Arquivo de agosto, 2009
31/08/2009 - 13:18
by Betha M. Costa
Não bebo mais do cálice
Que me embriagava
E com sede de teu céu
Trago na boca seca
A tristeza da estiagem
Não tenho mais cobertor
Que me aqueça a alma
Tremo e congelo no frio
E na falta dos teus abraços
O inverno não tem fim
Não tenho mais a paz
Que me fazia tranqüila
A ausência do teu corpo
Agita minhas entranhas
E o fogo me consome
Resta-me ainda a voz
Para tentar expressar
Em palavras lamentar
Tudo de mais querido
Perdido: nunca mais!…
Autor: bethamendonca@ig.com.br - Categoria(s): Pessoal, Poema, Poemas
Tags: carência, poema de amor, saudades
30/08/2009 - 10:02
by Betha M. Costa
Gula
Degustar com os olhos
Salivar da boca aos lábios
Aquilo que não se deve comer
Inveja
Azia profunda e doÃda
Que lhe queima o estômago
Aos beijos do casal vizinho
Soberba
Coroa perfumada de louros
Sobre a cabeça vazia
De quem necessita enchê-la
Luxúria
Manto de sensualidade
Que se cobre uma pessoa
Ao usar seu instinto animal
Preguiça
Olhar as estrelas no céu
E deixar para fazer depois
O que já devia estar pronto
Avareza
Guardar a chaves no peito
Todo o amor do mundo
Para não perder o coração
Ira
Fel espalhado na alma
Quando alguém lhe magoa
E você não pode dar o troco
Autor: bethamendonca@ig.com.br - Categoria(s): Pessoal, Poema, Poemas
Tags: poetrix, sete pecados capitais
29/08/2009 - 11:07
by Betha M. Costa
Descansa distraÃda no céu,
Anel rodeado de luz,
Desejado e saboroso pitéu,
Que a sonhos nos conduz.
Ah, lua de sim e não,
Tão fora do alcance da mão!…
Autor: bethamendonca@ig.com.br - Categoria(s): Pessoal, Poema, Poemas
Tags: lua, poema de solidão, sonhos
28/08/2009 - 10:34
by Betha M. Costa
Ó, divina centelha da vida,
Que mora aqui no meu peito!
Estive algum tempo perdida,
Até encontrar par perfeito.
Deitei-me solta em teu leito,
Prazer e felicidade incontida…
Ó, divina centelha da vida,
Que mora aqui no meu peito!
Do meu amor ninguém duvida,
Mas há quem tenha despeito,
Por eu ser assim tão querida,
E aproveitar teu celestial efeito,
Ó, divina centelha da vida!
Autor: bethamendonca@ig.com.br - Categoria(s): Pessoal, Poema, Poemas
Tags: centelha divina, poema de amor, rondel
27/08/2009 - 11:36
by Betha M. Costa
Levo e visto à vida pouco lúcida,
OnÃricas idéias e afetos,
Uirapuru solitário na beira do rio,
Canto em elegia a toda loucura,
Uma prece ao raso rio da razão, e,
Rasgo em desatino roupas,
Amores, gemidos e horrores:
Dores de cabeça da insanidade,
Em forma de ser e lamento!
Amo pia e perdidamente de mim,
Mais que me permitem os deuses,
Além de suas promessas decentes.
Rio, rio… Risos de amar para sempre!
Autor: bethamendonca@ig.com.br - Categoria(s): Pessoal, Poema, Poemas
Tags: acróstico, loucura, poema de amor
26/08/2009 - 11:59
by Betha M. Costa
*Poema escrito na lÃngua indÃgena Tembé
traduzido para o português*
ibak ybaté/ chuva, céu alto
Potir anga eté ruru/ flor, alma, corpo molhado
Kó poti?a ruru:/ neste peito molhado:
še potir/ eu flor
še anga/ eu alma
še eté/ eu corpo
Å¡e aman(a)/ eu chuva…
Ausúb mosyke eenmbaé/ amar, tirar o doce
Ekár enmbaé ?arõ eir/ procurar doce como mel
Eréb endé eir/ e lamber teu mel
Rem ené en eir/ se você derramar mel
Yane mokõyamam(a) esé een/ nós dois – chuva com sabor.
Autor: bethamendonca@ig.com.br - Categoria(s): Pessoal, Poema, Poemas
Tags: poema de amor, poema tembé
25/08/2009 - 11:39
by Betha M. Costa
A baÃa engoliu meu olhar moreno,
Quando teu barco deixou o cais,
Peito contraÃdo, coração pequeno,
Soube que ias e não voltavas mais…
Gritaram os pássaros comensais:
Nunca mais… Nunca mais…
Espalharam as folhas nos vendavais:
Nunca mais… Nunca mais…
Choraram todas as luas mensais:
Nunca mais… Nunca mais…
Perdido tanto tempo e aceno,
Cansei de esperar os sinais…
Sentimento num copo de veneno:
Jurei aos céus não amar jamais!
Digam os pássaros comensais:
Jamais… Jamais…
Repitam as folhas nos vendavais:
Jamais… Jamais…
Proclamem as luas mensais:
Jamais… Jamais!…
Autor: bethamendonca@ig.com.br - Categoria(s): Pessoal, Poema, Poemas
Tags: poema de amor e saudades
24/08/2009 - 10:06
by Betha M. Costa
I
Nos bancos da areias,
Dormitam os jacarés -
Inverno no pântano.
II
Sobre rio barrento
Voam bandos de tuiuiús -
Manhã pantaneira.
III
Manhã de calor:
Um compasso natural,
Move o girassol.
IV
No céu azul-Ãndigo,
Bem acima do arvoredo -
Imensa lua branca.
V
Na folha amarela
Desliza gota de orvalho -
Manhã outonal.
VI
Brilho da lagarta,
No marrom da folha seca:
Prenuncio de vida.
VII
Calmas em seus ninhos
Descansam as garças brancas -
Noite no mangal.
Autor: bethamendonca@ig.com.br - Categoria(s): Pessoal, Poema, Poemas
Tags: garças, haicais pantaneiros, jacarés, poema sobre o pantanal, tuiuiús
23/08/2009 - 17:47
by Betha M. Costa
Não sofro de medo pela morte,
Já morro cada dia de saudade,
Por desconhecer a tua sorte,
E ter perdido tua boa amizade.
Não há no corpo eternidade,
Só a alma é leve transporte,
Não sofro de medo pela morte,
Já morro cada dia de saudade…
Viver bem é um doce esporte,
Para quem é afeito à felicidade,
Perdi para a vida até consorte,
Com a dor já carrego intimidade:
Não sofro de medo pela morte!
Autor: bethamendonca@ig.com.br - Categoria(s): Pessoal, Poema, Poemas
Tags: morte, poema de saudade, rondel
22/08/2009 - 10:43
by Betha M. Costa
Quando o problema é grave,
Logo resolvo o desentrave,
Entre um amor ou outro.
Na margarida desfolhada,
Encontro a tática infalÃvel,
Para resolver o destino…
Bem-me-quer… Mal-me-quer…
E seja o que Deus quiser!
Autor: bethamendonca@ig.com.br - Categoria(s): Pessoal, Poema, Poemas
Tags: dilema, indriso, margarida, solução
21/08/2009 - 11:39
by Betha M. Costa
O vento da noite desnudou juÃzos,
Apagou dos intelectos maus planos,
Surrupiou d’amores mui sons e guizos,
Abateu crenças e fez desenganos…
Soprou chamas aos corações insanos,
Apagou pegadas d’areia nos pisos,
Que lançadas sobre os olhos ufanos,
Confundiu seres: fez-lhes indecisos.
De noite o vento chegou sem avisos,
Levantou as ondas brancas dos oceanos,
E nas canções de suaves improvisos,
Aos corpos e espÃritos livrou danos.
Ao devassar a noite com mil risos,
O vento soltou desejos humanos.
Autor: bethamendonca@ig.com.br - Categoria(s): Pessoal, Poema, Poemas
Tags: desejos humanos, juÃzos, soneto inglês, vento
18/08/2009 - 11:20
by Betha M. Costa
Na sua mente nua,
reflexo no fundo da taça,
na pedra bruta e crua,
que lapidada perde a graça…
No movimento paralelo,
das listas da sua velha TV,
encontra-me no que é belo,
e o olho faz questão de não vê.
No verde esperança da grama,
ou chuva que seu corpo molha,
estou centro da sua cama,
quando você não me olha.
Estou na letra esquecida,
dentro do poema não escrito,
sou a palma da sua mão aquecida,
por dentro do meu vestido.
Autor: bethamendonca@ig.com.br - Categoria(s): Pessoal, Poema, Poemas
Tags: cama, mão, pedra, poema de amor, vestido
17/08/2009 - 12:27
by Betha M. Costa
Grande ave de rapina é a tristeza,
Do nada, com destreza e comoção,
Em surdina ataca pequena presa,
E devora-lhe com gosto o coração.
Amado, dá-me agora a tua mão!
Porque tal ave por ora me assedia,
As suas sombrias asas já estão,
A consumir a luz do meu dia a dia.
Dá-me força, serenidade e ação!
Porque me foge do peito a alegria,
E as raÃzes querem deixar o chão…
Faz-me do teu amor proteção suave,
Ao aconchego de teus fortes braços,
Espantes para longe de mim a ave!
Autor: bethamendonca@ig.com.br - Categoria(s): Pessoal, Poema, Poemas
Tags: ave de rapina, presa, soneto, tristeza
16/08/2009 - 13:27
by Betha M. Costa
Belém, Cidade das Mangueiras,
Das verdes praças graciosas,
Que são mais verdes e fagueiras,
Molhadas em tardes chuvosas.
As ruas exalam variados odores,
De frutas amazônicas exóticas,
Que no Ver-o-Peso tingem cores,
Flores e ervas curativas e eróticas.
Em Belém do Pará há muito afeto,
As noites de verão são estreladas
Na BaÃa do Guajará ao céu aberto,
Vê-se revoadas das passaradas.
Ao paraense “pai d’égua” é genial,
Mangueirão é o Estádio OlÃmpico,
O CÃrio: procissão de fé sem igual.
Autor: bethamendonca@ig.com.br - Categoria(s): Pessoal, Poema, Poemas
Tags: amazonia, Belém do Pará, CÃrio, cidade das mangueiras
15/08/2009 - 17:15
by Betha M. Costa
Mágicas manhãs se pintam,
Em dedos do sol abertos,
Cores de vidas que rimam,
Brisas de sonhos libertos.
Ornatos, luz aos cabelos,
Outonos que beijam cãs,
Histórias saÃdas dos prelos,
Rugas que têm as suas fãs.
Autor: bethamendonca@ig.com.br - Categoria(s): Pessoal, Poema, Poemas
Tags: cãs, idade, maturidade, rugas
14/08/2009 - 11:45
by Betha M. Costa
Ah, boca maldita!
Espichas a lÃngua,
Lambes letras,
Mastigas palavras,
Engoles vocábulos,
E, enjoada,
Farta de literatura,
Vomitas no papel,
Amontoado di_versos.
Autor: bethamendonca@ig.com.br - Categoria(s): Pessoal, Poema, Poemas
Tags: boca, lÃngua, literatura, vocábulos
13/08/2009 - 11:29
by Betha M. Costa
Peco pela boca,
por gula,
pelo que ela diga,
e de fato não engula…
No olhar que estrangula,
eu faÃsco de inveja,
da boca que não me beija,
e de amor não me macula.
O balançar da rede chula,
nos vasos ociosos,
o sangue me coagula,
aos dias preguiçosos…
De repente a ira pula,
tentáculos viçosos,
lula dentro do peito,
leito de muita fúria!
Coroada, a soberba,
estufar-me do tórax a medula,
com medo da perda,
uso a avareza que cabula,
e guardo a luxúria na seda,
que me enleva e mata a gula.
Autor: bethamendonca@ig.com.br - Categoria(s): Pessoal, Poema, Poemas
Tags: pecadora, sete pecados capitais
12/08/2009 - 23:01
by Betha M. Costa
Lúdicas letras,
Lindas libélulas,
Libertam lépidas,
Lautas lembranças…
Livres lamentos,
Loucas lágrimas,
Luzem luas lentas:
LÃmpidas loções.
Longe, leves lenços,
Limpam lerdas leis,
Lançadas lÃvidos lÃrios,
Lápides legais e letais.
Autor: bethamendonca@ig.com.br - Categoria(s): Pessoal, Poema, Poemas
Tags: letras, libélulas, loucuras, tautograma
11/08/2009 - 11:52
by Betha M . Costa
Vejo a lua da esperança,
Trança da menina que és,
Viés, alva lembrança,
Alma branca pomba,
A espalhar paz no céu…
Ah, o luar e seu anel!
Pincel na tua mão de fada,
Dada a colorir e tecer véu,
De ingenuidade e graça,
Alegre riso de criançada…
Autor: bethamendonca@ig.com.br - Categoria(s): Pessoal, Poema, Poemas
Tags: criança, infância, lua, menina, trança
10/08/2009 - 11:00
by Betha M. Costa
O que vem do alto me atinge
Tinge-me de pesares e pensares
Por trás da tela de lágrimas
Plano de fundo de todos os dias
Erva sustentada ao que não era
Sou pura essência da monotonia
A espalhar-se nos cômodos da casa
Impregnar armários e gavetas
E perscrutar a escassa imaginação
De ervas tão daninhas quanto eu…
Autor: bethamendonca@ig.com.br - Categoria(s): Pessoal, Poema, Poemas
Tags: casa, erva daninha, imaginação, lágrimas
08/08/2009 - 11:31
by Betha M. Costa
Pálidas horas em que cega,
Caminho sombra de outrem,
Viela de aparência florida,
Penumbra e areia nos olhos,
Lagrimas sem saber por quê…
Outra pessoa que não eu me habita,
Enquanto interditada para balanço,
Balanço nas cordas do coração,
Aquele outro que o não meu de fato,
Mas de direito por mim possuÃdo.
Autor: bethamendonca@ig.com.br - Categoria(s): Pessoal, Poema, Poemas
Tags: balanço, coração, poema de tristeza
07/08/2009 - 11:34
by Betha M. Costa
Circula no sangue cruel absinto,
que espalha em queimação a dor,
essa que da tua ausência sinto,
enquanto juro a morte do meu amor.
Passado é meu afeto por ti: minto,
omito o enlevo, afã e na tez o rubor,
o calor, o sonho, desejo indistinto,
de mergulhar no teu olhar furta cor.
Ah, tu és como grande labirinto,
onde inebriada pela névoa e odor,
quero perde-me em cada recinto!
Autor: bethamendonca@ig.com.br - Categoria(s): Pessoal, Poema, Poemas
Tags: absinto, labirinto, poema de amor
06/08/2009 - 11:48
by Betha M. Costa
O mar marulha
Rompe o leme
Assusta e enche
O vazio da gente
O mar sacode
O vazio da mente
E alenta a chama
E consome o tempo…
O mar mergulha na tristeza
E se afoga na razão
O mar libera
Nosso coração
Autor: bethamendonca@ig.com.br - Categoria(s): Pessoal, Poema, Poemas
Tags: coração, mar, razão, tristeza
05/08/2009 - 10:45
by Betha M. Costa
Ah, velha cadeira de balanço!
Ao acompanhar teu movimento,
Sinto ao rosto o beijo do vento,
À infância de novo eu me lanço,
E ao colo da vovó descanso.
No vai e vem eu encontro alento,
Lembranças distantes eu alcanço,
Os meus negros cabelos eu tranço,
Com as palhinhas do teu assento,
Como a antiga menina sem tento…
Autor: bethamendonca@ig.com.br - Categoria(s): Pessoal, Poema, Poemas
Tags: cadeira de balanço, lembranças, saudades, vento
03/08/2009 - 10:52
by Betha M. Costa
Senhor Deus, velai pela saúde e vida,
Do meu bom e amado pai nesta Terra,
Por que sem ele eu ficarei perdida,
Como uma soldada no meio da guerra.
Sem os seus conselhos a me orientar,
Meus passos perderão firmeza e rumo,
E as dores e tristezas farão prumo,
Sem as suas mãos para me acalentar.
Por favor, cuide que seu olhar atento,
Mantenha inflamada e lÃmpida a chama,
Da sua lucidez e contentamento…
Seja seu coração puro alimento,
Da generosidade que ao céu clama,
À Divindade o seu merecimento.
Autor: bethamendonca@ig.com.br - Categoria(s): Pessoal, Poema, Poemas
Tags: dia dos pais, papai, poema para pai, prece, soneto
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