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Arquivo de setembro, 2007

20/09/2007 - 14:46

Suddenly I see…. this is what I wanna be…

Eu sei que isso contraria tudo em que eu (não) acredito. Eu sei que isso não combina com quem eu sou, como eu sou. Eu sei que isso é surpreendente pra vocês; também é pra mim.

Mas eu juro, alguma coisa acontece comigo nos segundos semestres de anos ímpares.

Tanta bagunça assim não pode ser normal.

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Suddenly I see… Why the hell it means so much to me.

Autor: pululante - Categoria(s): Sem categoria Tags:
03/09/2007 - 14:33

Joaquim Barbosa, a Educafro e a São Francisco

As capas de todas as revistas estampam Joaquim Barbosa, o relator da decisão do STF que acatou denúncias contra 40 indiciados do mensalão. Os motivos para a repentina fama podem ser vários, mas o que ponto comum entre todas as publicações é: “como um pobre, negro e estudante de escola pública chegou ao STF”.

Na terça-feira retrasada, a São Francisco foi ocupada por movimentos diversos que se manifestavam por melhores condições de educação. Dentre os movimentos, estava a Educafro, entidade que luta pelos direitos dos estudantes negros e tem como bandeira a política de cotas. Tal entidade já havia se manifestado na São Francisco em 2004 e 2006, talvez devido à proximidade da sede com a faculdade (ambas estão no Largo de São Francisco).

A ocupação, prevista para durar 24 horas segundo os movimentos, terminou às duas da manhã da quarta-feira, quando o Batalhão de Choque da PM, atendendo a ordens do Secretário de Segurança, por sua vez acionado pelo Diretor, João Grandino Rodas, entrou na faculdade e retirou os manifestantes.

Sexta-feira passada, o presidente do Centro Acadêmico XI de Agosto foi destituído por meio de Assembléia Geral Extraordinária realizada na quinta à noite e na sexta de manhã. Ainda consulta meios de reverter a decisão, questionando a legitimidade de tal Assembléia. O motivo de sua destituição: sabedor, com antecedência, da ocupação, não avisou os estudantes.

A discussão, como podemos ver, poderia girar em torno de diversas questões presentes: desde a legitimidade dos movimentos, passando pela necessidade de o Choque ser chamado, até questões jurídicas, como: “foi esbulho possessório?” ou “a Faculdade é bem público de finalidade específica”.

No entanto, essa pluralidade de questionamentos só ocorreu nas primeiras horas da quarta-feira. Após estabelecermos quem era contra e quem era a favor do quê, o que se viu iniciar foi uma conversa de surdos.

A gente podia ter aproveitado para discutir sobre os movimentos (em vez de apontar que a Gaviões da Fiel assinava o manifesto e com isso desacreditar todas as outras entidades). A gente podia ter aproveitado para questionar a política de cotas (em vez de gritar “só assim pra negro entrar na USP”). A gente podia ter aproveitado para conversar sobre a presença do Choque (em vez de lembrar pela enésima vez que desde a Ditadura a polícia não entrava na faculdade). A gente podia ter aproveitado para falar sobre a função de um Centro Acadêmico (em vez de faltar à Assembléia e se fechar na salinha). A gente podia ter aproveitado para responder ao partido do C.A. por meio do voto (em vez de colocar toda a culpa em seu presidente e destituí-lo a dois meses da eleição).

Mas a gente só soube gritar palavras de ordem e ofensas de cunho pessoal. Porque nós somos a melhor faculdade da América Latina.

(O jeito é aguardar que todos os estudantes de escolas públicas, especialmente os negros, se tornem o Joaquim Barbosa.)

Autor: pululante - Categoria(s): Sem categoria Tags:
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