Você sabe o que é o PLC 122/2006?
Artigo no jornal O Estado
Estava marcada para a manhã desta quarta, 6, a votação do Projeto de Lei 122/2006, em sessão extraordinária na Comissão de Assuntos Sociais do Senado. Foi adiada, talvez por causa do protesto de centenas de brasileiros cientes do teor do projeto e do perigo que ele representa.
O PLC 122/2006, de autoria da ex-deputada federal petista Iara Bernardi, determina sanções às “práticas discriminatórias em razão da orientação sexual”. Suponha que você descarte contratar um professor particular para o seu filho ao descobrir que o professor é gay, ou expresse descontentamento ao ver um casal gay se agarrando na frente do seu filho pequeno, que ainda não compreende direito uma cena desse tipo, ou combata o ensino de correção política homossexual para crianças de oito anos. Você provavelmente não sabe, mas atitudes assim podem te mandar para o xadrez se o projeto for aprovado.
A redação do projeto foi preparada para abranger toda e qualquer manifestação contrária à militância gay (nem todo gay é militante, que fique claro; o Clodovil, por exemplo, achava esse papo de “orgulho gay” uma idiotice). Eu já escrevi um artigo para este jornal condenando o uso de dinheiro público no financiamento da parada gay de Fortaleza em 2008, além de expor o ridículo do lema daquela manifestação (”Por um Estado laico de fato”). Com o PLC 122/2006 em vigor, eu poderia ser processado.
Uma lei que torna crime qualquer manifestação contrária a qualquer coisa é totalitária, simples assim. Os gays brasileiros precisam escolher: ou são cidadãos iguais aos outros, vivendo sob a mesma lei, ou são cidadãos diferentes dos demais, integrantes de uma casta.
Tome esse caso nos Estados Unidos como exemplo: em 19 de abril, a modelo Carrie Prejean concorreu ao título de Miss EUA. Ficou em segundo lugar. No momento final, Carrie cometeu uma heresia: questionada por um jurado sobre o casamento gay, ela se disse contrária. O jurado, gay, ficou hor-ro-ri-za-do com a resposta da modelo, que, segundo ele, “alienou milhões de americanos gays e lésbicas, suas famílias e seus apoiadores”. A modelo perdeu o ouro. Observe que ela não pediu a prisão dos gays, não pediu a internação dos gays, não pediu a expulsão dos gays dos Estados Unidos. Ela apenas frustrou as expectativas de uma seita que não aceita menos do que a submissão total.
Esse é o perigo: o PLC 122/2006 forçará o indivíduo a renunciar à sua opinião e reverberar o discurso da militância. É a ditadura do politicamente correto promulgando leis para policiar as consciências. Expressar qualquer oposição à agenda gay, como fez a modelo americana e eu mesmo faço agora, poderá virar crime de opinião. Quem magoar as suscetibilidades da militância tupiniquim será tratado como elemento perigosíssimo.
Os autoritários trabalham na surdina, programando a votação do PLC 122/2006 para sessões durante a madrugada ou o escondendo no meio de votações desinteressantes aos olhos da imprensa. Mas a polícia da consciência encontrou um obstáculo: a rede de blogs e sites de orientação liberal/conservadora não deixará esse pessoal vencer. Estamos atentos.
Fonte: Bruno Pontes

Ótimo artigo, ótimo blog.
Sobre o PLC 122/2006 (lei da mordaça gay), ver também:
http://liberdadedeexpressao.multiply.com/tag/plc%20122-2006
http://liberdadedeexpressao.multiply.com/blog
Sou totalmente contra o projeto plc122 , mas é uma questao politica , quantos milhoes de gays de no pais?