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19/03/2009 - 07:28

Estou grávida da minha namorada

Um casal de lésbicas de São Paulo pode ser o primeiro a registrar os filhos com o nome de duas mães.

Adriana, grávida de sete meses, recebe o carinho de sua companheira, Munira, na cama do casal. As duas geraram os bebês juntas

Munira Khalil El Ourra não vai dar à luz, mas é mãe de duas crianças que vão nascer até a primeira semana de maio. Quem está na 31ª semana de gestação é sua companheira, Adriana Tito Maciel. A barriga é de Adriana. Os óvulos fecundados que grudaram no útero dela pertenciam a Munira. Os bebês já têm nome: Eduardo e Ana Luísa. Serão paridos e amamentados por Adriana, de pele marrom e cabelo que nasce crespo. Mas terão a cara de Munira, branquinha e de cabelo liso.
Para a lei, mãe biológica é quem carrega a criança no ventre. Mas um exame de DNA mostraria o contrário. Nem Adriana nem Munira pretendem disputar na Justiça a guarda das crianças. O que elas querem é sair da maternidade juntas, com um documento que permita registrar as crianças no cartório com o sobrenome de cada uma e o nome das duas mães na certidão de nascimento. Como qualquer família normal.
O sonho de ter filhos era antigo para as moças de 20 e poucos anos que se conheceram em Carapicuíba, na região metropolitana de São Paulo. A decisão de namorar sério foi influenciada por esse interesse em comum. Em poucos meses, estavam dividindo um apartamento e fazendo planos. Algum tempo depois, Adriana descobriu no ginecologista que seu útero estava ameaçado por uma doença que já lhe tinha arrancado um ovário: a endometriose. “Fiz tratamento desde os 18 anos”, diz Adriana. “Na época, achavam que era cólica menstrual e medicavam com morfina. Quando descobriram, já tinha perdido o ovário direito. E as dores continuavam.” O médico disse a ela que uma gravidez reduziria o problema em 80% e ainda lhe daria a chance de ter um filho antes que o útero ficasse inválido.
Apesar do relacionamento ainda recente, Munira e Adriana aceitaram a ideia e procuraram um especialista em reprodução humana no Hospital Santa Joana para fazer a inseminação artificial. “A gente achava que iria comprar esperma, levar para casa e aplicar com uma seringa”, diz Munira. Os planos mudaram quando o novo médico descobriu que Adriana só tinha metade do ovário esquerdo e já não podia engravidar com os próprios óvulos. Ele sugeriu que Munira cedesse os seus. Se usassem o sêmen de um homem de mesmos traços que Adriana, o filho seria parecido com as duas mães.
As duas moças se animaram com a possibilidade de ter um filho que tivesse um pouco de cada uma. Ainda hoje, Adriana se emociona ao contar essa parte da história. Tinha sido muito dolorido receber a notícia de que não poderia ter filhos do seu próprio sangue, e o gesto de Munira foi mais que bem-vindo. “Foi a maior prova de amor que ela poderia me dar.”
Decisão tomada, era preciso fazer alguns exames e começar o tratamento hormonal para estimular os ovários de Munira e sincronizar os ciclos menstruais das duas. Os óvulos de Munira deveriam estar prontos para a inseminação artificial (em laboratório) na mesma época em que o útero de Adriana estivesse pronto para fixar os embriões. Munira se queixava dos percalços do tratamento. De abril a agosto do ano passado, as injeções diárias na barriga, a oscilação de humor que parecia uma TPM constante, a ultrassonografia vaginal toda semana, o acúmulo de líquido no corpo e o ganho de peso eram o preço que ela tinha de pagar pela bênção de ser mãe. Em breve, seria a vez de Adriana suportar a gravidez.
Quando essa fase chegou, Munira diz ter sentido em seu corpo muitos dos sintomas da gravidez da companheira. “Parecia que eu tinha ficado grávida também.” Ela diz ter sentido enjoos, estrias que nunca haviam existido, mau humor, dores nas costas, dor nas pernas, cansaço de dia, insônia de noite e até desejos estranhos. Fernando Prado, o ginecologista das duas, diz não ter explicação para essa sintonia. Ele não descarta que Munira possa até mesmo ter leite quando os bebês nascerem.
Dos exames à gravidez, todo o processo funcionou até melhor que o esperado. “Eu não imaginava que daria certo de primeira”, diz Prado. Segundo ele, a chance de uma inseminação desse tipo vingar é de 50%, levando em consideração a idade das pacientes e outras condições de saúde. Como Adriana ainda tinha miomas no útero por causa da endometriose, imaginou que seria preciso retirá-los antes. Mas eles nem fizeram cócegas. Para ajudar, em vez dos dez a 15 óvulos esperados após o tratamento hormonal, Munira rendeu mais de 20.

Adriana, grávida de sete meses, recebe o carinho de sua companheira, Munira, na cama do casal. As duas geraram os bebês juntas.
Fonte: NOTICIAS CRISTÃS
Autor: escolabiblicapeniel@ig.com.br - Categoria(s): Notícias Tags:


6 comentários para “Estou grávida da minha namorada”

  1. Adriano disse:

    ok, a história é interessante e eu Desejo que as duas sejam muito felizes e que sejam capazes de criar estas crianças. Mas o que isso acrescenta em nossa vida cristã? Onde está Deus nisso?

  2. msms disse:

    Diria a Ele: “sou vossa imagem e semelhança, e me orgulho disso”
    Deus esta em tudo!!
    Deus esta presente em tudo!!
    Admiro a coragem de pessoas como elas de encararem uma sociedade como a nossa.Me orgulho por saber que existem seres humanos com capacidade de romper barreiras, de mostrar que o amor transcende a forma física.
    Parabéns a essas seres que virão, e poderão aprender que família é sinônimo de amor acima de tudo!!!!

  3. Ao Adriano disse:

    Adriano,

    Deus não está só Bíblia que você guarda debaixo do seu braço.
    Como disse o companheiro acima, Deus está em TUDO.

    E sobre sua observação “Mas o que isso acrescenta em nossa vida cristã?”
    Isso deve fazê-lo aprender a não ter preconceitos, pois uma vida cristã não contém preconceitos.

  4. Adriano disse:

    Não quero ser mal interpretado.
    Não tenho nada contra os homossexuais. Sou heterosexual, não sou a favor da opção que eles fazem, mas os respeito como criaturas de Deus com defeitos e qualidades assim como eu.
    Também não é o preconceito que me faz perguntar “o que isso acrescenta em nossa vida cristã”, nem falta de amor. Cristo amou a igreja e não apenas os heterosexuais da igreja. Eu creio nisso.
    Mas em se tratando de um site da Igreja Peniel, achei que no conteúdo do texto haveria alguma consideração sobre o envolvimento do casal com Deus. Só isso. Achei o conteúdo aleatório e incompleto. Criei uma expectativa que foi frustrada no final da leitura.
    Mudando minha pergunta: Elas tem algum envolvimento com Deus?

  5. mary disse:

    Foi preciso utilizar o sêmen de um homem, então elas nunca terão a autonomia de produzir filhos sem a presença masculina, por favor encarem essa realidade em vez de camuflá-la.

  6. isaias disse:

    Concordo em gênero e gral com Adriano, pois Jesus ensinou-nos a amar a todos, porém ñ a acobertar o erro e as anomalias do ser Humano!

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