Arquivo de março, 2009
30/03/2009 - 16:52
Encontrei um texto muito interessante em meus arquivos antigos. Ele é da época em que jogávamos DragonLance.
Isso foi antes de eu começar a construir o meu próprio cenário de campanhas, Killarus. O poderoso jogo Dungeons and Dragons capturou a minha imaginação de tal forma que passei horas e horas escrevendo minunciosamente sobre meu próprio universo, um trabalho árduo, no entanto, extremamente recompensador. Depois que comecei a ser o Dungeon Master em meu próprio mundo, os outros cenários passaram a ser deselegantes. Mas esse é um assunto para outro post.
Por enquanto ficamos com um texto antigo da história mais clássica que eu já narrei, Os jardins suspensos de Paladine.
A Nomeação
Há muito tempo o Teatro de Arena dos Cavaleiros de Solâmnia não ficava tão cheio. Bandeirolas presas por todo o ambiente, as estátuas enfeitadas, tapetes e decorações majestosas. Centenas de cavaleiros sentados na arquibancada. Uma multidão de pessoas comuns, corações bravos e sorrisos estampados. Uma cena muito rara em uma época de guerra e destruição.
O evento que conseguiu atrair tanta atenção foi a nomeação do Cavaleiro de Solâmnia, Carlo Arcádio,
filho adotivo de Filipo Arcádio, Cavaleiro da Rosa e líder das 32 legiões do Sul, atualmente aposentado. A popularidade da nomeação foi obra de Lorde Gunthar, amigo pessoal de Filipo e Grão Mestre dos Cavaleiros. Seu carinho por Carlo é grande e sua felicidade pelo mesmo entrar na Ordem foi demonstrada no seu esforço de que a celebração fosse um sucesso.
Quando Carlo entrou na arena, a comoção foi grande. Todas as dezenas de pessoas que ele tirou da miséria e marginalidade gritaram e deram vivas de alegria. Foi um problema fazer com que elas se calassem e ouvissem o que Lorde Guntar tinha a dizer. O Grão-Mestre estava parado na frente de Carlo e fez um discurso caloroso ressaltando as virtudes de um Cavaleiro. Suas palavras foram tão fortes e marcantes que algumas pessoas choraram e bardos anotaram partes de seu discurso o qual transformaram em música dias mais tarde.
Em seguida, Carlo se ajoelhou diante de Gunthar e recebeu a benção da Rosa. A espada do Grão-Mestre tocou os ombros de Carlo e por último, sua cabeça, consagrando-o o último Cavaleiro de Solâmnia desta Era.
Astinus de Palanthas,
Líder da Ordem dos Estetas e o maior Historiador de
Ansalon.
Autor: Mário Maximo - Categoria(s): Games
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28/03/2009 - 18:31

Eu sou um grande fã de Oasis. Melhor. Eu sou um huge fã de Oasis. A banda inglesa de Manchester me conquistou com o seu rock and roll tradicional, filhote do mestre John Lennon. A qualidade de suas músicas é óbvia, basta ouvir a voz melodiosa de Liam e as lestras artísticas de Noel, os famosos irmãos Gallagher. O movimento britpop e as canções clássicas fazem parte da minha vida desde então. The Masterplan não é apenas uma composição para mim, é algo muito maior, difícil de traduzir, próximo a idéia de deslumbramento.
Dito isso fica fácil entender a minha alegria ao descobrir que essa trupe inglesa iria desembarcar no Brasil em maio. Eles farão 4 shows aqui nesse pedacinho tupiniquim do mundo e para minha enorme felicidade, um deles é no Rio de Janeiro! O que é impressionante, pois mesmo com a violência visceral e a desorganização completa da cidade, o Rio continua atraindo shows internacionais. Um bom exemplo para nunca desconfiarmos do poder de um nome, uma tradição. Vamos esperar que tudo corra bem nesse que promete ser um dia inesquecível!
Who feels love?
Autor: Mário Maximo - Categoria(s): Música
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25/03/2009 - 14:58
Pergunto-me qual é o sentido de ler jornal? Toda vez que eu procuro por notícias fico extremamente decepcionado. Não há informações importantes! É tudo tão óbvio. Por exemplo, as manchetes que li hoje: “Crise é risco para o PT em 2010″. Alguém esperava que a crise econômica iria ajudar na popularidade do presidente? “Polícia acha laboratório de cocaína na Rocinha”. Alguém achava que se fabricavam doces na favela? “Trens viajam com portas abertas no Rio” Sério?!? Pensei que o Rio de Janeiro fosse uma cidade de primeiro mundo, exemplo de desenvolvimento e cidadania.
Eu odeio o tipo de jonalismo que temos. Quando as notícias não são óbvias, são falsas ou irrelevantes. Algo muito triste.
Autor: Mário Maximo - Categoria(s): Notícias
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20/03/2009 - 22:46
Quando eu sento em uma cadeira de cinema o meu único objetivo é vivenciar uma experiência marcante. Se eu saio da sala de projeção e esqueço o que eu acabei de ver em poucos minutos, tenho certeza de que o filme que eu vi não valeu a pena. Muitas pessoas discutem acaloradamente sobre o que é um bom filme. Há pessoas que acreditam que bons filmes fazem você pensar, há outras que vêem cinema como somente simples entretenimento e existem aquelas que relativizam e dizem que gosto não se discute. O que é bom para mim, pode não ser bom para você. Eu discordo de tudo isso. Um bom filme é aquele que marca e isso não depende daquele que assiste. A qualidade está na capacidade de aproximar o espectador de um momento de epifania.

Frost/Nixon foi o último bom filme que eu assisti em muito tempo. Desde “Queime depois de ler”, não posso dizer que saí da sala de cinema satisfeito. A quantidade de porcaria infestando a sétima arte é aterrorizadora, assim como as críticas horríveis que inundam diversos sites de cinema pela internet feita por profissionais altamente questionáveis. Mas encerro essa divagação e volto ao belíssimo filme de Ron Howard. A história retrata com maestria a disputa retórica de dois homens desesperados pelo sucesso. Uma real guerra de aparências. O filme mostra indubtavelmente o poder da televisão, como essa mídia é capaz enaltecer ou destruir apenas com uma imagem.
A interpretação de Frank Langella como o ex-presidente ianque, Richard Nixon, é espetacular. Uma aula de como o olhar, o tom de voz e a postura são muito mais importantes do que as semlhanças físicas quando se interpreta um personagem histórico. A cena em que Nixon liga para Frost no meio da noite e discursa sobre suas aspirações é primorosa. Linhas e mais linhas de um diálogo fascinante sobre a natureza política do homem. Palmas para a brilhante idéia de colocar entrevistas com os atores do filme, como se fosse um documentário. A verosimilhança e o realismo que isso confere a narrativa é inacreditável. A fotografia e a música do filme também são soberbas.
Diante dessa entrevista densa e articulada, percebo o quanto as instituições são importantes. O povo americano talvez não tenha nada com isso, mas o país conseguiu retirar da liderança um homem corrupto e apaixonado pelo poder. Nixon foi colocado contra a parede e teve que responder. Se não fosse naquela entrevista seria em outra oportunidade. O importante é que o correto estava mesmo que minimamente em jogo. Isso é o poder das instituições. Não tenho dúvidas de que quando levantei e as luzes acenderam, o filme havia me proporcionado uma reflexão sobre a verdade, o carácter, a essência da política e do poder. Eu estou para sempre marcado pela experiência cinematrográfica que vivi.
Autor: Mário Maximo - Categoria(s): Cinema
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13/03/2009 - 18:36

Watchmen é claramente um filme feito para os fãns do quadrinho homônimo que o originou. Ver reproduzidos na tela de forma precisa os quadros da revistinha é um deleite. Uma catarse. Mas isso não é cinema. A adaptação como o próprio nome sugere exige mudanças que trazem a obra de uma mídia para outra. Infelizmente Watchmen é apenas um “corte-cola” da hq para o cinema. As 2 horas e 40 minutos do filme são confusas, arrastadas e tremendamente cansativas. A história não tem ritmo e a tão alardeada profundida da obra original (extremamente questionável) se perde em diálogos sobre o nada.
Apenas a cena de abertura do filme é interessante, mas ainda assim nada de admirável. São tantas incoerências que fica difícil de acreditar que o trabalho original seja tão cultuado. Por exemplo, se os personagens principais são humanos sem poderes especiais, como são capazes de quebrar paredes com socos e pontapés? Como a Espectral consegue sobreviver em Marte se o Dr. Manhattan esqueceu de lhe garantir as condições para isso? Afinal, ela não precisava só de oxigênio, era necessário também controlar sua pressão arterial e o ambiente hostil, o que a teria matado muito antes. Isso sem falar em personagens que desafiam a gravidade, máquinas que não podem existir e cenários completamente despropositados que traem descaradamente a proposta de realismo da narrativa.
A história de watchmen é completamente datada. Para a trama fazer sentido, o leitor precisa compreender o temor da guerra fria. O medo do apocalipse nuclear. Aflições típicas de uma outra época e que agora são incabíveis. Isso diminui a grandeza da história, pois ela é destinada a um determinado período e acaba perdendo sentido com o passar do tempo. Além disso, watchmen possui diversas tramas que não contribuem em nada para o desenvolvimento da história principal, tornando-o bastante episódico e pouco orgânico. Acredito que a força desse conto são seus personagens. Cheios de angústias e fraquezas tornam-se verossímeis e muito interessantes. Alan Moore consegue torná-los complexos e investe pesado em seus dramas pessoais e na relação entre eles. No entanto, o aclamado autor não é capaz de evitar graves contradições. Primeiro, se o Dr. Manhattan é tão indiferente a humanidade, por que ele trabalha para o governo americano? Por que ele participou da guerra do vietnã? Uma questão que se encontra na essência de tudo isso, por que esses personagens decidem ser heróis? Pareceu legal?
Fico muito entristecido que Zack Snyder assine esse trabalho. O diretor do melhor filme de 2007, 300 e do ótimo madrugada dos mortos, não conseguiu agregar nada nesse novo projeto. Alan Moore é tão esquisito quanto consagrado e não quis que seu nome fosse vinculado ao filme. Não receber crédito por sua obra deve ser algo normal para alguém que vive isolado e cultua um deus-cobra. Dizem que ele não gosta de hollywood e por isso não quer ver seu nome por lá, o que é uma grande besteira, já que todo mundo sabe que foi ele quem escreveu essa historieta.
Autor: Mário Maximo - Categoria(s): Cinema
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07/03/2009 - 23:17
Não gostamos de mudanças. Elas nos assustam. Intimidam. O que é muito compreensivo. O costume de algo nos dá tranquilidade porque sabemos o que esperar. Nos dá a sensação de previsibilidade, tão importante para fazer planos e estabelecer metas. Somos muito afeitos a ilusão de controle. O poder de antecipar o que vai acontecer e ter respostas antes mesmo que as coisas aconteçam. É incrível! Extremamente saboroso. Mas também nos mostra o quanto somos tolos.
As mudanças acontecem. O tempo inteiro. Não temos nenhuma capacidade de entendê-las. A verdade é que estamos cercados por incerteza. O caos governa nosso mundo e nada é mais inocente do que desafiá-lo. Você pode até ter uma pequena e temporária experiência de ordem e disciplina, no entanto, tudo será desfeito antes da sua percepção se dar conta. Não há porque ficar frustrado. A vida é uma inquestionável balbúrdia. Planeje a e acontecerá b. Espere que faça sol e choverá. Imagine seu futuro e descubra a sua impotência diante contingência.
Somos todos idiotas em pensar que podemos combater a improbabilidade. As fiandeiras tecem lentamente os fios que representam nossas vidas, entrelaçando com a dos nossos amigos e dando nó com a dos nossos inimigos. Wyrd bið ful aræd.

Autor: Mário Maximo - Categoria(s): Reflexão
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02/03/2009 - 15:48
Fim de carnaval (o que nos faz acreditar que por mais ruim que algo seja, nós podemos crer em seu fim), a sanidade das pessoas volta ao normal e a vida de maneira geral retorna aos eixos. Para mim é época de voltar a faculdade e não posso deixar de expressar o meu imenso prazer com esse momento. A sala de aula, o templo sagrado do aprendizado; os amigos que nos fazem crescer; os diálogos recheados de sabedoria e espalhados por cada corredor; a crença de que podemos entender e transformar o mundo… Tudo isso é maravilhoso.
Eu me fiscalizo para não escrever sobre economia nesse espaço. Por diversas razões que não cabem nesse post. Agora será muito mais difícil me conter. Hoje marca o momento em que eu volto a respirar economia. Ainda sim, com raras exceções, esse não será assunto deste blog.
Autor: Mário Maximo - Categoria(s): Pessoal
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