Quem não é achado pela graça, acaba caçando Deus
… E então vinha o homem, ao entardecer, na viração do dia, remexendo entre arbustos e galhos de árvores maiores, quando de repente sua presa deu-se por vencida. “- Te peguei, Deus! Que coisa feia… fugindo de mim?”
O homem sempre esteve em busca de Deus, sempre “caçou” Deus… e todas as tentativas dessa perseguição do elemento divino terminaram inexoravelmente em RELIGIÃO. A religião é isso: o homem em busca de Deus, uma busca desesperada, mediante esforço próprio, sacrifícios, na tentativa de prender esse mesmo Deus ao seu sistema de ritos, doutrinas e convenções humanas.
A religião é, portanto, inerente ao ser humano. O vazio existencial, o buraco negro da alma em busca de algo que o possa preencher, tudo isso clama pela religiosidade. E ela então chega, como se fosse a salvação para o homem. O homem então se entrega na sua busca de Deus, fazendo dele a caça, o alvo a ser alcançado, atingido… para depois de preso, estar sujeito aos seus caprichos e deleites.
Porém, há algo novo, sempre novo. Chama-se Evangelho. Na viração da tarde, na ausência de cor para a continuação do dia, é Deus quem toma a iniciativa: “Adão, onde estás?”. A iniciativa da caça é dele! E não é uma caça para exterminar o objeto caçado. Somos alvo do AMOR de Deus. Essa caça é que nos traz vida! A salvação foi, é, e sempre será iniciativa de Deus. A cruz ressoa desde a eternidade… sobre a manjedoura de Belém já pairava a sombra de uma cruz, a cruz preparada desde a eternidade e sobre ela o cordeiro imolado por nós desde a fundação do mundo.
Isso é graça! Eu não mereço… eu não busco, eu não caço Deus. Ele me ama… me busca… me encontra…. me abre os braços… eu só descanso nEle… e a obra é ELE quem faz e continua fazendo até o dia dEle mesmo.
Fui seduzido e deixei-me seduzir. Fui preso na sua graça! Fui enclausurado em sua liberdade, não tenho como deixar de ser livre! Fui caçado na viração do dia… não sei o que é a noite sem Ele. Morri. Ele vive em mim!
Fonte: Crer e Pensar [via Púlpito Cristão]]

