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Arquivo de abril, 2009

16/04/2009 - 23:30

Future love

Come with me, come with me
We´ll to travel to infinity
I´ll always be there, uh-oh, my future love
I´ll always be there, for you, my future love!

(Gravity´s Rainbow, Klaxons)

————
vejo vocês nos Jurídicos – ou não.

Autor: pululante - Categoria(s): Sem categoria Tags:
09/04/2009 - 20:17

O necessário

é abrir os arquivos. Não tem jeito. Só assim pra gente ter uma opinião (ou não) sobre tudo isso. A gente pode continuar sem saber o que a gente pensa, mas a chance de pensar tem que nos ser dada.

(post lembrado por Emilia, no comentário ali embaixo).
=^)

Autor: pululante - Categoria(s): Sem categoria Tags:
07/04/2009 - 22:02

FHC

disse: “nenhuma pessoa pode ficar feliz com a morte de outra. Mas era uma guerra. E, numa guerra, é um a menos do outro lado.”

Autor: pululante - Categoria(s): Sem categoria Tags:
07/04/2009 - 21:59

O bem e o mal

Não tem um lado bom, não tem um lado mal. Como tudo na vida, lidamos com nuances. E o filme soube contrabalançar essas nuances, sem forçar o espectador a ter uma visão, a formar sua opinião ali, em menos de duas horas.

Eu também não formei a minha. Pra mim, há diferença entre crime político e crime normal. E torturar não é crime político (isso vai influenciar minha opinião sobre a Anistia). Mas não consigo ficar feliz com a morte de alguém. Mas entendi e me sinto em paz por entender o que todos ali sentiram com a morte de Boilesen.

Era um pai morrendo. Era uma ideia, um ideal morrendo. Era um exemplo morrendo. Um marido amoroso, um amigo fiel morrendo. Um senhor de idade. Um capitalista. Um torturador. Um estrangeiro que saiu da pobreza e ficou rico.

Espalharam folhetos explicando o porquê da morte e, como em todas as ações, um militante ficou pra trás para dar o tiro de misericórdia, para assegurar que ele estava morto. Não dava pra reconhecê-lo, de tantos tiros que tomou no rosto, segundo seu filho. Todos os integrantes da ação, exceto Carlos Eugênio e um outro, estão mortos. Apenas um deles de morte natural.

Autor: pululante - Categoria(s): Sem categoria Tags:
07/04/2009 - 21:43

Ao final do filme

Ele é morto. Carlos Eugênio da Paz, ex-namorado da minha mãe, comandou a ação e dá seu depoimento no filme. Foi “justiçado”, como se chamavam as mortes realizadas pelos militantes opositores ao regime.

Pessoas revelam felicidade pela morte de Boilesen, outros dizem que foi um exemplo e um alerta para o restante do empresariado, alguns lamentam a morte de um inocente, sumariamente executado, e as informações sobre o número de tiros dados são confusas no filme (proposital?).

O filho de Boilesen, emocionado, diz que seu pai foi covardemente assassinado e ninguém foi punido. Oportuno, justamente quando se discute a Anistia no Brasil.

Sempre tive sentimentos confusos sobre essa questão. Se por um lado sou contra a morte como punição para qualquer pessoa, por outro sempre tive uma tendência a odiar a ditadura, a tortura, e todas as pessoas que colaboraram para esse período horroroso da história brasileira.

O filme me ajudou um pouco com isso.

Autor: pululante - Categoria(s): Sem categoria Tags:
07/04/2009 - 21:13

Outra ferida

é a tortura.

Eu odeio tortura. Odeio ver cenas de tortura, odeio ouvir falar que houve tortura, odeio piadas sobre tortura (sim, elas existem).

E, apesar de ser bem óbvio que houve tortura durante o regime militar (mais especificamente durante a Operação Bandeirante, que o filme foca por se tratar do que Boilesen financiava), há entrevistados que negam isso: entre outros, Erasmo Dias – tão caquético que dá dó – e Coronel Ulstra – que está sendo processado aos quatro cantos, então plenamente justificável seu posicionamento distanciado, lendo em um papel tudo o que dizia.

Uma das entrevistadas narra uma sessão de tortura a que foi submetida, e menciona a presença de Boilesen. Seu filho nega qualquer envolvimento do pai com o regime, muito menos a informação de que ele teria estado presente às torturas.

“Meu pai era um homem de bem”. O que nos leva…

Autor: pululante - Categoria(s): Sem categoria Tags:
07/04/2009 - 20:52

Coragem

(o diretor, Chaim Litewski, foi corajoso demais ao falar sobre isso. Afinal, quem financia cinema no Brasil? Uma dica: começa com Petro e termina com Bras, só pra mencionar uma. O Roberto Elisabestky, escritor entrevistado no filme, mencionou a vontade de escrever um livro sobre o assunto. Cheio de culhões também.)

Autor: pululante - Categoria(s): Sem categoria Tags:
07/04/2009 - 20:51

Uma das feridas

é a associação entre o empresariado brasileiro e o regime militar.

Um assunto sobre o qual ninguém fala (mesmo porque, aparentemente, todo mundo tem o rabo preso) e que o filme escancara sem dó.
Uma das cenas que arrancou risadas (tristes) do público foi aquela em que aparece uma lista com nomes de pessoas que, por colaborarem com o regime, deveriam ter suas rotinas investigadas pelos militantes. Aparece o nome de Boilesen, de outro integrante do grupo Ultra e de “blá blá blá Camargo”, da…. sim, Camargo Correa.

Minha mãe comentou que, quando eles iam “fazer uma ação”, sempre ficavam de olho pra ver se tinha um caminhão da Ultragaz ou da Eletropaulo (ou Light) por perto, porque era um ponto vigiado e a ação teria de ser cancelada.

É incrível perceber que, desde que os portugueses chegaram aqui, os nomes de quem tem dinheiro são os mesmos, que financiam políticos que são netos daqueles políticos de antes, e que todo o poder está concentrado na mão de, sei lá, quinze famílias que provavelmente ainda vão casar entre si. E seus filhos serão meus calouros, porque se tem algo que dá poder é o Direito.

Não seria mais fácil, já que está na moda, assumirmos de vez que vivemos numa sociedade de estamentos e pronto?

Autor: pululante - Categoria(s): Sem categoria Tags:
07/04/2009 - 20:21

O filme

é muito bom.

Aprendi a gostar de documentários há uns três anos – confesso que tinha preconceitos, assim como ainda tenho com cinema japonês. Aprendi a diferenciar um bom documentário de um ruim. E esse é muito bom.

É ágil sem parecer um clipe, bem didático sem ser chato para aqueles que sabem um pouco sobre o período que retrata (meu caso) e sem explicar demais o que pode ser pesquisado no google depois da sessão. Trata de um assunto pesado sem deprimir, faz rir com uma ironia fina que não tira a seriedade da questão.

Mostra os dois lados, dá o mesmo tempo de fala a ambos, respeita a inteligência de quem assiste sem ficar em cima do muro, deixando claro seu posicionamento o tempo todo. Este posicionamento, inclusive, é escancarado ao final, sem entretanto tornar a questão rasa ou simples. Porque definitivamente não é.

Cutuca algumas feridas.

Autor: pululante - Categoria(s): Sem categoria Tags:
07/04/2009 - 20:10

A história

Boilesen foi um dinamarquês naturalizado brasileiro que veio ao país com nada e se tornou presidente da Ultragaz. Apreciador de festas, bem-humorado, logo fez vários contatos entre os empresários, tornando-se muito popular. Criou o CIEE (Centro de Integração Empresa-Escola), que qualquer estagiário já ouviu falar.

Enfim, “fez a América”.

Envolveu-se com o regime militar, financiando-o, e tinha uma característica interessante: segundo se especula, assistia às sessões de tortura contra os opositores do regime, importando inclusive a “pianola Boilesen”, um aparelho que utilizava choques elétricos em escala no torturado.

Em 1971, foi assassinado por militantes de esquerda.

Autor: pululante - Categoria(s): Sem categoria Tags:
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