Honeydripper – Do Blues ao Rock (Honeydripper, EUA, 2007)
Introdução da guitarra elétrica na música negra norte-americana é o tema central do filme que empolga quando é memorialista, mas pisa em falso quando é panfletário
- Quantos anos têm essa guitarra?
- Essa é a segunda que criaram. O diabo ficou com a primeira…
Os Estados Unidos dos anos 50 foi marcado para os negros americanos como um período de reivindicação dos direitos civis. Na época, estados como Geórgia, Luisiana e Alabama “largaram na frente”, muito embora a segregação racial assolasse a região por vias expressas que estancavam a pretensa liberdade. É esse pano de fundo que dá cores a Honeydripper – Do Blues ao Rock, escrito, dirigido e editado por John Sayles em 2007, mas que só pintou nos cinemas brasileiros esse ano. O filme ilustra como a comunidade negra do sul dos EUA driblou as adversidades e se tornou o epicentro dos principais gêneros da música popular do país.
A história se passa no Alabama, ironicamente, na cidade de Harmonia, onde oficialmente todos os cidadãos são livres para ir e vir, mas no fim das contas, a maioria acaba escravizada nas plantações de algodão. A mão de obra das fazendas é garantida pelo xerife do povoado (Stacy Keach), que preenche o trabalho nas lavouras com pessoas acusadas de “vadiagem” que para não irem pra cadeia, se obrigam a pagar a fiança com o trabalho nas lavouras. Um dos poucos negros empreendedores da região é Tyrone Purvis (Danny Glover) que administra o bar Honeydripper. O problema é que seu estabelecimento está ultrapassado. Com a chegada dos jukeboxes ninguém mais quer saber de música ao vivo.
Ameaçado por gangsteres e a beira da falência, sua última tentativa de salvar o negócio é promover um show com um guitarrista de Nova Orleans, famoso no rádio. O espetáculo irá contrariar a lógica de Tyrone que se opõe ao uso da guitarra. Para ele, o instrumento acaba contaminando as raízes do blues. Suas convicções começam a ser revistas com a chegada do jovem Sonny (Gary Clark Jr.) à cidade, que tentará a sorte com seu “instrumento do mal”.
Com uma trilha musical envenenada de slides de guitarra, Honeydripper funciona legal quando se concentra na abordagem musical. Diferente do que sugere o título nacional, o filme não se concentra na transição do blues para o rock, mas apenas insinua um tímido flerte de um gênero para o outro.
Quando adentra no discurso racial, o longa perde pontos por insistir em subtramas rasas demais e discursos previsíveis o suficiente para não produzirem efeito algum no espectador. Vemos então os mais variados estereótipos sulistas, os religiosos devotos, os fazendeiros racistas, os fornecedores desconfiados, o malandro forasteiro e por aí vai. Nada que Alan Parker já não tenha dissecado com uma trama muito mais vitaminada em Mississipi em Chamas. Nesse mosaico de personagens mal acabados, pinta até uma pontinha do diretor. Sua aparição nas câmeras é discreta, agora o trabalho de fotografia e a reconstituição de época do seu filme estão numa sintonia tão afinada quanto um bom blues. Amantes da boa música não terão do que reclamar…
Ficha Técnica
Título Original: Honeydripper
Gênero:Drama
Direção:John Sayles
Elenco:Danny Glover, Gary Clark Jr., Lisa Gay Hamilton, Yaya DaCosta, Charles S. Dutton, Vondie Curtis-Hall
Duração: 124 minutos
Autor: Charles M. Helmich - Categoria(s): Cinema, Resenha Tags: Cinema, Resenha


Não sei porque, mas esse filme não me desperta interesse.
Olá Charles!
Nem sabia q existia esse!
A princípio ñ fiquei interessado, mas quem sabe no futuro se passar na sky eu até veja!
Abs! Diego!
Marcus – Tem que gostar de blues…
Diego – Danny Glover já fez filmes melhores, mas esse até que tá na média…
abs,