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08/09/2009 - 18:44

Minhas Encadernações de Estilo Clássico

Estes são alguns de meus trabalhos.

São normais e cotidianos, sem nenhum outro motivo para mostrar. Apenas tive tempo para fotografar e postar o que estava no atelier.

A técnica é a mais clássica possível, dentro das limitações de orçamento dos clientes e de materiais atualmente disponíveis no mercado.

Quase todos são no formato “lombada e cantos de couro, com espelho de monotipia em tela”, todos restaurados e costurados, sem refilamento das laterais.

Os papéis e telas marmorizadas são feitos por mim.

O mesmo livro, comparado a outro:

Livros em Proporção, 45 X 32 e 9,6 X 5,4 de Pedro Malanski

Algumas miniaturas:

Livros diversos:

Livros de Cartório

Livrão com Livrinhos

Contudo, um livro velho é muito bonito, com o sinal do tempo passado sobre ele, indicando o quanto foi lido, transportado, guardado, preservado, maltratado. Este, por exemplo, nunca tive coragem de “restaurar”, seria a mesma coisa que… se meu avô tivesse 20 e poucos anos! É um dilema!

Recebi comentários de

Zelina Castello Branco.

Uma honra e uma oportunidade

de finalmente conhecer a grande Mestre

Autor: pedromalanski@superig.com.br - Categoria(s): técnica Tags: , ,

03/09/2009 - 20:47

Zelina Castello Branco

Lá por 1982, despertou meu interesse por encadernação. Minha livraiada (tão poucos para ser considerado biblioteca) estava em péssimo estado, com as capas soltando, as costuras rotas e as páginas sujas. Comprados já usados, herdados de familia ou comprados de livraria, pediam socorro. Os primeiros sairam toscos, eficientes mas horrendos. Então o Gino da antiga livraria de usados Guttemberg, o Salim ex-presidente de sindicato de indústrias de papel e dono de uma maravilhosa coleção de livros, e Chaim, o da livraria mesmo, me deram o  livro de Zelina Castello Branco.

Foi uma descoberta atrás da outra. Direta e didática,  me deu as primeiras instruções, junto com muita tentativa e erro de minha parte, mais pesquisa e prática, fui desenvolvendo minha própria técnica, sempre mais orgulhoso por reviver  detalhes da verdadeira encadernação clássica do que por inventar novos métodos. Quando me deparava com algum impasse, imaginava o que Zelina faria. Quando terminava um livro, imaginava qual seria a avaliação de Zelina. Afinal, muitos dos grandes mestres da encadernação eram mulheres, como Santa Wiborada.

Tornou-se de fato minha mestra.

Atuou na “Leart – Livraria e Encadernação”, é viúva do escritor, jornalista e bibliófilo Carlos Heitor Castello Branco, intelectual e expert em livros. Instalada no bairro de Pinheiros, em São Paulo, com um catálogo de livros que alegrava o mais exigente dos colecionadores que a visitavam para pesquisa de raridades. Sua neta Marilia já me informou que Zelina está com 96 anos e que já não tem a Livraria.

Conta Zelina, que aprendeu os princípios da Arte de Encadernação aos 30 anos, quando freqüentou curso na Espanha. Seria com o mestre Emilio Brugalla Turmo (1901-1986), mestre completo, encadernador, dourador e escritor.

Voltando a São Paulo, entrentou todas as dificuldades inerentes à falta dos materiais mais básicos à sua atividade, quando, em plenos anos 1940, a mais industrializada capital do País não dispunha de papéis básicos de qualidade e nem mesmo os papelões, tendo que trazer da França a matéria prima de seu exigente ofício.

Durante sua profícua atuação, trabalhou para os grandes colecionadores e intelectuais brasileiros.

O meu exemplar do livro Encadernação, ficou assim:

Meu exemplar do livro de Zelina.

Fazer conhecer vida e a obra dessa mestre da encadernação clássica é vital para a Arte.

Esse Link leva ao catálogo de livros da Le Art.

http://l.vellez.sites.uol.com.br/Leart/Catalogo.html

Autor: pedromalanski@superig.com.br - Categoria(s): informação Tags:
03/08/2009 - 20:35

Conservação de Livros – Pragas Comuns

Introdução

A manutenção livros oficiais, de bibliotecas e coleções particulares, até mesmo de edifícios históricos envolve muitas e variadas disciplinas, incluindo a conservação e gestão de coleções e edifícios. Os principais agentes de deterioração são os efeitos ambientais da luz e da humidade e os agentes de destruição como os insetos e os fungos. Todos estes factores se encontram interligados e a correcta aplicação do Controle de Pragas deve abordá-los sob uma perspectiva global, não como mera reação a crises isoladas. Um Controle Integrado de Pragas bem elaborado e bem aplicado, poderá evitar a ocorrência de problemas e crises bem como pode permitir a gestão, mais racional e mais eficaz, de recursos humanos e financeiros limitados. O Controle Integrado de Pragas deve ser relevante para as necessidades seja do cartório, da instituição e da coleção, utilizando, tanto quanto possível, a informação e os especialistas locais. Deverá também ser prático e exequível - é muito fácil desenvolver projetos grandiosos, que depois se revelam completamente impraticáveis. Deve ser mais um processo em evolução do que uma revolução, aberto à colaboração de disciplinas diferentes.

TRAÇAS

As traças podem ser consideradas importantes pragas em áreas urbanas, pois infestam roupas, papéis, tapeçarias, estofados, livros, frutas secas, grãos ou outros alimentos armazenados, e muitos outros produtos manufaturados ou não. Na área urbana identificam-se três grupos distintos, reunidos em duas ordens: o grupo formado pelas traças-dos-livros ou traças-prateadas, pertencentes à ordem Thysanura; e o grupo formado pelas traças-das-roupas e as traças de produtos armazenados, pertencentes à ordem Lepidoptera.

Ordem Thysanura | Família Lepismatidae
Traças-de-livros

Essa ordem compreende os insetos mais primitivos, são conhecidas como traças-de-livros ou prateadas. Seu aspecto lembra um peixe prateado, daí um de seus nomes em inglês ser “silverfish”. A família de maior importância dessa ordem é a Lepismatidae.
Descrição e biologia

Medem no máximo 50 mm de comprimento, são ápteros, possuem corpo deprimido e alongado, com 3 filamentos caudais, olhos compostos reduzidos ou ausentes e antenas filiformes (alongadas). São insetos que se alimentam de matéria orgânica vegetal, e substâncias ricas em proteínas, açúcar ou amido, assim, em residências, atacam cereais, farinhas de trigo (úmidas), papéis que contenham cola (papel de parede, livros encadernados em brochura, etc), e alguns tecidos, raramente atacam roupas de lã e outros produtos de origem animal. Possuem hábitos principalmente noturnos, vivendo em ambientes úmidos e escuros. Escondem-se em frestas de móveis, armários, rodapés e caixas.

Principais Danos

Algumas traças adaptaram-se muito bem ao ambiente urbano, consideradas importantes pragas domiciliares, como a Lepisma saccharina. Em museus, bibliotecas, tecelagens, supermercados, hotéis e em muitos outros estabelecimentos comerciais, as traças devem ser monitoradas com rigor, evitando-se infestações severas e danos significativos. Outras espécies também encontradas no Brasil são a Acrotelsa collaris e a Ctenolepisma ciliata.

CUPINS

Apresentam reprodução sexuada e desenvolvimento ametabólico, a fase jovem diferencia-se da adulta apenas pelo tamanho e maturidade sexual. Dependendo da espécie e clima, os ovos eclodem entre 10 e 60 dias, a fase jovem para a adulta dura entre 2 e 3 meses, sendo o ciclo de vida completo de 1 ano.Ocorre em áreas de climas tropical e temperado. Há cerca de 2 mil espécies descritas, 250 delas presentes no Brasil pertencem a 3 famílias: Kalotermitidae, Rhinotermitidae e Termitidae. São conhecidos mundialmente por termite, em latim, que significa “verme que rói a madeira”, no Brasil a palavra cupim é de origem Tupi.

Descrição e biologia

São espécies sociais, organizam-se em castas de indivíduos ápteros ou alados. A cabeça é livre, com forma e tamanho variáveis, as formas aladas geralmente com olhos, que são atrofiados nas ápteras. O aparelho bucal é do tipo mastigador e bem desenvolvido, principalmente nos soldados. O tórax é achatado e com protórax destacado dos demais segmentos. Apenas os cupins reprodutores apresentam 2 pares de asas membranosas, que possuem uma sutura basal que se rompe e destaca-se do corpo após a revoada. Vegetarianos, a alimentação varia conforme a espécie: madeira viva ou morta (vários estágios de decomposição); derivados de celulose (protozoário no sistema digestivo auxilia na digestão da celulose); herbáceas e gramíneas vivas; detritos vegetais e partes vegetais vivas; fezes de herbívoros e húmus. Uma característica comum a todas as espécies de cupins é a sensibilidade à luz.

Os indivíduos são distribuídos em castas com diferentes morfologias, são adaptados ao trabalho que desempenham e vivem em ninhos, que podem ser construídos em diversos lugares. Existem, basicamente, 3 castas de indivíduos:

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Alados – destinados à reprodução e responsáveis pela formação de novas colônias. Em cada colônia há o casal real (reprodutores), a fêmea é a rainha, que sofre fisogastria e é responsável pela ovoposição, e o rei, que permanece junto à rainha, tem função de fecundá-la periodicamente. Em caso de morte ou doença de um dos reprodutores, os mesmos são substituídos pelos reprodutores de substituição;
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Soldados – responsáveis pela guarda do ninho e proteção dos demais indivíduos da colônia;
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Operários – casta mais numerosa da colônia e composta por indivíduos ápteros e estéreis, são responsáveis por todas as funções rotineiras da colônia, como obtenção de alimento, construção, reparo, expansão, limpeza do ninho, etc.

Os operários são importantes para a regulagem social da comunidade, através da trofalaxe regurgitam alimento (alimento estomodeal) e secreção salivar ou fluído fecalóide. Essas substâncias, além de valor nutritivo, transportam feromônios reguladores do desenvolvimento social da colônia e também os protozoários necessários para a digestão de celulose. Outro papel importante dos operários é o saneamento da colônia, através da remoção de indivíduos doentes, mortos ou anômalos. Para isso, os operários podem devorar esses indivíduos ou sepultá-los nas paredes ou em outras câmaras da colônia.

Ciclo de vida

Apresentam desenvolvimento incompleto, compreendendo as fases de ovo, ninfa e adulto. As ninfas sofrem ecdises até chegarem à forma adulta. É durante essa fase de desenvolvimento que será definida a “finalidade” da ninfa, ou seja, se transformarão em operários, soldados, reprodutores alados ou de reposição, de acordo com a necessidade da colônia. No último estágio, as ninfas podem desempenhar as funções dos operários.

Após a revoada, os alados perdem as asas e juntam-se aos pares, saindo à procura de local adequado para o estabelecimento da nova colônia. Decorridos alguns dias após a cópula, a rainha começa a postura. As primeiras posturas originam operários apenas, que darão início à construção da colônia. Depois de estabelecida a colônia, surgem os indivíduos das outras castas. Após atingir a maturidade da colônia (por volta de 5 anos), começam também a surgir os indivíduos alados que irão fazer novas revoadas para criar novas colônias.

CUPIM DE MADEIRA SECA

Família Kalotermitidae e Cryptotermes brevis

Habita áreas de climas subtropical e tropical, mesmo em regiões que apresentam inverno rigoroso. É uma espécie estritamente antropófila, sem registro de indivíduos encontrados em ambientes naturais. Fazem seus ninhos dentro dos moveis ou do madeiramento propriamente dito, e suas colônias são pequenas.

Sinais de infestação

Sinais de infestação: são bem discretos em infestações iniciais, porém o sinal mais típico é a presença de grânulos (resíduos fecais) amontoados e localizados abaixo dos orifícios de expulsão. Outra evidência, em caso de infestações com presença de colônias maduras, é a presença de asas espalhadas no recinto.

BROCAS

Conhecidas como brocas de madeiras, as espécies mais importantes que causam danos em móveis são as das famílias Anobiidae, Bostrichidae, Curculionidae e Lyctidae, é o maior flagelo das bibliotecas e o mais resistente a inseticidas. Adora livros encadernados. Para evitar a contaminação, deve ser verificado cada livro novo que entra na biblioteca.

Descrição e biologia

Cabeça normal, arredondada, também podendo ser alongada, formando um rostro. Antenas localizadas na fronte e variando conforme espécies. A principal característica é o primeiro par de asas modificado em élitros, de consistência coriácea ou córnea, protegendo o segundo par de asas membranosas, dobradas (quando em repouso). O abdome em geral é totalmente recoberto pelos élitros. O adulto vive fora da madeira, utilizando-a para deposição dos ovos, onde as larvas, posteriormente, irão se abrigar e ali se alimentar até atingirem o estágio de pupa. Atingem de 1 a 3 mm.

Ciclo de vida

Apresentam desenvolvimento holometabólico e reprodução sexuada. O adulto deposita seus ovos em furos ou fendas existentes na madeira, após 1 ou até 4 semanas os ovos eclodem e surgem as larvas, que permanecem dentro da madeira (se alimentando) até empuparem, período que dura cerca de 1 a 4 semanas e, já mais próximo à superfície, a pupa transforma-se em adulto. Este ciclo pode durar de 1 a 3 anos.

Principais espécies e danos

Os danos causados por coleópteros são em menor proporção que os causados pelas térmitas, porém, também requerem atenção. Apenas as larvas causam danos, pois é nesse período que o inseto se alimenta da madeira, formando verdadeiras galerias dentro dela. Uma característica que facilita a identificação de uma infestação por brocas é a presença de furos nas peças de madeira, mas, principalmente, a presença de um pó ou serragem bem fina, assemelhando-se a um talco, próximo à peça. É importante ressaltar que a textura desse pó é que diferencia uma infestação de brocas de uma de cupins de madeira seca. Existem várias espécies de brocas que infestam madeira.

Família Anobiidae

São conhecidas como brocas falsas, pois atacam madeiras e folhas secas de diversas espécies. A cabeça não é destacada do corpo, que tem formato oval. Apresenta coloração castanha escura à preta. Geralmente atacam madeiras moles. Deposita seus ovos em fendas ou orifícios existentes na madeira. Dificilmente infestam duas vezes o mesmo local. Causam grande prejuízo por ter um ciclo de vida muito rápido, um casal produz 200 ovos em 10 dias e no mesmo local.

Família Bostrichidae

Apresentam o corpo em formato cilíndrico e tórax mais áspero, antenas em forma de clave e cabeça não destacada do corpo. Sua coloração é castanha escura. Perfura a madeira para depositar seus ovos e geralmente atacam madeira dura, podendo também atacar madeiras moles.

Família Lyctidae

São as chamadas brocas verdadeiras, atacam tanto madeira dura quanto mole. Apresentam coloração variando do castanho escuro ao preto. A cabeça é destacada do corpo, que tem formato achatado. Deposita seus ovos nos poros da madeira. Seu principal sinal de infestação é a presença de resíduos de madeira nas saídas dos túneis. Causa grande dano por infestarem o mesmo local mais de uma vez.

Superfamília Curculionoidea

Apresentam cabeça prolonga-se em um rosto, de formato mais ou menos alongado, reto e voltado para baixo. São da mesma família do bicudo-do-algodoeiro. Normalmente, ataca grãos armazenados, mas podem atacar madeiras moles.

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CONCLUSÕES

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Se tiver problemas com infestação de pragas, tome uma atitude sem perda de tempo. São pequeninos mas muito eficazes. Se chegou no estágio de perceber sinais da presença de insetos no acervo, é sinal que a destruição já está bastante generalizada. Tente controlar com a dica de injetar cupincida em cada buraco de cupim, selando-o em seguida com cera de abelha.

Existem ainda outras pragas; A ARANHA, que prolifera quando já existem insetos, traças, cupins ou brocas no ambiente. RATOS, freqüentes em ambientes sujos ou com alimento disponível. Mas esses descritos acima são os maiores inimigos de um acervo de livros.

Dando um diagnóstico para uma biblioteca infestada, Zelina Castello Branco, grande mestra da encadernação clássica, foi radical: “Retirar os livros e fazer novas estantes, assim como todo o madeiramento da casa que foi afetado”. Ou seja retire do ambiente toda a madeira infectada ou não , substitua os livros afetados e restaure completamente os livros que não podem ser substituídos”.

Nunca utilize soluções invasivas nem permita que outro o faça. Ou seja, não espalhe naftalina, não use nenhum veneno líquido ou em pó que deixe resíduos nas folhas, pois causarão danos à saúde de todos que manusearem os livros. Já restaurei livros tratados antigamente com BHC, substância em pó, altamente tóxica, de longa permanência residual e atualmente proscrita, e não foi uma experiência saudável.

Em cidades litorâneas ou em ambientes particularmente úmidos, os danos são muito maiores, pois o papel está permanentemente mais mole e o ambiente ao redor – quente e úmido – é ideal para proliferação dos bichinhos.

Assim sendo, a solução depende da limpeza do local, do estado do imóvel em geral e do tipo de prateleira usada.

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Procure imediatamente ajuda profissional. Uma empresa de conceito, da qual obtive parte do material desse post é a DD Drin, no link http://www.dddrin.com.br/index.php . Por certo darão a melhor solução para cada caso.

Se desejar maiores informações, deixe um Comentário.

Autor: pedromalanski@superig.com.br - Categoria(s): técnica Tags: , , , ,
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