Meu Bem
by Betha M. Costa
Ele é meu maior bem,
O meu grande amor,
Ele é por quem,
Procuro os passos no corredor.
A presença querida e esperada,
Mesmo quando sei que não vem,
A fala íntima, separada,
Só minha e de mais ninguém.
Poemas em geral: quadras, trovas, sonetos, rondéis, poetrix, indrisos…
by Betha M. Costa
Ele é meu maior bem,
O meu grande amor,
Ele é por quem,
Procuro os passos no corredor.
A presença querida e esperada,
Mesmo quando sei que não vem,
A fala íntima, separada,
Só minha e de mais ninguém.
by Betha M. Costa
No céu da minha boca carmim,
Brilham milhares de estrelas,
Deliciosas gotas de gergelim,
Permutadas em lambidelas.
Em beijos ardentes me atrelas,
Ao despertar-me afetos sem fim,
No céu da minha boca carmim,
Brilham milhares de estrelas!
Ao perfume do pé de alecrim,
Choro aos ventos minhas mazelas,
Pois não tive outro amor assim,
Que deixasse saudades tão belas,
No céu da minha boca carmim.
by Betha M. Costa
Não chores amigo em meu lugar,
A vida não passa de uma esquina,
Onde cada um carrega uma sina,
Promessa ou pecado a expurgar.
Lança as lágrimas dos olhos teus,
Sobre as mãos do bondoso Deus,
Para que os meus pesados fardos,
Sejam por ele enfim aliviados.
Pelo intrépido mar de fogo,
Este que me afoga agora,
Meu bom amigo, apenas ora!
Por meus dias reza uma prece,
Quem sabe o milagre acontece,
E o fogo sagrado a Fênix libere…
by Betha M. Costa
Carrego tatuado no rosto
E desenhado no canto dos olhos
O vazio de um copo que foi cheio
E hoje sem a luz do afeto
Esvaece em pérolas-lágrimas
Nada mente a mente ociosa
Ansiosa por palavras-estrelas
Que não devem ser proferidas
Nem sob a dor da lua cheia da saudade
O coração abriga muitos tesouros
Flores coloridas da primavera
Que brotam ao ar na bela manhã
E morrem sufocadas sob lençóis
Na solidão das noites sem você.
by Betha M. Costa
Quando tu acenas-me um adeus,
E o vento a tua amada mão balança,
Vais para tão longe dos olhos meus,
E nem mais o meu coração te alcança…
Causas-me terríveis mudanças,
Sensações gigantes viram pigmeus,
Quando tu acenas-me um adeus,
E o vento a tua amada mão balança.
Ah, lágrimas em meus olhos ateus!
Em longa, fria e melancólica dança,
Morre como indigente o velho Deus,
O nosso amor fogo e festança,
Quando tu acenas-me um adeus.
by Betha M. Costa
Não quero esquecer o tempo
O vento lança poeira vermelha
Nos meus olhos de brilhos cansados
Enquanto espero por um bilhete
Ramalhete de flores ou enfeite
Carregado em saudades de você
Não se engane com a escuridão
O que se esconde atrás do silêncio
Não é rosa de bom perfume
É uma dolorida flor sem nome
Futuro de um verbo imperfeito
Escrito pela insensatez do destino
by Betha M. Costa
Viajante das ilusões
Que quebram na praia
Soprou as monções
Levantou-me a saia
Corri n’alva areia
Perdida de tanto verão
Fizeste de mim tua sereia
E fiz de ti meu varão
Em mar de sonhos perdida
Envolta em muitas águas
Não percebi a despedida:
Partiste sem deixar mágoas.
by Betha M. Costa
A luz do pensamento positivo
Ilumina mentes tristes e escuras
Livra qualquer efeito negativo
De o frio padecer das amarguras
A luta por uma razão boa e pura
Pelo bem comum da humanidade
Transborda o peito em ternura
E modifica a vida em qualidade
O pensamento positivo é belo
Aclama o ser a solidariedade
Agrega pessoas em duradouro elo
Na corrente da generosidade
by Betha M. Costa
Numa mão eu sou alva,
Tenho azul borboleta,
Noutra, furiosa salva,
E mortal luz violeta.
No bem que sou tecida,
Há ternura e beleza,
Do mal enegrecida,
Queimo em dor e vileza.
No meu lábio carmim,
Humana natureza,
Dentro de um olhar ruim,
O animal e a rudeza.
Sou o anjo que peleja,
E o demônio que troveja!
by Betha M. Costa
Eu plantei fumaças de mil odores,
Palavras licores com chocolate,
Doces olhares das mais belas cores,
Do branco bem calmo ao tenso escarlate.
Arei terras frágeis em plantações,
Adubei-as de afetos sorrateiros,
Até fecundei em negros corações,
Grãos d’amores-perfeitos altaneiros.
Reguei com as melhores intenções,
Usei de puras águas aos canteiros,
E aguardei muito ansiosa as florações…
Nesse tempo de falsas impressões,
Nasceram pés mal-me-queres inteiros:
As sementes eram grãos de ilusões!
by Betha M. Costa
Ibernise, minha amiga querida,
Recebas hoje meu terno abraço,
Por mais um ano de gloriosa vida:
Meu afeto em colorido laço.
Pelo dom de superar o cansaço,
E cada difícil etapa vencida,
Ibernise, minha amiga querida,
Recebas hoje meu terno abraço!
Tu és uma poetisa aguerrida,
Estrela maior de qualquer espaço,
Com a palavra comprometida,
E professora do melhor traço,
Ibernise, minha amiga querida.
*Homenagem para poetamiga Ibernise
que faz anos hoje.
by Betha M. Costa
De saudades recém-nascidas,
Tecidas d’alvas emoções,
Corações rosa, monogramas,
Hologramas de mil amores,
Dores, vitais consternações…
Sentimentos gêmeos-irmãos,
Mãos acenam em vôos rasantes,
Soantes pássaros-solidões,
Cordões trançados, puros linhos,
Torvelinhos de adeus aos ninhos…
by Betha M. Costa
Sou grande parte da paisagem,
Chuva fina das duas da tarde,
Quem vê Santa de passagem,
E reza com fé e pouco alarde.
Tenho um pouco de marajoara,
Perfume das ervas mal colhidas,
Cachos de frutas multicoloridas -
Ver-O-Peso, açaí ou juçara!
Trago nas veias água barrenta,
Do Rio Guamá e do mangal,
Da Escadinha sou vestimenta,
Da garça o sobrevôo habitual…
Ah, Santa Maria de Belém!
Dos morteiros barulhentos do Círio,
Envolta no manto do eterno bem,
Nossa Senhora de Nazaré é o “lírio”,
A melhor crença que o belenense tem!
by Betha M. Costa
Em passeio na rua,
Ao firmamento,
Uma imagem flutua,
Pensei no momento:
Teu sorriso – clarão da lua.
Amanheceu o dia,
Nuvens a emoldurar o sol,
Teu sorriso ainda me invadia,
Com o encanto do girassol.
by Betha M. Costa
Eu vivia muito triste e solitária,
Até conhecer teu sorriso inocente,
E escutar a voz grave e solidária,
A falar-me de modo inteligente.
Alegria não é para toda a gente,
E fechada eremita reacionária,
Eu vivia muito triste e solitária,
Até conhecer teu sorriso inocente.
Da melancolia eu fui partidária.
Antes de receber de presente,
Perfumada flor de araucária,
A tua amizade transcendente,
Eu vivia muito triste e solitária…
by Betha M. Costa
Borboleta da solidariedade,
Em metamorfoses constantes,
Pousas nas flores da amizade,
E polinizas jardins gigantes.
Solta e vaga, vagas nos jardins,
Entre humanos e querubins,
Tu és Fada do bem e bondade,
Não enxergas lados ruins…
Solidária e algo infantil,
Dói-te pelos teus amigos,
Ora assumes leve ar hostil,
E em tuas asas lhes dás abrigos.
Colorida borboleta lusa,
Meu afeto e respeito,
Posso ser algo obtusa,
Mas tens aqui amigo peito!
*Esse poema é dedicado à escritora lusa Vóny Ferreira.
Autor: bethamendonca@ig.com.br - Categoria(s): Pessoal, Poema Tags: borboleta, poema de amizade, solidariedadeby Betha M. Costa
Rema barqueiro, rema!…
Levada viva pelo Rio dos Mortos,
Miro-te os olhos vermelhos tortos,
Asas longas, vôo rasteiro,
Modos impiedosos, olhos absortos,
Garras a segurar remo grosseiro…
Rema barqueiro, rema!…
Desliza o barco, águas putrefatas,
Mentes disformes e psicopatas,
Até chegarmos ao Hades imundo,
Retiro de vis pecadores primatas,
Para julgar-me o Rei do submundo.
Para barqueiro, para!
Hades não achou no livro o meu nome!
Caronte abandonou-me com fome,
Numa pedra limosa do outro lado,
Lápide escura de ser infame,
Prisioneira viva de um eterno enfado.
by Betha M. Costa
Não fui feliz nem infeliz,
Delicada nem rude,
Fiz menos do que quis,
E muito mais que pude…
Se fraca ou de atitude,
Ninguém seja meu juiz:
Não fui feliz nem infeliz,
Delicada nem rude!
Com mãos sujas de giz,
Mente em inquietude,
Do viver sempre aprendiz,
Senhora de pouca virtude,
Não fui feliz nem infeliz…
by Betha M. Costa
Na infância tive a Leleca,
Ganhei nem lembro quando,
A cabeça de ovo era careca,
Os braços abertos voando…
Ela era pequena e de pano,
Olhos azuis parados assim,
A orelha de puro abano,
E boca em sorriso carmim.
A cara era grande e sapeca,
Mas na hora da brincadeira,
Foi Leleca, a feiosa boneca,
Minha amiga mais arteira!
by Betha M. Costa
Vitória-régia de água escura
Em flor despe-se para mim
Ao seu perfume embriago
Vôo em asas – querubim
Sereia-folha dos rios insanos
Descanso em verde cetim
Ao meu cantar melancólico
Encanta-se o boto por mim
by Betha M. Costa
I
São Juão aqui no norte,
É tempo di festa caipira,
A genti põe a mira forte,
E acerta nu que num atira.
II
Tem quentaum e rapadura,
Quadrilha e munguzá,
Pra modu encher de doçura,
As noiti quente di luá.
III
Tem modinha di vióla,
Moça de ropa colorida,
Brincadêra de argola,
E aligria sem midida!
IV
Até pidi a Santo Antonho,
Pra mi arrumar maridu,
E nem num simpres sonho,
Consigui quarquer partidu.
by Betha M. Costa
Aos casais apaixonados,
Cada instante é especial,
E o Dia dos Namorados,
É como outro igual…
Não existe data ideal:
Para amar e ser amados,
Aos casais apaixonados,
Cada instante é especial.
Aos afetos comportados,
Ou a paixão de tom fatal,
Os encantos são enlaçados,
E não existe data banal,
Aos casais apaixonados…
**Que seu Dia dos Namorados
seja tão ou mais feliz que os demais
e se você não tiver um par:
seja feliz sozinho (a)!**
by Betha M. Costa
Ó, doces madrugadas alcoviteiras,
Que encobrem os passos dos amantes,
Dourem as uvas das fartas videiras,
Para os vinhos mais embriagantes!
Lancem aos pobres corações errantes,
Rubras flechas de paixões certeiras,
Ó, doces madrugadas alcoviteiras,
Que encobrem os passos dos amantes!
Para as moças solitárias e caseiras,
De tristes estrelas navegantes,
Iluminem seus rostos em luas faceiras,
Até as sensações mais delirantes,
Ó, doces madrugadas alcoviteiras!…
by Betha M. Costa
Em mui cálidas noites estreladas,
Há trocas de coloridos olhares,
Sensações de tépidas a geladas,
Percorrem das peles aos paladares.
Ah, sussurradas palavras de amor!
Acompanhadas de cheiros e toques,
Floridas, com espinhos ou candor,
Brandos modos para que não sufoques…
Caminhadas sob luz prata do luar,
Mãos atadas, dedos entrelaçados,
A paixão levada a qualquer lugar…
São tantos os ideais ainda a explorar,
Os sonhos, alegrias e doces prantos:
Como é bom amar e namorar!
by Betha M. Costa
Da vida tomei errado o bonde
Verdes campos me aguardam
Em viagem ao amanhã não sei onde
Mas trago nas mãos os lápis de cor
Para colorir seus caminhos cinza
Você é o amor dos meus sonhos
Sinta isso e diga-me qualquer coisa
Minta que não vou me importar
De suas palavras em preto e branco
Pinto em um imenso arco-íris