Arquivo de setembro, 2009
27/09/2009 - 12:06
by Betha M. Costa
Quando tu tomas na mão à pena,
Do teu insano amor sou refém,
Serei para sempre a pequena,
Que a tua imaginação convém.
A cada poema que te sobrevém,
Em qualquer verso faço cena,
Quando tu tomas na mão à pena,
Do teu insano amor sou refém.
Nas saudades sou Madalena,
No corpo a Odalisca do harém,
Ao teu doce olhar uma Helena,
Ou entidade mágica do além,
Quando tu tomas na mão à pena…
Autor: bethamendonca@ig.com.br - Categoria(s): Poema
Tags: pena, poema de amor, rondel
26/09/2009 - 14:50
by Betha M. Costa
Gajo gentil e de mui boa conversa,
Intelectual que vive em Portugal,
Manhoso e esperto feito gato persa,
Conquista a ala feminina geral.
Seu sorriso aberto é uma arma letal.
Pobre da moça que ele se interessa,
E com desapego e emoção fatal,
O rútilo coração lhe arremessa!…
Descolado, sem nem uma promessa,
Com jeito cordial de fazer corar,
Envolve as raparigas bem depressa.
Réu confesso e isento de compaixões,
Nem foi julgado por colecionar,
E matar a queima-roupa as paixões!
Autor: bethamendonca@ig.com.br - Categoria(s): Pessoal, Poema, Poemas
Tags: colecionador de paixões, soneto
25/09/2009 - 12:14
by Betha M. Costa
Minha alma vive de mudança,
Observadora, quieta e serena,
Guarda ao silêncio a esperança,
De ter um amor linda açucena.
Desde sempre eu fui morena,
A alma em eterna andança,
Melancólica e sem pena,
Amo na tragédia ou bonança.
Não mudo a casa d’alma de lugar:
Ela que com passos rápidos,
Ruma para onde o amor me levar.
Autor: bethamendonca@ig.com.br - Categoria(s): Pessoal, Poema, Poemas
Tags: alma, esperança, poema de amor
24/09/2009 - 11:33
by Betha M. Costa
Canta feliz colibri,
Já não estou tão só,
Grita o bem-te-vi,
Responde o curió!
No tapete de grama,
Desfila o girassol,
Na parede em trama,
A papoula toma sol.
O brinco-de-princesa,
Baila alegre ao vento,
Com rosa vermelha acesa,
E o cravo fica ciumento…
De tão florido o jardim,
Sobe na grade a hera,
Lança perfume o jasmim,
Para saudar a primavera.
Canta feliz colibri,
Já não estou tão só,
Grita o bem-te-vi,
Responde o curió!…
Autor: bethamendonca@ig.com.br - Categoria(s): Pessoal, Poema, Poemas
Tags: flores, pássaros, poema de alegria, ptimaveras
23/09/2009 - 15:49
by Betha M. Costa
Na abóbada do inferno,
Não há vocábulos poéticos,
Dói no corpo frio eterno,
Há signos proféticos,
Invernos do Mal interno…
Eu escorro entre as paredes,
Como tinta desbotada,
Trago na boca sedes,
Da vida que me foi negada.
Jogam “areia” de gelo,
Nos meus olhos fechados,
E do cabelo ao tornozelo,
Eu pago os meus pecados.
Não se apiede de mim, rapaz!
Na vida não tive palmas,
Não ganhei louros da paz,
Sombra ao peito das almas:
Tive felicidade voraz e fugaz.
Autor: bethamendonca@ig.com.br - Categoria(s): Pessoal, Poema, Poemas
Tags: almas, inferno, poema sombrio, suicida
22/09/2009 - 11:42
by Betha M. Costa
Com um pouco de tudo,
que és para mim agora,
sonho nesta hora,
ser grande conteúdo.
Com esse conteúdo sutil,
voo apaixonada,
e sorridente e infantil,
cantarolo na estrada.
Uma palavra tua,
alma nua e crua,
faz manhã de primavera,
e desperto no que era,
e volta hoje ser a felicidade.
Tudo. Até um silencio teu,
causa-me saudades eternas,
do quê não tive de ti e viveu,
com apenas um pouco,
quase nada que tive teu…
Autor: bethamendonca@ig.com.br - Categoria(s): Pessoal, Poema, Poemas
Tags: poema de amor, primavera
21/09/2009 - 10:55
by Betha M. Costa
I
Botos cor-de-rosa,
A seguir embarcações –
Passeios pela Baía.
II
Nadam peixes-bois,
Nos lagos artificiais –
Parques no verão.
III
Dourados matizes,
Nas folhas dos açaizeiros –
Reflexos do poente.
IV
Verdes papagaios,
No azul celeste sem nuvens –
Cores do verão.
V
Com uma só perna,
Pescam as garças vermelhas –
Verão no mangal
VI
Acima das árvores,
Perfumes, cores e vida –
Bromélias em flor.
VII
Nos galhos das árvores,
Silenciam os periquitos –
Fim do dia no bosque.
Autor: bethamendonca@ig.com.br - Categoria(s): Pessoal, Poema, Poemas
Tags: haicais amazônicos, haikais
20/09/2009 - 11:25
by Betha M. Costa
I
Voz trêmula, lábios úmidos,
Palavras teimam em falhar,
Alianças e imprevistos unidos:
Nós que não se pode desatar.
II
Minha pena silenciosa,
Descansa no negro tinteiro,
Tanta palavra bela ociosa,
E eu presa ao amor primeiro…
III
Fito o espelho,
O aparelho de TV,
Rezo de joelhos,
E não me acho em você.
IV
Do mar da lamentação,
Ao campo do contentamento,
De cada face do amor são,
Carrego um fragmento.
V
Danço louca e destemida,
Galopo unicórnios no céu,
Perco-me por entre a medida,
Do teu amado olhar ao léu.
Autor: bethamendonca@ig.com.br - Categoria(s): Pessoal, Poema, Poemas
Tags: quadras de amor
19/09/2009 - 15:30
by Betha M. Costa
Não tarda a hora
Em que do pranto
Manto de tristezas
Descerrar-se-á a luz
E em alva e bela manhã
Ao lagrimar dos olhos
Mãos em palmas expostas
Hei de fazer de mim
Retrato do que sonho
Ainda que me doa o peito…
Autor: bethamendonca@ig.com.br - Categoria(s): Pessoal, Poema, Poemas
Tags: poema de esperança, retrato
18/09/2009 - 15:49
by Betha M. Costa
O luto tinge de negra cor,
Voa pelos tristes corações
Em fortes trinados de dor…
Vive e revive as emoções,
A roubar-nos paz e candor,
Queima saudosas sensações.
Luto é uma chama interior.
É um encontro com o Senhor.
Autor: bethamendonca@ig.com.br - Categoria(s): Pessoal, Poema, Poemas
Tags: indriso, luto, poema de tristeza
17/09/2009 - 18:43
by Betha M. Costa
O meu amor é todo feito de nuvem
Se solta célere ao sabor dos ventos
Em loucas piruetas nos vastos céus
Atinge patamares tão longínquos
E esvaece ante teu contentamento…
O meu amor nuvem em chuva pranteia
Transborda em águas os leitos dos rios
Aumenta em volume oceanos e mares
Branqueia flora nas geadas das manhãs
E aos beijos quentes da Terra evapora
De novo é nuvem: volta para ti!…
Autor: bethamendonca@ig.com.br - Categoria(s): Pessoal, Poema, Poemas
Tags: águas, nuvem, poema de amor
15/09/2009 - 18:30
by Betha M. Costa
Louca sempre muito louca
Logo que te vi ensandeci
Em teus braços me perdi
Por teus olhos eu vivi
E nada foi como antes
Embalei-me nas varandas
Das redes de toda paixão
Flutuei nas asas da ilusão
Louca para sempre louca
Das areias da praia sai
Esculturas de eu sal ergui
Porque sempre fui louca
E nada será como antes…
Autor: bethamendonca@ig.com.br - Categoria(s): Pessoal, Poema, Poemas
Tags: louca, poema de amor e paixão
14/09/2009 - 11:37
by, Betha M. Costa
Ah, Erê…
N’alma infantil sou manhã,
com fogo da Pomba Gira,
mais jovem fui bela cunhã,
e ardi na chama da sua pira…
Ah, Erê… Doce e divertido Erê!
Faço um ebó para espantar você,
com doces, brinquedos, pipocas,
bejús, tapiocas e muitas paçocas.
Erê deixe a Pomba Gira descer!
Sensual, provocante, diabólica…
Vestida de vermelho entardecer,
e findar essa vida melancólica.
No barquinho em oferenda,
águas-de-cheiro, alfazemas,
tecido brocado e fina renda,
para afastar dor e problemas…
Ah, Erê deixe a Pomba Gira descer!
**Adendo:
*Candomblé:
Erê- É o aflorar da criança que cada um tem em si.
Pomba Gira – entidade ou divindade ligada as questões de sexualidade e afeto.
Ebó- oferenda a uma entidade ou divindade para pagar ou pedir uma graça.
*Indígena:
Cunhã – do tupi kunhã, mulher.
Bejús, tapiocas, paçocas – comidas feitas de mandioca e milho.
Autor: bethamendonca@ig.com.br - Categoria(s): Pessoal, Poema, Poemas
Tags: candomblé, indígena, poema amazônico
13/09/2009 - 11:02
by Betha M. Costa
Gêmeas das mais unidas,
Munidas de mil carícias,
Aquecidas se doavam,
Guiavam-nos e guardavam-nos,
Um ao bem estar do outro.
Selavam pactos de amores,
Acenavam breves adeuses,
Eram quatro grandes Deuses,
No antigo Totem Sagrado,
Chama do Espírito de nós dois…
Aos nossos doridos prantos,
Foram doces descansos,
Remansos de nossas feridas,
Feito de macias fibras,
Vibravam em nossos peitos,
Como um só coração.
Nos tristes embalos dos dias,
Embargos de desmedidas horas,
Auroras viraram tempestades,
Vontades tomadas de medos:
Dedos se apartaram da adoração!
Autor: bethamendonca@ig.com.br - Categoria(s): Pessoal, Poema, Poemas
Tags: deuses, mãos, poema de amor
12/09/2009 - 12:32
by Betha M. Costa
Volúpia, violinos ao luar!
Reinam ao mesmo lugar,
Suavidade da flauta doce,
E o som cortante da foice.
Volúpia, profana melodia!
O fole da gaita perdida,
Convida a um novo pecado,
O corpo entende o recado…
Volúpia, antagonismo n’alma!
A harpa toca serena e calma,
Os celestiais sons cristãos,
Os tambores gritam os pagãos.
Volúpia, desejo e temor!
Ciranda de rosas e dor.
A música aqui passou,
E foi tudo o quê restou…
Autor: bethamendonca@ig.com.br - Categoria(s): Pessoal, Poema, Poemas
Tags: desejo, poema de paixão, volúpia
11/09/2009 - 11:24
by Betha M. Costa
Havia no meu peito danças e cores,
E as músicas que hoje são distantes,
Eram festas do viver aos instantes,
Em que nós lavávamos d’alma as dores.
Correram diversas noites entanto,
Enquanto aos nossos dias se intercalaram,
Muita solidão, pranto e desencanto,
Nas intempéries, amores murcharam…
Calaram-se vozes, sem luz acesa,
O puro e certo agora é duvidoso:
A vida perdeu em encanto e surpresa!
Frio o coração, frágil cristal ocioso,
Apertado nas luvas do abandono,
Espatifa-se entre os dedos do dono…
Autor: bethamendonca@ig.com.br - Categoria(s): Pessoal, Poema, Poemas
Tags: coração, cristal, poema de amor, solidão, soneto
10/09/2009 - 13:42
by Betha M. Costa
Tento levantar cada dia da cama,
A procura de uma nova alegria,
Perco precioso tempo de pijama,
Para fazer do que eu sinto poesia.
Da janela sopra uma brisa fria,
Animada pelo cheiro da grama,
Tento levantar cada dia da cama,
A procura de uma nova alegria.
No lençol de dormir o monograma,
Lembra aquele amor que eu cria,
Que ao meu coração ainda inflama,
E sozinha, sem a antiga euforia,
Tento levantar cada dia da cama…
Autor: bethamendonca@ig.com.br - Categoria(s): Pessoal, Poema, Poemas
Tags: cama, poema de amor, rondel
09/09/2009 - 09:55
by Betha M. Costa
O fantasma de homem a mulher espera,
Figura negra, imunda e vaporosa,
Atravessa devagar a porta da tapera,
E leva terror e dor a jovem formosa.
Como saído de uma história horrorosa,
Onde de antiga consciência foi quimera,
O fantasma de homem a mulher espera,
Figura, negra, imunda e vaporosa.
Anjo do mal a anunciar fim de era,
Solitário ser de fumaça e sombra,
Atrai do tigre as afiadas presas de fera,
Mas o pobre animal sequer assombra:
O fantasma de homem a mulher espera.
Autor: bethamendonca@ig.com.br - Categoria(s): Pessoal, Poema, Poemas
Tags: fantasma, poema sombrio, rondel, solidão
08/09/2009 - 11:14
by Betha M. Costa
Nasci d’água marajoara,
Moreno-jambo na cor,
Filha do luar paroara,
Com a vitória-régia em flor.
Saias estampadas coloridas,
Danço o sensual carimbó,
Nas cadências já conhecidas,
Que aprendi com minha avó.
Como maniçoba e tapioca,
Comidas típicas gostosas:
Viva a sagrada mandioca,
Das raízes às folhas venenosas!
Samaumeira do meu bem,
De tucupi e açaí sou regada,
Nos rios que cortam Belém,
Vôo junto às passaradas.
Nasci d’água marajoara,
Moreno-jambo na cor,
Filha do luar paroara,
Com vitória-régia a flor!
Autor: bethamendonca@ig.com.br - Categoria(s): Pessoal, Poema, Poemas
Tags: Belém do Pará, marajoara, poema amazônico
07/09/2009 - 19:08
by Betha M. Costa
Envolve-te de rosas vermelhas,
Que é chegada a primavera!
Pássaros tocam em flautas,
Lautas canções d’amores,
E famintos colibris solvem,
O doce néctar das flores.
Sob os campos de girassóis,
Há gramados verdes tapetes,
Escondidas fontes brotam águas,
Que correm para caudalosos rios,
Vias de purificações e bênçãos…
Baila enamorada a natureza,
Na certeza de dias melhores,
Dançam sol, lua e estrelas:
Distantes do melancólico inverno.
Flores frescas embelezam,
Aparador e toucador,
E dos caramanchões brancos,
Abraçam-se e pendem de mãos dadas,
Cheias de cores e perfumes.
Nas varandas, as samambaias,
A transbordar os xaxins balançam,
Com as brincadeiras dos ventos…
Ah, tardes buliçosas,
De tanta vida e esplendor!
Caso gotas do inverno passado,
Nasçam aos cantos dos teus olhos,
Rega com elas as plantas.
E por ser tão bela a primavera,
Envolve-te de rosas vermelhas!
Autor: bethamendonca@ig.com.br - Categoria(s): Pessoal, Poema, Poemas
Tags: flores, poema de alegria, primavera
06/09/2009 - 12:17
by Betha M. Costa
O Brasil era bem mais belo,
Antes de se tornar um covil,
Ter sede e governo paralelo,
Crianças armadas de fuzil.
Hoje a fome é grande flagelo,
A pátria sem ser mãe gentil,
Tornou-se madrasta sem zelo,
De um povo em guerra civil…
Autor: bethamendonca@ig.com.br - Categoria(s): Pessoal, Poema, Poemas
Tags: 7 de sentembro, Independência do brasil, poema social
05/09/2009 - 10:37
by Betha M. Costa
Além do cansaço há o espaço,
Aonde lanço os meus braços,
Sobre teus músculos lassos,
E emolduro-te em abraços.
Há espaço em teu peito peludo,
Ninho perfeito onde me ajeito,
E em meio a carinhos me iludo,
Que o amor não está desfeito.
Depois, com coração desnudo,
Cotovelos sobre o parapeito,
Da janela concluo o absurdo:
Amor é causa e efeito,
Defeitos sob o veludo,
Caminho estreito – isso é tudo!
Autor: bethamendonca@ig.com.br - Categoria(s): Pessoal, Poema, Poemas
Tags: abraços, braços, poema de amor
04/09/2009 - 09:46
by Betha M. Costa
Não posso dizer-te dos luares,
Que enfeitiçam minha triste vida,
Aos teus disfarçados olhares,
Colares, auras de alma bandida,
Ferida que sangra nesses mares,
Ou rio de perdida despedida…
Ara a terra da tua poesia interior,
Aduba os versos com palavras,
Não temas que tu és o senhor,
De poemas das melhores lavras!
Os amores são espelhos atraentes
Inconscientes de seus desatinos,
Atravessam as fronteiras contentes,
Como gatos e seus instintos felinos…
Autor: bethamendonca@ig.com.br - Categoria(s): Pessoal, Poema, Poemas
Tags: desatinos, poema de amor, versos
03/09/2009 - 10:13
by Betha M. Costa
Adubarei de amor a terra macia,
Para as rosas da primavera,
Aquelas que brotam do afeto,
Quimeras a ornar meus jardins…
Aguardarei suas delicadas pétalas,
Tingirem-se com cores da vida,
Espalharem olores nos campos,
E abrirem os horizontes dos meus sonhos.
Com mãos de carinho de mãe,
Afagarei com cuidado aquela bela,
Que um dia próximo ou distante,
Há de ser aconchegante útero,
Onde dormirei o derradeiro sono.
Autor: bethamendonca@ig.com.br - Categoria(s): Pessoal, Poema, Poemas
Tags: natureza, primavera, Terra
02/09/2009 - 11:03
by Betha M. Costa
Água que brota pura na fonte,
Que encobre do rio o leito,
Desde a pequena nascente,
Até agitada a foz ou estreito,
Mar doce de vida corrente…
Água que banha o alegre infante,
Que sacia a secura do peito,
Que rega da planta imponente,
Ao pasto nem sempre perfeito.
Água que rasga a terra clemente,
E a irriga para nosso proveito,
Piedade para a essa insana gente,
Que polui e degrada sem respeito,
Ou cala-se e com caos é conivente!…
Autor: bethamendonca@ig.com.br - Categoria(s): Pessoal, Poema, Poemas
Tags: água, natureza, poema ecológico
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