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08/09/2009 - 18:44

Minhas Encadernações de Estilo Clássico

Estes são alguns de meus trabalhos.

São normais e cotidianos, sem nenhum outro motivo para mostrar. Apenas tive tempo para fotografar e postar o que estava no atelier.

A técnica é a mais clássica possível, dentro das limitações de orçamento dos clientes e de materiais atualmente disponíveis no mercado.

Quase todos são no formato “lombada e cantos de couro, com espelho de monotipia em tela”, todos restaurados e costurados, sem refilamento das laterais.

Os papéis e telas marmorizadas são feitos por mim.

O mesmo livro, comparado a outro:

Livros em Proporção, 45 X 32 e 9,6 X 5,4 de Pedro Malanski

Algumas miniaturas:

Livros diversos:

Livros de Cartório

Livrão com Livrinhos

Contudo, um livro velho é muito bonito, com o sinal do tempo passado sobre ele, indicando o quanto foi lido, transportado, guardado, preservado, maltratado. Este, por exemplo, nunca tive coragem de “restaurar”, seria a mesma coisa que… se meu avô tivesse 20 e poucos anos! É um dilema!

Recebi comentários de

Zelina Castello Branco.

Uma honra e uma oportunidade

de finalmente conhecer a grande Mestre

Autor: pedromalanski@superig.com.br - Categoria(s): técnica Tags: , ,

10/08/2009 - 21:27

Conservação – Manuseio de Livros

Os critérios para manusear um livro são determinantes para uma maior vida útil e de sua permanência no acervo. Recomenda-se portanto, a adoção de normas e procedimentos básicos, como por exemplo o treinamento de pessoal, que contribui consideravelmente para a conservação preventiva do acervo, seja pequeno e estimado ou grande e inestimável.

♦ Não manusear livros ou documentos com as mãos sujas, lavando as mãos após cada refeição.
♦ Não manter plantas aquáticas, guarda-chuvas e capas molhadas junto às prateleiras.
♦ Em dias muito úmidos, evitar abrir as janelas.
♦ Não fumar nem consumir alimentos perto dos livros.
♦ Não usar fitas adesivas, durex de qualquer tipo, colas plásticas, grampos ou clipes metálicos nas folhas e documentos guardados nos livros.
♦ Não dobrar os cantos das páginas (orelhas), pois ocasiona o amolecimento e rompimento das fibras. Nunca virar as páginas segurando pelos cantos.
♦ Usar marcadores próprios, finos, evitando efetuar marcas e dobras.
♦ Não retirar o livro da estante puxando pela borda superior da lombada.
♦ Os livros devem permanecer em posição vertical. Nunca acondicioná-los com a lombada para baixo ou para cima.
♦ Nunca manter as estantes campactadas.
♦ Fazer o transporte dos livros individualmente.
♦ Nunca umedecer os dedos para virar as páginas do livro. O ideal é virar pela parte superior da folha, procurando a página e abrindo todas as folhas de uma só vez.
♦ Não apoiar os cotovelos sobre os volumes de grande porte durante a leitura.
♦ Não fazer anotações, particulares ou profissionais, em papéis avulsos e colocá-los entre as páginas de um livro. Eles deixam marcas e permitem a penetração de sujeira e umidade.
♦ Evitar forçar a abertura para tirar cópias de livros. Esta prática danifica não só a encadernação como também o papel.
♦ Não utilizar espanador e produtos químicos para a limpeza do acervo e a área física da biblioteca, use trincha em local afastado das estantes. Para evitar a distribuição de poeira sobre os volumes, o piso deverá ser limpo com pano úmido.

A ilustração do “Livro Monstro de Harry Potter”?

Ora, o segredo para o livro não morder é: sempre tratá-lo com carinho.

Autor: pedromalanski@superig.com.br - Categoria(s): técnica Tags: ,
04/08/2009 - 20:08

Como Eliminar Cupins e Brocas de sua Biblioteca

O post anterior “Conservação de Livros – Pragas Comuns” abordou de modo genérico as principais pragas que atacam os livros e a madeira da biblioteca. Para o livro infestado por alguma dessas pragas, a solução é abordar um por um, arejar, limpar folha por folha e a área do interior da lombada, para um processo superficial. O ideal é o restauro dos livros, com troca do papelão das capas, onde podem estar depositados os ovos.

Para a parte da madeira circundante, seja nas prateleiras, nas paredes da sala e mesmo nos rodapés, há uma solução mais invasiva e efetiva.

Aprendi a trabalhar madeira com meu avô José Pinto de Carvalho, o Vô Gegé, marceneiro e carpinteiro completo, com o qual vivi grande parte da infância e adolescência. Além de trabalhar madeiras nobres de forma artesanal, robusta e elegante, era exímio tocador de violão. Com ele, aprendi essa técnica simples.

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Para debelar a infestação de cupins e brocas na madeira, junte o seguinte material:

1) Uma SERINGA DE INJEÇÃO com agulha;

2) Cupincida líquido, ou inseticida líquido;

3) Cêra de abelha;

4) Espátula de metal ou uma faca.

Encha a seringa com o cupincida e injete abundantemente em cada um dos buracos na madeira.

Tape os buracos com a cera de abelha e retire o excesso com a espátula, igualando a superfície.

Deixe o cupincida agir indefinidamente.

O processo é ideal para infestações em seu estágio inicial e em pequenas áreas, pois grandes acervos e infestações generalizadas, que já comprometeram a estabilidade das prateleiras, exigem intervenção de profissionais ou mesmo a substituição de todo o madeiramento do ambiente.

Autor: pedromalanski@superig.com.br - Categoria(s): Notícias, técnica Tags: , , ,
03/08/2009 - 20:35

Conservação de Livros – Pragas Comuns

Introdução

A manutenção livros oficiais, de bibliotecas e coleções particulares, até mesmo de edifícios históricos envolve muitas e variadas disciplinas, incluindo a conservação e gestão de coleções e edifícios. Os principais agentes de deterioração são os efeitos ambientais da luz e da humidade e os agentes de destruição como os insetos e os fungos. Todos estes factores se encontram interligados e a correcta aplicação do Controle de Pragas deve abordá-los sob uma perspectiva global, não como mera reação a crises isoladas. Um Controle Integrado de Pragas bem elaborado e bem aplicado, poderá evitar a ocorrência de problemas e crises bem como pode permitir a gestão, mais racional e mais eficaz, de recursos humanos e financeiros limitados. O Controle Integrado de Pragas deve ser relevante para as necessidades seja do cartório, da instituição e da coleção, utilizando, tanto quanto possível, a informação e os especialistas locais. Deverá também ser prático e exequível - é muito fácil desenvolver projetos grandiosos, que depois se revelam completamente impraticáveis. Deve ser mais um processo em evolução do que uma revolução, aberto à colaboração de disciplinas diferentes.

TRAÇAS

As traças podem ser consideradas importantes pragas em áreas urbanas, pois infestam roupas, papéis, tapeçarias, estofados, livros, frutas secas, grãos ou outros alimentos armazenados, e muitos outros produtos manufaturados ou não. Na área urbana identificam-se três grupos distintos, reunidos em duas ordens: o grupo formado pelas traças-dos-livros ou traças-prateadas, pertencentes à ordem Thysanura; e o grupo formado pelas traças-das-roupas e as traças de produtos armazenados, pertencentes à ordem Lepidoptera.

Ordem Thysanura | Família Lepismatidae
Traças-de-livros

Essa ordem compreende os insetos mais primitivos, são conhecidas como traças-de-livros ou prateadas. Seu aspecto lembra um peixe prateado, daí um de seus nomes em inglês ser “silverfish”. A família de maior importância dessa ordem é a Lepismatidae.
Descrição e biologia

Medem no máximo 50 mm de comprimento, são ápteros, possuem corpo deprimido e alongado, com 3 filamentos caudais, olhos compostos reduzidos ou ausentes e antenas filiformes (alongadas). São insetos que se alimentam de matéria orgânica vegetal, e substâncias ricas em proteínas, açúcar ou amido, assim, em residências, atacam cereais, farinhas de trigo (úmidas), papéis que contenham cola (papel de parede, livros encadernados em brochura, etc), e alguns tecidos, raramente atacam roupas de lã e outros produtos de origem animal. Possuem hábitos principalmente noturnos, vivendo em ambientes úmidos e escuros. Escondem-se em frestas de móveis, armários, rodapés e caixas.

Principais Danos

Algumas traças adaptaram-se muito bem ao ambiente urbano, consideradas importantes pragas domiciliares, como a Lepisma saccharina. Em museus, bibliotecas, tecelagens, supermercados, hotéis e em muitos outros estabelecimentos comerciais, as traças devem ser monitoradas com rigor, evitando-se infestações severas e danos significativos. Outras espécies também encontradas no Brasil são a Acrotelsa collaris e a Ctenolepisma ciliata.

CUPINS

Apresentam reprodução sexuada e desenvolvimento ametabólico, a fase jovem diferencia-se da adulta apenas pelo tamanho e maturidade sexual. Dependendo da espécie e clima, os ovos eclodem entre 10 e 60 dias, a fase jovem para a adulta dura entre 2 e 3 meses, sendo o ciclo de vida completo de 1 ano.Ocorre em áreas de climas tropical e temperado. Há cerca de 2 mil espécies descritas, 250 delas presentes no Brasil pertencem a 3 famílias: Kalotermitidae, Rhinotermitidae e Termitidae. São conhecidos mundialmente por termite, em latim, que significa “verme que rói a madeira”, no Brasil a palavra cupim é de origem Tupi.

Descrição e biologia

São espécies sociais, organizam-se em castas de indivíduos ápteros ou alados. A cabeça é livre, com forma e tamanho variáveis, as formas aladas geralmente com olhos, que são atrofiados nas ápteras. O aparelho bucal é do tipo mastigador e bem desenvolvido, principalmente nos soldados. O tórax é achatado e com protórax destacado dos demais segmentos. Apenas os cupins reprodutores apresentam 2 pares de asas membranosas, que possuem uma sutura basal que se rompe e destaca-se do corpo após a revoada. Vegetarianos, a alimentação varia conforme a espécie: madeira viva ou morta (vários estágios de decomposição); derivados de celulose (protozoário no sistema digestivo auxilia na digestão da celulose); herbáceas e gramíneas vivas; detritos vegetais e partes vegetais vivas; fezes de herbívoros e húmus. Uma característica comum a todas as espécies de cupins é a sensibilidade à luz.

Os indivíduos são distribuídos em castas com diferentes morfologias, são adaptados ao trabalho que desempenham e vivem em ninhos, que podem ser construídos em diversos lugares. Existem, basicamente, 3 castas de indivíduos:

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Alados – destinados à reprodução e responsáveis pela formação de novas colônias. Em cada colônia há o casal real (reprodutores), a fêmea é a rainha, que sofre fisogastria e é responsável pela ovoposição, e o rei, que permanece junto à rainha, tem função de fecundá-la periodicamente. Em caso de morte ou doença de um dos reprodutores, os mesmos são substituídos pelos reprodutores de substituição;
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Soldados – responsáveis pela guarda do ninho e proteção dos demais indivíduos da colônia;
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Operários – casta mais numerosa da colônia e composta por indivíduos ápteros e estéreis, são responsáveis por todas as funções rotineiras da colônia, como obtenção de alimento, construção, reparo, expansão, limpeza do ninho, etc.

Os operários são importantes para a regulagem social da comunidade, através da trofalaxe regurgitam alimento (alimento estomodeal) e secreção salivar ou fluído fecalóide. Essas substâncias, além de valor nutritivo, transportam feromônios reguladores do desenvolvimento social da colônia e também os protozoários necessários para a digestão de celulose. Outro papel importante dos operários é o saneamento da colônia, através da remoção de indivíduos doentes, mortos ou anômalos. Para isso, os operários podem devorar esses indivíduos ou sepultá-los nas paredes ou em outras câmaras da colônia.

Ciclo de vida

Apresentam desenvolvimento incompleto, compreendendo as fases de ovo, ninfa e adulto. As ninfas sofrem ecdises até chegarem à forma adulta. É durante essa fase de desenvolvimento que será definida a “finalidade” da ninfa, ou seja, se transformarão em operários, soldados, reprodutores alados ou de reposição, de acordo com a necessidade da colônia. No último estágio, as ninfas podem desempenhar as funções dos operários.

Após a revoada, os alados perdem as asas e juntam-se aos pares, saindo à procura de local adequado para o estabelecimento da nova colônia. Decorridos alguns dias após a cópula, a rainha começa a postura. As primeiras posturas originam operários apenas, que darão início à construção da colônia. Depois de estabelecida a colônia, surgem os indivíduos das outras castas. Após atingir a maturidade da colônia (por volta de 5 anos), começam também a surgir os indivíduos alados que irão fazer novas revoadas para criar novas colônias.

CUPIM DE MADEIRA SECA

Família Kalotermitidae e Cryptotermes brevis

Habita áreas de climas subtropical e tropical, mesmo em regiões que apresentam inverno rigoroso. É uma espécie estritamente antropófila, sem registro de indivíduos encontrados em ambientes naturais. Fazem seus ninhos dentro dos moveis ou do madeiramento propriamente dito, e suas colônias são pequenas.

Sinais de infestação

Sinais de infestação: são bem discretos em infestações iniciais, porém o sinal mais típico é a presença de grânulos (resíduos fecais) amontoados e localizados abaixo dos orifícios de expulsão. Outra evidência, em caso de infestações com presença de colônias maduras, é a presença de asas espalhadas no recinto.

BROCAS

Conhecidas como brocas de madeiras, as espécies mais importantes que causam danos em móveis são as das famílias Anobiidae, Bostrichidae, Curculionidae e Lyctidae, é o maior flagelo das bibliotecas e o mais resistente a inseticidas. Adora livros encadernados. Para evitar a contaminação, deve ser verificado cada livro novo que entra na biblioteca.

Descrição e biologia

Cabeça normal, arredondada, também podendo ser alongada, formando um rostro. Antenas localizadas na fronte e variando conforme espécies. A principal característica é o primeiro par de asas modificado em élitros, de consistência coriácea ou córnea, protegendo o segundo par de asas membranosas, dobradas (quando em repouso). O abdome em geral é totalmente recoberto pelos élitros. O adulto vive fora da madeira, utilizando-a para deposição dos ovos, onde as larvas, posteriormente, irão se abrigar e ali se alimentar até atingirem o estágio de pupa. Atingem de 1 a 3 mm.

Ciclo de vida

Apresentam desenvolvimento holometabólico e reprodução sexuada. O adulto deposita seus ovos em furos ou fendas existentes na madeira, após 1 ou até 4 semanas os ovos eclodem e surgem as larvas, que permanecem dentro da madeira (se alimentando) até empuparem, período que dura cerca de 1 a 4 semanas e, já mais próximo à superfície, a pupa transforma-se em adulto. Este ciclo pode durar de 1 a 3 anos.

Principais espécies e danos

Os danos causados por coleópteros são em menor proporção que os causados pelas térmitas, porém, também requerem atenção. Apenas as larvas causam danos, pois é nesse período que o inseto se alimenta da madeira, formando verdadeiras galerias dentro dela. Uma característica que facilita a identificação de uma infestação por brocas é a presença de furos nas peças de madeira, mas, principalmente, a presença de um pó ou serragem bem fina, assemelhando-se a um talco, próximo à peça. É importante ressaltar que a textura desse pó é que diferencia uma infestação de brocas de uma de cupins de madeira seca. Existem várias espécies de brocas que infestam madeira.

Família Anobiidae

São conhecidas como brocas falsas, pois atacam madeiras e folhas secas de diversas espécies. A cabeça não é destacada do corpo, que tem formato oval. Apresenta coloração castanha escura à preta. Geralmente atacam madeiras moles. Deposita seus ovos em fendas ou orifícios existentes na madeira. Dificilmente infestam duas vezes o mesmo local. Causam grande prejuízo por ter um ciclo de vida muito rápido, um casal produz 200 ovos em 10 dias e no mesmo local.

Família Bostrichidae

Apresentam o corpo em formato cilíndrico e tórax mais áspero, antenas em forma de clave e cabeça não destacada do corpo. Sua coloração é castanha escura. Perfura a madeira para depositar seus ovos e geralmente atacam madeira dura, podendo também atacar madeiras moles.

Família Lyctidae

São as chamadas brocas verdadeiras, atacam tanto madeira dura quanto mole. Apresentam coloração variando do castanho escuro ao preto. A cabeça é destacada do corpo, que tem formato achatado. Deposita seus ovos nos poros da madeira. Seu principal sinal de infestação é a presença de resíduos de madeira nas saídas dos túneis. Causa grande dano por infestarem o mesmo local mais de uma vez.

Superfamília Curculionoidea

Apresentam cabeça prolonga-se em um rosto, de formato mais ou menos alongado, reto e voltado para baixo. São da mesma família do bicudo-do-algodoeiro. Normalmente, ataca grãos armazenados, mas podem atacar madeiras moles.

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CONCLUSÕES

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Se tiver problemas com infestação de pragas, tome uma atitude sem perda de tempo. São pequeninos mas muito eficazes. Se chegou no estágio de perceber sinais da presença de insetos no acervo, é sinal que a destruição já está bastante generalizada. Tente controlar com a dica de injetar cupincida em cada buraco de cupim, selando-o em seguida com cera de abelha.

Existem ainda outras pragas; A ARANHA, que prolifera quando já existem insetos, traças, cupins ou brocas no ambiente. RATOS, freqüentes em ambientes sujos ou com alimento disponível. Mas esses descritos acima são os maiores inimigos de um acervo de livros.

Dando um diagnóstico para uma biblioteca infestada, Zelina Castello Branco, grande mestra da encadernação clássica, foi radical: “Retirar os livros e fazer novas estantes, assim como todo o madeiramento da casa que foi afetado”. Ou seja retire do ambiente toda a madeira infectada ou não , substitua os livros afetados e restaure completamente os livros que não podem ser substituídos”.

Nunca utilize soluções invasivas nem permita que outro o faça. Ou seja, não espalhe naftalina, não use nenhum veneno líquido ou em pó que deixe resíduos nas folhas, pois causarão danos à saúde de todos que manusearem os livros. Já restaurei livros tratados antigamente com BHC, substância em pó, altamente tóxica, de longa permanência residual e atualmente proscrita, e não foi uma experiência saudável.

Em cidades litorâneas ou em ambientes particularmente úmidos, os danos são muito maiores, pois o papel está permanentemente mais mole e o ambiente ao redor – quente e úmido – é ideal para proliferação dos bichinhos.

Assim sendo, a solução depende da limpeza do local, do estado do imóvel em geral e do tipo de prateleira usada.

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Procure imediatamente ajuda profissional. Uma empresa de conceito, da qual obtive parte do material desse post é a DD Drin, no link http://www.dddrin.com.br/index.php . Por certo darão a melhor solução para cada caso.

Se desejar maiores informações, deixe um Comentário.

Autor: pedromalanski@superig.com.br - Categoria(s): técnica Tags: , , , ,
29/07/2009 - 22:24

Encadernação, Restauro e Conservação – Acidez do Papel

A escolha do papel utilizado para produção de documentos públicos é essencial para determinar sua resistência futura ao manuseio, bem como sua resistência à simples passagem do tempo.

Os mais resistentes e duráveis papéis já produzidos eram aqueles fabricados antes da grande revolução industrial, até por volta do fim do século l8. Era material obtido a partir de árvores nobres com adição de fibras de algodão à massa. O resultado era um papel forte e que jamais amarelava. Contudo, o papel simples de celulose ganhou espaço à força, graças a um estratagema mórbido. Num tempo em que as pragas, doenças e epidemias eram incontroláveis, difundiram o boato de que esses papéis eram fabricados com bandagens de hospitais. Ironicamente, hoje valorizamos o papel reciclado.

Muito mais barato e abundante, a difusão do papel de celulose foi otimizada pela própria decadência da qualidade do livro impresso, cada vez mais popularizado. No Brasil, o papel era totaslmente importado até o início da década de 1906. Então, as folhas eram mais finas e compactas, a cola de melhor qualidade e durável, as fibras mais resistentes e maleáveis. Com o papel nacional, os livros com a mesma quantidade de folhas tinham quase o dobro do volume, a evaporação acelerada, ausência de  fibras e a fragilidade geral sugerem uma realidade aparentemente paradoxal: quanto mais antigo o livro, melhor seu estado de conservação.

A acidez comum no papel moderno é resultado da condição do papel produzido da madeira, normalmente pinus e eucalipto, que contém lignina e resíduos dos ácidos empregados no clareamento das fibras de celulose, além de resíduos dos pontos usados no encolamento, a adição de cola à massa, durante o processo de fabricação. Não são apenas os resíduos de fabricação que tornam o papel ácido. As tintas ácidas também emprestam acidez ao papel, bem como a poeira e a própria gordura das mãos, a qual, em combinação com a humidade contida na atmosfera, absorve gases poluidores, formando pontos ácidos que dão origem às machas no papel. Essas manchas se propagam e destroem a fibra do papel, tornando-o quebradiço.

Os papéis brasileiros apresentam um índice de acidez elevado (pH 5 em média, quando o ponto de acidez neutra é 7 ) e portanto uma duração relativa. Somemos ao elevado índice de acidez, o efeito das altas temperaturas predominante nos países tropicais e subtropicais e uma variação da umidade relativa, teremos um quadro bastante desfavorável na conservação de documentos em papel.

O pH varia de 0 a 14, sendo pH=7: neutro. A maioria dos papéis de uso são ácidos, o que acelera seu amarelamento e decomposição.

À medida em que o ácido do ambiente interfere no papel, o pH do mesmo começa a cair para menos de 7, tornando-se ácido e acelerando seu amarelamento.
Para papéis artísticos e principalmente para papéis destinados a documentos públicos, o pH neutro é fundamental para prolongar sua durabilidade.

Portanto, ao encomendar os papéis timbrados, exija que a acidez seja a mais neutra disponível, pois existem papéis com essa especificação. Os papéis ditos “ALCALINOS”, com índice entre 8 e 9 na tabela, pretendem ter a acidez adequada.

Além disso, evite cores que sofrem mais com a exposição ao ar e à luz. São as cores entre o verde e o azul, obtidas a partir de pigmentos minerais. As cores quentes, do amarelo ao marrom são normalmente obtidas de vegetais ou de óxidos, sendo mais resistentes e duradouras. A química das cores é matéria ampla e complexa, mas esses são os princípios mais básicos.

Na compra de papéis para impressora, invista naqueles mais próximos do pH Neutro. As marcas mais populares infelizmente são muito ácidas, pois são destinadas a uso escolar que não exige nenhuma durabilidade, ou para fins comerciais e contábeis e não são feitos para durar mais do que os cinco anos da prescrição nesses casos. É também lamentável que as técnicas de encadernação usadas comercialmente estejam atualmente niveladas pelos livros fiscais, mas essa é outra história…

Os documentos públicos, por sua vez, não prescrevem.

Autor: pedromalanski@superig.com.br - Categoria(s): Notícias, técnica Tags: , ,
23/07/2009 - 21:16

Procedimentos Iniciais no Restauro de Livros Oficiais

É um livro relativamente novo, utilizado para Registro de Nascimento entre os  anos de 1961 e 1962. É constituído de material precário, produto da incipiente indústria brasileira de papel ainda sem a saudável presença de concorrência local, resultando em papel de massa porosa de má qualidade, apresentando elevado índice de acidez e, portanto, em adiantado estado de evaporação.

Nos primeiros anos de fabricação do papel nacional, apesar da utilização de árvores nobres retiradas da Floresta Atlântica e das extensas florestas do interior do Sul do País, o processo de industrialização era tosco e econômico, usando-se cola inferior para constituir a massa e equipamentos ineficientes de prensagem. Seja por falta de mão de obra ou pela urgência em estabelecer uma indústria nacional. Até hoje, a indústria local de papel não atingiu o grau de perfeição dos livros produzidos na Europa no início do século 20, pois sempre teremos que recorrer a produto de origem estrangeira quando desejamos um papel um pouco mais diferenciado. Os mesmos livros de origem estrangeira até então utilizados pelos cartórios, asseguram muito mais longevidade e qualidade, com as folhas ainda flexíveis e sedosas, resistindo bravamente às variações de temperatura e umidade, com mínima oxidação e evaporação.

O livro é de 300 folhas, medindo 0,45 cm de altura por 0,33 cm de largura, apresentando encadernação não original em capas de papelão cinza cobertos por vulcapel. Houve uma interferência amadora anterior, provavelmente dez anos atrás e todo o acervo está caído, ou seja, o miolo pesado forçou os reforços precários e separou-se da capa. Separando o miolo da capa, fica evidente a ausência de qualquer técnica na intervenção anterior. Nela, foi acrescentada mais cola à lombada, sobre os rasgões e sobre a costura original, sem que o livro tivesse passado pelo mínimo reparo. Dessa forma, a cola penetrou mais profundamente ainda nos rasgões causados pelo uso contínuo, entranhando-se até a terceira ou quarta folha de cada caderno e pelos orifícios da costura. O livro ainda foi desnecessariamente refilado, ou seja, guilhotinado em cerca de 0,05 cm em cada lado, muitos com corte torto, com perda de parte da numeração e até de parte das anotações manuscritas.

A primeira atitude é retirar o excesso de cola da lombada, junto com os fragmentos de cadarço originais e os fios da costura, também original, que foram deixados na interferência anterior. Em seguida separar com cuidado cada um dos cadernos, observando a numeração para não rasgar desnecessariamente as primeiras folhas de cada um.

Tomar maior precaução com o primeiro e o último caderno, que apresentam folhas fragmentadas e sanfonadas, seja por estarem em contato direto com a única folha de guarda em branco, seja pelo uso de fita tipo durex para reparo de rasgões, o que causou oxidação e endurecimento das fibras do papel. É necessário retirar o durex mais antigo, que se solta facilmente e tentar retirar os mais recentes desde que não comprometam as anotações oficiais. Se houver perda de texto, é preferível deixar o durex recente, pois irá se soltar em curto prazo, apesar de prejudicar bastante o papel.

Separados os cadernos, retirar deles qualquer elemento estranho, como anotações antigas e objetos, limpando com pincel macio as sujidades normalmente encontradas nesses livros, como resquícios de borracha de apagar, fungos, poeira e pelotes de cola.

Limpo e preparado, o miolo do livro está pronto para que se inicie o trabalho de conserto dos rasgões e reforço das dobras.

As ilustrações são, obviamente, de um livro antigo de outra natureza.

O maior trabalho nesse primeiro estágio, é causado pela infeliz interferência anterior, que muito contribuiu para o estado de deterioração atual do livro, que não resistiu ao próprio peso e o miolo se encontrava apoiado diretamente a sobre a prateleira, com deterioração e deformação de todo o canto inferior das folhas.

Um trabalho feito sem conhecimento, sem nenhum respeito pelo documento oficial e sem nenhum compromisso com a qualidade, dificulta ainda mais o trabalho posterior e, por incrível que pareça, pode até custar mais.

Autor: pedromalanski@superig.com.br - Categoria(s): técnica Tags:
29/05/2009 - 22:29

Encadernação de Folhas Soltas

Verificando a quantidade de buscas e procura de informações por e.mail sobre a encadernação de folhas soltas, na verdade uma BLOCAGEM, ofereço um método simples mas eficaz que pode ser adotado por qualquer pessoa sem utilizar nenhum equipamento ou material especial. Aliás, em minha atividade, além das ferramentas usuais, como régua, estilete, espátula, serra e pincel, uso apenas uma prensa pequena.

Adicione mais duas folhas em branco no começo e no fim das folhas que vai encadernar.

Bata as folhas pela cabeça (alto da folha) e pelo lado direito, até que essas áreas fiquem sem ressaltos, deixando as diferenças no pé (parte de baixo da folha) e no lado esquerdo. Acerte o conjunto com o lado de uma régua para que fique simétrico e reto.

Prenda as folhas entre duas tábuas ou dois papelões, prendendo com um peso ou livros pesados, deixando cerca de um centímetro do lado esquerdo para fora das tábuas. Ponha esse lado num local fácil para serrotar, como a borda de uma mesa.

Serrote as folhas usando uma serra para metal ou mesmo uma faca de pão, usando o seguinte padrão de corte: Dois cortes inclinados para o centro do livro ì / nas pontas, um corte central e mais dois cortes todos eqüidistantes e com o máximo de meio centímetro de profundidade.

.     ì        ↓       ↓        ↑        ↓        ↓        ↓           /     .⁄⁄

Com as folhas ainda presas, amarre. Comece deixando uma ponta do fio no corte central, passe o fio pelo corte ao lado, depois pelo próximo e pelo da ponta, volte com o fio, repassando pelo corte ao lado, pelo próximo e passe direto por cima da ponta deixada no centro. Passe pelo corte ao lado, pelo seguinte e pelo da ponta, voltando com o fio pelos cortes e dessa vez acabando no corte central. Aí você tem a ponta inicial sob o fio que passou por ela e a ponta final. Amarre as duas pontas com o fio no meio.

Para garantir pode passar cola branca antes e depois de passar o fio e mesmo passar o fio mais de uma vez. O fio pode ser o de algodão tipo urso ou um barbante forte.

Ponha uma folha de guarda no começo e no fim do livro (é uma folha dupla) e cole  a parte da dobra da folha dupla bem sobre os fios da amarração.  Cole essa LOMBADA – o lado esquerdo do livro que você amarrou – com um pedaço de papel resistente, que pode ser o kraft fino usado em pacotes de papel e alguns envelopes, na medida da altura da lombada e de largura para passar uns cinco centímetros sobre as folhas de guarda.

Seu miolo do livro está pronto. Para a capa, pode usar chapas de papelão cobertos com papel colorido ou o usual vulcapel. Ou cobrir o miolo assim como está com tecido ou papel cartão. Use criatividade. Costumo dizer que o importante é a qualidade do miolo do livro e que a capa é só perfumaria.

Sem tempo para fotografar passo a passo do processo, espero que tenha conseguido me fazer compreeder.

Autor: pedromalanski@superig.com.br - Categoria(s): técnica Tags:
25/05/2009 - 22:19

ENCADERNAÇÃO É CONSERVAÇÃO

O primeiro movimento em direção à perfeita conservação de livros é sua correta encadernação.

A melhor atitude para uso racional de recursos naturais é a encadernação.

Insisto na tese de que o livro deve ser feito para durar, pois nunca mais será necessário reencadernar.

Por exemplo, considero desperdício a uso de agendas anuais. Cada ano, milhões são produzidas, algumas intitulando-se “ecológicas”, e todo ano milhões são descartadas. Espero que todos passem a usar seus celulares e laptops, nunca mais comprando agenda na vida.

Contudo, existe toda uma indústria baseada na obsolescência. Produz as agendas, os livros didáticos e técnicos, a literatura barata, as encadernações bastardas e efêmeras.

Todo esse espaço é destinado à difusão das técnicas corretas para encadernação de livros duráveis, seja para atender à demanda dos cartórios, circunscrições de imóveis e tabeliões, como para aqueles livros preferidos de valor sentimental. Aqui, não pretendo angariar clientes, mas fazer proselitismo. Não pretendo propagandear minha empresa, mas estimular que outros atuem com integridade.

Autor: pedromalanski@superig.com.br - Categoria(s): Pessoal Tags:
16/04/2009 - 21:29

Marmorização – Monotipia sobre Papel

♣ A boa técnica da marmorização consiste em dispor uma larga superfície de água, seja numa bacia ou num plástico sobre quatro ripas de madeira do tamanho desejado, jogando sobre sua superfície tinta a óleo, tinta esmalte ou qualquer outra diluída por solvente ou querosene, misturando levemente até obter o efeito desejado e aplicar uma folha de papel. Cuidar para que não fiquem bolhas, batendo levemente sobre a folha ou usando tinta bem diluída, retirar a folha sem virar, deixar a água escorrer, virar e por o papel para secar. O princípio é simples, como qualquer boa técnica.

♣  Outros detalhes podem ser acrescentados para obter diferentes efeitos. Por exemplo, utilizando tintas diluídas com querosene e com águarraz para que se misturem menos; usando tintas bem diluídas ou puras para obter texturas diferentes; misturando com um pau, soprando, “penteando” com um pente de dentes bem espaçados ou de agulhas; espessando a água com maisena para controlar o movimento das tintas; adicionando detergente à água para obter pequenos pontos de tinta. Ás vezes, até o vento soprando sobre a superfície da tinta, espalhando-a com delicadeza, forma uma textura suave e dá um efeito bonito.

♣  Se as primeiras ficarem estranhas, tente mais, invente mais. Para obter um efeito pré-determinado, erra cinco. Qualquer que seja o resultado, é sempre aproveitável para alguma finalidade. Nunca fiz uma folha que não fosse possível usar em algum livro. É claro que algumas ficam estranhas, outras ficam tão perfeitas que dá dó utilizar. Mas cada uma tem seu valor.

♣  Um PULO DO GATO: com a tinta quase seca, espalhe TALCO e esfregue com um pano macio com força em círculos, para suavizar os excessos e preencher os vazios.

♣  Uma variação da marmorização em papel que tenho utilizado com sucesso, é a marmorização sobre tela. Faço o tecido com tinta latex da forma usual e marmorizo nela, resultando um material perfeito para ser utilizado como “espelho” da capa, ou seja, aquela parte externa do livro entre os cantos e a lombada. Para livros grandes ou que serão muito manuseados, é material resistente e bonito.

♣  Agora, qual a finalidade do papel marmorizado. Sabemos sua função estética, mas qual seria sua utilidade prática?

♣   Uma: forma barreira natural contra traça, brocas e cupins, pragas que não devem gostar de comer tinta. Outra: impede que a primeira folha  do livro, a “folha de guarda”, sanfone ou engruvinhe, pois reforça o papel. E mais: esconde  imperfeições de prensa, espátula, cola e qualquer outra resultante do trabalho do encadernador.

♣   Estava dando uma oficina no Centro de Criatividade do São Lourenço, quando o presidente da Fundação Cultural de Curitiba fez uma visita surpresa. Foi direto para o monte de papel  marmorizado que estávamos fazendo e, antes de tocar nele, disse: “agora estão usando mármore para cortar o papel…?”

Não pretendo que minhas marmorizações sejam gravuras, esse status fica para quem procura resultados artísticos, mas papel para usar em escala razoável no meu artesanato.

Atualizando esse post hoje, dia 25/08/2009, só recentemente me ocorreu a razão maior, a justificativa definitiva, para o uso de papel marmorizado na encadernação. Deve-se à ACIDEZ DA COLA! Como não há nenhuma cola com acidez perfeita e com resistência suficiente para colar o miolo do livro à capa, é preciso que haja um material isolante entre a cola e as páginas brancas do livro, senão as folhas irão amarelar e ficar porosas pela ação da acidez da cola. Dessa forma, a tinta esmalte ou óleo exercem essa função de proteção.

Monotipia 0,66 X 0,96  Esmalte sobre papel de Pedro Malanski

Esmalte sobre papel de Pedro Malanski

Monotipia 0,66 x 0,96 esmalte sobre papel de Pedro Malanski

Monotipia esmalte sobre papel de Pedro Malanski

Na França, é “papier marbré”

Suminagashi – Técnica ou efeito de gravura japonesa.

Suminagashi, efeito japonês.

Monotipia clássica e belíssima, por Wagner Campelo

Marmorização de Laura Klemz

Autor: pedromalanski@superig.com.br - Categoria(s): técnica Tags:

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