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02/12/2009 - 18:50

2012 (2012, EUA, 2009)

Filme-catástrofe não é tão catastrófico quanto o trabalho anterior do cineasta. O que não quer dizer muita coisa…

2012posterrioRoland Emmerich deveria dirigir um filme de terror algum dia. Sério mesmo. Ele tem potencial para isso. Notem como vilões consagrados do gênero como Jason Voorhees, de Sexta-feira 13, e Jigsaw, de Jogos Mortais, escolhem suas vítimas baseados em questões morais. Jason gostava de matar casais de namoradinhos enquanto transavam em bosques e celeiros abandonados. Um puritano nato. Já Jigsaw é mais afeito a eliminar pessoas que não dão valor à própria vida. Só sobrevive quem mostrar abnegação à morte. Uma espécie de anjo vingador.

Em 2012, todos os personagens principais do filme-catástrofe passam por esse julgamento moral. Os sobreviventes, como convêm à regra, são todos aqueles que mostraram algum tipo de altruísmo ou se enquadram dentro de uma instituição familiar unida e caricata: o cientista dedicado, o monge predestinado, a mãe protetora, e por aí vai.  Morrem, como convêm à regra, todos aqueles que pecaram: o pai alcoólatra, o empresário inescrupuloso, o funcionário infiel, e por aí vai. Mas entre todos esses pecadores, há um mártir injustiçado: o presidente dos Estados Unidos. O que não é nenhuma novidade quando se trata dos filmes de Emmerich, embora esse filme seja um dos menos patrióticos do cineasta se comparado com Independence Day e, obviamente, O Patriota. Aliás, ele é também muito superior ao seu trabalho anterior, 10.000 A.C.

Arquétipos narrativos à parte, 2012 não é o tipo de trabalho que mereça grandes confabulações quando se o assiste no cinema. O mais correto é deixar o cérebro em casa e se deleitar com o que há de mais contemporâneo em termos de efeitos especiais.

[Mar aberto]

Conforme prescreve a profecia Maia, no dia 21 de dezembro de 2012 ocorrerá o alinhamento do sistema solar que resultará num maremoto e, consequentemente, na destruição a Terra. Pega de surpresa, a população mundial se vê em apuros quando desastres naturais começam a ameaçar o planeta. Enquanto o presidente norte-americano (Danny Glover) dedica esforços num plano de evacuação para determinados sobreviventes, o escritor fracassado Jackson Curtis (John Cusack) tenta se reaproximar dos filhos – no clichê mais usado na história do cinema.

É durante um passeio com as crianças que ele descobre a verdade sobre o futuro da humanidade. Começa então uma incrível luta pela sobrevivência com direito a tempestades, terremotos, maremotos, teorias conspiratórias e soluções bíblicas para problemas contemporâneos.  O destino da população passa pelas engrenagens do poder…

Sem se levar muito a sério, 2012 promove ao espectador a velha máxima do cinema descartável, mas de qualidade. É longo demais, é verdade, mas tem apelo visual, cenas de ação barbarizantes e um ritmo que faz a sessão acabar num piscar de olhos. Emmerich consegue dosar os clichês do gênero e seu próprio reacionarismo com pitadas de ironia e humor leve, no qual destaca-se a inspirada participação de Woody Harrelson, no papel do lunático que antevê o fim do mundo. Nós brasileiros, só ficamos desapontados por ter visto o Cristo Redentor ser esfacelado quando poderia ter sido o Palácio do Planalto…

    2meio

Ficha Técnica
Título Original: 2012
Direção: Roland Emmerich
Gênero: Ação/Ficção
Duração: 158 minutos
Elenco:John Cusack, Chiwetel Ejiofor, Oliver Platt, Amanda Peet, Thandie Newton, Woody Harrelson, Zlatko Buric, Danny Glover, Thomas McCarthy

Autor: Charles M. Helmich - Categoria(s): Cinema, Resenha Tags: ,


9 comentários para “2012 (2012, EUA, 2009)”

  1. Achei o seu início muito clichê, mas no geral conseguiu me entreter.

  2. Pedro Tavares disse:

    O Emmerich é psicótico com essa coisa de fim do mundo, utiliza sempre isso pra brincar com efeitos e esquece de fazer uma história que preste…

  3. Wally disse:

    É… o anterior de Emmerich foi uma merda. Mas gostei deste. Cumpri seu objetivo e diverte pacas.

    3 estrelas.

  4. Wally disse:

    Cumpre*

  5. Eu tentei entrar no clima – e sempre consigo quando quero, como aconteceu em “O Dia Depois de Amanhã”. Mas esse “2012″ abusa da boa vontade. Alguns clichês chegam a ser infantis e poderiam ter sido evitados com muita facilidade. Roland Emmerich, muito criticado por essas storylines cafonas, já devia saber disso…

  6. Matheus disse:

    Achei “2012″ uma verdadeira porcaria, talvez o pior filme de 2009. Não é porque fui crítico demais. Mas, vamos combinar, tem clichê ali dentro que poderia muito bem ter sido evitado. Clichês que até uma criança não pensaria para um filme desses. Eu acredito sim que é possível fazer um filme-catástrofe sem subestimar a capacidade mental das pessoas.

  7. Elton Telles disse:

    Hahahaha, adorei o seu texto!
    eu já achei “2012″ um verdadeiro exercício de paciência. É tipo “Transformers”: filme ruim que só se deve assistir no cinema por conta do show de efeitos visuais. Mas Emmerich extrapola na dosagem, compõem cenas terríveis, apelativas, é looongo demaaais, cansativo(já estava me sacudindo na poltrona do cinema). Enfim, mas vale pelas gags involuntárias.

    quisera eu que o mundo tivesse acabado antes de eu entrar no cinema para assistir isso. =D

    abraço!

  8. Ah, já eu não consigo deixar o meu cérebro escondido em algum lugar antes de encarar um filme. Há coisas que dá para serem apreciadas sem compromisso, o que não se aplica muito bem quando o assunto é o cinema de Roland Emmerich. Desisti de ver nos cinemas quando soube que o Cristo Redentor é visto sendo destruído pelos personagens… enquanto assistem tevê. Que frustrante!

  9. Dewonny disse:

    Charles, kd tu rapaiz?
    Sumiu geral, vê se aparece!
    Abs! Diego!

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