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iBest BrTurbo
30/10/2009 - 15:43

Tender

Aconteceu uma coisa legal e eu queria contar pra alguém.

Mas esse alguém não podia ser uma antiga paixão, que tanto me fez mal e de quem mantenho uma distância segura. Nem um amigo próximo que hoje está distante (apesar de que, talvez, ele gostasse de saber). Também não poderiam ser minhas amigas do quarteto, que são tão mais inteligentes que eu e não ficariam tão animadas quanto eu gostaria. Muito menos meu eterno-melhor-amigo, que não fala mais comigo. Meu ex-namorado, com quem eu tento ter uma amizade? Nem pensar. Ele? Também não, me conhece há tão pouco tempo, não entenderia a dimensão da notícia. Jamais contaria pra minha mãe, não quero dar esperanças falsas. Não pode ser aquele gosta tanto de mim e que acha tudo o que eu faço bom, seria egoísta da minha parte usá-lo para obter elogios. Amigas de fora da faculdade festejariam, e muito, mas eu queria contar pra quem entendesse.

Queria contar pra quem me viu angustiada nesses últimos tempos e que entendesse esse sentimento tão bom por uma coisa meio boba, mas que é ao mesmo tempo um grande feito pra mim.

Queria contar pra quem soubesse o quanto eu questiono meu intelecto e minha capacidade nesses momentos. Só poderia contar, em primeira mão, pra uma pessoa que soubesse tudo isso.

Aí lembrei do meu verdadeiro eterno-melhor-amigo. Aquele que sempre está por perto, que é essa pessoa – e espero que isso não mude. Mandei um SMS, pois não posso esperar pra nos encontrarmos amanhã, no Rio: “Achei um projeto de mestrado! =^D bjo, chuchu! Nos vemos amanhã, weeeeeeeeeeee”

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Inspirada pelo: pó da biblioteca. E Blur.

Autor: pululante - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , ,
25/10/2009 - 23:40

Little women

Sempre achei que me dava melhor com homens. Talvez porque me irritassem algumas características da personalidade feminina (melindragens bobas, egocentrismo, vaidade ao extremo), talvez porque seguia o senso comum de que “não existe solidariedade feminina”. Bobagem.

I love my boys, but I love my girls even more. Não só as minhas, mas todas. Até as características irritantes das mulheres fazem parte da tal mística feminina, uma coisa que me encanta mas que talvez me falte – possivelmente a razão pela qual me encanta. Me sinto uma iniciante nessa complexa – não pensem que é fácil! - tarefa de ser mulher, e ainda tenho muito o que aprender antes de deixar de ser menina.

Não vou cair na bobagem de fazer um texto lírico e elogioso sobre as mulheres, porque exatamente aqui essa delicadeza me falta. Nessa hora, eu sou um homem, daqueles que não sabem o que fazer com o que sentem nem como se expressar sem ser de uma forma direta e seca demais.

Então vamos a uma coletânea de idéias sobre o tema.

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Durante uma festinha no trabalho, onde somos 14 mulheres e um homem – que é chefe e marido da chefe -, surgiu a discussão “mulheres nos concursos públicos”. Tentei expor meu ponto de vista mas, como sempre em uma discussão casual, a questão não foi muito aprofundada. Acontece que, na Magistratura, há uma certa resistência à admissão de mulheres, já que o juiz sempre deve ser uma figura imparcial, neutra e de autoridade. As mulheres, com sua tendência à emotividade excessiva, não desempenhariam bem esse papel. Assim, para ser aprovada em um concurso, nada mais justo que a candidata tenha seu autocontrole testado, sendo submetida a um verdadeiro teste psicológico para ver se aguenta o tranco.

Ou seja, pra ver se ela se comporta como homem.

Eu acho que o mercado de trabalho – e o serviço público, e a sociedade em geral -, ao impor às mulheres o modus operandi masculino, perde muito. Perde no que nós, mulheres, temos de melhor: a intuição, o sentimento, o cuidado com detalhes. É claro que o juiz tem que ser uma figura imparcial e demonstrar autoridade; não acredito, entretanto, que isso seja sinônimo de masculinidade. Ou vai dizer que a sua mãe não era uma figura de poder?

Uma das meninas, no trabalho, mencionou que foi feita uma pesquisa que demonstrou que as executivas se desgastam mais no trabalho porque choram mais. Sim, mas não temos muitas pesquisas que demonstram que elas cometem menos erros, trabalham melhor em grupo e que como líderes conseguem extrair o melhor dos seus subordinados, em comparação aos chefes homens? Será que chorar de vez em quando realmente prejudica tanto assim o desempenho de um empreendimento?

A gente perde quando tenta impor um padrão de funcionamento ideal, omitindo particularidades dos gêneros que podem ser muito benéficas. Criamos – voltando ao tema da discussão entre coxinhas e refrigerantes no trabalho – juízas que, com medo de cometer (é esse mesmo o verbo) qualquer sensibilidade que afete sua personagem durona, acabam por assustar partes e advogados em virtude de seu autoritarismo exacerbado. Por medo de parecer mulher demais, ela acaba por parecer gente de menos. É isso mesmo que queremos?

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E aí que é complicado falar de mulher e não falar de maldade.

Anticristo, vamos lá. Assisti com uma mulher (ela sim já sabe ser mulher, com seus olhos azuis de gata, seu jeito calmo, nada desconfortável em sua posição feminina) e foi bem chocante. Mas misógino? Não creio. O problema é que muito se fala na maldade feminina, mas quando ela é exposta vira misoginia.

Não acredito em generalizações. “Toda generalização é burra”, e aqui estamos generalizando de novo. Sou contra quem diz que mulher é maldosa, assim como quem diz que gato é traiçoeiro. Só pensa isso quem não consegue ver profundidade no ser humano – ou quem nunca teve gatos. Mulheres podem ser maldosas e boas e ruins e caridosas e solidárias e afetuosas e assassinas. Aliás, UMA mulher pode ser tudo isso. Aliás, qualquer um pode ser tudo isso.

E por que imputar às mulheres a pecha de competitivas, falsas e pouco companheiras entre si? Eu tenho uma teoria: falta de futebol. Os homens têm sempre uma forma de lidar com sua competitividade pela fêmea mais fértil, pela melhor caça, pela caverna mais bem localizada: esporte. As mulheres, educadas para serem bonitas, mães, bem sucedidas – nunca esportistas -, não têm essa possibilidade de dar vazão a tais sentimentos destrutivos. Uma hora ou outra acaba acontecendo um deslize.

Meu testemunho, de quem já chorou em muito ombro e já ofereceu o ombro pra muito choro, é o seguinte: quase nunca o ombro em que eu chorei era um ombro peludo; quase nunca as lágrimas derramadas pertenceram a um rapaz barbado. E elas fazem o melhor cafuné. =^)

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Vovó está indo… acho. Cada vez come menos, cada vez se desespera mais com sua velhice. Já sinto saudades, mas sei que vovó precisa ir algum dia, e melhor lúcida e relativamente saudável, aos 93 anos, do que de qualquer outro jeito. Não sei como vai ser quando for comigo. Estarei sozinha? Terei alguém pra cuidar de mim? Eu vou aguentar? Se hoje em dia me deprime lembrar que eu era mais magra, que eu era bailarina, como vai ser quando eu não mais puder andar?

Como vai ser cuidar da minha mãe? Como vai ser ver essa mulher tão forte finalmente fraca?

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Inspirado por: feminices recentes.

Escrevi ouvindo: Blur, não sei bem o porquê.

Autor: pululante - Categoria(s): Cinema, Esportes Tags: , , ,
25/10/2009 - 22:48

Nanananana

Tenho estado tão volátil.

Se antes as coisas costumavam ser tão certas e definidas pra mim, os últimos meses têm sido um ano a cada semana, eu tenho sido uma pessoa a cada dia, tenho querido uma coisa a cada hora.

O engraçado é que ao mesmo tempo eu tenho definido tanta coisa ultimamente, tenho tomado tantas decisões que tinha postergado até então… completamente paradoxal.

Paradoxal também é o fato de, mesmo me sabendo tão volátil – será que eu sei mesmo? -, tenho embarcado em cada nova experiência como se, agora sim, fosse me firmar. A última novidade está aí ainda, há pouco mais de uma sólida semana, e me assusta a importância que está tomando na minha vida.

Me assusta e eu gosto.

Tenho estado tão feliz.

Autor: pululante - Categoria(s): Pessoal Tags:
12/10/2009 - 07:14

Bye bye Brazil

Hoje é dia de viagem!

E eu liguei pra dar tchau, mas não consegui, como sempre, dizer o que queria: que estou muito orgulhosa, extremamente ansiosa e feliz, feliz, feliz pela Milena! E que as saudades já doem…

Ela queria lágrimas e estava apreensiva porque ninguém chorava… hoje eu chorei.

Autor: pululante - Categoria(s): Pessoal Tags:
03/09/2009 - 15:37

“A vida me fez rude”

Fui ler emails de começo de namoro. É, eu sei.

Senti saudades de quando me apaixonar por alguém não era necessariamente arranjar um problema (assunto que pode vir a ser desenvolvido). Mas além disso, percebi o quanto eu envelheci, ou melhor, o quanto me tornei menos alegre (será isso envelhecer?).

Os emails eram cheios de risadas, histórias pra contar, pequenos encantamentos (e desencantamentos) do dia-a-dia de quem estava no terceiro ano da faculdade e descobria tanta coisa.
Eu queria contar – e contava – tudo o que estava fazendo, o que tinha deixado de fazer e meus planos para o dia seguinte. O que tinha comido, o que queria comer, a fome que eu sentia. A música que eu ouvia.

Fazia isso de forma charmosa, em uma escrita pensada e ao mesmo tempo descompromissada, porque escrever daquele jeito era algo natural. Recheava de piadinhas que compunham meu repertório, inventava outros, incluía referências do mundo pop e ria. Ria de mim mesma, ria de tudo.

Os emails não demonstravam pressa. Eram escritos com dedicação, para serem lidos atentamente e apreciados como deveriam. Mesmo os emails para as meninas, contando dos emails de começo de namoro, eram assim.

Os emails de hoje são rápidos, economizam palavras, piadas, cuidados, tempo. São informativos, comentam a situação, de vez em quando riem, mas em um “hahaha” rápido, que se virarem gargalhadas tornam-se “huahauhauha” e pronto.

Não têm o mesmo charme, não me dão vontade de conhecer melhor quem escreveu. Às vezes, não devem nem dar vontade de ler, talvez se o conteúdo importar. Mas a forma, ah, a forma, essa já foi tão mais interessante…

Eu já fui mais interessante.

Autor: pululante - Categoria(s): Pessoal Tags: , ,
24/08/2009 - 15:10

O inferno são os outros

Tanta gente morreu nesses tempos. Tanta gente teve sucesso nesses tempos.

Eu, que tenho alternado estados de espírito com a mesma velocidade que a cidade vai da chuva ao sol, também vario meus sentimentos quanto ao que acontece.

Se os meus problemas são menores, quase fúteis, diante daqueles que vestem luto, meu fracasso é ainda mais evidente diante dos que alçam vôos cada vez maiores.

E fico assim, no limbo, incapaz de sentir tristeza profunda e alegria extrema porque sempre vem uma emoção contrária a me atropelar. No fim de tudo, o que fica é uma melancolia profunda e a nostalgia, sempre ela, grande candidata a ser minha companheira pra vida.

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Inspirada pelo: começo da terapia.

Autor: pululante - Categoria(s): Pessoal Tags: ,
19/08/2009 - 15:09

Brand new start

Hoje de manhã, conversando, eu percebi que vai fazer quase dois anos.

E no meio de tudo o que eu tenho que fazer, de tudo o que eu quero fazer, de tudo o que eu acho que não conseguirei fazer, estou novamente…

Novamente perdendo tempo.

Novamente desperdiçando chances.

Novamente dando importância pro que não é importante.

Ou o que não deveria ser.

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Certas coisas não mudam.

Autor: pululante - Categoria(s): Pessoal Tags:
14/07/2009 - 19:48

Não é você, sou eu

Estou louca pra ir na exposição da Sophie Calle. Pra quem não sabe (alguém não sabe?), ela tomou uma bota por email, que terminava com “Cuide de você”, e resolveu fazer uma exposição a partir daí, com esse título. Compareceu à FLIP, participando de uma mesa com seu ex (ambos literatos), na qual tiveram uma DR em público sobre o fim do relacionamento.

No blog da exposição, http://blog.sophiecalle.com.br/, o público foi convidado a expressar suas impressões sobre a exposição (hm, construção estranha), e uma delas escreveu isso:

“Cara Sophie,

O sr. X é um covarde e por isso mesmo usou um email para terminar o relacionamento. Seus argumentos são frágeis e tenho a impressão que ele quer comovê-la e assim dividir a responsabilidade do rompimento. Ele quer romper e ainda quer que vc sinta compaixão por ele. Ele quer romper porque não a ama mais, sendo assim tudo que ele diz sobre si mesmo não vem ao caso. Ele tem o direito de não amá-la mais e também de dizer isso por email, apesar de não ser a forma mais apropriada, eu acho. (…)”

Gregòire, o autor do email, explica suas razões para o rompimento do namoro, expondo o seu sofrimento em relação ao fim, dizendo que não consegue mais cumprir a promessa de se afastar das outras namoradas e lamentando que tenha de ser assim, ainda que eles se amem muito.

Eu já fiz isso. Você já fez isso. Pode não ter sido por email, mas todos nós já fizemos isso. Eu já sofri isso, e você também. Não é você, sou eu: sou eu que não sei lidar com relacionamentos, sou eu que não quero perder sua amizade, sou eu que não mereço seu amor, sou eu que mudei, sou eu que gosto de outro – mas também gosto muito de você! -, sou eu que não me decido… mas você? Você é fantástico!

Fazemos isso porque queremos salvar nossa pele. Fazemos isso porque queremos que, mesmo com o fim, o outro continue gostando da gente, queremos a compaixão, queremos ser mocinhos, queremos a admiração do outro por nossa consideração com os sentimentos dele.

E ouvimos isso pelos mesmos motivos. A semelhança entre ouvir e falar é a vontade que a gente tem de acreditar naquelas palavras e saber que conosco continua tudo bem, o outro é que está quebrado. O amor está igual, o outro é que não sabe mais vê-lo como é. O problema é com ele, que não sabe lidar com tanta perfeição e equilíbrio que vem de mim.

E às vezes a gente acredita mesmo. Sophie não é diferente: em Paraty, conforme li na Folha, ela passeou com Gregòire e os dois foram juntos a uma festa, mesmo após terem protagonizado a tal DR.

Porque vai que ele consertou, né…

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inspirada por: muito. Mas parece que Registro é uma das inspirações.

Autor: pululante - Categoria(s): Pessoal Tags:
13/07/2009 - 21:22

Bolhas coloridas

Bolhas coloridas surgem após 15 anos de pesquisa http://g1.globo.com/Noticias/Tecnologia/0,,MUL1228219-6174,00.html

Resumidamente, ninguém acreditava ser possível criar bolhas de sabão coloridas, porque os colorantes são mais densos que água. Aí o cara foi lá, gastou 15 anos e US$ 3 mi e conseguiu fazer.

Acho que o primeiro pensamento é “que imbecil”. Mas estou em um momento no qual eu não sei o que quero e vario entre alternativas aceitáveis, que as pessoas esperam que eu escolha, e coisas totalmente alternativas, como escrever em um jornal, ser artista, viajar pra ser arrumadeira nas Europa da vida.

Me impressiono com a força de vontade de uma pessoa que deve ter ouvido tantas críticas a sua escolha de projeto de vida e ainda assim persistiu num objetivo que pra maioria das pessoas parece algo idiota. E o invejo profundamente.

“É ótimo ver depois de 15 anos as bolhas coloridas que eu imaginei virarem realidade. Depois de oito anos eu me perguntei ‘por que estou fazendo isso?’, mas ainda bem que continuei seguindo meu sonho”, concluiu Kehoe.

 

Autor: pululante - Categoria(s): Pessoal Tags:
11/07/2009 - 17:09

Cafezinho?

Mais alguém divide essa ansiedade comigo… publicado em http://blog.estadao.com.br/blog/antonioprata/

 10.07.09

por Antonio Prata, Seção: Papéis avulsos 15:22:28.

publicada na revista Espresso

“Obrigado”, eu digo, recusando a xícara e, um pouco mais baixo, para evitar que a informação escape para além da minha mesa, alargando o diâmetro de minha infâmia, confesso: “eu não bebo café”.

O nobre leitor (ou leitora) que, como 99% das pessoas civilizadas, creio, gasta um bom quinhão de seus momentos sobre a Terra diante de uma xícara de café, não imagina a miríade de olhares que caem sobre mim, assim que assumo o meu, digamos, desvio. Vejo, por trás das pupilas dilatadas pelo susto, sentimentos tão vastos como a raiva e a compaixão, todos oriundos, acredito, da mais profunda incompreensão. “Como pode uma pessoa alfabetizada, de boa família, não tomar café?!”, pensam, entre um golinho e outro,sem chegar a nenhuma resposta.

Nós, os não bebedores de café, somos a escória da restrição alimentaria. Você pode não comer carne vermelha, não apreciar bebidas alcoólicas, pode até ser contra o açúcar refinado ou refrigerantes e, oferecendo explicações muito nobres, que vão do efeito-estufa à evolução de nossos sistema digestivo, ser perfeitamente aceito dentro da chamada “diversidade cultural”, mas àqueles que recusam uma xícara de café não existe tal benevolência, pois acreditam, os connoisseurs dos grãs torrados, que não se trata de gosto ou opção, mas de ignorância.

Tenho amigos do peito que, toda vez que saímos para jantar, insistem para que eu dê mais uma chance ao expresso ou capuccino de tal lugar. Não é que não gostemos, eles pensam, é que “não entendemos o café”. E, ah!, meus caros, como eu gostaria de compreendê-lo! Como eu adoraria passar tardes numas dessas mesas na calçada, tomando uma xícara, fazendo anotações num bloquinho, ou lendo um jornal, com a elegância de um filósofo francês. Eu concordo com meus acusadores. Vocês estão certos! Que literatura pode surgir diante de uma lata de Coca-light? Que lirismo existe na imagem de um homem tomando H2O, às três da tarde de uma terça-feira, no balcão da padaria? Que Simone de Beauvoir ou Maria Schneider pendurará sua capa de chuva na cadeira e estenderá um sorriso molhado a um sujeito que bebe uma Fanta-Uva? Light, ainda por cima.

Estou pensando em mudar de estratégia. Da próxima vez que recusar uma xícara e enfrentar a incompreensão da sociedade, vou dizer, sem pestanejar: “adoro café, mas fiz promessa. Só volto a beber no dia em que o Sarney não madar mais nesse país.” Como sabem os que bebem e não bebem café, não terei que aceitar a xicrinha tão cedo

Autor: pululante - Categoria(s): Humor Tags:
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