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Arquivo de fevereiro, 2009

26/02/2009 - 18:35

FUVEST

(escrito no dia em que saiu a lista)

Voltando do cursinho e pensando na miserabilidade da minha vida atual e do que vai ser todo esse ano, avisto-o: cabelo (ou o que resta dele) azul, rosto em tons de preto, verde, vermelho, camiseta esfarrapada com um “FEA USP” gigante em guache, também azul. Sim, era um calouro (e não bixo, vai tomar no cu).

Já tinha até esquecido que hoje saía a lista. Ainda encontrei uns proto fauanos, o que me fez decidir que iria até o Objetivo ver a lista dos aprovados. Quase na frente da Gazeta, puxei papo com um calouro politreco pra perguntar – depois de parabenizá-lo – se a lista estava na parede. E foi tão bonitinho vê-lo, didaticamente, explicando onde a lista estava pregada! Mal sabia ele que, há seis anos atrás, eu já aprendia a geografia desse lugar.

Dos nomes que procurava, só achei um – calouro franciscano, amigo de longa data. Sentei, nostalgicamente, numa das mesinhas na frente do Bijú.

Nostalgicamente, aliás, foi como fiz todo o percurso: desde avistar o agora feano (”puxa, e Emília se forma no sábado!”), passando pelos fauanos (”Ju se forma logo, também!”), conversando com o politécnico (”calouro do Tetão – pra quem eu contei da própria aprovação no ano passado!”) e… subindo AS escadarias.

As escadarias de todas as manhãs no meu primeiro ano NA cidade. Os cartazes com pessoas bizarras convencendo-nos de que passaremos na faculdade sonhada. Após as catracas, o janelão do fundo todo ensolarado. E as mesinhas… conversas, risadas e pretensos estudos com os novos amigos.
(liguei para um desses velhos novos amigos. Afinal, tinha de dividir a nostalgia com alguém)

É tão bonito tudo isso acontecer no dia em que eu estava avaliando minha nova fase… ter tantas lembranças atiradas na minha cara, ser confrontada com uma fase passada que foi tão importante pra mim… cada vez que eu acho que consegui aceitar que acabou, que eu não sou mais uma universitária, um novo aspecto se apresenta, demonstrando que eu realmente não aprendi a conviver com a idéia.

Mas tem um lado bom: o que aconteceu hoje me fez ver que eu vou conseguir abraçar a novidade de ser gente grande. E daqui a algum tempo, estarei na faculdade observando-a com saudade e nostalgia…. como se olha para algo que já passou, mas que não mais É.

——–
Eu sou muito boba mesmo. ;^)

Autor: pululante - Categoria(s): Sem categoria Tags:
20/02/2009 - 17:19

Quando o Carnaval chegar

(Chico Buarque)

Quem me vê sempre parado, distante garante que eu não sei sambar
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar
Eu tô só vendo, sabendo, sentindo, escutando e não posso falar
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar
Eu vejo as pernas de louça da moça que passa e não posso pegar
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar
Há quanto tempo desejo seu beijo molhado de maracujá
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar
E quem me ofende, humilhando, pisando, pensando que eu vou aturar
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar
E quem me vê apanhando da vida duvida que eu vá revidar
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar
Eu vejo a barra do dia surgindo, pedindo pra gente cantar
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar
Eu tenho tanta alegria, adiada, abafada, quem dera gritar

————-

Sim, pode ser uma referência ao Carnaval, que começa hoje – ou amanhã, para os puristas. Mas aqui é uma referência, e aposto como também foi a intenção do Chico (assim como em “vai passar” ou “apesar de você”) a um período mais feliz, melhor que o atual.

Era pra outro texto estar aqui, um que eu escrevi a mão, no dia do resultado da Fuvest, mas que não postei por falta de tempo. Quando postá-lo, vai dar pra entender melhor.

Por enquanto, o que é importante saber é que tô me guardando pra quando o Carnaval chegar.

Autor: pululante - Categoria(s): Sem categoria Tags:
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