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Arquivo de maio, 2008

21/05/2008 - 14:15

(W) Interusp

Hoje à noite saio para mais jogos universitários: o Interusp. Apesar de estar ferrada em vários âmbitos da minha vida e precisar desse feriado para colocar minhas coisas em dia, optei pela ladainha “o que você vai contar para seus netos”.

E aqui vou eu passar frio, fome, sono e voltar doente. Apesar de não parecer, estou bem empolgada.
Divirtam-se com meus mini-posts aí embaixo, e bom feriado!

Autor: pululante - Categoria(s): Sem categoria Tags:
21/05/2008 - 14:08

Machismo

Do monitor de penal, em uma aula com cinco pessoas (inicialmente eram três):

Eu tinha um professor de comercial, extremamente machista… Não que isso me incomodasse, pois não me afetava, mas ele quase apanhava das moças da sala.

Será que não afeta mesmo, só porque ele é homem? Além, será que não afetar é critério para não incomodar? Por exemplo, eu não sou homossexual (nem bi, nem pan…), mas me incomoda, diria mais, me afeta, haver preconceito contra homossexuais.

Aqui estamos falando em dois planos. Um é incomodar: ainda que não tivesse nada a ver com o monitor, ele poderia se incomodar com o machismo alheio por solidariedade com as mulheres, ou porque ele acha chato alguém ficar fazendo piadinhas machistas, por exemplo. O outro plano é afetar: todos são afetados pelo modo como todos são tratados.

Ou deveriam, pelo menos. Seja porque isso vai influenciar, em algum momento, a sua vida (por exemplo, o modo como as mulheres são tratadas atualmente repercute em como a filha do tal monitor, ou sua esposa, será tratada no futuro), seja porque existe algo chamado compaixão.

Acho que ando um pouco brava demais com o mundo.

Autor: pululante - Categoria(s): Sem categoria Tags:
21/05/2008 - 14:05

Nogueira

É engraçado.
Durante o ano de cursinho, um dos meus professores preferidos era o Nogueira, Moacyr Nogueira Junior, geografia. O cara é muito figura, todo rabugento, desenha mapas à mão livre com perfeição cartográfica e é autor de uma observação que eu repito recorrentemente, sobre os pedintes de ônibus: “não, não podia estar matando, não podia estar roubando! A lei não deixa, não é uma opção!”

Entrou na faculdade junto comigo e cursa a mesma aula que eu, na quinta às 20h. Senta na carteira do fundão e mantém sua cara de rabugento sempre que eu dou uma espiadinha para conferir se é mesmo verdade que ele é meu colega. Na nossa colação de grau, por conta da ordem alfabética, provavelmente sentará ao meu lado.
Muito engraçado.

Autor: pululante - Categoria(s): Sem categoria Tags:
21/05/2008 - 13:50

O acesso à Justiça

Trabalho em uma entidade que presta serviços de acesso à Justiça para a população. Sou estagiária, ou seja, atuo como advogada em casos perante o Judiciário, e sou diretora de estágio, ou seja, supervisiono o trabalho de outros estagiários que fazer o mesmo serviço.
Uma escolha mais do que natural pra mim, que sempre quis, antes mesmo de saber qual carreira ia seguir, “ajudar as pessoas”. Assim que passei na Fuvest, recebi em casa um envelope com informações sobre o Departamento Jurídico XI de Agosto, e soube que, em algum momento, estagiaria ali.
A luta pelo acesso à Justiça é inglória. Enfrentamos dificuldades imensas quando, pelo próprio caráter do serviço que prestamos, deveríamos ter prerrogativas e benefícios. Além disso, problemas decorrentes do modo de funcionamento do DJ, que concede grande liberdade a seus estagiários, atrapalham bastante uma prestação de serviços ideal.
Mas é uma luta que vale a pena lutar, pois significa diminuir a exclusão de um indivíduo da sociedade. Viabilizar, ainda que por caminhos tortos, a cidadania de quem não está acostumado a seus direitos. Possibilitar o direito de defesa a quem nunca tem quem o defenda.
É desgastante, frustrante, muitas vezes não funciona, paga MUITO mal. Às vezes parece com enxugar gelo, às vezes é como apagar pequenos incêndios. Mas é o que tem me convencido a levantar dia após dia.

Autor: pululante - Categoria(s): Sem categoria Tags:
19/05/2008 - 18:41

A arte de fazer Direito

Imagine a cena. Você, gatinha na balada, conversa com um cara interessante, até que surge a fatal pergunta numa conversa entre “adultos jovens”: “o que você estuda?”
Parece simples, não? Porque você não estuda Direito. Ao responder essa palavra de sete letras, esteja preparada para uma expressão de desgosto, tédio, decepção ou, pior ainda, identificação.
Direito é um curso relacionado a pessoas chatas, formalistas, pouco criativas. No jargão popular, “broxinhas”.
Se o interlocutor também estuda Direito (e daí a expressão de identificação), pior ainda: ele vai saber que você faz São Francisco, o supra-sumo da nerdice, e vai te encaixar na categoria “bigoduda”. Pronto, começa uma conversa sobre como você merece os parabéns por ter passado numa faculdade tão difícil, ou então ele simplesmente sai andando.
There´s no way out. Aliás, há sim: terapia ocupacional. Ou qualquer outro curso de gostosa.

=^)

Autor: pululante - Categoria(s): Sem categoria Tags:
09/05/2008 - 11:17

Ó céus, ó vida, ó azar…

Ultimamente tenho me sentido uma péssima companhia. Insuportável mesmo, nem eu me mereço por perto.

Essa semana fiquei doente o tempo todo, após um Jurídicos perdido.

E, quando o final de semana parecia acenar com uma programação interessante…
a maldita história de “mundo-quermesse” vem me ferrar mais ainda a vida.

Puta que pariu, quero um buraco pra me enterrar e ficar tossindo.

Autor: pululante - Categoria(s): Sem categoria Tags:
09/05/2008 - 11:13

Isabella

A mãe se chama Ana Carolina, a madrasta se chama Anna Carolina. O pai se chama Alexandre. O pai da madrasta se chama Alexandre.

Bizarro.

Autor: pululante - Categoria(s): Sem categoria Tags:
09/05/2008 - 11:11

Um dia no DJ

Conversando com minha cliente, que teve uma empresa aberta em seu nome, pergunto se seus documentos já foram roubados:
- Não, não, o máximo que eu fiz, nessa época que eu morava num cortiço e tinha que vender sabão para os vizinhos pra me sustentar, foi distribuir currículo para todos os lugares possíveis.
Ressabiada, fui comentar o caso com a advogada orientadora, que adivinhou:
- Ah, aposto que ela distribuiu currículos por toda a cidade, com todos os dados dela! É muito comum, pegam os dados e abrem várias empresas. Inclusive, melhor você fazer uma pesquisa, porque provavelmente vão ter mais empresas usando o nome dela como laranja.

Que sacanagem absurda.

———-

Conversando com uma cliente (que nem é minha), pergunto seu endereço.
- Rua Expresso-ismo.
- Ahn?
- Expresso-ismo, é difícil mesmo.
- Expressionismo?
- Isso, isso!

Quer dizer, os caras moram numa casa horrível, numa rua horrível, num bairro horrível, não têm acesso a serviços públicos decentes, a transporte, à segurança, à Justiça. Não fosse suficiente, mal conseguem pronunciar seu endereço, quanto mais saber seu significado. Dignidade?

Autor: pululante - Categoria(s): Sem categoria Tags:
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