O Massacre no Gueto de Gaza
SÃO PAULO – O Ocidente tem imensa dificuldade em
condenar Israel, mesmo quando merece. Só pode ser
má consciência. Afinal, o Holocausto, um dos mais
nefandos crimes que a história registra, não foi
obra de árabes ou de fundamentalistas religiosos,
mas de europeus arianos.
Mais difícil é entender o apoio cego de sucessivos
governos norte-americanos a Israel, mesmo agora,
quando o Estado judeu comete “crimes contra a
humanidade”, como disse Recep Tayyip Erdogan,
primeiro-ministro da Turquia, um raro governante
muçulmano que mantém (ou mantinha) boas relações
com Israel.
A bem da verdade, Israel vem cometendo crimes
contra os palestinos há muitíssimos anos, a
começar do desrespeito à resolução da ONU que
manda devolver os territórios palestinos ocupados
em sucessivas guerras.

Mas é na Faixa de Gaza que a violência atinge o
pico. Neste ano, Israel bloqueou os acessos a Gaza
e transformou-a num gueto de 362 km 2 em que se
amontoam 1,5 milhão de pessoas, 35% dos quais no
desemprego, 35% em situação de pobreza absoluta.
Não se trata de desprezar os riscos que Israel
corre, seja pelo terrorismo praticado pelos
fundamentalistas, seja pelos ataques com foguetes
disparados desde Gaza. Mas adotar punição coletiva
é intolerável, além de ineficaz. Acaba apenas
jogando mais jovens no desespero que é, em parte,
a estufa em que se incubam terroristas.
Não adianta também tentar asfixiar o Hamas, que
governa Gaza e é uma das raríssimas administrações
no mundo árabe nascida de eleições que a
comunidade internacional aceitou como justa e
livre. A menos que se acredite que o Hamas ganhou
porque todos os palestinos de Gaza são
terroristas. Quem acredita nessa hipótese vai
acabar propondo a “solução final” para o gueto de
Gaza. FONTE: FOLHA


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