(500) Dias com Ela ((500) Days of Summer, EUA, 2009)
Leve e divertida, comédia romântica aposta na abordagem sóbria dos relacionamentos
Antes de começar a escrever bem sobre (500) Dias com Ela, apenas uma divagação: Por que todo filme que ambiciona ser hypado precisa obrigatoriamente ter na sua trilha musical alguma referência à cena musical dos anos 80? Outra dúvida que colabora para a má qualidade do meu sono: por que todo diretor que ambiciona ser hypado precisa obrigatoriamente repicar sua história com cortes clipados, contando-a ou de trás pra frente ou em ritmo de vai e volta?
Apenas fórmulas, diria alguém mais esperto. E de fórmulas até esse cinema tido como independente precisa para não sair dos eixos…
Dito isso, é estranho constatar o quanto se tem comentado favoravelmente a respeito do filme de estreia de Marc Webb apenas pelo viés da originalidade. Ora, não é porque um longa-metragem possui montagem estilizada e referências A Primeira Noite de um Homem e O Sétimo Selo que ele mereça receber esse rótulo. Na verdade, o que torna (500) Dias com Ela uma experiência interessante não é o seu suposto toque original e sim a sua abordagem sóbria, e ao mesmo tempo cativante, no que tange a dinâmica dos relacionamentos.
Tom Hansen (Joseph Gordon-Levitt) é um sujeito talentoso o bastante para ser bom profissional, porém vulnerável o suficiente para consumar uma vida amorosa. Seu conhecimento sobre o amor se restringe às canções pop britânicas que ouve no rádio e aos cartões postais que escreve na empresa onde trabalha. Quando descobre ter um ponto em comum com a nova colega de trabalho Summer (Zooey Deschanel),Tom acha que encontrou o seu verdadeiro amor. Filha de pais separados, Summer não detém o mesmo ponto de vista.
Mesmo com perspectivas opostas, os dois iniciam um namoro que se prolonga pelos 500 dias que sugerem o título. E assim, acompanhamos de forma não linear – os dias vão e voltam ao longo de todo o filme- os desdobramentos que permearam a relação do casal durante esse tempo e que culminam com Tom levando um pé na bunda- fato evidenciado já no prólogo do filme.
Entre cânones rebuscados de Noivo Neurótico, Noiva Nervosa e o caldo cool de Alta Fidelidade, o filme de Marc Webb convence por se ater no meio termo narrativo. Ou seja, as situações da trama são simples, mas bem construídas; a montagem é dinâmica, mas não histérica e; por fim, os personagens soam originais sem serem verborrágicos. Joseph Gordon-Levitt , embora caricato em certos momentos, convence com sua cara amassada. Já a beleza magnetizante de Zooey Deschanel confere à atriz um carisma espontâneo. E é essa empatia dos protagonistas somada ao comedimento estético do cineasta que fazem de (500) Dias com Ela, um filme consistente que se esforça em ser honesto com o espectador, sem que para isso tenha que recorrer a fatalismos ou situações extremas. Afinal, o que é mais humano do que se ferrar e seguir em frente?
Título Original: (500) Days of Summer
Direção: Marc Webb
Roteiro: Scott Neustadter, Michael H. Weber
Gênero: Comédia romântica
Duração: 95 minutos
Elenco: Joseph Gordon-Levitt, Zooey Deschanel, Geoffrey Arend, Matthew Gray Gubler



Leio tantos elogios que fico cada vez mais ansioso para conferir. Sua crítica ficou ótima!
Ainda não assisti a esse filme, mas – apesar de ele não fazer meu tipo – tenho muita vontade de conhecê-lo. Pelos comentários que li até agora (inclusive o teu), essa parece ser uma comédia romântica inteligente, algo raro no gênero, que é composto de trilhões de clichês infelizes.
Esse filme foi uma grande surpresa. Sincero e muito bem realizado. Um dos melhores do ano.
Wally – Obrigado, velhinho. Veja esse filme sem arrependimentos.
Daniel – É bem por aí mesmo. Pelo menos essa comédia romântica não afronta nossa inteligência ou senso de lógica.
Matheus – Sem dúvida. Formulaico, mas muito bem feito.
abs.