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Arquivo de outubro, 2006

26/10/2006 - 00:27

Calourices

Eleições do Centro Acadêmico. Começaram hoje, e hoje mesmo tive conversas produtivíssimas acerca da política acadêmica que, apesar da forte opinião contrária, me fizeram ficar muito feliz com a existência dos partidos acadêmicos (ou pelo menos com a existência de alguns membros destes).

Enfim. Legal.

Mas o que eu vim postar mesmo é uma conversa do orkut. Bizaaaaaarro, eu sei (pelo menos pro meu blog, hehe).

É que essa conversa me lembrou aquelas de quando eu era caloura, e inclusive com uma pessoa com a qual eu discutia quando eu era caloura. A gente sentava a bunda no pátio com a desculpa de estudar pra qualquer coisa, e passava horas e horas falando sobre tudo, e discutindo sobre política.

Agora, ele é o Minério. Mas nessa conversa de orkut voltamos ao tempo em que ele era o Mineiro, com o cabelo mais comprido, e eu era a Nádia, sem aparelho e mais gordotinha.

Eu entrei no profile dele sem razão e vi escrito algo como “atenção: voto nulo é no Lula”. Scrapei: “você tá sendo sujo dizendo que o voto nulo vai pra ele (nãããão) ou está dizendo que votar nele é como votar nulo?” (gostaria de colar essa mensagem em favor da exatidão, mas o Minério é daquelas pessoas que apagam scraps e deveriam ser mortas por isso, mas isso é outro post…).

Aí:

Gabriel: (minério)
Não sei, acho que as duas opções.. heheh

É que eu acho ilusão usar o voto nulo como protesto (embora o nulo seja muito pop hj em dia)…
Não morro de amores pelo Alckmin (sempre preferi o Serra), mas meu voto é “anti-Lula”. Pra mim, isso sim é instrumento de protesto… Se um candidato lidera as pesquisas e vc vota nulo ou branco, vc tá se esquivando de mudar a situação atual do jogo.

Vc com certeza não concorda, mas a gente discordar em matéria política já é previsível.. heheheh

Nádia:
olha que eu costumava concordar com você, viu? Aliás, acho que ainda concordo: voto nulo pra mim não é protesto.

O problema é que são dois: não vou votar no Lula porque não quero legitimar a omissão (pra dizer o mínimo)em relação a tudo que vem acontecendo. E, aos quatro anos, eu vendi minha alma ao Diabo, prometendo, para obter a vida eterna, que jamais votaria no Alckmin… vê só!

Falando sério. Não consigo ter candidato nesse segundo turno. Não consigo. Se por um lado votar no Lula legitima um monte de coisa errada, pra mim votar no Alckim legitima uma política de segurança pública patética, violadora de TODAS as garantias fundamentais, omissa em relação a seus membros… enfim.

Deprimida, irei justificar nesse domingo. Coisa que, sim, eu havia prometido não aos quatro anos, mas aos 17, quando tirei o título.

Nossa, bonito isso. Acho que vai pro meu blog; tá vendo, orkut pode ser um instrumento tãããão inteligente… mhuahuahuahuah!
(ainda bem que amanhã tem festa)

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Quero ser caloura de novo. Você não?
(Seamus, to sabendo, 6 segredos. Eu juro que eu posto assim que der vacatio legis desse post – aaaaaaa “piada” jurídica!)

Autor: pululante - Categoria(s): Sem categoria Tags:
01/10/2006 - 21:15

Eu, o Suplicy e o nariz de palhaço

Hoje eu votei no Suplicy (e em mais um monte de gente, mas só vou falar desse voto). E fiquei pensando como eu e ele estamos mais ou menos na mesma situação.

Seguinte: não duvido da honestidade dele. Assim como não duvido da desonestidade do PT, melhor, de grande parte do PT. O Suplicy, honesto como é, deve ter ficado num baita drama de consciência ao saber (e não estou dizendo que ele só ficou sabendo pelos jornais, como nós) de toda a sujeirada. Seja porque parte acha que o projeto do partido é bom, e que para sustentar esse projeto vale tudo, seja porque parte ia perder o emprego se não fizesse, seja porque parte quer dinheiro e pronto, o partido da ética pegou a ética e enfiou.

E o Suplicy se chateou, mais do que quando terminou com a Marta: como assim, o seu partido, aquele projeto que ele ajudou a fundar e tomar corpo, se transformou num monstro? E então ele deve ter enfrentado um drama moral, cada dia pensando se saía ou não do partido, quando resolveu fechar os olhos e apenas afastar levemente sua imagem da do PT.

O mesmo se deu comigo nesse período eleitoral. Po, eu voto no Lula desde 89, ia marcar cédula (de papel, crianças, acreditem!) com a minha mãe, ia fazer carreata, era adesivada dos pés à cabeça; aos 17 anos, na minha primeira manifestação do direito ao voto, votei no Lula e o ajudei a se eleger presidente. E daí acontece.

Mas não é só isso! Minha mãe, que defendia com unhas e dentes o Partido dos Trabalhadores, rapidamente se desfilia e inicia franca campanha para a Heloísa Helena. Meu pai, por outro lado, torna-se mais petista do que nunca. Eu, por minha vez, passo a enfrentar um drama moral, aquele proposto quando ainda somos crianças: “você gosta mais da mamãe ou do papai?”

E assim tem sido o último ano: nem tanto ao mar, nem tanto à terra, evitando desempolgar mamãe ou desautorizar papai. Sorrisos amarelos ao ouvir minha mãe listar as qualidades de sua candidata, cara de nada ao andar no carro “discretamente” decorado do papai. E a vontade crescente de aderir à campanha de usar um nariz de palhaço no dia da votação.

Na sexta, as coisas pioram: meu pai pede pra eu ajudar como fiscal do PT nas eleições; eu, ávida por ajudar, pois nessas eleições não fiz nada, aceitei (sim, eu queria ter sido mesária, pode me matar). Só depois fui pensar no incômodo que poderia me causar carregar aquele crachá tão pesado…

Acabou que não precisei ser fiscal. E, ao votar, pensei no Suplicy e em nossas semelhanças.

PS: ainda não há definição acerca de haver ou não segundo turno. E novamente estou entre a cruz e a espada: quero que haja segundo turno, mas tenho MUITO medo do Alckmin: oloco. Ele que come criancinhas, viu.

Frase de hoje: O Lula ainda não sabe de nada. Mas, dessa vez, Freud explica.

Autor: pululante - Categoria(s): Sem categoria Tags:
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