niterói há alguns anos onde trabalhei para montar os figurinos do espetáculo MEU JARDIM DAS DELÍCIAS baseado nas pinturas do artista medieval YERONIMUS BOSCH que falava sobre o Paraíso, o Purgatório e o Inferno cristão. E meu maior desafio foi não usar a nudez e nem sequer insinuá-la.

Pra finalizar, antes de se criar um vestido brasileiro para uma arte espanhola, precisa-se afinar e respeitar a questão técnica entre a ROUPA e a DANÇA; visto que uma cara brasileira em um figurino também terá que estar dentro do conceito daquele grupo ou Cia de Flamenco.

Tenho um BLOG que uso para contar estes detalhes sobre MODA e sobre FIGURINOS voltados para o Flamenco e que está à disposição de todos gratuitamente. O blog tem sido usado inclusive para pesquisa de estudantes de MODA.

 www.blig.ig.com.br/samelflamenco

 Agradeço o convite e a todos vcs.”

Autor: ssamel@ig.com.br - Categoria(s): Sem categoria Tags:
14/05/2010 - 13:42

ZAMBRA, mais um mito hispano-árabe

ZAMBRA-maria-la-canastera-flamenco-granadaMuito próxima da realidade das danças flamencas, a Zambra é constantemente colocada como música árabe ou cigana. Na verdade ela faz parte do floclore hispano-árabe e era muito executada pelos ciganos de origem moura, ou seja, de procedência marroquina ou egípcia mas estabelecidos na Andalucia… levemos em consideração os 700 anos de conquista moura na Andalucia. Mais: os ciganos chegaram na Espanha por volta de 1430 e os mouros expulsos após a unificação da Espanha Católica pelo casamento dos reis Isabel e Felipe que queriam a expulsão dos mulçumanos, judeus e outros povos que não fossem católicos. Como festividade andaluza, a Zambra só aparece na Espanha com os ciganos após esta expulsão. E entre 1530 e 1570 muitos ciganos vieram para as Américas.  A maioria dos calons concentrada em Goiânia e no nordeste brasileiro.

Zambra é uma corruptela da palavra árabe Samra e quer dizer flauta e muitas vezes usada para designar as festas hispano-árabes. Muitos designam a palavra como local de encontros festivos  destes ciganos de origem moura . Deveria ser uma dança acompanhada com flauta e que foi se tranformando em algo mais aflamencado pelos ciganos andaluzes. Leva o compasso dos tangos flamencos e em nada se assemelha as rumbas mescladas (ou não) com música árabe ou outro estilo musical flamenco e mesmo com a dança do ventre. Seus acordes lembram música árabe tocada na guitarra flamenca.

cueva2A palavra também serviu para designar os locais onde os gitanos se encontravam em Granada; mais especificamente em Sacromonte onde estão até hoje as cavernas com suas apresentações flamencas para turistas e admiradores dos ciganos andaluzes. Também é um nome de um tablado flamenco chamado La Zambra que teve seu auge nos idos anos 50 e 60 com a principal atuação da bailaora Rosa Durán, de Mario Maya e El Guito.

Vale lembrar que a Zambra também pode ser tocada ao piano e declamada como poesia, o que era muito comum na época antes da dança propriamente dita.

Não é dificil encontrar danças intituladas “Zambra” em festivais de dança oriental árabe e chamadas erroneamente de zambra1Flamenco Árabe. Se levarmos em conta que o Flamenco leva em uma de suas raízes a música e o canto árabe então é racional afirmar que não se pode inventar o que já existe. O Flamenco é uma FUSÃO de várias culturas onde se destaca a espanhola andaluza, os judeus, os ciganos que ali aportaram e os árabes; cultura esta que dominou a Andalucia (Al-Andaluz em árabe) por mais de 700 anos. se existe o Flamenco-Árabe, existe o Flamenco-Judaico, o Flamenco-Indú, o Flamenco Argelino e o Flamenco Egípcio. Dentro de toda arte Flamenca existem ritimos que se referem ou possuem fortes influências destas culturas mas sem criar uma nova arte por conta disto.

As Peteneras possuem forte indício da cultura judaica e até mesmo referências a uma cantaora chamada paterna de Rivera… judia. Os Romances, a Alboreá e a Debla são ciganas, melhor dizendo, “gitanas” e fazem parte do Flamenco assim como a Danza Mora e a Zambra que estão ligadas aos mouros, melhor dizendo aos ciganos de origem moura. A Farruca e o Garrotín são eranças dos espanhóis do Norte da Espanha. E assim vai por tantos outros ritimos DENTRO do Flamenco.

zambraA dança pode ser executada descalça ou com sapatos flamencos. Pode ser acompanhada por guitarra flamenca ou cordas árabes, cante árabe ou flamenco, usar snujs (tintillos), véus ou até mesmo castanholas para acompanhamento. Os moMaima_Gea_-_Tablao_Zambra_agosto_2001vimentos tendem a lembrar a influência da cultura moura e ao mesmo tempo dos ciganos que fazem flamenco na Andalucia.

Em síntese, a Zambra faz parte da cultura gitana (do cigano espanhol andaluz). São eles os principais difusores deste estilo já quase desaparecido. Não raro nos dias de hoje, ao sair da tradição, se pode bailar qualquer estilo Andaluz e/ou Flamenco com roupas que sejam confortáveis e se encaixem na essência da dança escolhida. Até mesmo o uso da bata-de-cola  retorna no início deste século XXI. Assim é o Flamenco de hoje e dos estilos folclóricos aparentados ou próximos dele.

Autor: ssamel@ig.com.br - Categoria(s): Sem categoria Tags:
25/02/2010 - 17:22

UM SONHO

PLUSHENKO1Não dá pra deixar de lamentar a oportunidade que perdi nesta vida aos 16 anos quando ganhei uma bolsa de estudos para Patinação Artística sobre rodas no Flamengo quando patinava no extinto Roller Circus em São Francisco, bairro da zona sul de Niterói onde eu vivia. Toda vez que vejo os Jogos Olímpicos de Inverno e admiro esta modalidade volto no tempo e me lembro como foi meu contato e as boas coisas que passei neste período. Lembro que saía no sábado pára entrar exatamente às 14h quando abria o rinque e saía lá pelas duas da madrugada quando fechava. Só não ia quando adoecia ou quando estavam fechados.

Naquela época um bom patinador ganhava a bolsa e tinha possibilidades de ir para o Holly Day On Nice… meu sonho! Mas não ganhei o apoio familiar por questões financeiras, pois o investimento era alto nas aulas de dança, no equipamento de primeira linha e num futuro que, para minha família, era incerto e curto. Resumindo: eles viam uma carreira curta bem menor do que qualquer outra arte.

Por conta disso, me ofereceram lutar Judô e briguei e acabei entrando em depressão. Este tipo de arte estava muito distante do que eu queria. No ano seguinte é que encontrei a arte do qual hoje sou profissional. Acabei por seguir patinação12uma vida tradicional, fiz faculdade de Arquitetura e depois enfrentei a tudo e a todos. Tudo que sei e possuo hoje sobre Dança e Figurinos foi com meu próprio esforço e conquista. Abri mão de muita coisa para conseguir chegar onde estou. Nada foi fácil a não ser outra bolsa que ganhei. Nunca mais me esqueço destes dias nas mãos de Sonia Castriotto que me apoiou e confiou em mim. Discretamente comprou algumas desavenças por minha causa com algumas colegas de classe e até mesmo com o grupo ao qual ela dirigia, pois era estagiário e passei logo a membro efetivo mesmo sem estar preparado. Era muita confiança num dançarino ainda verde para o posto. Ela teve lá suas razões para tal e foi apoiada pelo marido e também diretor Eduardo Mallot.

O sonho é um dos alimentos da vida. Pode se tornar um objetivo como o meu. Nunca projetei ou almejei algo que fosse além de conquistar, aprender e ensinar o que sei. Nunca me interessei em ser o melhor tão pouco querer ser o maior. Apenas conquistar este sonho e ser respeitado. Jogar com a verdade e com a honestidade sempre foi e continua sendo difícil, mas precisei me impor e hoje estou aqui, na Dança Flamenca.

A Patinação vai ficar para outras vidas.

Autor: ssamel@ig.com.br - Categoria(s): Sem categoria Tags:
18/11/2009 - 04:45

Teoria Musical para Danças

    Em geral, aquelas danças onde o bailarino/dançarino emite sons como o Tap, o Irish Dance , Belly Dance e o Flamenco, são considerados também músicos; pois usar com frequencia as palmas para acompanhar os ritimos, as castanholas, snujs e/ou sapateados implicam em conhecer de forma generalizada os conceitos musicais sem necessariamente ter que escrever e/ou ler uma pauta para música.

    Há que se definir qual o conceito de Música para que possamos compreender seus aspéctos estruturais.  Música pode ser definida como a arte dos sons, combinados de acordo com as variações da altura, proporcionados segundo a sua duração, ordenados sob as leis da estética e que dependem da Harmonia, da Melodia e do Ritmo como são combinados. 

    A Harmonia consiste na execução de vários sons ouvidos ao mesmo tempo, observadas as leis que regem os agrupamentos dos sons simultâneos.

    A Melodia consiste na sucessão dos sons formando sentido musical.

    O Ritmo é o movimento dos sons regulados pela sua maior ou menor duração.

    A Melodia e o Ritmo combinados já encerram um sentido expressivo musical.

    Se faz necessário então, a ordenação dentro do COMPASSO que, por sua vez, é formado por TEMPOS:

 COMPASSO – É a medida tomada como unidade para dividir em partes iguais uma obra musical. Toda obra musical está dividida em compassos de igual duração. Dito de outra forma, o “compasso” é uma porção de tempo dividida em dois, três ou quatro partes que servem para medir o valor de duração do som das notas musicais.

 TEMPO – Ao ouvirmos um trecho musical, sentimos com regularidade que certos sons são mais acentuados que outros. A essas acentuações dá-se o nome de Tempos, os quais, de acordo com a maior ou menor acentuação que recebem, são denominados fortes ou fracos.

 CONTRATEMPO – São as notas (sons) executadas em partes fraca do tempo, sobressaindo-se ao tempo forte que é, praticamente, considerado como uma “pausa” ou silêncio. 

Em dança, basta troca a palavra SOM para MOVIMENTO.

 Resumindo: o compasso está dividido em tempos ou partes de igual duração onde cada tempo é representado por um golpe ou movimento forte. Levar o compasso é marcar seus diferentes golpes de tempo sem perder o ritmo assinalado em particular em cada música; que são divididos em BINÁRIO, TERNÁRIO ou QUATERNÁRIO.

  1. Binário – acentuação do compasso de dois em dois
  2. Ternário – acentuação de três em três
  3. Quaternário – acentuação de quatro em quatro.

 Outros efeitos musicais que ocorrem em danças como o Flamenco e o Tap-dance:

 ANACRUSA – Simplificadamente, são os movimentos ou sons que precedem o primeiro tempo forte do compasso.

 SÍNCOPE – É quando o som (movimento) fraco entre os tempos se sobressaem ao tempo forte. A síncope produz um efeito de deslocamento das acentuações naturais.

 QUIÁLTERA –  É quando as unidades de tempo e de compasso são subdivididas em grupos de notas (sons) e esses grupos são alterados na quantidade (para mais ou para menos) de notas que compõe.

Com a compreensão destes conceitos e sua aplicação em dança, fica mais fácil compreender uma composição coreográfica. E estes conceitos se aplica a TODAS as demais danças independentes de usarem alguma percussão ou não.

Autor: ssamel@ig.com.br - Categoria(s): Sem categoria Tags:
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