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Arquivo de junho, 2009

24/06/2009 - 15:48

Transformers: A Vingança dos Derrotados

Nunca fui grande fã dos bonecos da Hasbro, afinal não vivi minha infância na década de 80 onde o hyppe dos transformers atingiu seu auge. Devo dizer que acho a idéia muito divertida. Carros que se transformam em robôs gigantes é tudo o que um menino pode querer. No entanto, quando esse conceito mais do que simplório dá origem a um longa metragem, o resultado só pode ser rasteiro e infantilóide. Se o diretor do projeto for Michael Bay, então, não haverá nada de bom no filme.

Com uma carreira digna de um chimpanzé, Michael Bay não tem nada a dizer. Seus filmes são sempre recheados de ação desenfreada e sem sentido algum. Um diretor que tem Armagedon, Pearl Harbor e A Ilha no currículo deveria imediatamente pedir desculpas ao mundo cinematográfico pelas atrocidades que cometeu.

Contudo, o que mais me incomoda é a ligação de Steven Spielberg com o filme. Como alguém do calibre de Spielberg produz uma porcaria como essas? Isso eu jamais vou entender.

O primeiro filme dos Transformers já tinha sido algo terrível. Uma trama que não era apenas infantil, era verdadeiramente retardada (Cubo gigante que cai no planeta terra? Robôs ultra avançados que precisam de um garoto para achar um objeto no e-bay? O governo americano pedindo ajuda a uma hacker gostosa?). Entretanto, é incrível como esse segundo filme conseguiu ser ainda pior. Apontar falhas do roteiro parece desnecessário, já que toda a história é um fracasso só.

O incrível é que as pessoas costumam dizer que esse é um filme de ação, o chamado filme pipoca. “Não é para ser levado a sério!” dizem por aí. Realmente, ninguém seria idiota de levar Transformers a sério. No entanto, nem as cenas de ação prestam! Michael Bay insiste em usar um milhão de vezes o slow motion. É muito irritante. E como se entreter com uma batalha se os personagens dela não te cativam?

Chega. Já falei muito sobre algo tão ruim. É uma pena que semana passada eu não tenha tido tempo de escrever aqui no blog. Assisti a dois bons filmes. Apenas o fim do brasileiro Matheus Souza e Intrigas de Estado com Russell Crowe e Ben Affleck. Dois projetos tão diferentes um do outro, mas que mostram que felizmente o cinema não está entregue nas mãos de canalhas como Michael Bay.

Autor: Mário Maximo - Categoria(s): Cinema Tags: , ,
23/06/2009 - 18:02

A sociedade do sobejo

Eu não ia escrever sobre isso. Estava pensando em um post sobre “O Tempo” e a importância filosófica de Santo Agostinho na definição desse conceito. No entanto, meus olhos passaram pelas folhas do jornal de hoje e não pude deixar de ficar indignado com a declaração da “japinha” Dani Suzuki. A matéria parece boba, mas como disse o genial arquiteto americano Frank Lloyd Wright: “Deus mora nos detalhes”.

O fato é que a menina passou 4 dias integrada a tribo indígena Mehinaku para o seu novo programa na multishow, “Pé no chão”. Só isso já seria uma grande idiotice. Esse olhar em busca do bizarro que é direcionado aos índios, além de estúpido e grosseiro, constitui a raiz do vil pensamento civilizatório. Porém, o que mais me chocou foi a seguinte declaração dela: “Passar dias sem o celular não é fácil.”

Ou seja, ela sofre em ficar 4 dias sem um maldito aparelhinho eletrônico. Esse tipo de comportamento é inadmissível. Como alguém pode reclamar de ficar sem o celular enquanto vivencia uma realidade como a dos índios? Diante de uma infinidade de reflexões que ela poderia fazer, ela se limita a sentir falta do seu lado urbano, consumista e pecuniário.

Esse é um exemplo retumbante de que as pessoas na sociedade moderna perderam completamente a capacidade de discernir o que é necessário do que é supérfluo.

Autor: Mário Maximo - Categoria(s): Notícias, Reflexão Tags: ,
18/06/2009 - 18:27

O bom diálogo

Eu odeio o chamado freetalk. Sabe aquela conversa sobre o tempo? “Está calor hoje, não?” ou “Acho que vai chover”. As pessoas falam isso quando não tem mais nada para dizer. É simplismente inútil. Sem sentido. Os taxistas são reis nesse universo. Basta pegar um taxi e você é obrigado a ouvir a viagem inteira coisas sem significado. Ou pior, desabafos do motorista. Uma vez eu peguei um taxi e o motorista relatou sua vida conjugal em detalhes. Disse que a mulher o traía, xingou a coitada e concluiu que tinha vontade de se matar.

cabeleireiros também são ótimos em inventar assuntos. Eu não tenho nada para conversar com a pessoa que corta o meu cabelo, mas ele (ou ela, não sei dizer) insiste em perguntar de onde eu sou, o que eu faço. Insuportável. No entanto, não há nada pior do que encontrar um conhecido, aquela pessoa que você não tem muita intimidade mas sabe quem é. Por uma convenção social estúpida você é obrigado a falar alguma coisa. Não sei porque, mas as pessoas parecem não gostar do silêncio. Há sempre uma necessidade de se falar algo. Qual é o problema de duas pessoas que se conhecem andarem juntas sem trocar uma única palavra?

Eu sou um forte defensor do bom diálogo. Frases vazias e conversas sem profundidade deveriam ser imediatamente abolidas. As pessoas só deveriam começar a falar quando realmente tivessem alguma coisa a dizer.

Autor: Mário Maximo - Categoria(s): Pessoal, Reflexão, Sem categoria Tags: , ,
11/06/2009 - 17:52

O exterminador do Futuro: A Salvação

Essa semana está difícil. Quando será que vou ver um bom filme de novo? A sessão em que assisti Star Trek parece estar tão distante, em um passado glorioso onde o cinema era pura diversão. Esse novo longa da série Terminator foi novamente uma grande decepção (Exatamente como foi o terceiro filme da franquia. Parece que ninguém irá chegar nem se quer perto do talento de James Cameron quando se trata de exterminadores).

O projeto tenta se sustentar nos efeitos especiais empregados nas sucessivas (e cansativas) cenas de ação. Porém, a verdade é que a história não possui brilho. Somos finalmente apresentados a tão falada guerra entre os humanos e as máquinas, no entanto, a trama não se desenvolve a partir daí. Ela simplesmente fica estancada nesse ponto. E o pior. Há várias incoerências com os filmes anteriores. Toda a idéia do universo Terminator é o fato de John Connor ser o líder e salvador da humanidade durante esse período bélico. Quando finalmente temos um filme sobre a guerra, John Connor tem que obedecer ordens de outro? Ele responde a um comando? Que espécie de líder é esse? Aliás, o filme não mostra em momento nenhum porque Connor é tão especial. Discursos vazios no rádio?

Além de um roteiro capenga, nós ainda somos obrigados a ver cenas de ação ridículas de tão absurdas. Não posso aceitar que um exterminador que possui um braço de ferro ao socar o peito de um humano não exploda a sua caixa toráxica. Como Marcus Wright não esmigalhou os pequenos vilões quando estava defendendo seu par romântico? Como se não bastasse isso, no final ainda temos uma explicação no estilo Doctor Evil. Também não poderíamos esperar nada de diferente da dupla de roteristas John D. Brancato e Michael Ferris, responsáveis por catástrofes como A rede e Mulher-Gato. Ainda mais quando o diretor é McG, o indivíduo que trouxe ao mundo As Panteras 1 e 2. Preciso dizer algo mais?

Autor: Mário Maximo - Categoria(s): Cinema Tags: , ,
10/06/2009 - 15:52

A Mulher Invisível

Eu vejo muito mais filmes do que aqueles que eu comento aqui no blog (A sensação da falta de tempo é um dos maiores problemas da modernidade). Fico me perguntando, então, quais “merecem” uma crítica aqui nesse espaço. O critério que tenho usado é simplismente: A minha vontade de falar sobre o filme. Perceba que isso não tem relação nenhuma com a qualidade daquilo que está sendo comentado, ou jamais publicaria esse post. No entanto, depois de ter assistido A mulher Invisível, tenho pensado até onde posso descer. Fico me perguntando se devo escrever sobre qualquer lixo.

A verdade é que Cládio Torres, responsável por essa abominação, deveria largar o cinema imediatamente. Procurar fazer qualquer outra coisa na vida: Cozinhar, andar de bicicleta, talvez estudar, porque para cinema ele não possui o menor talento. Nenhum. Zero. A impressão que tive ao ver o filme era de que a sétima arte estava se desfalencendo, morrendo aos poucos. Algo realmente horrível. O roteiro do filme é recheado de diálogos sofríveis, o tom é completamente machista e a idéia central é tão mal explorada que nos causa ódio e repulsa.

O simpático Senton Mello se perde em um projeto que não consegue aproveitar o seu potencial. Luana Piovani não acrescenta nada ao filme que não seja a sua beleza em cenas de quase nudez. O elenco secundário é desprezível. As melhores cenas do filme (se é que existem) já se encontravam no trailer. O restante da projeção não tem mais nada a mostrar. E o que me deixou mais revoltado: O exercício de metalinguagem no final é tão ridículo que chega a ser mais engraçado que essa porcaria de filme brasileiro.

Autor: Mário Maximo - Categoria(s): Cinema Tags: , ,

04/06/2009 - 14:18

O arquivo da RACE

É incrível como até a Academia caiu em uma lógica pecuniária. Hoje recebi a notícia de que o acervo de artigos em economia RACE atingiu 15.215 títulos! Fica claro que o importante nesse banco de dados não é a qualidade dos textos e sim a quantidade. No passado, os grandes economistas ficavam décadas escrevendo um livro. Um trabalho árduo que exigia reflexão profunda sobre temas complexos e fundamentais. Hoje, os “acadêmicos” produzem artigos em uma velocidade desmedida. Sempre interessados em publicar mais e mais. Nunca preocupados sobre o que estão escrevendo.

A conta é muito simples. Se David Ricardo demorou cerca de 10 anos para escrever seus “Princípios de Economia Política e Tributação”, como é possível escrever uma obra digna em poucos meses? Adam Smith é reconhecido, estudado e lembrado mesmo depois de 2 séculos por apenas uma obra que tomou praticamente toda a sua vida, “A Riqueza das Nações”. Como pode alguém escrever algo com qualquer relevância se publica vários artigos por ano?

Platão ficaria extremamente triste ao constatar no que se tornou o seu projeto de Academia.   

Autor: Mário Maximo - Categoria(s): Literatura, Pessoal, Reflexão Tags:
02/06/2009 - 16:58

Air France voo 447

Estou estupefato com a atenção que o acidente do voo 447 da Air France vem recebendo. Não consigo aceitar esse comportamento desprezível. Por que olhar quando alguém cai de moto? Por que se regozijar com a catástrofe alheia? Por que um acidente causa curiosidade nas pessoas ao invés de aversão? Nos últimos dois dias todas as mídias só falam do mesmo assunto. Esmiuçando o desastre em cada detalhe sórdido, em um exercício de sadismo da sociedade

A mercantilização do sofrimento das pessoas é algo recorrente nos noticiários, o que não diminui o meu espanto sempre que vejo uma manchete sobre alguma desgraça. Graças ao bom acaso, não tenho nenhuma relação pessoal com os tripulantes do voo 447, mas se tivesse, ficaria ferozmente revoltado com a exposição que estão fazendo. Como se ajudasse de alguma forma a quantidade de besteira que está sendo veiculada. Já não é ruim o suficiente quando a desgraça acontece? Precisamos revivê-la a cada 5 min?  

Autor: Mário Maximo - Categoria(s): Notícias Tags:
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