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Arquivo de maio, 2009

28/05/2009 - 20:24

Anjos e Demônios

Deduções inverossímeis, uma trama cheia de buracos, um roteiro inundado de clichês e interpretações descartáveis. Seria dessa forma que eu descreveria o novo trabalho de Ron Howard. Não posso negar que tenho uma certa simpatia pelo filme, pois a sua história está imersa em um tema fascinate. O duelo entre a Religião e a Ciência na época moderna é inquestionável, apesar de sua existência ser muitas vezes negada. Dizem que o mundo precisa das duas ou, então, que elas se propõe a explicar fenômenos diferentes. Mentira. O Choque do pensamento eclesiástico com as teorias científicas ocorre a todo momento, em todas as partes do mundo. Criacionismo x Evolucionismo; A Origem do Universo; A definição de vida; São apenas alguns temas onde a Religião e a Ciência se confrontam. Mas divago, esse é um assunto muito extenso e não é o tema desse post. Vamos voltar ao filme Anjos e Demônios.

A ação comanda essa continuação de Código Da Vinci e em alguma medida o thriller funciona, criando cenas de grande tensão que envolvem o expectador, como o salvamento do cardeal na fonte d’água.

No entanto, as incoerências são tantas que incomodam muito: Como o assassino iria enganar a segurança do CERN cortando o olho do doutor que se encontrava dentro da sala? Se o objetivo era matar os cardeais publicamente, porque o assassino mata o primeiro em uma tumba dentro de uma igreja trancada? Se a explosão era capaz de dizimar o Vaticano e uma parte de Roma, como o carmalengo conseguiu se afastar tanto em tão pouco tempo ao ponto da bomba não atingir as pessoas na praça? Por que o chefe da guarda suiça não avisou a todos da sua descoberta? Se Langdon é um professor de “simbologia” em Harvard com tanto conhecimento sobre o renascimento, como ele não é capaz de ler italiano?

Isso sem considerar as discrepâncias com relação a realidade: O filme diz que somente um cardeal pode ser eleito Papa. Isso não é verdade, qualquer homem é elegível. O Carmalengo não pode ser um simples padre, pelo contrário, ele tem que ser obrigatoriamente um cardeal. A antimatéria não é capaz de gerar energia nem para uma lâmpada. O panteão não é a “igreja católica mais antiga de Roma”.  O termo “preferiti” não existe, o correto é “papabili” e eles não fazem parte de um grupo claramente identificado.

Digno de lástima.


Autor: Mário Maximo - Categoria(s): Cinema Tags:
27/05/2009 - 18:49

Yuuzhan Vongs

Por ocasião de uma nova campanha de Star Wars que se inicia no próximo domingo, resolvi colocar aqui algum texto sobre a saga estelar. Sou fã de George Lucas e de sua maior criação em uma proporção que não consigo explicar. Porém, vou deixar para declarar meu amor por Star Wars em outro post. Nesse quero recordar a primeira campanha que mestrei nesse universo fantástico. Já fazem quase 4 anos desde que narrei a minha versão dos episódios VII, VIII e IX. Ambientada na famosa invasão dos Yuuzhan Vongs, a história contava como a frágil república recém inaugurada tentava sobreviver aos ataques desses forasteiros. O texto abaixo é a descrição da personagem Iara Calisto Dan desses seres:

“Ele tinha uma aparência física similar à base humana, mas suas mutilações e cicatrizes obscureciam qualquer semelhança com a nossa raça. Possuía pouquíssimos fios de cabelo e estes pareciam cobras adormecidas em um ninho. Seu corpo era coberto de tatuagens e feridas abertas, como se ele tivesse orgulho de mostrá-las. Era extremamente alto, bem maior do que um Wookie, e vestia uma espécie de armadura viva. Algo desenvolvido com biotecnologia e que pulsava em seu peito, como se fosse um coração. Porém, nada disso era tão impressionante quanto seus olhos. Eles pareciam buracos que levavam ao infinito do universo, simplismente aterrador. Sua forma de falar era grotesca, lembrava milhares de leões rugindo e cada passo que ele dava deixava marcas de uma gosma verde pelo chão, como se ele sangrasse permanentemente. Isso é tudo o que eu posso dizer, mestre Luke, não sei muito mais sobre esse alienígena. E acho que não tenho muita vontade de descobrir.”

Para os fanáticos pelo universo de Star Wars: Saiu o Atlas Completo da Galáxia muito, muito distante. Não preciso dizer que estou desesperado para ter um. Maiores informações no bit blog.

Autor: Mário Maximo - Categoria(s): Games Tags:
23/05/2009 - 19:34

Barulho

O subúrbio do Rio de Janeiro tem uma característica marcante: As pessoas insistem em ser mal-educadas. O sujeito para o carro em um bar de esquina qualquer, abre o porta-malas e liga um som ensurdecedor. O que motiva uma atitude como essas? O que faz o cidadão acreditar que tem o direito de obrigar os outros a ouvir o que ele está ouvindo? Além de ser obviamente desrespeitoso, caótico, mesquinho, perverso e irritante, o indivíduo ainda está gerando ódio alheio. Inúmeras pessoas incomodadas que poderiam matá-lo para trazer a benção do silêncio de volta.

Eu já estou indo para o segundo comprimido de dorflex. Nesse exato momento há um carro parado na frente da minha casa com uma música que consiste em apenas uma batida altíssima que se repete incessantemente. Viver em sociedade é muito difícil (Hobbes que o diga). E o pior é que isso acontece sempre! O que eu posso fazer? Convocar o Estado para impedir a anarquia soa de forma hilária. Juro que muitas das vezes a vontade que tenho é de fazer justiça com as próprias mãos. Mas aí recordo que essas criaturas são de uma debilidade mental gritante e meu ódio transforma-se em pena.

Autor: Mário Maximo - Categoria(s): Pessoal Tags:
19/05/2009 - 21:38

Economia x Administração

A pior coisa é confundir economia com administração. Acreditar que economia é “como ganhar dinheiro”. As pessoas não compreendem a diferença entre esses dois universos tão distintos. Isso não é apenas entristecedor, revela uma completa falta de consciência sobre os problemas fundamentais de uma sociedade. Estou tão revoltado com isso que decidi escrever um desabafo.

Desde que entrei na universidade ouço essa comparação. Amigos, parentes ou desconhecidos me fazem perguntas sobre minha capacidade de administrar dinheiro. Não apenas os “não-iniciados” se confundem. Os prórpios alunos de economia não conseguem entender a enorme distância que separa esses dois universos. Muitos abandonam o curso porque entraram para um pensando que iam estudar o outro.

Economia é algo muito superior. É um estudo rigoroso sobre a natureza humana e as relações sociais de produção. Remonta as preocupações de Aristóteles e conta em suas fileiras com grandes pensadores, imortalizados para sempre como pérolas da humanidade como Smith, Marx, Veblen, Keynes e tantos outros. Em adminstração não há pensadores. Não é nem se quer um campo teórico.

Economia não é business.

Autor: Mário Maximo - Categoria(s): Literatura, Pessoal, Reflexão Tags:
13/05/2009 - 20:58

Star Trek

Não sou um trekker. Faço juz ao velho confronto entre Star Wars e Star Trek. Como prefiro infinitamente o primeiro, por comparação, acho o segundo bobo, lento, cansativo e cheio de loucuras pós-modernas. Sendo assim, fui para o cinema esperando o pior.  O pouco que sei do universo de Star Trek me dizia que esse novo filme não poderia ser nada bom. Realidade alternativa? Reformulação? Primeira missão da Enterprise? No entanto, minha adimiração por J.J. Abrams (Criador de Lost) me impulsionou a ir às salas de cinema, junto, obviamente, com o meu imenso lado nerd.

Tamanha a minha surpresa quando o filme começa em uma aventura rápida, dinâmica e emocionante. A tal nave da federação sendo esmagada  pelo colosso romulano. Em meio a esse caos nasce Kirk, o personagem que dá alma ao filme. Tenho que reconhecder que o película ganhou a minha simpatia logo nas primeiras cenas, quando mostra o pequeno James Kirk fazendo loucuras com o seu atomóvel “ultrapassado”. Ação e humor no compasso correto.

A história é meio sem brilho, lugar-comum. Novamente, uma tentativa de destruir a Terra. Mesmo a viajem no tempo não tem graça, sendo um artifício evidente para criar um link entre a mitologia antiga e essa nova leitura. O vilão não possui nenhum traço especial, apenas um cara em busca de vingança. O charme de Star Trek reside mesmo nos personagens principais. Spock interpretado por Sylar (Zachary Quinto) é um símbolo interessantíssimo da essência humana, dividida entre a razão absoluta e as emoções intrépidas. James T. Kirk é um canastrão cheio de personalidade. Todo o elenco secundário também é composto por figuras muito agradáveis, desde o médico McCoy até a linguista Uhura.

Não há dúvidas de que a minha preferência continua com os sabres-de-luz. Mas não posso negar que fiquei sensibilizado pela belíssima frase: “Space, the final frontier…”

Autor: Mário Maximo - Categoria(s): Cinema Tags:
11/05/2009 - 12:31

Amazing Rock’n Roll

Pode parecer tietagem, mas não é. Assistir ao show de perto, a menos de dez passos da banda, é infinitamente diferente. Não é só o fato de você poder ver e ouvir os caras como se eles estivessem na sua garagem, é principalmente sentir que eles gostam de fazer rock’n roll, ficar íntimo dos seus pensamentos e entrar em harmonia com a melhor música do planeta. Quando se trata então dos irmãos Gallagher, a experiência é ainda mais inesquecível.

Por isso quando o Oasis anunciou que ia tocar no Rio de Janeiro, não havia outra opção. Era ir para ficar na grade, primeira fileira, custe o que custar. Olha que não saiu barato. Eu e Bruno (amigo sem igual, te devo minha vida, irmão!)  tivemos que chegar na fila às 10 horas, o céu ameaçando desabar em chuva e uma galera muito estranha na nossa frente. O dia ia ser longo. Por sorte o sol voltou a aparecer e nós conhecemos pessoas maravilhosas que também iam chegando cedo. Um beijo especial para a Jeany que fez a minha vida na fila ficar muito mais agradável.

Não que o tempo esperando tenha sido fácil, muito pelo contrário, tivemos que lutar pelo nosso espaço como gladiadores romanos. As pessoas em nosso país não respeitam nada! Quem chega depois acha que tem o direito de passar a sua frente só porque conhece um fulaninho. Muito desrespeito e estresse. Talvez Kuznets esteja certo quando diz que o desenvolvimento de um país está atrelado aos valores compartilhados pelo povo.

No entanto, a expectativa do show fazia cada segundo naquele inferno valer a pena. Quando os portões se abriram e nós, finalmente, conseguimos garantir nosso lugar na grade, a ansiedade deu um salto exponencial. Depois de 8 anos esperando o Oasis voltar ao Rio, faltava agora menos de duas horas para eles subirem no palco. Era só a apresentação do Cachorro Grande que me separava do momento tão aguardado.

Ao som de Fucking in the Bushes, o citibank hall veio abaixo. A multidão entrou em frenesi ao ver Liam se aproximar do microfone e Noel “vestir” sua estilosa guitarra. A emoção e a energia no ambiente eram mais do que contagiantes. A inconfundível intro de Rock’n Roll Star fez minha cabeça explodir. A performance da banda é inigualável. Dizem por aí que a voz do Liam anda ruim, que piorou muito ao longo dos anos e que não passa de uma sombra do seu glorioso passado. Bullcheat. O Gallagher mais novo continua estremecendo com sua voz rápida, enérgica e cheia de personalidade. Isso para não falar da sua presença e atitude. Ninguém é mais astro do Rock do que Liam. O carisma é tanto que você não consegue desgrudar os olhos. Incrível.

Noel, por outro lado, é tranquilo e calmo. Possui espírito de músico e é o melhor compositor vivo. Fato. Além de ser um guitarrista veloz e extremamente eficiente. Sua voz é serena, forte e poderosa. The Masterplan e Don’t look back in anger foram espantosas. Para completar ele ainda estava bem humorado, fazendo piadinha com o tecladista e sorrindo para a platéia. É triste reconhecer isso, mas o restante da banda acaba ficando meio apagada diante desses dois gigantes que são os Gallaghers. Mas o Oasis sempre foi assim. Não que Andy, Gem e Chris tenham decepcionado. Estão em ótima sintonia e possuem enormes méritos. Mas Oasis é Liam e Noel.

 

Fui para casa comovido, satisfeito e feliz. Cansado também, é claro.        

Autor: Mário Maximo - Categoria(s): Música Tags:
05/05/2009 - 21:27

Koan

Um Koan é uma história, pergunta ou assertiva que nos ajuda a compreender algo incompreensível. Normalmente visto como sem sentido e desnecessário, um koan, é na verdade, um convite para a superação da razão. Apesar de ser intelectualmente estimulante e sem dúvida nenhuma muito interessante, eu não simpatizo com essa idéia obviamente oriental. Por que abandonar a razão? Transcender?

No entanto, um grande amigo me contou um Koan e gostaria de compartilhá-lo. O texto é de autoria dele (créditos no final) e foi criado como alusão à Aristóteles:

Um mestre e três aprendizes caminharam até uma cachoeira para uma lição especial. O mais jovem dos discípulos observou pasmo a queda d’ água e não teve dúvidas quando o mestre perguntou: “O que muda nesta paisagem?” ” A cachoeria!” respondeu prontamente o iniciante.

O mestre suspirou e caminhou até o aprendiz um pouco mais graduado, o que estava em nível intermediário. Sem fazer mistério, o mestre repetiu a mesma pergunta: “O que muda nessa paisagem?” “Tudo” respondeu o rapaz com um sorriso esperto.

O mestre não expressa reação e caminha até o seu discípulo mais antigo, seu aluno mais estudado. Esperançoso, o mestre repete a mesma questão: “O que muda nessa paisagem?” “Nada” responde calmamente o mais velho.

Com um tom triunfante completa o mais novo dos três: “Agora eu entedo.”

[Esse Koan foi desenvolvido por Conrado Costa, um amigo que eu muito admiro]

Autor: Mário Maximo - Categoria(s): Reflexão Tags:
02/05/2009 - 17:16

X-Men Origens: Wolverine

Estou passando por uma temporada muito ruim em termos cinematográficos. Há semanas só vejo lixo. Uma sucessão de filmes que faço questão de esquecer: Gran Torino, Che, Dragon Ball, W. e o abominável X-Men Origens: Wolverine. Uma sequência que só foi quebrada pelo divertido Eu te amo, Cara. Talvez por isso não tenho escrito muito sobre cinema aqui no Blog. Está difícil arrancar vontade para escrever em uma fase como essas. No entanto, como todo bom nerd, não posso deixar de comentar Wolverine.

O filme é execrável do início ao fim. Perdão, os primeiros 15 minutos são apropriados. Mostram a tragetória de Logan pela guerra civil norte-americana, na primeira e na segunda guerras mundiais e no vietnã. Mesmo que a participação dos irmãos nesses conflitos nunca seja explicada, as cenas são plasticamente belas e possuem grande energia. No restante da projeção somos apresentados a um exercício de incoerência narrativa. A história é tão esburacada e sem sentido que torna-se uma tarefa risível tentar compreendê-la.

Por que o Dente de Sabre matou o pobre do Bico (Dominic Monaghan, o Charlie do Lost e o Merry do Senhor dos Anéis, para citar dois papéis mais dignos do bom ator)? O que o cara do Black Eye Peas está fazendo no filme? O personagem dele não acrescenta simplismente nada a trama. Como Wolverine com seus sentidos apurados não percebeu que a Raposa Prateada (Lynn Collins, belíssima) estava viva? Por que o Arma XI só tinha poderes de alguns mutantes e não de todos que estavam presos na Ilha? Por que Victor mostra-se tão determinado em matar seu irmão para na cena seguinte voltar a trás? Se o cérebro de Logan regenera perfeitamente, como ele pode ficar com uma sequela e perder parte da memória?

Essa lista de absurdos poderia continuar, acredite. Mas não quero ser cansativo. A verdade é que o roteiro de David Benioff é tão ruim que fica difícil encontrar uma única trama razoável no filme. Quanto as interpretações vale dizer que Hugh Jackman interpreta Wolverine sem grande brilhantismo, apenas de forma eficiente. O destaque vai para Liev Schreiber que faz um Dente de Sabre realmente selvagem e aterrorizador.

Para finalizar, devo dizer que é impensável fazer um filme do Wolverine sem sangue. O personagem é violento, feroz e animalesco. Não é possível retratá-lo com qualidade sem colocar na tela cenas de agressividade intensa. O filme deve jorrar sangue para fazer justiça ao mais grosseiro dos X-men. É, portanto, muito lamentável que esse filme tenha classificação etária de 12 anos. Não há se quer uma gota de sangue na projeção. Inaceitável.

Autor: Mário Maximo - Categoria(s): Cinema Tags:
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