♥ Poemas de Amigos
VIAJANTE
by Rogério Silvério de Farias
Um demônio astuto mora em mim.
Danço ao luar de noites sem-fim.
A beira-mar sonho com estrelas distantes,
Peregrino astral em delírios apavorantes.
Um demônio astuto mora em mim.
Vôo por estranhos mundos de loucura,
Atormento-me com as dores da alma sofrida
Neste caminho espinhoso, a vida.
Do berço à sepultura
Passo a vida a sonhar com mil amores,
Em mim ainda corre o regato da candura
E o amor, na solidão, brisa num jardim de flores.
O demônio astuto em mim
Batalha com o anjo que também trago em mim.
Em “mins” há de nascer e lutar
O guerreiro de fogo pra guerra do meu eu terminar.
A hora chegou! O guardião do inferno
Faz soar a trombeta final.
A guerra entre o Bem e o Mal
É o meu apocalipse interno.
Lúgubre guerreiro, soturno aventureiro,
Sou nômade espírito, viajante…
De encarnações neste ou noutro mundo distante.
Se tiver coragem e boa sorte,
Lutarei até o fim sem tombar.
E no final da vida não cairei pra chorar
Até a sagrada hora de minha morte!
CASULO TRANSCENDENTAL
by Rogério Silvério de Farias
Nas necrosféricas e sorumbáticas
Manifestações neo-pitecantrópicas
Dos seres pérfidos de catacúmbicos ramerrões,
Chafurdam lépidos e necrofágicos,
Quais vermes diabólicos,
Pensamentos iridescentes de revolta!
Eu, em meu casulo transcendental,
Defendo-me com os bróqueis da esperança,
Nos variegados alumbramentos anímicos
Que perfazem a alquimia do caos mental!
No sacrossanto e tétrico solipsimo
De uma mente assaz poética,
Na crisálida suntuosa dos mil terrores,
Vagueiam , lúgubres, líricos e lúbricos,
Abantesmas em ríctus de múltiplas dores!
Rogério é um genial amigo escritor do sul do Brasil.Eclético, escreve em verso e prosa dos gêneros do gótico sombrio ao apaixonado e terno.
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MINHA META
by AnTónio Cambeta
Não atingi a minha meta,
mas já me chamam poeta
por umas linhas escrever,
muito ainda terei que aprender
por isso, num cantinho fui ficar,
e dali humildemente minha escrita mostrar.
Recebendo felicitações,
me cria mais obrigações
para mais e melhor fazer,
para poder dar a conhecer
por tudo o que já passei,
o que sofri e amei.
Tentarei reproduzir,
com verdade e sem mentir,
tudo o que minha alma encerra
pois vivendo nesta terra,
minha vivência quero passar,
e, a isso me irei esforçar.
A todos vós eu agradeço,
mas acho que não mereço
palavras belas que recebi
pelo pouco e mal que escrevi,
mas irei continuar
rogo a Deus para me ajudar.
António é estimado amigo e escritor português que mora há muitos anos na Ásia.
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Ó LUA!
by Lucas Candelária (LUCAN)
Ó lua que caminha todo dia
Levando a sua luz a todo canto
Luz poética, prateada, meiga e fria,
Que aos namorados exorciza o pranto…
Quando vir a sacada simpatia
É aí que ela reside em doce encanto,
Com sua luz, a casa acaricia
E abre sobre ela o prateado manto…
Ela é a minha doce musa, ainda,
Cabelos e olhos negros, muito linda,
Intelectual e deusa de verdade…
Diga-lhe então, com elegância e amor,
Que eu a adoro com trêmulo fervor
E estou quase morrendo de saudade!
Publicado no Recanto das Letras em 28/02/2009
Código do texto: T1462074
Lucan é grande sonetista de Salesópolis (São Paulo)
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Amazônia
by Carlos Assis
Nas suas costas
Voar borboleta
No abrigo da tempestade
Esquecer da vida
Sucuri a deslizar
Na pele de guaraná
Tocar seus frutos doces
Ouvir o canto do uirapuru
Beijar seus desfiladeiros
Beber água cristalina
Nadar em seus estreitos
Caminhar em sua floresta
Uacumã escondido na vegetação
Deitar na sombra
Ao lado de um igarapé
Sonhar feito curumim
Assis é um talentoso amigo poeta paulista.
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Para António Cambeta
by José Silveira
O poeta quer descansar
De tanto que virou mundo
Voando sobre as letras
Brincando de soletrar.
Sua jornada foi longa
E sua bagagem farta
Experiência e raça
Um peso a considerar.
Poeta que é despojado
De ambição e arrogância
Faz tudo com sutileza
E um sorriso de criança.
Os títulos; não os rejeita
Bonzo, guru e mestre
Pois cercam-no de elogios
Pelo seu belo versejar.
Vá poeta amigo – Kam Mei Ta
Faça essa pausa merecida
Até que fortaleça suas asas
Há tempestades a enfrentar।
*António é um querido amigo escritor português que vive na Ásia.
*José Silveira é querido amigo escritor e sambista carioca.




