Arquivo de março, 2009
31/03/2009 - 11:28
by José Alberto Valente (Jaber) & Betha M. Costa
A palavra toma-me por louco
Na frase o grito rouco,
E não sei que mais lhe diga
Deixa minha boca aflita
Obedeço-lhe aos caprichos
Tudo que eu calo é pouco
A essa louca prostituída
Ante a verdade proscrita
Chupa-me o sangue, rói-me as veias
Bebem-me vinho tinto as letras
Morde-me a alma castiga-me o corpo
Lavam-me o corpo e maceram a alma
Canta-me em poesia, deleita-me na prosa
Cortam-me em penas da mão a palma
Enrola-me no enlevo do seu doce sopro
Setas de amores que em mim penetras
Toma-me no corpo, vendaval de paixões
Arrastam-me palavras cheias de emoções
Assassina-me a vontade em seus braços
Elevam-me acima das nuvem do céu
Roça-me húmida no deambular das emoções
Caem dos olhos em tempestades e trovões
Mil, como mil são seus regaços.
E dentro no peito fazem escarcéu
Corre-me nas veias liquefeita
A loucura dessa vida imperfeita
Umas vezes torpe outras sôfrega
Beija de poemas minha pele
Munida de punhal ou de penas travestida
A matéria de que eu sou feita
Mas nunca a palavra me saiu trôpega
A utopia e ao prazer me impele.
Autor: bethamendonca@ig.com.br - Categoria(s): Pessoal, Poema
Tags: dueto, escrita, palavra, Poema, sensações
30/03/2009 - 11:48
by Betha M. Costa
Nós todos nadamos nos oceanos gigantes,
Atrás de desvairadas imaginações,
Como meros peixes ornamentais mutantes,
Ou feros tubarões a rasgar emoções.
No circuito denso das marés inconstantes,
Existem grandes cardumes de semelhantes,
Que comem bem por fama ou pelo sobrenome,
Ou morrem pela boca de pobreza e fome…
Bondosos peixes superficiais ou abissais,
Dentro dos nossos mui bem tratados aquários,
Guardem os oceanos e seres embrionários!
Salvem nossa água, flora, fauna e toda vida,
Dos vis desatinos e destinos fatais!
Unam-se agora… Ou será tarde demais!…
Autor: bethamendonca@ig.com.br - Categoria(s): Notícias e Pessoal, Pessoal, Poema
Tags: desatinos, fauna, flora, oceanos, peixes, soneto
29/03/2009 - 01:36
by Betha M. Costa
Se eu não tiver n’alma e corpo amor,
As borboletas voam do meu coração,
Perdem uma a uma a beleza e a cor,
E enlouquecem na ventania da solidão.
Hei de saudar a vida com nova canção,
E caso me invada o vazio frio interior,
Se eu não tiver n’alma e corpo amor,
As borboletas voam do meu coração…
Tudo o que tenho e sou perderá valor:
Riquezas, tristezas e toda a emoção,
Caminhos, carinhos e todo o candor,
Nada mais tem sentido ou comoção,
Se eu não tiver n’alma e corpo amor.
Autor: bethamendonca@ig.com.br - Categoria(s): Pessoal, Poema
Tags: alma, amor, borboletas, coração, rondel
27/03/2009 - 11:36
by Betha M. Costa
Encarcerada nas contradições,
Perdi tino e gosto no acreditar,
E tépidos beijos ou doces canções,
Não mais me levarão a levitar.
Por isso ser náufrago do luar,
Não te percas em declarações!
Levaram os ventos às emoções,
Nada há no coração a agradar…
Vive em paz o degredo das monções,
Descerra e lança teu amor ao mar,
Desata os nós cegos das alucinações;
E se o interior do teu peito queimar,
Faz como eu que larguei as convenções:
Talvez outra chegue para te amar!
Autor: bethamendonca@ig.com.br - Categoria(s): Pessoal, Poema
Tags: amor, beijos, emoções, poema de amor, soneto
26/03/2009 - 00:54
by Betha M. Costa
I
Pontinhos carmim,
Cobertura chantilly -
Cerejas na neve.
II
Terna transparência -
Nas asas da borboleta,
As cores do mundo.
III
Um broto de vida,
Rompe dureza do solo -
Plantinha no asfalto.
IV
Curvas femininas
Embelezam a paisagem -
Montanhas nevadas.
V
Areia , corais, peixes -
Um aquário gigantesco,
É o fundo do mar.
Autor: bethamendonca@ig.com.br - Categoria(s): Pessoal, Poema
Tags: haikais, natureza
25/03/2009 - 12:01
by Betha M. Costa
O tempo parece que não passou!
A vida cruza tantos caminhos…
A criança que fui não me abandonou,
e as versões eu que fiz de mim,
para tentar ser mais feliz,
abrem asas e voam acima,
das nuvens das razões terrenas,
para que eu seja alguém,
nessa terra de preços e gastos,
onde hoje posso até ser ninguém…
Só não posso aceitar ser a vida,
tão pouco mar para navegar,
sei, esquinas vou reencontrar,
a menina que eu fui ainda a cortejar,
nas vitrines os doces e sorvetes,
e as danças de rua ao luar…
Nesse tempo acessório,
de busca pela felicidade,
não há maldade em ser feliz,
é só questão de opção.
O véu do futuro aí a descortinar,
como um manto de estrelas,
Onde a gente possa ser feliz,
mas foi você quem não quis…
Não tente agora me culpar,
se aí dentro não há lugar para navegar,
nas questões mais corriqueiras,
e a vida vai levando a lhe levar…
Autor: bethamendonca@ig.com.br - Categoria(s): Pessoal, Poema
Tags: felicidade, futuro, infância, sonhos
24/03/2009 - 11:56
by Betha M. Costa
A dor do amor salga-nos a pele,
Que se torna insensível e dura,
Porém ao puro e crente coração,
Não há sal que quebre a doçura…
Não conto das lágrimas as gotas,
Que lavam minh’alma de emoção,
Com calma reflito as horas rotas,
Que eu passo distante da tua mão.
E tal estrela no céu do outono,
Pouco a pouco perder o brilho,
Bailarina morena em abandono,
Danço na vida até cair do trilho.
Autor: bethamendonca@ig.com.br - Categoria(s): Pessoal, Poema
Tags: amor, bailarina, outono, sonho
23/03/2009 - 11:33
by Betha M. Costa
O homem que caminha na rua,
Tem na pele dobraduras de rugas,
Queimaduras que o tempo lhe deixou.
No corpo enfraquecido e encurvado,
O peso dos anos sobre a coluna,
Também carrega a vontade de viver…
Seus olhos experientes, altivos e vivazes,
Ainda fechados enxergam mais longe,
Que lhe permitem o azul das cataratas…
Arrasta-se com passos curtos e lentos,
Por que nessa vida já correu demais,
E agora já não adianta ter pressa…
O homem que caminha na rua,
É hoje chamado velho caduco,
Por que caducou a paciência dos jovens.
Autor: bethamendonca@ig.com.br - Categoria(s): Pessoal, Poema
Tags: experiência, idoso, velhice, velho
22/03/2009 - 01:28
by Betha M. Costa
Trago guardado aos lábios,
Todos os beijos que a vida me deu:
Adocicados méis in natura,
Azedas frutas amazônicas,
Fortes geadas do sul,
Famintas secas do nordeste,
Exuberâncias do norte,
Entre a selva da Av. Paulista,
E o vento da primavera européia…
Viagens de paladares e humores:
Presentes que a vida me deu!
Autor: bethamendonca@ig.com.br - Categoria(s): Pessoal, Poema
Tags: beijo, beijos, lábios, paladares
21/03/2009 - 13:14
by Betha M. Costa
Contemplo-te como rio doce e santo,
E navego nas águas do teu olhar,
Rota norte-sudeste, puro encanto,
Canto-te pequenos poemas de amar.
Versejo baixinho como acalanto,
De quem coloca seu amor pra ninar,
Enquanto o coração cobre com manto,
O seu terno sentimento a gestar…
Que não despertes em atroz espanto!
Pois recanto virtual pode quebrar,
Para quem adormeceu e sonhou tanto,
Quanto longa onda do mar a se espraiar…
Se real à quimera é contraponto:
Nosso ponto de encontro é sonhar!
Autor: bethamendonca@ig.com.br - Categoria(s): Pessoal, Poema
Tags: acalanto, amor virtual, soneto inglês
20/03/2009 - 12:03
by Betha M. Costa
Lento o vento levou com você,
O perfume e cor dos meus dias,
O que ficou comigo de alegria,
Toca ao piano nas nossas canções.
Nos recortes das lembranças,
O violão de cordas quebradas,
As sapatilhas rosa paradas,
Os poemas ainda por escrever…
E as pautas musicais espalhadas,
Criam mal estar na sala de estar,
Mas não sinta que há tristeza aqui,
Porque a todo instante toca o piano…
Autor: bethamendonca@ig.com.br - Categoria(s): Pessoal, Poema
Tags: lembranças, piano, sapatilhas, saudades
19/03/2009 - 12:11
by Betha M. Costa
M1
O café amargo da mentira
De verdade não se adoça -
Será sempre café amargo.
M2
Algumas mentiras,
Pernas de bailarinas,
Correm mundos…
M3
A mentira é o avesso
Do se crer ser verdade,
Quando dita por outrem…
M4
De verdade a mentira,
Só é mal necessário
A quem nela acredita.
Autor: bethamendonca@ig.com.br - Categoria(s): Pessoal, Poema
Tags: mentira, poetrix
18/03/2009 - 11:48
by Betha M. Costa
Triste como quem dorme profundo,
Voa através de lindo sonho colorido,
E desperta para desastroso pesadelo.
Lúcida como se a beira da morte,
Passasse diante dos meus olhos,
A minha vida inteira em filme.
Perdida como uma louca desvairada,
Trancafiada na cela de um sanatório,
Em quem os remédios surtam em efeitos…
Feia como a Rainha Madrasta Má,
Que é belíssima pelo lado de fora,
E tem coração negro noite sem estrela.
Fria como se deitada entra as flores,
Dentro de uma grande caixa de cristal,
Sem príncipe para beijar-me a boca.
Partida como uma tangerina ruim,
Que de tão azeda, junto com os caroços,
Cospe-se inteira ao lixo mais próximo.
Hoje eu estou triste como não devia,
Porque a pura e plena alegria,
Não é a veste para todos os dias!
Autor: bethamendonca@ig.com.br - Categoria(s): Pessoal, Poema
Tags: introspecção, loucura, tristeza
17/03/2009 - 11:19
by Betha M. Costa
Esporas nas ancas dia a dia
Mesa vazia de muita fome
Assinam nome e sobrenome
Ao papel lágrima e sangue
E lástimas, solidões e esperas
Pendem do anelar esquerdo
Horas soltas de sentidos
Avisos à porta da geladeira
Lençóis e carnes desfeitas
Manhãs de sol – tardes de chuvas
Perdidas na insônia das noites
Horas mancas de nunca mais…
Fora à volta ao que não tive
Baila a dança do tempo
E despe-se palavra que cative!
Autor: bethamendonca@ig.com.br - Categoria(s): Pessoal, Poema
Tags: lágrima, separação, solidão
16/03/2009 - 10:35
by Betha M. Costa
Senhor das letras, meu poeta…
Querido meu, como és gentil!
Tu livras minha alma inquieta,
Do quê nessa vida é triste ou vil.
Tua negra pena voa no céu anil,
Tal ave cativa há pouco liberta,
Senhor das letras, meu poeta…
Querido meu, como és gentil!
A doce linguagem pura e secreta,
Codificada em cada poema teu,
Tal romântica carta antiga aberta,
Encanta até o meu coração ateu:
Senhor das letras, meu poeta…
Autor: bethamendonca@ig.com.br - Categoria(s): Pessoal, Poema
Tags: ave, letras, poeta, rondel
15/03/2009 - 11:38
by Betha M. Costa
I
É o céu bom e velho,
Amigo e companheiro,
Com ele me aconselho,
A cada amor primeiro!…
II
Quando se ama de verdade,
Nem todo o vinho é doce,
Não há uva verde da vaidade,
Nem bom cacho é cortado à foice.
III
Meu peito é delicado alforje,
Guarda tudo o quê eu vivi,
Mas o ontem ainda é tão hoje,
Quanto o amor que eu perdi.
IV
Bem cedo ou muito tarde,
Uma lua ladra e distraída,
Arranca-nos de peito que arde,
O grande amor de uma vida.
V
Não fique triste, amorzinho,
Ainda que viva distante,
Você tem o meu carinho,
E me é muito importante!
Autor: bethamendonca@ig.com.br - Categoria(s): Pessoal, Poema
Tags: amado, namorado, quadras de amor
14/03/2009 - 12:04
by Betha M. Costa
Quando sopram os ventos em monções,
Concorridos dias e horas se apressam,
Almas em ladainhas e procissões,
Das janelas para ruas se arremessam.
Perfilando rosários e histórias,
Umas cantam suas alegrias e encantos,
Outras lamentam amargas memórias,
Sob os prantos e seus escuros mantos.
Velas nas mãos, olhos aos infinitos,
Espectros penitentes de si mesmos,
Escorregam nas valas dos proscritos.
Entre as tristes lágrimas dos aflitos,
E alegres e explosivos risos a ermos,
As almas cantam e lançam seus gritos…
Autor: bethamendonca@ig.com.br - Categoria(s): Pessoal, Poema
Tags: almas, lágrimas, procissão, soneto, ventos
13/03/2009 - 09:52
by Betha M. Costa
Há um pássaro enraizado na pedra,
Que vive dentro do meu coração,
Seu canto agudo e torturado medra,
Amor ao peito do mais severo capitão.
Meu imperfeito olhar castanho redra,
No azul do céu as nuvens da escuridão,
Bico adunco, eu afasto camadas da esfera,
E vejo o universo em toda amplidão.
Ah, visão em constante inversão!
As asas rastejam na vida em queda,
Nada afasta a dor e a consternação,
Do pássaro sofrido sobre a pedra,
Que está com ela em eterna fusão.
Autor: bethamendonca@ig.com.br - Categoria(s): Pessoal, Poema
Tags: amor, coração, pássaro, pedra
12/03/2009 - 11:17
by Betha M. Costa
Não doiro a tez ao sol da manhã,
Não baloiçam aos ares meus cabelos,
Nem uso facto de banho para ir à praia.
Não me apedrejem por falar diferente!
Por actos meus que desagradam de facto,
Por usar calcinhas e não cuecas,
Por meus adolescentes não serem putos.
Gente, eu amo os Pastéis de Belém!
Flutuo com os anjos na voz da Dulce Pontes,
E ao embalo mágico de A Canção do Mar,
Eu sonho em colorido sotaque português.
Não quero roubar a luz dos seus olhares,
Quero o imenso mar da razão e afeição,
A banhar sempre nossos corações irmãos!
Autor: bethamendonca@ig.com.br - Categoria(s): Pessoal, Poema
Tags: cabelos, diferenças, língua portuguesa, ortografia
11/03/2009 - 11:26
by Betha M. Costa
És livre para partir e para chegar.
Então, por que chegas e entras,
E sem convite te espalhas pelos cantos,
E te espelhas em todos os espaços,
E em laços atas os meus abraços?
És livre para chegar e para partir.
Então, por que partes e te vais,
E sem te importar com meus ais,
E sem avisos deixas algo de nós,
Impregnado na seda dos lençóis?
Autor: bethamendonca@ig.com.br - Categoria(s): Pessoal, Poema
Tags: abraços, chegar, lençois, partir, poema de amor
10/03/2009 - 10:55
by Betha M. Costa
Com as tuas mãos firmes e santas na pena,
Sentimento, caligrafia e ortografia bem postas,
Dias serenos e de doce felicidade tu apostas,
Em belos sonetos para essa insana morena.
Um verbo, muitos adjetivos, dois pronomes,
Uma pitada de pensar, meia dúzia de sentires,
Depositas os acepipes de versos nos pires,
Para saciar-nos das leituras as várias fomes.
Rondas pelos cantos e encantos deste mundo,
A procura do mais perfeito e delicado poema,
Peregrino solitário a exalar amor profundo…
Ah, Alquimista, como essa insensata pequena,
Inconstante e mutante folha ao vento,
Pode trazer ao teu puro coração algum alento?
Autor: bethamendonca@ig.com.br - Categoria(s): Pessoal, Poema
Tags: alquimista, amor, pena, Poema, soneto
09/03/2009 - 11:33
by Betha M. Costa
Leve flutua o meu pensamento,
Na floresta doce da imaginação,
Verde folha levada ao vento,
Aproveito da vida cada emoção.
Se ao ar desenho um coração,
Enlevada, poemas eu invento,
Leve flutua o meu pensamento,
Na floresta da doce imaginação.
Quando se põe em movimento,
Éolo é um Deus de grande ação,
Carrega a folha ao alimento,
E enquanto nutro-me de afeição,
Leve flutua o meu pensamento…
Autor: bethamendonca@ig.com.br - Categoria(s): Pessoal, Poema
Tags: coração, folha, imaginação, rondel, vemto, vento
08/03/2009 - 11:45
by Betha M. Costa
Amores eu tive muitos,
Nunca deixei de tê-los,
Ficaram nas encruzilhadas…
Paixões várias eu queimei,
Até minha carne sangrar,
E esgotarem as possibilidades.
Vida sempre eu percorri a pé,
Como uma nômade triste,
A procura de água fresca.
Alimento para a alma,
Tive em muitos lugares,
Comi a fartar-me e enjoei…
Paz havia na dança das horas,
A música parou de repente:
Perdi-a ou foi embora.
Autor: bethamendonca@ig.com.br - Categoria(s): Pessoal, Poema
Tags: amores, Música, paixões, vida
07/03/2009 - 11:55
by Betha M. Costa
Dentro do meu peito nada envelhece,
Nem uma palavra é posta fora,
Uma história de amor só fenece,
Se em dores o coração muito chora…
Não mereço que você tenha dó,
Pelo que a tristeza fez ao meu rosto,
Minha alma quem desejou viver só,
A carregar no corpo esse desgosto!
Para um ser que se julgou bem inteiro,
Sou da déspota que perdeu o posto
Findo o reinado triste e passageiro…
Vivo de muito circo e pouco amor,
Uma palhaça a cair no picadeiro,
Sem os aplausos do apresentador…
Autor: bethamendonca@ig.com.br - Categoria(s): Pessoal, Poema
Tags: amor, circo, palhaça, rainha, solidão, soneto
06/03/2009 - 11:25
by Betha M. Costa
O homem do centro do seu másculo peito,
Tomou o barro do seu amor e com mão ávida,
Moldou-me segundo seu bel prazer e intuição,
Para que eu fosse à mulher de toda a sua vida,
Ou profundo abismo da sua negra perdição…
De argila deu-me corpo comum e profano,
Deus mortal, pagão, vilão e sem santidade,
A imagem utópica de seu desejo insano,
Soprou-me na boca o fogo da humanidade,
E tornou-se o meu escultor, senhor e tirano.
Da terra encontrada pelos longos caminhos,
Onde montes de piçarras doem aos olhos,
E tantos pés já pisaram tantos passos,
Tomou por empréstimo alguns pedaços,
Fez-me um coração vermelho… De barro!
Pobre de mim: mero artesanato!
Autor: bethamendonca@ig.com.br - Categoria(s): Pessoal, Poema
Tags: amor, barro, coração, deusa, fogo
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