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12/11/2009 - 17:37

Distrito 9 (District 9,Nova Zelândia/África do Sul, 2009)

Sci-fi produzida por Peter Jackson não se tornou fenômeno de bilheteria nos EUA por acaso

06-11 distrito 9Ao adaptar a trilogia de Senhor dos Anéis, Peter Jackson atestou de vez sua capacidade em humanizar o fantástico nas telas. Ainda mais com o orçamento gordo que recebeu para produzir a trilogia, o que lhe permitiu carregar de perfeccionismo a sua obra. Mas quem conhece a fase podreira do cineasta nos anos 80 sabe que o cara opera milagres mesmo com cifras enxutas. E quando se trata de um filme de ficção científica, verba graúda é fundamental. Nas mãos de um qualquer, os US$ 30 milhões usados para financiar Distrito 9 talvez não fossem suficientes para garantir finesse a uma sci-fi. Para o estúdio de Peter Jackson, que recebeu parte desse bolo para realizar a pós-produção, foi brincadeira de criança.

Em seu primeiro longa-metragem, o diretor sul-africano Neill Blomkamp mostrou ter uma afinidade inusitada com a bilheteria. Só nos Estados Unidos seu filme faturou US$ 114 milhões, número expressivo para filmes com indicação para maiores de 17 anos. Peter Jackson soube mesmo escolher bem o seu apadrinhado.  

[Independence Day às avessas]      

Uma nave alienígena fica “sem bateria” em Johannesburgo. O céu da cidade vira seu estacionamento. Sem terem para onde ir, e muito menos chamar um guincho, centenas de milhares de alienígenas tornam-se hóspedes dos terráqueos. Sob as ordens das autoridades terrestres, acabam isolados num gueto que em poucos anos, multiplica de população, levando a cidade ao caos.

Exilados em seus barracos e sem ajuda humana, os alienígenas – “carinhosamente” apelidados de camarões – passam a praticar crimes e despertar o ódio na população terráquea. Para piorar, milícias armadas se infiltram nos guetos para traficar comida de gato, a comida predileta dos aliens. Como moeda de troca, recebem armas que só podem ser acionadas com DNA extraterrestre.

Quando a situação já se encontra insustentável, a agência governamental responsável pelo “bem-estar” dos aliens resolve isolá-los em barracas num novo local distante da cidade. A comitiva responsável pelo deslocamento tem como líder o aparvalhado Wikus Van De Merwe (Sharlto Copley), que só recebeu o cargo devido a uma decisão nepotista, que mais tarde, revela ter segundas intenções.  Durante uma intimação, Wikus é contaminado por uma substância desconhecida e começa a passar por mais bocados.

A partir daí, não cabe dar mais detalhes, pois tiraria a expectativa de quem ainda não assistiu o filme. A esse público cabe ressaltar que é nesses instantes iniciais que Distrito 9 joga sua isca para tentar fisgar o espectador.  Está ali, tudo o que o diretor tentar incrementar em termos de originalidade no filme: narrativa documental em primeira pessoa, protagonista contraditório, criação visual nada convencional dos alienígenas e um roteiro que avança deixando perguntas que vão sendo respondidas ao longo da trama. Nem todas, entretanto.

Distrito 9 tem ainda um forte respaldo com a crítica social. Não é apenas alusivo ao apartheid, mas usa também as dificuldades de convívio entre humanos e alienígenas como pano de fundo para certas idiossincrasias das relações humanas. Para um cara como Peter Jackson que tornou verossímil hobbits, elfos e mais tarde um certo gorila gigante não deve ter sido difícil auxiliar o seu pupilo a permear de humanidade seus extraterrestes. Portanto, não se sinta culpado se em algum momento do filme você sentir empatia por eles.

Na parte da direção, Blomkamp teve méritos em dosar ação, ironia e originalidade com certos clichês dramáticos. Seu filme deixa pontas soltas estrategicamente postas na trama, a ponto de tornar irresistível uma continuação, que tudo leva a crer, não demorará a sair…   

3meiocot
Ficha Técnica
Título Original: District 9
Diretor: Neill Blomkamp
Gênero: Ficção Científica
Duração: 112 min.
Ano: 2009
Elenco: Sharlto Copley, Jason Cope, Nathalie Boltt, Sylvaine Strike, Elizabeth Mkandawie, John Summer, William Allen Young.

Autor: Charles M. Helmich - Categoria(s): Cinema, Resenha Tags: ,


6 comentários para “Distrito 9 (District 9,Nova Zelândia/África do Sul, 2009)”

  1. Não gosto desse tipo de filme, acho que a minha cotação será a mesma.

  2. Wally disse:

    Me arrependi por ter perdido este filme nos cinemas! Adoro o gênero e amo idéias originais.

  3. Samantha disse:

    Gostei muito desse filme, mas acho que uma continuação não seria benéfica. E parabéns pelo texto. =)

  4. Charles M. Helmich disse:

    Brenno – O filme é muito bom de se ver no cinema. Na tela reduzida ele perde impacto.

    Wally -Na verdade o filme, para mim, soa mais cínico do que original. Mas com certeza é um trabalho de muita personalidade.

    Samantha – Obrigado, Samantha. Colocarei o teu blog no meu blogroll. Sobre esse lance de continuação, acho que ela é válida haja vista que há muito coisa obscura pra se lapidar dessa trama. Isso desde que não usem a continuação como laboratório para diretores novatos, embora nesse caso tenha dado certo.

    abs.

  5. Daniel disse:

    Apesar de não gostar do gênero sci-fi, Distrito 9 me parece ser um ótimo filme.

    Deixei para ti um selo. Para pegá-lo, passe no meu blog. Abraço e parabéns!

  6. Charles M. Helmich disse:

    Daniel, muito obrigado pelo selo. Assim que reorgnizar o blog, farei o repasse do selo. abs.

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