Deixa Ela Entrar (Lat den Rätte Komma In, Suécia, 2007)
Filme sueco rompe as tradições do gênero e agrega originalidade à história de vampiros
Por mais que a temática do vampirismo esteja ali presente, é um equívoco partilhar os méritos do filme Deixa Ela Entrar com outras obras do gênero. Desprovido de artifícios básicos de caracterização e abordagem, essa produção sueca não se intimida em manter-se distante ao enredo clássico das histórias de vampiro. Mesmo ciente de que a tensão e o suspense são elementos indissociáveis ao gênero, o diretor Tomas Alfredson não se furta em agregar ao tema o fardo da adolescência. Com isso, seu arco narrativo não só ganha um toque original como pleiteia um andamento novo a uma história já saturada na sua forma de ser contada.
Centrado na figura trágica de seu protagonista adolescente, o filme se envereda pelas dificuldades de socialização que imperam nessa idade. Oskar (Kåre Hedebrant) costuma ser o saco de pancadas da escola. Franzino, canaliza sua vingança num canivete, com o qual desfere golpes imaginários em árvores e objetos. A aparência física raquítica e empalidecida, somada a sua obsessão pelo noticiário mórbido, dá a impressão de que o vampiro da história é ele.
Em uma de suas encenações de como esfaquearia seus colegas de classe, Oskar acaba conhecendo Eli (Lina Leandersson), sua nova vizinha. Ambos são meio solitários. Ambos têm também a mesma idade, 12 anos, só que no caso dela, há muito mais tempo. As semelhanças os fazem amigos. Mas o que reforça mesmo os seus laços de amizade são as suas diferenças.
Em vez de se intimidar com as origens da garota, Oskar vê nos poderes de Eli, não um manto protetor, mas sim um alento; um objeto de culto diante de suas limitações e fraquezas. A veneração por ela o fará repensar no seu destino.
Filmado numa película escurecida, Deixa Ela Entrar é econômico nas cenas fortes. O que não impede o surgimento de imagens impactantes e algumas mortes violentas. O suspense, no geral, é climático, aguçado principalmente pelo bom uso que Alfredson faz das paisagens geladas de Estocolmo. No fim das contas, o grande trunfo do filme é mesmo a relação dos dois garotos e sua verossimilhança com as dificuldades da adolescência. O desfecho, um tanto melancólico, oferece interpretações. Objetivo mesmo, é a qualidade desse trabalho que, ao contrário da última leva de filmes do gênero, não nos deixa indiferente ao término da sessão.
Ficha Técnica
Título Original: Låt den Rätte Komma In
Direção: Tomas Alfredson
Roteiro: John Ajvide Lindqvist
Gênero: Suspense
Duração: 110 minutos
Elenco: Kåre Hedebrant, Lina Leandersson, Per Ragnar, Henrik Dahl, Karin Bergquist, Peter Carlberg



Até agora, todas as opiniões que eu li sobre este filme foram excelentes. Apesar de não ser a maior fã do gênero de terror, quero dar uma chance a esta obra!
Pelos comentários que já li até o momento, parece ser um dos melhores filmes do ano.
A certa estranheza da trama chama muito a atenção, sem dúvida verei em breve!
Gosto da trama e de como ela se desenrola, da foto e das atuações. A direção é contida, porém tem potencial pra sustentar o texto. Ótimo filme!
Ansioso para conferir esta obra, que só ganha elogios. Não chegou por aqui.
Charlie, eu achei muito interessante essa chance que o filme deixa de várias interpretações, especialmente no que se diz respeito ao velho do qual Eli estava “aos cuidados” (eu acho que ele era, no passado, um garoto como o ingênuo Oskar, mas há quem interprete que ele pode até mesmo ser um pedófilo). As lacunas deixadas de Eli então, nem se fala! Achei um ótimo filme também. Só sinto não ter gostado totalmente por conta da intromissão expressiva que uma das vítimas de Eli, aquela mulher que vira vampira, na história. Abraços!
Fala Charles!
Elogiei bastante esse lá no CF e no meu blog, vc deve estar sabendo q adorei!
Filmaço! Um dos melhores do ano!
Excelente sua crítica, como sempre, à altura do filme, parabéns!
Abs! Diego!
1 mês sem postagem! Está vivo?
Pô, Charles! Deu uma sumida legal, hein? Desanime não!
Vi o filme e concordo com a critica: é difícil ficar indiferente! É um filme inteligente e aberto a interpretações. Achei que o vampirismo do filme é o de menos, mas o confronto dos personagens com a relação de sobrevivência é fantástica, tanto a menina e sua contradição, ora uma figura meiga, ora animalesca, e o menino, reprimido e sem convívio social, mas ambos solitários e infelizes…
Bom, também não sou tão fã de terror, mas achei que esse filme vai além disso, e é uma ótima opção de entretenimento!
Kamila – Se todos estão falando bem é por dois motivos: ou porque o filme é, de fato, bom ou porque a última safra de filmes de vampiro é muito ruim e ele acaba por se sobressair…
Vinicius – O que mais chama atenção é a naturalidade como o drama e suspense se fundem nesse filme.
Pedro – De fato, o fato da direção não extrapolar as atitudes e o virtuosismo dos personagens torna o filme mais crível e mais surpreendente.
Wally – Deve chegar logo, embora seja mais fácil por vias ilegais, hehehe
Alex – Alex, sabe que tive essa mesma leitura do personagem?! Penso que é exatamente isso! Essa cena que tu não gostaste talvez tenha sido usada pelo diretor para colocar um pouco mais de elementos de terror ao filme…
Diego – Cara, esse filme é demais mesmo. Deliciosamente melancólico.
Brenno- Estou, Brenno, graças à Deus…hehehe
Lila – Com certeza. O filme se inclina muito mais ao drama do que ao terror. Por vezes o garotinho (e sua vida sofrida) é muito mais assustador que a menina.
abs.