iG
iBest BrTurbo

Arquivo de setembro, 2003

22/09/2003 - 20:49

Elis, Maria Rita, eu e minha mãe

Sexta eu comprei o cd da Maria Rita, a filha da Elis Regina. Pra vocês, jovens que lêem o meu blog, nem deve interessar muito. Mas eu cresci ouvindo Elis, todos sábados e domingos: lá pelas nove da manhã, minha mãe colocava discos dela e de MPB em geral. Nós ouvíamos, cantávamos juntas, interpretando, fazendo caras e bocas, enquanto preparávamos o almoço. Quando comecei a ouvir Maria Rita, esperei Elis. Ledo engano: elas podem ter o mesmo tom, o mesmo tipo de voz, mas são diferentes. Como minha mãe disse, “com Elis, toda aquela força, aquele ranço, eram justificados pela época”. Com Maria Rita, têm-se uma ternura, uma suavidade que sua mãe nunca conseguiu ter. Minha mãe achou melhor. Eu ainda acho a explosão de Elis tudo. Coisas de idade, acho… estou numa época em que tudo que é gritão, explosivo, exagerado é melhor. Já minha mãe… quer mais é sossego. De qualquer forma, Maria Rita é um espetáculo, tanto que já espero os próximos shows da moça por aqui.

E, ouvindo as músicas, só lembrava mais e mais da minha mãe. Resolvi, então, falar sobre a pessoa de quem tenho mais orgulho, mas que sempre acha que não é amada o suficiente. Ainda não trabalhei a parte de dizer essas coisas pra ela, primeiro porque vai se matar de chorar, e segundo porque acho que ainda não estou preparada pra admitir… e sei lá… nunca houve oportunidade. Acho que as mães sempre sabem o que a gente sente, afinal…

Minha mãe é assim: Elis. Exagerada. Boca suja. Gritona. Instável. Chorona. Emocional. Analisada. Passional. Sangue quente. Salvadora da Pátria. Eficiente. CDF. Prática. Engraçada. Complexada.

Enlouqueceu quando eu não comia, achou que eu ia morrer. Se encarregou (e ainda se encarrega) de me controlar nos doces quando eu era gordinha. Hoje em dia, quando eu estou caindo de doente, fala que estou exagerando.

Canta como a Elis. Não tem a voz igual, mas a interpretação… Ah! Que show! Seria uma atriz de mão-cheia. Resolveu ser médica, pra salvar o mundo. Não sei se consegue, mas ao vê-la comemorar a cada bebê negativando o exame de HIV ou chorando a cada paciente morto, ela salva o MEU mundo. Me mostra que ainda tem gente decente, que se importa com os outros – não as pessoas próximas, os outros OUTROS-, e que eu posso tentar ser uma pessoa assim.

Me pega no meio da sala pra dançar, não importa se tem amigos, namorado ou pessoas estranhas por perto. Engata um bolero que em 18 anos ainda não consegui acompanhar, ou então um “dois pra lá dois pra cá” nervoso. Dança muito bem, dançava lambada sentada comigo quando eu tinha uns 7 anos e sempre chora quando me vê dançando ballet.

Chora com tudo, até com propaganda de margarina, como eu digo pra ela.

Senta de frente para a porta nos restaurantes, acorda com qualquer barulhinho, reconhece as armas dos filmes. Herança dos “Anos de Ferro”. Me ensinou a roubar um carro seguindo a estratégia e a ética da luta armada. Não sabe o quanto me orgulho e me emociono ao contar que ela fez parte de tudo isso. Acha toda essa idolatria e essa “moda” da luta armada uma bosta.

Fala muito palavrão, inclusive canta musiquinhas imorais. Me ensinou todas elas quando eu era pequena…canta até hoje a música que cantava comigo quando eu mal falava. Me chama de apelidinhos – na frente dos outros, também – , aperta minha bunda, fala com voz de bebê, acha que eu não cresço, se surpreende quando eu não caibo nos seus braços.

Perdia noites de sono cantando pra me fazer dormir na rede na beira do rio. Perde horas me contando tudo isso de novo. Morre de raiva da destruição da “casa da Barranca”, como chamávamos a casa na beira do Rio Ribeira. Fez parte das Diretas-Já, me levou pro Impeachement, participou de trocentas campanhas, me colocou todas sa camisetas, adesivos, bandanas… e ano passado estranhou minha vontade de participar da campanha. Chorou abraçada comigo ouvindo Lula-lá, ao perceber que tinha sido meu primeiro voto (a primeira eleição não tinha sido MESMO… hehe).

Não sabe posicionar as vírgulas nos textos. Sempre dou uma mãozinha. Sabe achar sozinha de onde vêm as fórmulas de física, química, matemática, e se ilude achando que eu vou entender. Se irrita quando eu não entendo, na verdade quando não quero entender. Acha que estou sempre de má-vontade com ela. Me deixa triste quando acha isso.
Me faz chorar ao escrever um texto sobre ela… =´ )

Mãe… Te amo.

PS: eu ia colocar a letra de uma música, “Pagu”, do cd, que julguei ser a que minha mãe mais tinha gostado (antes de falar com ela). Antes disso, ela me ligou e confirmou o que eu achei: “virou meu hino, fico cantando o dia inteiro aqui em casa”.

Autor: pululante - Categoria(s): Sem categoria Tags:
17/09/2003 - 21:58

OIoi!

Não sei se vocês já sabem, mas desde que me mudei pra Sampa tornei-me uma pessoa mais culta, vendo muitas exposições, mostras, peças, shows, etc… Então resolvi que o tema desse post seria o Simpósio do qual participei, na segunda e terça (ontem).

O tema era Machado de Assis e Eça de Queiroz. Era um projeto em parceria da PUC-SP e UNICAMP, primeiro do gênero, e trouxe também nossos patrícios portugueses.Confesso que é difícil entender o que o lusos falam, mas as mesas-redondas em que eles estavam eram sempre as mais interessantes, e seus debates, os mais acalorados. Antes de continuar, uma ressalva.

RESSALVA: quem não quer ler a parte em que discuto literatura, favor passar ao subtítulo “Um conceito de perfeição”.

Quem acha o “Memórias Póstumas” um porre e dorme sempre que tenta ler “O Primo Basílio” já deve ter desencanado de ler esse texto. Pois bem, saibam que compartilho da opinião de vocês: eu nunca li “Memórias” inteiro e realmente bocejei em praticamente todas as páginas que li de ” O Primo Basílio” (que foram apenas umas quarenta). Mas eu acho que sei qual é o problema: ninguém explica a obra, interpreta mais profundamente, simplesmente joga-se na mão do aluno e espera que ele sozinho tire suas conclusões. Tem que ter espaço pras duas coisas; eu só comecei a gostar de literatura quando vi que se podia conversar sobre ela, fazer suposições, viajar nas intenções do autor. Comecei a me interessar sobre o “Memórias” quando finalmente me explicaram o que era aquele capítulo cheio de exclamações, reticências, entitulado “O velho diálogo de Adão e Eva” (era a descrição sem palavras da primeira noite de amor de Brás e Virgília, considerei de uma “finèsse” impressionante). E até hoje acho o máximo o fato de “O Primo Basílio” conter uma cena que insinua sexo oral, numa época em que ele nem existia (hahahhahahhahahha – tá bom).

O que costuma acontecer também é focar a atenção apenas em algumas obras e esquecer-se de outras. Eu AMO Machado… mas não pelo Memórias Póstumas, que considero uma obra-prima, mas não faz o meu gênero literário, e sim por seus contos mais do que ótimos. Muita gente descobriu esse ano, no cursinho, que ele tinha feito contos. E “O Mandarim”, de Eça? Alguém sabe do que se trata? Pois é…

UM CONCEITO DE PERFEIÇÃO

Vamos agora ao meu assunto inicial. Logo na primeira palestra da segunda, a Profa. Dra. Isabel Pires de Lima (Universidade do Porto/Portugal) nos falou sobre três personagens presentes na obra de Eça de Queiroz: Fradique Mandes, José Matias e o Ulisses (da mitologia grega) e sua relação com o conceito de perfeição.

Os dois primeiros têm em suas amadas verdadeiras deusas que adoram por sua perfeição e a quem recorrem quando cansados da imperfeição mundana.

Fradique, após entregar-se à contemplação, consuma o amor carnal e termina o relacionamento com a justificativa de que queria manter o sentimento como estava, antes que esse se tornasse imperfeito, e portanto humano.

José Matias permanece apenas na contemplação, sem nunca consumar sua adoração. Mesmo tendo a chance de se casar com sua amada, recusa-se. Ela casa-se duas vezes, arranja um amante, e ele permanece fiel, até sua morte física.

Já Ulisses, humano elevado a herói por suas ações e que ganha o amor de Calipso, experimenta a perfeição da Deusa mas ressente-se de saudades de Penélope, sua amada mortal e humanamente imperfeita. Acaba por retornar a sua Penélope, já que é “demasiado humano para apreciar a perfeição”.

Isso não te remete a algo? À busca incessante do ser humano pela perfeição? Eu achei muitíssimo interessante o modo como é tratado o assunto, e acho que existem pessoas para esses três tipos de comportamentos. Eu, particularmente, me considero uma Ulisses, com defeitos demais para merecer/apreciar algo perfeito. Mas esse post não foi feito pra exibir minhas conclusões e nem para parágrafos e parágrafos de argumentos meus. É só pra fazer pensar… e, claro, quero comentários aqui com suas conclusões!

PS: Ainda no assunto “vida cultural”, fui à Exposição do Tate Gallery na Oca do Ibirapuera, com produções inglesas a partir de 1960 e uma obra me marcou mais que todas: na parede, várias “fotos” de lápides (não sei se verdadeiras) de pessoas que morreram salvando a vida de outra (s). Tem mãe que salvou filho de afogamento, criança que salvou irmão de atropelamento, outro que salvou um estranho. Na parte central-baixa da obra, uma lápide que continha os dizeres: “STRIVE TO BE YOUR OWN HERO” —> “EMPENHE-SE EM SER SEU PRÓPRIO HERÓI”. Pois é.

Autor: pululante - Categoria(s): Sem categoria Tags:
13/09/2003 - 00:12

Oioioioioioi (”powered by Ná”, só pra compensar a ausência)!

Ê lelê… tô me achando… tantos comentários ao meu último post inflando o meu ego (inclusive estou aqui me debatendo com ele, não cabemos os dois em frente ao pc) que resolvi respondê-los e “explicar” alguns. Hoje estou meio travada pra escrever… acho que é a falta de prática hahahha…

Começando do início… a Giovanna, extremamente phopha, relembrou da fase em que éramos melhores amigas (durou até a sexta, sétima série) e manifestou sua saudade pelo Jacob, meu professor de história geral e ídolo das meninas nas horas vagas. Aliás, quem quiser ver foto dele, entra em www.humanasp5.cjb.net.

Depois, a Lívia, gente fina que só ela, que sempre me tratou bem desse jeito (e olha que faz teeeeeeeempo que a gente se conhece hehe), diz que não entende como podem não gostar de mim… Sentiram a pressão? NÁDIA, IMPOSSÍVEL DE NÃO GOSTAR! Hahahhahaha…

Fabinho…ou Fábio Henrique Nunes Dall” Acqua… .Conheço a peça há pouco tempo.. tipo uns 10 anos. E como sempre hehe… pergunta se não é impressão minha… neurótica, eu, imagina! E o simpática e madura, principalmente MADURA… valeu Fabinhoooo!

Juw… fico sem graça de falar essas coisas em público, mas olha que namorado mais…tudo: começa dizendo que é suspeito (e é) e passa a “uma das pessoas mais interessantes que já conheci” (não sabem como gostei disso). Discordo da parte de “sendo simpática com todo mundo”, com todo mundo também não né, hehe… E comecei a perceber que realmente tem muita gente que se importa comigo, e isso foi muito bom de notar. E sei com quem posso contar sim… (t.a.). E não, não mudarei meu jeito, para a felicidade geral da nação (ou pelo menos pra minha)!

O próximo quem escreveu foi a Juliane, lá de Curitiba, com quem nunca conversei/teclei, mas meio que conheço por intermédio do seu blog (www.dancaravida.weblogger.com.br) e do Cristiano. E, bom… mais uma que levanta a tese de que eu possa ter viajado um pouco em relação à suposta “rejeição”. É possível… hahhahaha. Também conta da sua falta de auto-estima, um assunto que já pensei em “exorcisar” (é assim?) aqui no blog, mas ainda não amadureci a idéia o suficiente. Quem sabe.

Então chega a minha prima, a Helaine, amor de pessoa. Tá enfrentando uma barra agora,de cabeça levantada, uma força impressionante! Também gosto de você, menina, e não entendo como pode ter gente que se incomoda com a sua presença, como você conta. Porque você é alguém que agrada muito facilmente… mas como você mesma disse: FODA-SE, né? (vou voltar a adotar esse método, creio eu). E sobre o seu segundo comment… liga sim, viu, em qualquer momento.

Celso, profético em suas palavras a respeito do marketing…. 16 comentários sem nenhum tipo de divulgação… tá vendo… nem se eu tivesse feito de propósito (só um pouquinho, na parte final) dava tão certo! A nota me envaideceu totalmente, e pra você ver o resultado… estou penando pra postar agora… hahhaha! Quanto ao terceiro item… acho que perdi o apoio, né? Demorei um catzo pra postar um texto em homenagem ao comentários do meu post passado… hahhahahhahaha

Alan, primo, coloca a culpa em fatores externos… hahhaha manifesta seu amor por chocolate (tenho comido taaaanto por aqui, acho que engordei, humpf), álcool (não acredito que seja hahahha) e seu ódio pelo inverno (tá um frio desgramado aqui). E aproveita pra comentar sobre a irmã da Ju, mata dois coelhos com um comment só kkkkkkkkk… A Chave em questão é a Kelly Key, pra quem não sabe teve show dela em Régis City sábado passado e ele foi… que vergonha ter um elemento desses na minha família!

Bruno, quanto tempo! A gente andou junto o terceiro colegial inteirinho, ficava a tarde na rua, em casa vendo TV, na escola, ia pra academia… que saudade dessa época! Foi quando elaboramos o “NINGUÉM GOSTA DE MIM!” e “TODO MUNDO ME ODEIA!”, pra uma situação parecida. Eu sou especial, UEBA, é muito bom saber que ele (ainda) acha isso, e fiquei muito, mas MUITO curiosa de pra saber sobre o tal namoro. Quanto ao gatinha… ahaha.. MIAU.

Fabrizio… conheço há uns… 4 anos? Eu servia de pombo-correio pra ele (lembra disso?), dando recados pra namorada da época (não que ele tenha uma a cada época, calma lá), depois não nos vimos por um bom tempo, e agora… estudamos no mesmo corredor do Bijú. Eu, ele, Frê, Fabiano, Fred e Bia (ela tá na minha sala ainda por cima hhaha), todo mundo de RGT no cursinho da Paulista. Sempre estamos nos trombando.

Ana… nunca a vi escrever tanto… hahahha.. se tivesse essa mesma empolgação nas aulas de inglês que fizemos juntas… E faz diferença saber que você gosta de mim sim, e eu também acho que quase todo mundo passa por situações assim, e mesmo que não assuma, uma “importanciazinha” teve. “Embromations/embromeixons”, a que ela se refere, são aquelas palavras em inglês que são apenas um “tion” do português, por exemplo: emotion, information, e por aí vai. Eu que inventei hehe… e do jeito que ela fala, que todo mundo parava pra ouvir minhas histórias, deu um clima “Forrest Gump” (run, Nádia, run!), diz que não! Sim, vou mandar pra pqp, pode deixar. Pra terminar, a musiquinha que ela “canta” no segundo comment… é aquela do Organics (será que vocês lembram?), e nós (não só eu, viu, Ana?) cantávamos no meio da aula, fazendo a vozinha fina e tudo o mais.

Quero agradecer a todos, os que comentaram, os que leram, os que pensaram “humpf!”, e os que acharam uma bosta… hahaha hoje eu tô feliz e agradecendo loucamente… Brigada também pro meu primunhado Juy, que tinha tudo pra não gostar de mim quando me conheceu (pedido infantil!) mas virou um amigão. Ele não conseguiu comentar mas depois veio conversar no ICQ.
Beijos e depois eu posto algo estilo Nádia… sabem né… revoltas… temas polêmicos… tristes…longos.. (mais do que esse?). É que hoje me deu vontade de dizer obrigada.

Obrigada!

Autor: pululante - Categoria(s): Sem categoria Tags:
Voltar ao topo