30/01/2007 - 02:41
Estou lendo um livro sobre a Democracia Corintiana, feito de uma parceria do Sócrates (aliás, procurem no youtube um vídeozinho dele falando da época, é de arrepiar até quem não é corintiano) com o Ricardo Gozzi. Ao mesmo tempo em que admirei meu time daquele período me decepcionei com o atual futebol brasileiro em geral.
O último capítulo que li trata da entrada de Emerson Leão no time, como goleiro. Diferentemente de todas as outras decisões realizadas pelo time (o que ia do hotel em que todos ficariam hospedados, passando por entrada de jogadores novos até eventuais candidatos para a diretoria), essa não teve a consulta de todo o elenco, apenas de três jogadores, sendo um deles o próprio Sócrates.
Tal “desmocracia” era necessária, segundo o próprio filósofo do futebol, porque Leão era (?) uma figura um tanto quanto polêmica, assumidamente autoritário e partidário (naquelas né, ele era mais apolítico que qualquer outra coisa) do regime que a Democracia Corintiana, de uma forma ou de outra, ajudava a minar.
Como mamãe deu educação a todos, os entrevistados no livro não atacam diretamente o atual técnico do Corinthians, mas fica uma coisa meio “ele era autoritário, mas eu o respeito por ter opinião”, ou então “a democracia é feita de debates”.
Os que vão mais longe dizem que ele começou a semear a discórdia no time, o que contribuiu para o fim da Democracia. Os mais elogiosos dizem que os ótimos resultados alcançados graças às defesas do jogador ajudaram a manter a Democracia que, como nos é lembrado a todo momento, dependia de vitórias para continuar.
Achei engraçado ler o livro, feito antes da entrada de Leão como técnico do Corinthians, bem nessa época. Uma época em que o felino técnico é o dono do time, impõe sua vontade a todos, é sinônimo de ditador e assume que “ninguém pode aparecer mais do que ele”.
Coincidentemente, no mesmo dia vi, além da novela Nilmar, uma notícia interessante no caderno de esportes: ao lado de uma foto de um enterro (mais um) do Mustafá pelos torcedores, havia a declaração de um jogador do Palmeiras: “Fiquei sabendo pelo jornal que tiveram eleições para a diretoria do clube esses tempos, mas não sei dizer se a diretoria antiga foi reeleita”.
Não que a Democracia tenha mudado totalmente a mentalidade dos torcedores, jogadores e dirigentes de clubes, mas fez avanços significativos no que se refere a direito e voz do elenco.
Acho que a gente precisa de mais democracias.
Autor: pululante - Categoria(s): Sem categoria
Tags:
02/01/2007 - 12:42
(pequenos parênteses: vocês perceberam como as comunidades no Orkut viraram parâmetro pra tudo? Numa conversa sobre “X”, pra enriquecer sua fala, você se pega dizendo: “é, tem até comunidade no orkut sobre “X”! Numa matéria sobre anorexia, lá vai o repórter – preguiçoso – mostrar as trocentas mensagens nas trocentas comunidades sobre anorexia. Na televisão fofoquística, então, as comunidades do Orkut têm o mesmo peso que pesquisas realizadas por “institutos de pesquisa norte-americanos”. Daqui a pouco, a “máxima Google” transformar-se-á (uaaaau) em “máxima orkut”: O que não está no Orkut, não está no mundo)
——
Essa história de ciúme é complicada. Porque, conforme a situação, é vista como algo nocivo, sujo, bom, prescindível e até necessário.
Por exemplo: ter ciúme de namorado(a), ficante (caaaara, alguém ainda fala ficante?), enfim, de um(a) companheiro(a) romântico (putzzz) é encarado, pela maior parte das pessoas, como algo saudável e necessário para um bom relacionamento, pois “quem ama cuida”. Tirando aquelas pessoas mais elevadas e desapegadas, ou aquelas mais neuróticas, o ciúme de cada um é encarado como algo inerente ao bem-gostar. Mas será?
Quando falamos de ciúme dos amigos, a coisa muda de figura: o ciumento pode ser visto como egocêntrico de achar que os amigos têm de viver pra ele, ou então alguém com “problemas de relacionamento”. O mesmo vale para ciúme entre irmãos, que até é aceito pelos demais, que provocam o ciumento com frases do naipe “vou pegar sua irmã quando ela tiver 15 anos”.
E o egoísmo, o que mais é senão ciúme das coisas? Aquela pessoa que inventa qualquer desculpa pra não te emprestar algo, ou aquela que empresta mas fica o tempo todo vigiando pra ver se você não vai estragar o brinquedinho. Esse sim é intolerável, e os ciumentos estarão condenados à pecha de chatos.
Bom, sei que eu desisti de fingir que não sou ciumenta. Não sou neurótica a ponto de querer ter a senha do email, ou então olhar as mensagens do celular do meu namorado – práticas que eu acho doentias -, mas o meu ar superior desaba ao encontrar a clássica “vagabunda no orkut do meu namorado” (tema de comunidade, inclusive). Com os meus amigos, sou SIM ciumenta, não gosto de perceber que eles têm novos amigos, outros amigos, enfim, uma vida que me transcende (foda-se, sou filha única, vem ni mim). Quanto às coisas, sei lá, tenho um ciúme moderado, mas talvez seja o setor com o qual eu consiga lidar melhor.
Uau. Que libertação! Vamos todos nos dar as mãos e assumir: EU TENHO CIÚME! Fazer uma grande passeata na Paulista, com bandeirinhas, uma campanha nacional, ultrapassar em número a Parada Gay e a Marcha com Jesus (pois o ciúme é maior do que as orientações sexuais e religiosas), deixando de lado as pessoas esnobes e ultra-auto-confiantes que não sentem ciúmes de nada!
(meu deus, quanta bobagem)
Feliz 2007 a todos!
Autor: pululante - Categoria(s): Sem categoria
Tags: