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21/09/2009 - 22:23

A nossa sociedade está toda errada

Eu sinto que nosso mundo está de cabeça para baixo. Eu sei que outras pessoas também sentem. Muita gente não sabe explicar, mas convive com a nítida impressão de que algo está errado.

Nossa sociedade se baseia na competição. O que é extremamente estúpido. Seria muito mais eficiente, bondoso e respeitável se vivêssemos em cooperação. Não faz sentido lutarmos por uma vaga de trabalho, por um aumento, para passar no vestibular ou para conseguirmos uma oportunidade. O bem sucedido é aquele que vence? O quão distorcido e cruel é isso. Somos colocados uns contra os outros enquanto poderíamos simplesmente conviver.

As pessoas estudam para trabalhar. Esquecem do valor do conhecimento per se. Tudo se resume a produção ou aplicação. O saber perdeu sua função de deslumbramento e encantamento. As pessoas entram em uma universidade para conseguir um bom emprego e esquecem que pensar é a nossa maior dádiva, é o que nos torna humanos.

Tantas coisas fora do lugar: Conhecimento segmentado e especializado, trabalhador transformado em um “braço” da máquina e sem nenhum acesso aos meios de produção, a grande cidade coberta de fumaça e entupida de pessoas, a tirania do relógio e dos prazos… Como aceitamos uma sociedade como essa?

Autor: Mário Maximo - Categoria(s): Reflexão Tags: , , ,
23/06/2009 - 18:02

A sociedade do sobejo

Eu não ia escrever sobre isso. Estava pensando em um post sobre “O Tempo” e a importância filosófica de Santo Agostinho na definição desse conceito. No entanto, meus olhos passaram pelas folhas do jornal de hoje e não pude deixar de ficar indignado com a declaração da “japinha” Dani Suzuki. A matéria parece boba, mas como disse o genial arquiteto americano Frank Lloyd Wright: “Deus mora nos detalhes”.

O fato é que a menina passou 4 dias integrada a tribo indígena Mehinaku para o seu novo programa na multishow, “Pé no chão”. Só isso já seria uma grande idiotice. Esse olhar em busca do bizarro que é direcionado aos índios, além de estúpido e grosseiro, constitui a raiz do vil pensamento civilizatório. Porém, o que mais me chocou foi a seguinte declaração dela: “Passar dias sem o celular não é fácil.”

Ou seja, ela sofre em ficar 4 dias sem um maldito aparelhinho eletrônico. Esse tipo de comportamento é inadmissível. Como alguém pode reclamar de ficar sem o celular enquanto vivencia uma realidade como a dos índios? Diante de uma infinidade de reflexões que ela poderia fazer, ela se limita a sentir falta do seu lado urbano, consumista e pecuniário.

Esse é um exemplo retumbante de que as pessoas na sociedade moderna perderam completamente a capacidade de discernir o que é necessário do que é supérfluo.

Autor: Mário Maximo - Categoria(s): Notícias, Reflexão Tags: ,
18/06/2009 - 18:27

O bom diálogo

Eu odeio o chamado freetalk. Sabe aquela conversa sobre o tempo? “Está calor hoje, não?” ou “Acho que vai chover”. As pessoas falam isso quando não tem mais nada para dizer. É simplismente inútil. Sem sentido. Os taxistas são reis nesse universo. Basta pegar um taxi e você é obrigado a ouvir a viagem inteira coisas sem significado. Ou pior, desabafos do motorista. Uma vez eu peguei um taxi e o motorista relatou sua vida conjugal em detalhes. Disse que a mulher o traía, xingou a coitada e concluiu que tinha vontade de se matar.

cabeleireiros também são ótimos em inventar assuntos. Eu não tenho nada para conversar com a pessoa que corta o meu cabelo, mas ele (ou ela, não sei dizer) insiste em perguntar de onde eu sou, o que eu faço. Insuportável. No entanto, não há nada pior do que encontrar um conhecido, aquela pessoa que você não tem muita intimidade mas sabe quem é. Por uma convenção social estúpida você é obrigado a falar alguma coisa. Não sei porque, mas as pessoas parecem não gostar do silêncio. Há sempre uma necessidade de se falar algo. Qual é o problema de duas pessoas que se conhecem andarem juntas sem trocar uma única palavra?

Eu sou um forte defensor do bom diálogo. Frases vazias e conversas sem profundidade deveriam ser imediatamente abolidas. As pessoas só deveriam começar a falar quando realmente tivessem alguma coisa a dizer.

Autor: Mário Maximo - Categoria(s): Pessoal, Reflexão, Sem categoria Tags: , ,
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