Arquivo de junho, 2009
30/06/2009 - 18:57
Documentário começa como uma homenagem e termina numa surpreendente batalha judicial que cruza as fronteiras norte-americanas
Pode parecer simplista, mas um dos principais recursos que decidem o potencial de um documentário é a sorte. Exemplo emblemático é o longa de não-ficção Na Captura dos Friedmans. Inicialmente, a ideia do documentarista Andrew Jarecky era fazer um filme sobre um palhaço que ganhava a vida nas ruas de Nova York. Isso até ele conhecer a história da família lunática de David Friedman que registrava a rotina do lar através de vídeos caseiros. As imagens obtidas pelo cineasta mudaram a dimensão do trabalho que passou a ser focado na prisão do pai e do irmão do palhaço David, ambos acusados de pedofilia. Os arquivos pessoais da família Friedman fizeram uma diferença colossal no resultado do documentário realizado em 2003, talvez o melhor já feito nessa década…
Mesmo caso se aplica a Dear Zachary – A Letter To a Son About His Father, filme sem previsão de estreia aqui no Brasil. O documentário tem como protagonista o Dr. Andrew Bagby, morto premeditadamente pela namorada. O cineasta Kurt Kuenne só tinha a intenção de homenagear o amigo de infância. O que ele não contava é que a vida real pode ser ainda mais contundente que a ficção. Meio sem querer, o cara acabou realizando uma pequena obra-prima.
Quando adolescente, Kuenne realizava pequenos curtas-metragens com os amigos, no interior da Califórnia. Andrew sempre queria ser o vilão, pois assim poderia falar mais palavrões. Sabe aquele tipo de pessoa que não tem dia ruim, está sempre feliz e disposto a levantar o astral dos amigos? Andrew era assim. Desde criança. Na abertura do filme, o diretor intercala imagens da infância com os anos finais da vida do amigo. Não há como pensar diferente: o cara era DEMAIS!
Do menino gordinho e boca suja ao sujeito galhofeiro e sempre sorridente que contava piadas nas festas de casamento, Andrew era de fato uma pessoa especial. Onde quer que ele fosse sua presença contagiava o ambiente. Foi assim na sua chegada ao Canadá para cursar medicina. Foi assim na Pensilvânia onde se especializava em medicina familiar. Foi assim até ser assassinado pela médica divorciada Shirley Turner. Ao terminar o relacionamento com a canadense, Andrew não sabia que estava lidando com uma psicopata.
Por si só, essa trama toda já renderia um documentário. Mas qual foi a surpresa do cineasta quando se descobriu que Shirley estava grávida do amigo morto? O incidente fez toda uma reviravolta no trabalho de Kurt Kuenne. Principalmente após o nascimento do filho que Andrew jamais viria a conhecer: Zachary. A partir daí, o documentário estende a história para outros questionamentos. Zachary seria mesmo filho de Andrew? Com quem ficaria a criança? A maternidade ajudaria Shirley a amenizar a pena pelo crime?
Começa então uma intensa batalha judicial pela guarda de Zachary. De um lado estão Kathleen e David Bagby, pais de Andrew. O casal luta de todas as formas pelo direito de educar a criança. Do outro, está Shirley uma mulher obtusa e possessiva, o qual não se sabe se deseja o filho por amá-lo ou para manipular o sistema. O fato da mãe biológica residir no Canadá, dificulta a conclusão do caso e permite inúmeras reviravoltas da lei.
Do documentário sobre um cineasta tentando salvar as lembranças do amigo morto, Dear Zachary transforma-se em algo muito maior. Apesar do tom sensacionalista e da fragmentação excessiva de algumas entrevistas, o filme sublinha os acontecimentos com uma intensidade inspiradíssima, a ponto de beirar a ficção, tamanha força do cineasta em trabalhar as emoções do espectador. É um filme sobre amizade, o amor e os bons valores. De certa forma é também sobre a revolta e a injustiça. Bem por isso, Dear Zachary nos emociona com o mesmo potencial em que é triste e revoltante…

Ficha Técnica
Título Original: Dear Zachary – A Letter To a Son About His Father
Diretor: Kurt Kuenne
Gênero: Documentário
País: EUA/Canadá
Duração: 95 minutos
Autor: Charles M. Helmich - Categoria(s): Cinema, Resenha
Tags: Cinema, Resenha
27/06/2009 - 21:59
Os delírios de consumo de Becky Bloom ( Confessions of a Shopaholic, EUA, 2009)
Filme é baseado no best-seller homônimo de Sophie Kinsella
“Rebecca sou eu. São minhas irmãs. São todas as minhas amigas que já saíram para comprar um chocolate e voltaram para casa com um par de botas. Rebecca é todas as mulheres (e homens) que já se viram parados diante de uma vitrine e souberam, com certeza absoluta, que precisavam comprar aquele casaco e… ai, meu Deus, calças que combinassem com ele!” Sophie Kinsella
Confessions of a Shopaholic é o primeiro de uma série de cinco livros sobre Rebecca Bloomwood, uma jornalista especializada na área de finanças e em banhos de loja. Apesar de trabalhar no ramo financeiro, a garota nada entende de economia. Seu know-how é ir a shoppings torrar as últimas cifras dos cartões de crédito, enrolar credores e rebolar pra quitar as dívidas. A obra escrita por Sophie Kinsella veio ao Brasil com o título Os delírios de consumo de Becky Bloom e ganhou nesse ano uma adaptação no cinema.
Com o mesmo nome do livro, o filme é estrelado por Isla Fisher (Penetras bom de bico) que dá vida a compulsiva Becky Bloom. Apaixonada por compras, a única ambição da garota, além de flertar as vitrines de Nova York, é trabalhar na revista de moda Alette, sonho que alimenta desde criança. Para chegar lá, ela é aconselhada a pegar um atalho numa publicação de economia chefiada pelo ambicioso Luke Brandon (Hugh Dancy). A espontaneidade do texto de Becky encanta o editor que a contrata na tentativa de tornar a revista atrativa para o consumidor médio. O charme casual e o sotaque britânico carregado de Brandon tornam a atração recíproca – e todo mundo sabe no que isso vai dar…
Em pouco tempo, a coluna assinada pela “garota da echarpe verde”, faz sucesso no mercado. Embora forneça dicas valiosas sobre finanças e o uso correto do cartão de crédito, o saldo bancário de Becky Bloom continua no vermelho. Sua situação piora ainda mais quando passa a ser perseguida por um credor implacável que não medirá esforços pra cortas as asas da mocinha.
À distância, devido a premissa da jovem-jornalista-que-cai-de-paráquedas-num-mundo-que-não-é-seu, Os delírios de consumo de Becky Bloom pode lembrar O Diabo Veste Prada. Só que isso é o mesmo que comparar o Obina com o Lionel Messi. Numa gíria feminina, equivale a dizer que acessórios da Gucci e da Renner são a mesma coisa. O diretor P.J. Hogan até adicionou nessa comédia romântica elementos que refletissem a crise financeira americana. O sofrimento da protagonista com seus 12 cartões de crédito e o bata-papo com as “vitrines falantes” pontuam bem essa crítica.
Mesmo caricata, Isla Fisher tem uma atuação divertida e carismática. É uma pena que o roteiro tenha valorizado demais as situações secundárias da personagem – a fuga, as mentirinhas bobas, o romance com o editor – e passa rápido por outras mais importantes – sua impulsividade, a rotina como colunista, a cura do seu “vício”. O desfecho até rende um caldo, embora seja explícito o “dedo do produtor” no que diz respeito a filmes do gênero.
O fato de Sophie Kinsella ser jornalista de economia pode levar as pessoas a crer que a obra que originou o filme é autobiográfica. Mas não. A escritora é extremamente cautelosa com seu dinheiro, costuma aproveitar liquidações e possui bom relacionamento com o gerente do seu banco. Nem é preciso dizer que um filme inspirado no livro de uma mulher sobre uma garota que adora compras agradará mais ao público feminino. Mas não tem contra-indicações. Afinal, que atire a primeira pedra o marmanjo que não se divertiu – pelo menos um pouquinho – com o Diário de Bridget Jones…

Ficha Técnica
Título Original: Confessions of a Shopaholic
Diretor: P. J. Hogan
Gênero: Comédia
Duração: 100 minutos
Autor: Charles M. Helmich - Categoria(s): Cinema, Resenha
Tags: Cinema, resenhas
27/06/2009 - 00:18
Reza a lenda de que Ed Wood era fã obcecado de Orson Welles. Na cinebio do “cineasta” feita por Tim Burton, Wood gostava de repetir: “se Orson Welles fez sua grande obra antes dos 40 anos, eu também posso”.
Infelizmente o pior diretor de todos os tempos não conseguiu igualar o feito de Welles. Outro dissabor seu, foi não ter tido tempo de conhecer Paul Thomas Anderson. Caso o fizesse, talvez o tivesse admirado também.
Nesta sexta-feira (26), P.T. Anderson completou 39 anos. Admirador confesso dos filmes-mosaico de Robert Altman, o diretor californiano é sem dúvida um dos grandes nomes do cinema na atualidade.
Seu currículo fala por si. Apesar da pouca idade para um cineasta de renome, P.T. Anderson já realizou três grandes obras, duas delas antes dos 30 anos: Boogie Nights, Magnólia e o recente Sangue Negro, que juntas deram a ele cinco indicações ao Oscar.
Jogada de Risco, seu primeiro longa, não deixa de ser uma grata surpresa. Outra bola dentro do cara foi ter despido Adam Sandler de suas gags cômicas, rendendo ao ator uma ótima atuação em Embriagado de Amor.
Pode até ser que Paul Thomas Anderson não obtenha a mística de Orson Welles, mas com certeza ele está no caminho certo…
Autor: Charles M. Helmich - Categoria(s): Cinema, Notícias
Tags: Cinema, Notícias
25/06/2009 - 16:42
Filme estrelado por Beyoncé é forte candidato ao Framboesa de Ouro
O diretor Steve Shill possui longa carreira na televisão onde comandou episódios de séries renomadas como Dexter, Roma, Os Tudors e Família Soprano. Com uma bagagem similar, David Loughery roteirizou filmes razoáveis mas conhecidos na década de 90 como Os Três Mosqueteiros e Passageiro 57. Estranho é assimilar o nome desses dois caras experientes nos créditos de Obsessiva. Não que o filme seja uma porcaria. Pois isso seria um elogio. Se esse thriller fosse feito por um principiante recém saído da universidade, até seria compreensível. Mas não foi o caso. A dupla de cineastas – e aí o trocadilho é inevitável – deu uma aula completa de como fazer um filme obsessivamente ruim. Nem mesmo as curvas da Beyoncé – produtora executiva do filme – compensam esse aborto cinematográfico
É tarefa difícil dizer o que esse trabalho tem de pior. Se é o roteiro esdrúxulo que não sustenta meia-culpa, as atuações medíocres motivadas por um texto risível ou o desfecho histriônico que beira o amadorismo. O estranho é que esse suspense de araque fez sucesso nas bilheterias americanas. Supostamente pela presença da Beyoncé e da atriz Ali Larter, a Niki da série Heroes, que faz aqui a femme fatale de um triângulo amoroso não consumado.
Derek (Idris Elba) e Sharon (Beyoncé) formam o par perfeito e bem sucedido. Ele é um renovado vice-presidente de uma companhia. Ela, uma jovem e linda mulher que largou a carreira para ser mãe. A vida estável do casal entra em colapso quando Derek passa a ser assediado por Lisa (Ali Larter), estagiária do escritório que investe pesado no jogo de sedução. A obsessão da garota pelo chefe desperta nela os piores instintos. Quando percebe que não terá chances, a loirinha passa a atormentar a família do executivo.
Desprovido de tensão, de sensualidade ou qualquer outro atrativo que se espera de um filme assim, Obsessiva se revela incapaz de surpreender o espectador. Previsível até dizer chega, o longa reveza a trivialidade do casal com as investidas da garota, numa forma maniqueísta –diria até machista – de visualizar um triângulo amoroso. Ousadia parece que se tornou uma palavra extinta no vocabulário dos produtores de hollywood. Perto desse trabalho, Atração Fatal vira Crepúsculo dos Deuses.

Ficha Técnica
Título Original: Obsessed
Diretor:Steve Shill
Gênero: Suspense
Duração: 100 minutos
Autor: Charles M. Helmich - Categoria(s): Cinema, Resenha
Tags: Cinema, Resenha
24/06/2009 - 21:03
Polêmica à vista! Os organizadores do Oscar, o prêmio máximo da Academia de Ciências e Artes Cinematográficas dos Estados Unidos, informaram nesta quarta-feira (24/06) que o número de indicados ao melhor filme vai dobrar de cinco para dez na edição de 2010.
O presidente da Academia, Sid Ganis, anunciou a decisão numa entrevista coletiva. “Depois de mais de seis décadas, a Academia vai retomar algumas de suas raízes, quando o quadro de indicados para o prêmio principal era maior”, explicou. “No final das contas, é claro, o resultado será o mesmo… um vencedor como melhor filme… mas a disputa até a reta final será com dez, não apenas cinco filmes a partir de 2010″.
Por cerca de uma década, durante os primeiros anos da Academia (1930-1940),a categoria de melhor filme era disputada por mais de cinco títulos, e durante nove anos foram dez os indicados. A 16ª edição do Oscar em 1943 foi o último ano a incluir dez indicados, e oOscar de melhor filme na ocasião foi dado a “Casablanca.” (Fonte: G1)
Agora vamos falar sério. Alguém caiu no conto do vigário de que essa decisão é para recuperar as raízes da premiação? Ah, por favor! O presidente da Academia deveria ter guardado essa para os escoteiros…
Mais fácil é acreditar em algo palpável. E como nada é mais palpável que o dinheiro, penso o seguinte: cinco concorrentes ao Oscar, correspondem a cinco grandes lançamentos no cinema, certo? Pra garantir mais bilheteria e mais bolsos forrados aos estúdios, porque não dobrar o número desses lançamentos através de novas indicações?
Lógica que se estende depois para os DVDs que ficam mais bonitinhos e lucrativos com aquele montão de carecas douradas estampadas na capa. Por essas e outras acho pouco provável que o aumento de “vagas” no Oscar abra espaço para produções estrangeiras e projetos alheios ao balcão de negócios de Hollywood. Por enquanto é cedo pra falar, mas o que mais desejo é queimar minha língua e que a quantidade de filmes indicados se reverta também em qualidade…
Autor: Charles M. Helmich - Categoria(s): Cinema, Notícias
Tags: Cinema, Notícias
23/06/2009 - 22:26
Caiu na web as primeiras imagens de Alice no País das Maravilhas, produção da Disney que leva Tim Burton em uma nova incursão ao fantástico. O filme está apenas em pós-produção e tem estreia no Brasil prevista somente para 2010. Além do ator-fetiche Johnny Depp e da esposa de Burton, Helena Bonham Carter, o elenco traz ainda Anne Hathaway e Michael Sheen. Na imagem abaixo dá pra sentir o clímax do que será essa viagem do cineasta ao universo de Lewis Carrol. Se a ideia do figurino era fazer o Johnny Depp se parecer com uma Drag Queen inspirada na Madonna, eles conseguiram.
Mais imagens de Alice no País das Maravilhas podem ser vistas no site G1.

Autor: Charles M. Helmich - Categoria(s): Cinema, Notícias
Tags: Cinema, Notícias
22/06/2009 - 19:49
Diretor de O Ilusionista dirige road-movie estrelado por Tim Robbins, Michael Pena e Rachel MacAdams
Em meio a tantas criações pretensiosas e panfletárias sobre a volta pra casa dos soldados norte-americanos na Guerra do Iraque, The Lucky Ones é um agradável sopro de simplicidade. Até demais, diga-se de passagem. O diretor Neil Burguer poderia ter feito um libelo pacifista sobre os horrores do front, mas preferiu rodar um road-movie agridoce, com poucas bandeiras e sem discurso dignificante. Em vez de um dramalhão de perdas e danos, ele optou por uma comédia tragicômica sobre reencontrar-se na vida e seguir adiante. O roteiro, escrito pelo próprio cineasta em parceria com Dirk Wittenborn, ao invés de inserir personagens-fantoches que endossassem o lugar-comum de que “todo soldado volta da guerra desmiolado”, joga um olhar sobre os aspectos triviais dos protagonistas, com certa dose de desespero e uma ponta de otimismo.
Fred Cheaver (Tim Robbins), Colee Dunn (Rachel MacAdams) e T. K. Poole (Michael Peña) são três militares que retornam do Iraque. Fred volta aos Estados Unidos como oficial da reserva. Já Colee e Poole foram feridos em combate e por isso ganham um mês de descanso com a família. Ambos encontram-se no mesmo vôo, mas quando o avião aterrissa em solo americano, o aeroporto de Nova Iorque está interditado. Para não enfrentarem 48 horas de atraso, os soldados resolvem alugar um automóvel e seguir ao aeroporto mais próximo. Acontece que a viagem leva-os a implicações jamais imaginadas.
Após dois anos em combate, Fred é um estranho para sua mulher. Para piorar a situação, sua casa está hipotecada e o filho precisa de U$ 20 mil para ingressar na universidade. Envergonhado pela natureza do seu acidente, Poole quer curar sua impotência sexual com ajuda de “profissionais” em Las Vegas, antes de reencontrar a noiva. Pior ainda está Colee, que sequer possui família. Seu único objetivo é devolver aos pais do namorado morto em combate, o violão que ele jurava ter pertencido a Elvis Presley.
A viagem de carro, que se prolonga além do prazo, serve para curar e abrir essas feridas. Nesse intercurso, surgem boas conversas e tiradas engraçadas que se somam a muita confusão e lavagem de roupa suja. Embora o bom humor faça frente em grande parte das situações, fica perceptível ao espectador catalisar nas entrelinhas o que o autor tem a dizer. Não é muita coisa, mas é possível perceber o quanto Neil Burguer -dada a ironia do título - se empenha em mostrar as dificuldades dos soldados em se readequarem à vida normal. Desorientados, e com os nervos a flor da pele, eles são presas fáceis do próprio temperamento. Para os combatentes, voltar a ser o que era antes do alistamento, pode ser o caminho mais difícil.
No seu terceiro longa da carreira, Neil Burguer fica um degrau abaixo de O Ilusionista, seu filme anterior, mas consegue um resultado satisfatório. Dentro do elenco, Tim Robbins e Michael Peña seguem a regra do jogo sem empolgar nem atrapalhar. Já Rachel McAdams é a simpatia em pessoa. Somente ela para não deixar a peteca cair quando lá pela metade do filme, o enredo dá uma recaída. No esforço de sugerir um romance, a produção traqueja no ritmo, mas se recupera no final. A resolução redime as bolas foras da última hora de filme. Numa gíria futebolística dá pra dizer que The Lucky Ones mantém a bola rolando e segura o empate. Mas longe de fazer um gol de placa…

Ficha Técnica
Título Original: The Lucky Ones
Diretor: Neil Burguer
Gênero: Comédia Drama
País: EUA
Duração: 110 minutos
Autor: Charles M. Helmich - Categoria(s): Cinema, Resenha
Tags: Cinema, Resenha
19/06/2009 - 20:31
Filme segue (até demais) a cartilha da nova safra de thrillers de espionagem
Quando lançou Corra, Lola ,Corra em 1998, Tom Tykwer fez um estardalhaço na Alemanha. A boa receptividade do filme elevou a moral do cineasta que pintava como boa promessa no cinema. Mais ou menos como o Luc Besson nos primeiros anos de carreira. Na seqüência vieram seus outros filmes, razoáveis o suficiente para empalidecer as expectativas em torno do diretor – inclui-se aí sua tímida colaboração em Paris, Eu Te Amo. Com a competente adaptação de Perfume, em 2007, o diretor deu uma revigorada na sua reputação. Se não era a tábua da salvação que pintavam, ao menos ele provou que é capaz de entregar um projeto bem acabado sem grandes pretensões, mas acima da média. É o caso de Trama Internacional, seu novo trabalho, que entra em cartaz essa semana no Brasil.
Na esteira de Syriana e Conduta de Risco, o filme é mais um daqueles thrillers de espionagem às voltas com o mundo dos negócios. Assim como nos filmes estrelados por George Clooney, todos os males do terrorismo, das revoluções armadas e dos golpes de Estado que ocorrem no terceiro mundo possuem o dedo sujo de alguma grande corporação. Outra semelhança é que em ambas as produções existe alguém disposto a sacrificar suas tripas para salvar a humanidade da ganância dessas instituições. A diferença é que no longa de Tykwer sai as empresas de petróleo e entra uma instituição bancária: o banco IBBC. Sai George Clooney e entra Clive Owen: o agente da Interpol, Louis Salinger.
Sem o mesmo charme com que Clooney combate o crime, o personagem de Owen faz o tipo obstinado, que de tão desacreditado e pequeno frente ao inimigo que combate, torna-se paranóico. Com um passado traumático na Scotland Yard, ele passa a reviver velhos fantasmas com a morte de seu colega, durante uma investigação ao banco IBBC. Chefiada pelo burocrata Jonas Skarssen (o sub-aproveitado Ulrich Thomsen), a instituição bancária está atrelada à lavagem de dinheiro para narcotraficantes e ao comércio de armas a milícias armadas na África e Oriente Médio. Pesa também a acusação de assassinatos a políticos, empresários, informantes e investigadores que se insurgem contra a empresa.
Acobertado por chefes de polícia, o IBBC possui uma ramificação de “consultores” responsáveis pela queima de arquivo dos seus desafetos. Trata-se de criminosos sofisticados, que se encontram em galerias de arte. Com o apoio da promotora de justiça Eleanor ( Naomi Watts, em atuação apagada), Salinger consegue aproximar-se de um deles, mas terá que enfrentar sérios dilemas para conseguir incriminar o banco.
Como todo bom thriller de espionagem, Trama Internacional possui uma trama afiada, que dosa com sobriedade as tensões e os quebra-cabeças do roteiro escrito pelo estreante Eric Singer. As reviravoltas, os jogos duplos, as escalas internacionais e os trâmites investigativos não embolam em nenhum momento a compreensão do espectador. Um grande mérito, diga-se de passagem. O momento mais movimentado do filme acontece no tiroteio no Museu Guggenheim, em Nova York, numa bela seqüência de ação, que se não barbariza pelo virtuosismo, ao menos não força a barra.
O que de fato faltou a Tom Tykwer foi colocar uma assinatura à produção. Talvez ele até tenha tentado empregar sua marca pessoal, mas o que se vê é um filme eqüilátero, que atende a todos os requisitos do padrão 5s dos estúdios. Por mais instigante que seja o enredo de espionagem, outra coisa que fugiu ao talento do diretor foi driblar os estereótipos e chavões do filme. Personagens caricatos – o bancário ganancioso, o agente devotado, o comunista orgulhoso e arrependido – e frases de efeito requentadas ( “se eu sair, têm milhares de bancários na fila”) diminuem o brilho, mas não retiram a grandeza desse belo trabalho, longe de ser decepcionante. 
Ficha Técnica
Título Original: The International
Diretor: Tom Tykwer
Gênero: Suspense
País: EUA
Duração: 110 minutos
Autor: Charles M. Helmich - Categoria(s): Cinema, Resenha
Tags: Cinema, Resenha
18/06/2009 - 16:27
Jesus Cristo Caçador de Vampiros (Jesus Christ Vampire Hunter, Canadá, 2001)
Após séculos trabalhando na escuridão, vampiros canadenses dominam o espectro de luz e passam aniquilar a população de lésbicas de Ottawa em plena luz do dia. Preocupada com a situação, a Igreja Católica não vê outra saída senão convocar Jesus Cristo (Phil Caracas) para combater o inimigo. Após a morte do sacerdote de moicano, Messias raspa a cabeça, coloca brincos e calça tênis adidas para melhorar a performance de seus golpes de kung-fu. Através de um sorvete, ele comunica-se com Deus que o aconselha a preparar-se para uma árdua batalha contra os vampiros. Ao perceber que não vencerá sozinho, Jesus convoca o lutador de luta livre El Santos e juntos enfrentam a fúria dos seres das trevas que contam com apoio dos guerreiros ateus.
Se esse preâmbulo não lhe causou sequer uma pontinha de curiosidade, passe longe de Jesus Cristo Caçador de Vampiros, filme de baixíssimo orçamento produzido pela dupla de “cineastas” Lee Demarbre e Ian Driscoll. O filme é tão ruim, mas tão ruim que faz o Uwe Boll corar de vergonha. Tudo nele transborda para a picaretice e ao amadorismo. A produção – que se custou 5 mil dólares foi muito – é tão tosca que faz do longa, um cult instantâneo. Ed Wood e Stephen Apostolof teriam orgulho de assinar um filme como esse. A câmera de péssima resolução, as coreografias canhestras dos atores amadores e as tiradas politicamente incorretas fazem desse trabalho uma piada de riso fácil. Facilita, até os católicos fervorosos se divertem com essa tosqueira, que inclui até um número musical. O juízo final está próximo!

[E pra quem curte o lado b do cinema, abaixo vão umas dicas das piores coisas já capturadas numa película:]
Plano 9 do espaço sideral (1959, Ed Wood) – Considerado o pior filme de todos os tempos, Plano 9 mistura filmagens do Ed Wood com “lixos de estúdio”, cenas não aproveitadas que ele garimpou e inseriu no filme. Coisa de gênio!
Glen ou Glenda (1953, Ed Wood) – Filme que trata do suicídio de um travesti interpretado pelo próprio diretor. Tão bom quanto Plano 9…
Orgia da Morte (1965, Stephen Apostolof) – Esse é um filme que merece ser descoberto. Uma obra prima com imagens de animais roubadas dos documentários da discovery. E adivinhem de quem é o roteiro?
BloodRayne (2005, Uwe Boll) – Adaptação de game dirigida por Uwe Boll com o Michael Madsen no elenco. Precisa piorar mais?
Autor: Charles M. Helmich - Categoria(s): Cinema
Tags: Cinema
17/06/2009 - 18:30
Foi divulgado mais um pôster de Bastardos Inglórios, novo filme de Quentin Tarantino. A informação é do site italiano badtaste. A imagem caiu na rede essa semana e possui um fundo retrô cujo aspecto lembra aqueles cartazes de filmes antigos:

O filme de Tarantino traz Brad Pitt (Clube da Luta) como Capitão Aldo Raine, um líder do batalhão conhecido como “Os Bastardos”. Sua unidade é composta por judeus norte-americanos e alemães que lutam contra os nazistas. Eli Roth (Cães de Alguel) interpreta o Sargento Donny Donowitz, conhecido como “o Urso-Judeu”, tem uma forma peculiar de matar seus inimigos, sua arma é um bastão de beisebol. Completam o elenco Samuel L. Jackson, Simon Pegg, B.J. Novak, Christoph Waltz, Diane Kruger e Paul Rust.
Bastardos Inglórios teve sua première no Festival de Cannes 2009. No Brasil, o filme está previsto para estrear no dia 23 de outubro.
Fonte: Cineclick
Autor: Charles M. Helmich - Categoria(s): Cinema, Notícias
Tags: Cinema, Notícias
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