Político cristão arrependido pede perdão publicamente
Ontem recebi este e-mail do Cabo Julio, vereador no Estado de Minas Gerais. Embora não o conheça pessoalmente, tomei a liberdade de publicar seu e-mail, uma vez que ele mesmo pede que se estenda seu pedido de perdão à toda a igreja.
Seria este um bom começo? Sua atitude poderia estimular a outros a fazerem o mesmo?
Leiam e tirem suas conclusões.
CARTA A IGREJA
“Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós. Se confessarmos nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça. ( 1 João 1,8,9)
Pedido de perdão
Pequei contra Deus, contra a igreja do Senhor, contra meu Pastor e contra aqueles que confiaram em mim. Com estas palavras inicio esta carta que tem a finalidade de pedir perdão a igreja e aos seus líderes em Minas Gerais. Para muitos é uma loucura fazê-lo publicamente através de uma carta, mas para mim, é o certo a fazer, é o que o Espírito Santo me impulsionou a fazer. Cada um julgue-a conforme o Senhor falar em seu coração.
Em 1997 Deus me tirou de uma viatura policial e de uma barraca de camelô e me fez assentar entre os grandes como Deputado Federal. Foram muitos sonhos realizados e outros frustrados.
Em 2002 na minha primeira reeleição recebi indevidamente (ilegalmente, pecaminosamente) cerca de R$ 118.000,00 doados para a campanha eleitoral, de dois empresários que quatro anos mais tarde viriam a ser presos na chamada operação sanguessuga.
Em 2006 sai na primeira página dos jornais 16 vezes. Ou seja, fui execrado publicamente. Eu dei margem para que isso acontecesse com meu pecado. Mesmo tendo quase 60 mil votos perdi a eleição. Deus usando de misericórdia, me permitiu que em 2008 fosse eleito vereador em Belo Horizonte.
O Senhor me colocou em lugar de destaque, e eu desonrei o nome do Senhor fazendo o que não devia fazer. Deixando de lado, em segundo plano, o plano e projeto de Deus em minha vida. “Um abismo chama outro abismo” (Salmos 42.7). Mesmo sendo teólogo e pastor, o mandato e o esconder dos erros diante de todos e da igreja, esfriaram a minha fé. Já não orava, nem buscava como fazia antes. Vivia uma vida fria espiritualmente.
As conseqüências dos meus erros vieram na família, nas finanças, no mandato e no ministério. Agora em 2009, a justiça me condenou na ação civil pública impetrada pelo Ministério Público Federal ao pagamento de multas e perda dos direitos políticos por 10 anos. Mesmo cabendo recurso ao TRF e sabendo que as provas são frágeis e a decisão pode ser mudada, reconheço que errei, não na proporção apresentada na ação, mas errei, e pequei. Pecado é pecado e tem nome. Para ser perdoado é preciso ser confessado.
Acho que nunca fiquei tão amargurado como fiquei com esta notícia. Tive vontade de morrer, de gritar, de largar tudo, de fugir, de desistir de tudo. E Deus é testemunha de tudo que estou escrevendo aqui. Sei que o Espírito Santo vai testificar aos leitores desta carta se o que eu estou escrevendo é verdade ou mentira.
Tem momentos na vida que tudo de ruim resolve acontecer em um dia só. Me senti assim. Não tinha força sequer para orar, nem que fosse aquela oração de um minuto.
Me arrastando consegui chegar ao monte Palmares em Ibirité, local onde nos tempos do primeiro amor, fiz várias campanhas de oração. Quando eu entrei ali, o Espírito Santo me disse: te quero aqui. Foi um ato de misericórdia de Deus ter quebrado o silêncio e ter falado comigo. Chorei, gritei, pedi perdão a Deus por tudo de errado que fiz, por ter desonrado o nome de Jesus, por ter jogado fora a oportunidade de engrandecer o nome D’Ele por onde estive.
Eu creio que o mundo espiritual é real. Meus pais eram feiticeiros que se converteram ao evangelho do Senhor Jesus. Me converti depois de tentar o suicídio na Policia Militar por duas vezes. Creio que as nossas ações e também nossas omissões influenciam o mundo espiritual. Sei que podemos esconder nossos erros de todos, mas do Senhor nada fica escondido ( Os olhos do Senhor estão em todo lugar, contemplando os maus e os bons – Pv 15.3 ) e a conseqüência vem. Os erros ficam escondidos, mas um dia eles aparecem.
Destruí muitas coisas que Deus me deu: a família, as finanças, o ministério pastoral e a intimidade com Deus que tive no passado. Infelizmente eu só acordei na dor, apesar de ter tido a oportunidade de acordar no amor, nas várias vezes em que estava na igreja e o Senhor falou comigo e fingi que aquela palavra era para outra pessoa,que não era para mim.
Fiz um voto com Deus de recomeçar a minha vida fazendo o certo. E a primeira coisa é reconhecer o erro, o pecado, ainda que traga vergonha. Me sinto aliviado com isso. Sei que esta carta politicamente é uma confissão de erro, e me trará muitos prejuízos políticos, até irreversíveis, mas não importa. O que me importa agora é estar no centro da vontade de Deus, com ou sem mandato, com ou sem dinheiro, com ou sem emprego, em quaisquer circunstâncias quero servir ao Senhor e voltar ao primeiro amor.
Sei que minha vida incomoda o inferno. Minhas batalhas contra os projetos de homofobia e o centro de recuperação de dependentes químicos que desde 2000 vem tirando jovens das drogas e do álcool, me trazem muitas lutas espirituais. Mas o problema não são as lutas, e sim o erro e o pecado. Usamos muitas vezes as desculpas em dizer que somos perseguidos, que são laços do diabo, etc. Mas no meu caso não foi isso, foi erro, foi pecado. Quero tirá-los da minha vida.
Me perdoe, ore por mim. Libere o perdão sobre a minha vida. Gostaria que essa minha confissão fosse, se possível estendida a igreja para que todos me perdoassem e usassem de misericórdia comigo, que orassem pela minha vida e pela minha família.
Só quero recomeçar a minha vida e reconquistar tudo que perdi com meus erros.
A paz do Senhor
“O que encobre suas transgressões nunca prosperará; mas o que as confessa e deixa alcança misericórdia” ( provérbios 28.13 )
Cabo Júlio
Servo do Senhor
Fonte: Hermes Fernandes
Autor: escolabiblicapeniel@ig.com.br - Categoria(s): Notícias Tags: Política