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Arquivo de outubro, 2007

27/10/2007 - 03:27

E não é que eu sobrevivi?

Acabei de ver o filme “O Passado” (é, aquele do Gael Garcia Bernal, do Babenco, esse mesmo). Ainda não consegui saber o que achei dele. Me fez pensar nos meus ex-relacionamentos (além do momento ser propício, o filme é sobre o assunto), e até agora eu tô assim… pensando.

É claro que eu ainda estou chateada, brava, magoada acima de tudo. Ainda não quero olhar na cara, ainda quero esquecer, apago fotos, escondo presentes. Mas já não sofro como sofria. Acho que agora vou ignorar que tudo aconteceu. Acho.

O que eu sei é que foi uma semana agitada. O que começou com tristeza, mágoa, raiva e medo de simplesmente não agüentar passou para expectativa, certa dose de animação, novo desânimo, velhas lembranças, velhos traumas, novas descobertas, surpresas, e… e.

Saldo positivo? Amigos que me fizeram acreditar que, sim, eu ia agüentar, desde que houvesse apoio: um “tá tudo bem?” num encontro casual no banheiro. Uma tarde inteira falando sem parar. Free hugs e elogios sinceros. Um texto sob encomenda. Um convite pra jantar, uma rosa perfumada. Suportar meus (diversos) chiliques. Respeitar o fato de eu não querer falar sobre o assunto e, dois minutos depois, me ouvir pacientemente debulhando a história pela décima quinta vez.

No meio de tudo isso, ouvi a pergunta “Você é feliz?” e pensei, pela primeira vez, no que responder. A resposta é óbvia se você ouviu tudo o que eu acabei de dizer.

Inspirado por: eles, os amigos.

—-
Se você não se distrai,
Não descobre uma nova trilha
Não dá um passeio
Não ri de você mesmo
A vida fica mais dura
O tempo passa doendo
E qualquer trovão mete medo
Se você está sempre temendo
A fúria da tempestade

Autor: pululante - Categoria(s): Sem categoria Tags:
21/10/2007 - 05:02

Filhos da pauta

- O que aprendemos hoje, crianças?

- Hoje aprendemos que por mais que a gente xingue, grite, esperneie, chore, humilhe, xingue novamente, discuta, berre e xingue um pouco mais, tudo o que a gente quer é apenas que não tivesse acontecido.
Mas isso não dá pra fazer.
Então a gente xinga, grita, esperneia, chora, humilha, xinga novamente, discute, berra e xinga um pouco mais.

- É, crianças, vocês realmente não aprenderam nada.

Autor: pululante - Categoria(s): Sem categoria Tags:
15/10/2007 - 17:05

Amores findos

Fim de namoro é uma coisa complicada.

Primeiro, as sucessivas perguntas “você tá bem?”. Às vezes dá vontade de chorar antes mesmo de responder, às vezes dá vontade de dizer “agora tô, devia ter perguntado durante os últimos dois meses, porra”, mas na maior parte das vezes dá vontade de dizer a verdade: “não sei”.

Depois vêm aquelas questões que não surgiram no momento em que deveriam e agora atormentam a cabeça do ser humano: por quê? Na hora em que terminou, parecia bem simples, “não deu mais” ou então “não há mais amor”. Como se fosse assim, simplesmente. “Mas tudo tem uma origem”, insiste aquela região do seu cérebro que deveria ser extirpada. “Foi por outra?”, pergunta o amigo, e a pergunta encontra simpatizantes fiéis na cabecinha desocupada.

Mas acho que o pior mesmo é o fim em si. É ficar o tempo todo lembrando de como foi, lamentando o que poderia ter sido, e, o pior de tudo, doer ao perceber que ainda existe amor – pelo menos de um dos lados. Um amor desperdiçado, escorrendo pela guia igual àquela água limpinha que sai das construções em São Paulo.

Como alguém me disse uma vez, “nós damos nosso tempo, nosso amor, nosso corpo, e no final somos absolutamente estranhos”. Ou algo assim.

Autor: pululante - Categoria(s): Sem categoria Tags:
02/10/2007 - 01:32

Here I go again on my own…

Acabou. Quer dizer, dessa vez acabaram.

Até achava que esse momento ia chegar um dia, mas nunca achei que fosse agora, com ele… ele.

Vou te falar que dói.

——-

olha, não sou daqui
me diga onde estou
não há tempo não há nada
que me faça ser quem sou
mas sem parar pra pensar
sigo estradas,sigo pistas pra me achar

nunca sei o que se passa
com as manias do lugar
porque sempre parto antes que comece a gostar
de ser igual, qualquer um
me sentir mais uma peça no final
cometendo um erro bobo, decimal

na verdade continuo sob a mesma condição
distraindo a verdade, enganando o coração

pelas minhas trilhas você perde a direção
não há placa nem pessoas informando aonde vão
penso outra vez estou sem meus amigos
e retomo a porta aberta dos perigos

na verdade continuo sob a mesma condição
distraindo a verdade, enganando o coração

na verdade continuo sob a mesma condição

Autor: pululante - Categoria(s): Sem categoria Tags:
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