A sociedade do sobejo
Eu não ia escrever sobre isso. Estava pensando em um post sobre “O Tempo” e a importância filosófica de Santo Agostinho na definição desse conceito. No entanto, meus olhos passaram pelas folhas do jornal de hoje e não pude deixar de ficar indignado com a declaração da “japinha” Dani Suzuki. A matéria parece boba, mas como disse o genial arquiteto americano Frank Lloyd Wright: “Deus mora nos detalhes”.
O fato é que a menina passou 4 dias integrada a tribo indígena Mehinaku para o seu novo programa na multishow, “Pé no chão”. Só isso já seria uma grande idiotice. Esse olhar em busca do bizarro que é direcionado aos índios, além de estúpido e grosseiro, constitui a raiz do vil pensamento civilizatório. Porém, o que mais me chocou foi a seguinte declaração dela: “Passar dias sem o celular não é fácil.”
Ou seja, ela sofre em ficar 4 dias sem um maldito aparelhinho eletrônico. Esse tipo de comportamento é inadmissível. Como alguém pode reclamar de ficar sem o celular enquanto vivencia uma realidade como a dos índios? Diante de uma infinidade de reflexões que ela poderia fazer, ela se limita a sentir falta do seu lado urbano, consumista e pecuniário.
Esse é um exemplo retumbante de que as pessoas na sociedade moderna perderam completamente a capacidade de discernir o que é necessário do que é supérfluo.
Autor: Mário Maximo - Categoria(s): Notícias, Reflexão Tags: Dani Suzuki, Sociedade
Il Gattopardo tem suas sensações de irrealidade, ao se deparar com inverossimilhanças de seu tempo. Aqui, é preciso ter a mesma escala de valores da moça, cuja frivolidade é até deliciosa.
O que tem o romance de Giuseppe Lampedusa com isso?
Não me venha com antropologia nanica. A frivolidade nunca é aceitável, quanto mais deliciosa. Leia Veblen e perceba a gravidade do comportamento dessa menina. A futilidade é uma das chaves para entender a ineficiência, a crueldade e a estupidez da nossa sociedade.
Abraços!