O tempo
Considero esse um assunto fascinante. Pensar sobre o tempo é algo que me deixa mais perto da compreensão. Não apenas de um único ponto. Mas de todos eles. Sempre tive a sensação de que o universo por mais vasto e complexo que seja, está aberto ao nosso entendimento e essa descoberta começa pela noção do tempo. Não é à toa que Santo Agostinho relacionava a ideia de Deus com a concepção do que é o tempo. Faz muito sentido. O Doutor da Graça foi responsável por moldar a imagem linear do fluxo temporal. Como tudo que existe só pode existir dentro do tempo, a própria figura divina se confunde com o rio que representa essa passagem. O tempo passa a ser a explicação primeira, assim como Deus.
Os gregos pensavam de forma diferente. Na visão clássica, o tempo é circular. A criação de tudo sucede ao fim. Eles até imaginavam um período para esse ciclo: 10 mil anos. Durante esse intervalo, tudo ocorreria, para depois se repetir no círculo seguinte. Assim surge Atlântida, civilização superior que antecede a sociedade grega que já representa o declínio, o fim do ciclo. Os gregos tinham muito viva a sensação de decadência da sua própria época, a idade de ouro e glória ficara para trás, no incío do ciclo. É interessante notar como esse sentimento ainda permanece hoje. Muitas vezes olhamos para o passado com saudade e admiração, com a percepção de que ficou para trás um tempo melhor. Finley, para citar apenas um exemplo, em seu livro Democracia Antiga e Moderna, exalta o sistema democrático grego, expressando claramente que a democracia antiga é melhor do que a moderna.
O tempo é realmente fascinante.
Autor: Mário Maximo - Categoria(s): Reflexão Tags: democracia, Deus, Grécia, Santo Agostinho, tempo